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HARVARD UNIVERSITY 




LIBRARY 



OFTHE 



Museum of Comparative Zoõlogy 




Anno V Fevereiro 1915 



N.° 1 








DE 



Veterinária e Zootechnia 



FTJBILiIG^.ÇíA.0 OiFIFICI-AJLi 



DO 



Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



SUMMARIO 



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PARTE OFFICIAL : 

Decreto n. 11.460, de 27 de Janeiro, com a exposição de motivos, 

reorganizando o Serviço de Veterinária I 

COLLABORAÇÃO : 

Dr. f . W. Chestcn A fabricação do queijo Cheddar 46 

PELAS INSPECTORIAS: 

Dr. Esplridiác de Cueirox Lima Excursão aos municípios de Ma- 
capá e Amapá 53 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES 62 

ECOS E NOTICIAS 62 

Reproductores bovinos — Primeira exposição nacional de milho — 
Registro de marcas — Peste das cadeiras — Exposição agro- 
pecuária — Carnes congeladas — Industria pecuária em Matto 
Grosso — Feiras de gado — Distribuição de vaccinas. 

V J 

Typ. e Pap. Villas Boas à C. — Rua 7 de Setembro ns. 219 a 225 

191S 



1-3=2 3RTT.A- IDO OUVIDOB 142 




Seringas especiaes para uso veterinário, cora agulhas de aço, muito fortes e em forma de lança, que dispensam 

o uso do trocater 

Estas seringas, de 5,10 e 20 cc., modelo Casa Moreno, são as únicas usadas e 
recommendadas pela Directoria do Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agri- 
cultura 




Installações completas de laboratórios de chimica, bactereologia, etc, etc, a 
gaz, álcool, petróleo e electricidade. 

Estufas, autoclaves, fornos, banho-maria, etc, etc. 

Apparelhos especiaes de Gerber, para exame de leite, manteiga e queijo. 

Caixas com comprimidos para exame de agua e urinas. 

Apparelhos especiaes para extincção de formigas e outros insectos, por meio de 
vapores de formol, pulverisadores, seringas para desinfecção, estufas, etc, etc. 

Instrumentos de cirurgia, arte dentaria, accessorios de pharmacia e laboratórios, 
fundas etc, etc 

MORENO BORLIDO & C. 

1^2 ISTJ^. IDO OTTT? IlDODES 1-42 



Telegr. Cod. Ribeiro 
CASAMORENO 



155, RDA DO ROSÁRIO 

E DEPOSITO 

80 Rua Gonçalves Dias, 8o 

:R.IO IDE J-^ISTEIPtO 



Correio 
CAIXA 735 



REVISTA 



DE 



Veterinária e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OFFIOI-AJL. 

DO 

Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



FEVEREIRO -1915 



Tomo I — Fascículo V 

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MO IDE J-A.3STEIPIO 

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S^ 



j915 

Revista de Veterinária e Zootechnia 

Publicação Official do Serviço de Industria Pastoril 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Distribuição gratuita aos criadores do paiz que a solicitarem 



ACCEITAM-S^ J^TSUSTTJJSTCTOS 



Toda a correspondência relativa á REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA, pedidos, 
reclamações, etc-, devem ser dirigidos a Fernando Werneck, Caixa Postal n. 1678 — Rio — Brazil 

ANNO V Fevereiro de 1915 N° 1 



EXPEDIENTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar a 
interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possivel, o numero de ordem de sua inscripção. 



PARTE OFFICIAL 



SerTriço de Ind/mstria, Psistoril 

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS 

Sr. Presidente da Republica. — Dos dous ramos prin- 
cipaes em que se divide o aproveitamento do solo — a 
agricultura e a pecuária — o segundo não encontrou, no 
Ministério a meu cargo, todos os órgãos indispensáveis 
para lhe auxiliar o crescimento e conferir a importância 
previsivel em paiz como o nosso, no qual parecem illi- 
mitadas suas possibilidades de desenvolvimento. 

Nem ha, em tal ausência, phenomeno sorprehendente: 
creação nova, iniciada tacteando-se em pleno desconhe- 
cido, era natural não surgisse inteira e impeccavelmente 
apparelhada do cérebro que a ideou. Veiu a pratica indi- 
car os pontos fracos, as lacunas a supprir, os defeitos a 
eliminar. Aos poucos tornou-se orgânico o modo de en- 
carar o problema, afastando-se as soluções episódicas e 
os expedientes parcellares até então preconisados. 

Hoje, o ponto de vista em que se colloca o Ministério 
é o da apprehensão integral do facto económico' a in- 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



dustria pastoril em seu conjuncto, abrangendo a producção 
do alimento ; a creação do transformador biológico das 
forragens em energia viva, productos comestíveis e sub- 
productos industriaes; a hygiene aggressiva e defensiva 
idos rebanhos. 

Antes de instituído o departamento administrativo que 
me cabe neste instante dirigir, as innumeras questões in- 
cluídas na resumida resenha feita linhas acima tinham 
de ser defrontadas e solvidas por iniciativas particulares. 
Uma ou outra conquista definitiva foi feita; algumas nor- 
mas praticas firmaram-se ; raros ensaios vingaram. 

Como regra, entretanto, a tarefa excedia ás forças 
individua es dos criadores, e máo grado toda a sua de- 
dicação e a nobre energia com que despenderam cabe- 
daes e esforços, a lista dos insuccessos esmaga, por seu 
vulto, a curta exposição do que se poude colher de po- 
sitivo. 

E' para a Nação pagar caro demais a lição negativa 
do mallogro, sem ter, siquer, a absoluta certeza das con- 
clusões obtidas, dada a insufficiencia scientifica dos ex- 
perimentadores. 

Não exaggera quem avaliar em muitos milhares de 
contos de réis as quantias assim desbaratadas, sem levar 
em conta ainda, as consequências possivelmente damnosas, 
para o futuro da industria pastoril, de algumas expe- 
riências feitas em escala perigosamente elevada. 

Taes ensaios e tentativas mais cabem na orbita de 
acção do Governo, com outros recursos scientificos e ma- 
teriaes, com outro escopo também, puramente altruista, 
em bem da collectividade. Averiguações feitas e resultados 
colhidos aproveitarão desta arte a todos e serão transmit- 
tidos como regras praticas de technica, já isentas de todo 
elemento aleatório. 

Para conseguir tal premio, porém, tudo está por fazer. 

Não basta crear, no papel, na mór parte dos casos 
institutos que se condecoram de zootechnicos ou de mo- 
delos e apenas pensam no orçamento, sem nada produzir, 
com três ou quatro excepções. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



Cumpre começar por definir o âmbito da acção; pois y 
em verdade, em nosso meio, quasi tudo se desconhece 
em zoolechnia. Pouquíssimo se sabe de nossas forragens. 
E' discutido si existem raças brasileiras de gado. Não 
se pode prever, desde já, como obtel-as: si por selecção, 
si pela cruza, si pelo refinamento. Ainda é ignorado o 
valor de certos coefficientes locaes de clima, de natureza 
de pastagens, de afastamento de mercados, de exigências 
do consumo. 

Pr< cisa-se. portanto, iniciar o estudo systematico de 
todos esses aspectos da questão. As proprjas experiências 
sobre os mesmos phenomenos em condições variadas de 
meio. para se tornarem úteis, devem-se tornar compa- 
ráveis isto é, obedecer a uniu orientação scientifica, una, 
capaz de, competentemente, investigar o caso e lhe tirar 
os corolJarios. Desta arte, somente, se conseguirá unidade 
e, portanto, comparabilidade na experimentação e nos 
st as ensinamentos, e se Logrará evitar desperdício de 
energia em rumos desencontrados. 



Quem. como nós, não possue recursos fartos e está de- 
ante de um problema quasi por inteiro desconhecido, só 
tem um caminho a seguir: concentrar esforços, norteal-os 
poi* um alvo commum, e proceder logicamente do geral 
para o particular e do simples pára o complexo. 

Isso só se obterá enfeixando sob uma direcção única 
os trabalhos da mesma natureza. Fique bem claro, porém: 
tal direcção é meramente orientadora, pois'na realisação 
pratica dos programmas deve ser dada absoluta liberdade 
de movimentos, com a responsabilidade correlata, aos 
órgãos de execução. 

Outra razão capital impõe tal processo. Códigos e 
leis valem o que vale quem os põe em pratica. Chefe 
apto a planejar e executar, é mais fácil achar um do 
que vinte ou trinta, ao passo que, em esphera subordi- 
nada, vinte ou trinta bons cumpridores de ordens podem 
ser encontrados, principalmente em sabendo elles que 
suas possiveis falhas ou deficiências terão correctivo e 
auxilio no conselho de seu superior technico. 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMBRCIO 



Na situação vigente, cada director de posto zoote- 
chnico ou de fazenda-modelo age por si, sem nexo seus 
esforços com os de estabelecimentos similares, creado 
liame, apenas, pela decisão do Ministro. Ora, excepcional- 
mente será este um profissional com aptidões especialisa- 
das sufficientes para desempenhar tal missão. E, quando 
o consiga, quem affirma poder seu successor prolongar a 
mesma orientação ? Essencial, entretanto, é a continuidade 
em taes emprehendimentos que se protraem por larg 
prazos. Dahi perda de tempo, gasto improficuo de força, 
prejuizo para a collectividade, estagnação nos estudos, 
tendências á incoherencia, desanimo na missão aconse- 
Ihadora offieial. 

Cessam os inconvenientes e desapparecem os obstá- 
culos, combinando a orientação scientifica central com 
a livre realisação na observância dos programmas pelos 
órgãos periphericos de execução. 

Será applicar á zootechnia o methodo que tão bons 
resultados tem produzido na lucta contra as zoonoses. 

Effectivamente, ao ser creado, a inexperiência nesse 
ramo scientifico era quasi completa em nosso paiz. So- 
.bravam, porém, boa vontade e desejo de acertar. Hoje. 
pela collaboração estreita do Instituto Oswaldo Cruz e 
do Serviço de Veterinária, e pelo crescente desenvolvi- 
mento e progresso innegavel deste ultimo, já tem este 
Ministério motivos para se ufanar do caminho percorrido 
e das conquistas alcançadas. Já o problema para me- 
lhor servir aos criadores é outro: consiste em methodisar 
as intervenções, alargar-lhes o campo, enveredar pelo de- 
bellamento systematico de enzootias e epizootias, das 
quaes, até ha pouco, só se julgava poder vencer casos 
isolados. 

Tanto para o estudo e para a evolução ascensional do 
rebanho são, como para igual tarefa no caso especial 
das doenças animaes, o grande, o inilludivel dever está 
em dispor de um estado-maior scientifico perfeitamente 
apparelhado, seleccionado do exclusivo ponto de vista de 
sua dúplice capacidade technica e administrativa, sem 
attender a nenhuma solicitação de outra espécie. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



Para conseguil-o, procurar as competências onde es- 
tiverem, no paiz ou fora delle, e a todas dar largueza 
de movimentos e un idade de rumo na missão collectiva a 
•cumprir. 

Claro que, neste agrupamento hierarchico de serviços, 
não entram os institutos de ensino médio e de ensino 
superior. A estes convirá enfeixar futuramente sob uma 
direcção única, ainda em estudos. 

No actual projecto, subordinam-se á orientação te- 
chnica do Serviço de Industria Pastoril meros órgãos 
de execução, de alta valia scientifica e de grande im- 
portância pratica: os postos zootechnicos ; as fazendas- 
modelo : as estações de monta; as inspecções de serviços 
especiaes, como lacticinios, carnes refrigeradas, fiscali- 
sação de produetos animaes; os postos veterinários; os 
poslos de observação; os lazaretos quarentenários; as 
inspecções dos portos; a lueta systematica contra a zoo- 
nose, e outras incumbências da mesma natureza. 

Na organisação do novo regulamento, com que pre- 
tendo, systematisar, dar novo impulso, fortalecer a acção 
e polarisar synergicamente os esforços do Ministério no 
tocante á industria pastoril, dominaram, além do movei 
orientador já exposto, os princípios administrativos e 
technicos já elucidados na remodelação do Serviço Geo- 
lógico: dar amplitude de movimentos ao pessoal scien- 
tifico ; só admittil-o definitivamente após um estagio de 
experimentação; dar elasticidade aos quadros; tornar pra- 
tico o rumo das investigações; unificar o estatuto dos 
funecionarios do Ministério ; augmentar ao máximo a 
collaboração destes na actividade da classe dos criadores; 
multiplicar os pontos de contacto e de prestação de au- 
xílios entre interessados e órgãos officiaes ; popularisar, 
intensificando-os, os trabalhos destes. 

De accôrdo com taes normas, solicito de V. Ex. a appro- 
vação do novo regulamento do Serviço de Industria Pastoril. 

Aproveito a opportunidade para reiterar a V. Ex. os 
protestos da maior estima e mais elevada consideração. 

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1915. — João Pandiá 
Calo geras. 



6 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, -INDUSTRIA B COMMBE( l<> 

DECRETO N. 11460 — de 27 de janeiro de 1915 

^Reorganiza a Directoria do Serviço de Veterinária, a cargo do Ministério da Agri- 
cultura, Industria e Commercio, dando-lhe nova denominação, e approva o 
regulamento respectivo. 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do 
Brasil, usando da autorização constante do art. 79. alí- 
nea VIII, da lei n. 2.924, de 5 de janeiro de 1915. decreta: 

Artigo único. Fica reorganizada a Directoria do Ser- 
viço de Veterinária, a cargo do Ministério da Agricultura, 
Industria e Commercio, a qual passará a denominar-se 
Serviço de Industria Pastoril, de accôrdo com o regula- 
mento que com este baixa e vai assignado pelo Ministro de 
Estado dos Negócios da Agricultura, Industria e Com- 
mercio. 

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1915, 94/ j da Inde- 
pendência e 27° da Republica. 

Wenceslau Braz P. Gomes. 
João Pandiá Calo geras. 



Regulamento a que se refere o decreto n. 11.460 desta data 

CAPITULO I 

DO SERVIÇO DE INDUSTRIA PASTORIL 

Art. 1.° O Serviço de Industria Pastoril tem por fim: 

1.°, a orientação e o estudo dos assumptos referentes 
á criação do gado e melhoramento das respectivas raças , 

2.°, o estudo sobre a alimentação do gado e a ana- 
lyse de forragens ; 

3.°, a divulgação, entre os criadores, dos methodos 
zootechnicos mais aperfeiçoados e adaptáveis ao paiz ; 

4.°, o estudo sobre a acclimação e multiplicação dos 
animaes de raça, fornecendo aos criadores os necessários 
dados ; 

5.°, a orientação dos criadores sobre o melhoramento 
das raças locaes, indicando-lhes os reproductores mais 
convenientes para esse fim ; 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 



6.°, o estudo dos melhores processos de conservação 
e transportes dos productos de origem animal, particular- 
mente dos methodos relativos á industria dos lacticinios; 

7.°, o estudo das moléstias e pragas que affectem 
as plantas forrageiras e dos meios de as dèbeilar; 

8.°, a organização de concursos e exposições pecuá- 
rios ; 

9.°, a reorganização de estatisticas da existência, pro- 
ducção e commercio de gado e productos de origem 
animal ; 

10.°, a inspecção sanitária do gado importado e do 
gado exportado ; 

11.". a inspecção sanitária do trafego ou commercio 
interestadual do gado. seja o mesmo realizado por via 
marítima, fluvial ou terrestre; 

12.°, as investigações scientificas sobre as moléstias 
([lie affectam o gado; < 

13.°, o preparo dos productos biológicos (soros, vae- 
cinas, ele. usados na prophylaxia das moléstias do gado; 

1 l.<\ a orientação e organização de medidas prophv- 
laelieas para a repressão e erradicação de epizootias-; 

IS. , o tratamento das enzootias e epizootias; 

16.°, a immunização do gado importado; 

17.°, a inspecção sanitária dos matadòuros-módelo, 
entrepostos, frigoríficos estabelecidos mediante favores da 
União e gado (pie a elles se destinar, bem assim dos es- 
tabelecimentos pastoris ou de lacticínios, feiras e exposi- 
ções de gado epie receberem idênticos favores; 

18.°, a distribuição gratuita, aos criadores e lavradores, 
dos productos biológicos de (pie trata o ri. 13; 

li).», a vulgarização de conhecimentos úteis sobre a 
pratica da medicina veterinária e tudo que possa inte- 
ressar á pecuária; 

20.°, as informações concernentes ás moléstias epie 
affectam o gado, meios preventivos e curativos; 

21.°. as informações sobre hygiene dos animaes do- 
mésticos ; 

22.°, o serviço gratuito de polyclinica veterinária; 

23.°, a inspecção das invernadas de gado ; 



8 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E 0OMMKACI0 



24.°, as providencias relativas ao combate e propby- 
laxia contra o carrapato e outros parasitas externos dos 
animaes; 

25.°, a inspecção veterinária dos por Los e das fabricas 
de productos animaes destinados ao commercio interesta- 
dual e internacional. 

§ l.o As providencias constantes dos ns. 11, 23 e 
24 do presente artigo ficam dependentes de accôrdo com 
os Governos locaes. 

§ 2.° Terão preferencia para os favores concedidos no 
presente regulamento os Estados que estabelecerem com 
a União o accôrdo a que se refere o paragrapho anterior. 

Art. 2.° A acção do Governo Federal no Serviço de 
Industria Pastoril se exercerá por intermédio do Minis- 
tério da Agricultura, Industria e Commercio : 

1.°, em todos os portos da Republica por onde se 
importar e se exportar o gado ; 

2.°, nas fronteiras do paiz ; 

3.°, nos pontos por onde se fizer o commercio ou 
ou o trafego interestadual do gado e dos productos ani- 
maes nos termos dos ns. 11 e 25 do artigo anterior; 

4.°, no território de qualquer Estado, no caso de 
moléstia contagiosa que, por sua natureza e intensidade, 
possa affectar os Estados vizinhos ; 

5.°, em qualquer propriedade, estabelecimento de cria- 
ção ou industria rural, quando seu proprietário solicite a 
interferência da Directoria do Serviço de Industria Pas- 
toril ; 

6.°, em qualquer parte do território da Republica, 
nos casos dos ns. 15, 17 e 22 a 25 do artigo anterior. 

CAPITULO II 

DA ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE INDUSTRIA PASTORIL 

Art. 3.° O Serviço de Industria Pastoril ficará a cargo 
de uma Directoria, com sede na Capital Federal, sendo 
representado nos Estados por Postos Zootechnicos, Fa- 
zendas-Modelo, Inspectorias Veterinárias, Postos Veteri- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 9 

narios, Postos de Observação e mais estabelecimentos e 
funccionarios constantes do presente regulamento. 

Art. 4.° A Directoria do Serviço de Industria Pastoril 
constará de três secções, sendo a primeira de zootechnia, 
a segunda de veterinária e a terceira de expediente. 

Art. 5.° A' secção de zootechnica compete: 

§ l.o Elaborar memorias, monographias e instrucções 
praticas referentes aos assumptos da secção, afim de serem 
distribuídas aos criadores. 

§ 2.° Informar sobre as raças dos animaes repro- 
ductores quando tiverem de ser importados pelo Gover- 
no ou por particulares. 

§ 3.° Orientar a organização de concursos, de ex- 
posições de animaes e de exposições-feiras relativos á 
pecuária. 

§ 4.° Ministrar aos criadores instrucções praticas so- 
bre a alimentação dos animaes, suas habitações, valor 
nutritivo das forragens e seus methodos de conservação. 

§ 5.° Attender ás consultas dos criadores e agricultores 
sobre os differentes assumptos referentes á competência 
da secção. 

§ 6.° Auxiliar o director nos estudos e trabalhos a 
que se referem os ns. 1 a 9 do art. 1.° deste regulamento. 

§ 7.° Inspecccionar os estabelecimentos de lacticínios, 
bem como os concursos, exposições e feiras relativos á 
pecuária. 

§ 8.° Elaborar trabalhos para a Revista de Veterinária 
e Zootechnia. 

Art. 6.° A' secção de veterinária compete: 

§ 1.° Auxiliar o director nos estudos e trabalhos a 
que se referem os ns. 10 a 25 do art. 1.° deste regula- 
fmento. 

§ 2.° Elaborar memorias, monographias e instrucções 
praticas sobre policia sanitária e hygiene animal. 

§ 3.° Preparar e distribuir os soros, vaccinas e mais 
productos biológicos, de accôrdo com este regulamento. 

§ 4.o Elaborar trabalhos para a Revista de Veterinária 
e Zootechnia. » 



10 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA H OOMMBRCTO 

§ 5.° Estudar as diversas moléstias e parasitas que 
affectam o gado e os meios de as debeilar. 

§ 6.° Attender ás consultas dos criadores sobre os 
assumptos referentes á competência da secção. 

§ 7.° Orientar, na organização dos concursos, exposi- 
ções e feiras, a fiscalização sanitária dos animaes. 

§ 8.° Proceder á inspecção veterinária dos portos, das 
fabricas de productos animaes e do transporte do gado 
por estradas de ferro e ás desinfecções dos respectivos 
vagões. 

Art. 7.° A' secção de expediente compete : 

§ 1.° Todo o expediente da Directoria e o processo de 
contas e de folhas de pagamento que lhe disserem respeito. 

§ 2.° A escripturação das despezas da Directoria e 
suas dependências, segundo as regras geraes adoptadas 
pela Directoria Geral de Contabilidade. 

§ 3.° O expediente sobre nomeações, posse, exone- 
rações e licenças que, nos termos das leis e regulamentos 
em vigor, competirem á Directoria. 

§ 4.° O protocollo e registro de todos os papeis, fa- 
zendo entrega ás outras secções dos que lhes forem des- 
tinados. 

§ 5.° A collecção das minutas, dos officios, dos re- 
querimentos, das cartas e dos telegrammas, conservando- 
os em ordem chronoloiga. 

§ 6.° A administração e distribuição da Revista de 
Veterinária e Zootechnia. 

Art. 8.° Ficam subordinados á Directoria do Serviço 
Industria Pastoril: 

1.°, os Postos Zootechnicos ; 
2.°, as Fazendas-Modelo ; 
3.°, as Escolas de Lacticinios ; 
4.°, as Inspectorias Veterinárias districtaes ; 
5.°, as inspecções veterinárias de portos e das fabricas 
de productos animaes; 

6.°, os Postos Veterinários e de Observação ; 

7.°, as inspecções de lacticinios. 

Art. 9.° Além do pessoal das suas diversas dependeu- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 11 



cias. o Serviço de Industria Pastoril terá mais o seguinte, 
na respectiva Directoria: 
1 director. 



Secção de zootechnia: 

1 chefe; 

2 ajudantes ; 

1 auxiliar technico ; 
1 dactilographo ; 

Secção de veterinária: 

1 chefe e inspector veterinário; 

3 ajudantes; 

2 veterinários ; 

1 photomicrographo j 

1 pharmaceutico-chiinico ; 

2 auxiliares technicos ; 
1 dactylographo ; 

1 encarregado do material. 

Secção de expediente: 

1 eh ele ; 

1 primeiro Òfficial ; 

1 segundo o f fiei ai ; 

2 terceiros olTiciaes ; 
1 dactylographo. 

Art. 10. A Directoria do Serviço de Industria Pas- 
toril terá uma portaria, cujo pessoal, subordinado á se- 
cção de expediente, será o seguinte: 

1 porteiro; 

1 continuo ; 

7 serventes, distribuídos de accôrdo com as conve- 
niências do serviço. 

Paragrapho único. O quadro do pessoal do Serviço 
de Industria Pastoril e suas dependências poderá ser mo- 
dificado annualmente, de accôrdo com as conveniências do 
serviço e os recursos orçamentários para tal fim votados 
pelo Congresso. 



12 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMBS 



CAPITULO III 

DAS INSPECTORIAS VETERINÁRIAS DISTBICTA] 

Art. 11. Os trabalhos a cargo do Serviço de Industria 
Pastoril nos Estados serão confiados a dez Inspectorias, 
comprehendendo os seguintes districtos: 

1.°, Amazonas, Pará e Maranhão, sede Belém; 

2.°, Piauhy e Ceará, sede Fortaleza; 

3.°, Rio Grande do Norte, Parahyba e Pernambuco, 
sede Recife; 

4.°, Alagoas, Sergipe e Bahia, sede Bahia; 

5.°, S. Paulo e Matto Grosso, sede S. Paulo ; 

6.°, Minas Geraes e Goyaz, sede Uberaba; 

7.°, Rio de Janeiro e Espirito Santo, sede Campos ; 

8.°, Paraná, sede Ponta Grossa; 

9.°, Santa Catharina, sede Florianópolis; 

10.°, Rio Grande do Sul, sede Santa Maria da Bocca 
do Monte. 

Paragrapho único. O Governo poderá, quando julgar 
conveniente, mudar a sede de qualquer Inspectoria. 

Art. 12.° Cada um dos districtos terá um inspector 
veterinário, ura auxiliar de l. a classe e tantos veterinários 
e auxiliares de 2. a classe quantos forem necessários ás 
exigências do serviço, de accôrdo com os recursos orça- 
mentários. 

Art. 13. O pessoal das Inspectorias Veterinárias distri- 
ctaes poderá ser deslocado de um districto para outro, em 
caso de necessidade, a juizo do director do Serviço. 

Art. 14. Ficarão a cargo da secção de veterinária a 
zona do Estado do Rio de Janeiro e norte de S. Paulo 
cortada pela Estrada de Ferro Central do Brasil, até 
Cruzeiro, e a zona do Estado de Minas comprehendida no 
valle do rio Parahyba. 

Art. 15. As Inspectorias Veterinárias districtaes do 
Serviço de Industria Pastoril serão installadas nas sedes 
indicadas no art. 11 e terão: 

a) laboratórios bacteriológicos para estudos e pes- 
quizas relativos ás moléstias que affectam o gado; 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 3 



b) o material necessário para o exercicio da poly- 
clinica veterinária; 

c) material para o serviço de policia sanitária; 

d) livros e revistas sobre assumptos referentes á vete- 
rinária e hygiene animal, para serem consultados por 
Lavradores, criadores e mais interessados; 

e) serviço gratuito de polyclinica veterinária; 

/ serviço gratuito de informações sobre os assum- 
ptos de attribuição das Inspectorias; 

g) serviço de distribuição dos soros, vaccinas e pro- 
ductos biológicos de que trata o n. 13 do art. 1.°. 

Ari. 16. Conforme as exigências do serviço, o Go- 
verno poderá contraelar um ou mais veterinários para 
servir nas zonas criadoras de maior extensão e importân- 
cia relativamente á industria pecuária, nomeando em 
commissão os auxiliares e mais pessoal necessário, de 
accôrdo com os recursos orçamentários. 

Paragrapho único. No caso do presente artigo, ficarão 
os veterinários contractados subordinados immediata- 
mente ao inspector veterinário do respectivo districto. 

CAPITULO IV 

DAS INSPECÇÕES VETERINÁRIAS DE PORTOS 

Art. 17. A inspecção do gado importado e do gado 
exportado incumbe aos inspectores veterinários de portos. 

Paragrapho único. Nos portos em que não houver 
serviço especial de inspecção, esta será feita pela Inspe- 
ctoria Veterinária local. 

Art. 18. São consideradas contagiosas, para os ef fei- 
tos do presente regulamento, as seguintes moléstias: peste 
bovina ou typho, contagioso em todos os ruminantes; 
pcripneumonia, contagiosa na esplecie bovina; gafeira e 
sarna, nas espécies bovina e caprina; febre aphtosa, nas 
espécies bovina, caprina, ovina e porcina; môrmo, nas 
suas manifestações internas e cutâneas, nas espécies ca- 
vallar e asinina e seus hybridos; raiva e carbúnculo,- em 
todas as espécies; carbúnculo symptomatico ou emphyse- 
matoso, na espécie bovina; rouget e pneumoenterite, na 



14 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E OÓMMKRCIO 

espécie suina; pyroplasmose e trypanosomiases, nas espé- 
cies bovina, cavallar, muar e canina; tuberculose em todas 
as espécies, e cholera, nas gaílinhas. 

Paragrapho único. A enumeração das moléstias de 
que trata o presente artigo poderá ser alterada de confor- 
midade com os estudos e investigações feitos pela Dire- 
ctoria do Serviço de Industria Pastoril ou por scientistas 
nacionaes e estrangeiros. 

Art. 19. Não será permittida. por qualquer dos portos 
ou fronteiras da Republica, a entrada de animaes atacados 
ou suspeitos de moléstias contagiosas, assim como de 
seus despojos, de productos e de forragens procedentes de 
qualquer paiz onde reinem as referidas moléstias ou não 
haja leis e regulamentos concernentes á policia sanitária 
dos animaes domésticos, á importação e á exportação 
de gado e contra a invasão e propagação das epizootia s. 

Paragrapho único. Ficam eomprehendidos no presente 
artigo quaesquer objectos que tenham estado em con- 
tacto com os animaes doentes ou suspeitos, desde que 
possam servir de vehiculo á transmissão de germens in- 
fectuosos. 

Art. 20. A prohibição a que se refere o artigo ante- 
rior tornar-se-ha effectiva quando, apesar das leis e regu- 
lamentos referidos, haja apparecido qualquer epizootia 
e não tenham sido tomadas as providencias precisas ou 
quando as mesmas leis e regulamentos não offereçam 
sufficiente garantia, a juizo do Governo Federal. 

Art. 21. Ficam igualmente prohibidas: 

§ 1.° A importação de animaes por outros portos 
do paiz ou pontos da fronteira não indicados no presente 
regulamento. 

§ 2.° A importação de animaes que, não obstante 
procederem de paizes immunes, tenham sido adquiridos 
cm paiz comprehendido no art. 19, mormente na vigên- 
cia de qualquer epizootia. 

§ 3.° A importação de animaes transportados em na- 
vios que não possuam as condições exigidas no presente 
regulamento e tenham conduzido, dentro dos 30 dias an- 



KEVISTA DE VETEKINARIA E ZOOTECHNIA 1 5 

teriores, gado de qualquer procedência incluída na pro- 
hibição do art. 19 ou tocado em portos infectados. 

§ 4.° A importação de animaes que procedam de le- 
gares que officialmente tenham sido declarados infecta- 
dos. 

Art. 22. Os contraventores das disposições dos arts. 
19 a 21 ficarão sujeitos ás penalidades estabelecidas em 
lei. 

Art. 23. A importação de animaes fica subordinada 
ás seguintes condições: 

a apresentação, por parte do proprietário ou de seu 
representante, ao inspector do porto ou a quem o re- 
presente, do attestado de saúde dos animaes, firmado 
por autoridade competente, com declaração de que nos 
30 dias anteriores ao embarque, não grassava, na zona 
de que procedem, nenhuma moléstia contagiosa; 

b) apresentação do attestado olíicial de tuberculiniza- 
ção, tratando-se de bovinos, e de malleinização, tratando? 
se de cav ali ares e muares; 

c) serem os mesmos sujeitos á inspecção veterinária 
e reconhecidos sãos ; 

di submetterem-se, quando for necessário, pelo tempo 
fixado nas instrucções que forem expedidas, á observa- 
ção e medidas prophylacticas estabelecidas pela Directoria 
do Serviço de Industria Pastoril, inclusive a tuberculi- 
nização e malleinização. 

I § 1.° Para os animaes importados pela fronteira, deve 
o attestado de saúde certificar também que os mesmos 
foram submettidos ás medidas officiaes contra o carrapato 
e outros parasitas. 

§ 2.° Tratando-se de animaes de raça, destinados á 
reproducção, deverão ser apresentados os respectivos pe- 
digrees. 

Ari. 24. Para a observância dos artigos 19, 20, e 21, 
serão sujeitos á inspecção sanitária, exercida por funecio- 
nario do Serviço de Industria Pastoril, todos os ani- 
maes e produetos de origem animal introduzidos em terri- 
tório nacional por via maritima ou terrestre. 



16 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, /INDUSTRIA JJ OOMMBBCIO 



Art. 25. Si, do exame a que se proceder, se verificar 
que se trata de animal suspeito de moléstia contagiosa, 
será o mesmo reexportado ou submeltido a observação 
no lazareto veterinário. 

Paragrapho único. Serão igualmente sujeitos a obser- 
vação e submettidos ás medidas prophylacticas adequadas 
os animaes que estiverem em contacto com o animal sus- 
peito e as forragens e demais objectos que os acom- 
panhem. 

Art. 26. Na forma do artigo anterior serão reexpor- 
tados ou sacrificados os animaes introduzidos conjunta- 
mente, si se tratar de animaes destinados ao corte, devendo 
os mesmos ser anteriormente submettidos ao processo 
de desinfecção empregado na modalidade clinica de que 
foi accommettido o animal que determinou a referida 
providencia. 

Art. 27. Si se tratar de peste bovina, os animaes 
serão sacrificados e incinerados, sem que os proprietários 
tenham direito a indemnização, salvo o caso do art. 30. 

Art. 28. Igual providencia será praticada em relação 
aos animaes pertencentes ao mesmo rebanho que, por- 
ventura, tenham sido importados antes da verificação da 
moléstia. 

Art. 29. Si se tratar de animaes destinados á repro- 
ducção. serão elles submettidos á quarentena, regulada 
de accôrdo com o periodo de incubação de cada mo- 
léstia e com os meios conhecidos para o diagnostico das 
infecções. 

Art. 30. No caso em que a necropsia do animal sacri- 
cado não assignale as lesões ou elementos pathognomoni- 
cos característicos da moléstia que motivou essa provi- 
dencia, caberá ao proprietário do animal indemnização 
em dinheiro, correspondente ao valor integral do mesmo 
animal, quando importado de accôrdo com todas as pre- 
scripções do presente regulamento, e bem assim dos ob- 
jectos destruídos, deduzida a importância correspondente 
á parte não prejudicada. 

§ 1.° A necropsia de que se trata deverá ser requerida 
ao director do Serviço de Industria Pastoril, quando a 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 7 



importação fôr feita pelo porto do Rio de Janeiro; aos 
inspectores, na sede das Inspectorias, e aos veterinários^ 
na falta daquelles. 

§ 2.° Quando a necropsia requerida deixar de se rea- 
lizai* dentro de 24 horas, a contar do momento em que 
fôr sacrificado o animal, por falta de providencia do 
funccionario competente, ficará reconhecido o direito do 
reclamannte á indemnização de que trata o art. 30, sendo 
responsável pela indemnizarão o mesmo funccionario. 

§ 3.° Xo caso de ser o diagnostico confirmado pela 
necropsia, as despezas respectivas correrão por conta do 
interessado que a houver requerido. 

§ 4.° As despezas de que trata o paragraptho ante- 
rior serão arbitradas nas instrucções que forem expe- 
didas, devendo a respectiva importância ser depositada 
pelo interessado, no momento de requerer a necropsia. 

Art. 31. No caso do art. 33 todas as despesas correrão 
por conta do Governo. 

Art. 32. Nos casos previstos no art. 30, o director do 
Serviço de Industria Pastoril nomeará uma commissão 
de três membros, da qual fará parte o proprietário do 
animal ou seu representante, para arbitrar a indemni- 
zação, cabendo recurso voluntário para o Ministro. 

Art. 33. Quando o interessado não concordar com o 
resultado da necropsia, poderá requerer novo exame ca- 
davérico, apresentando, neste caso, profissional de sua 
confiança, para acompanhal-o. Si os dous profissionaes 
não chegarem a accôrdo quanto ao novo exame, escolherão 
um terceiro profissional, que decidirá a duvida. 

Art, 34. No momento de se proceder á inspecção sa- 
nitária de que trata o art. 24, o proprietário dos animaes 
importados ou seu representante deverá apresentar, além 
dos documentos exigidos pelo art. 23, os seguintes escla- 
recimentos: 

a) nome do importador; 

b) profissão; 

c) residência; 

d) indicação das espécies de animaes importados (bo- 
vinos, equinos, aves, etc.) ; 



18 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

e) procedência; 

/) destino; 

g) quantos dias trazem de viagem; 

h) para quem e para que são importados. 

Art. 35. O Governo Federal dotará o Serviço de in- 
dustria Pastoril de um lazareto quarentenario e mais de- 
pendências annexas nos portos do paiz e nos pontos da 
fronteira habilitados para a importação de gado, á medida 
do desenvolvimento do serviço e de accôrdo com os recur- 
sos orçamentários. 

Art. 36. Os lazaretos quarentenários só poderão ser 
utilizados por animaes importados ou por animaes a ex- 
portar e ficarão sob os cuidados dos inspectores de portos 
ou dos funccionarios designados pela Directoria do Ser- 
viço de Industria Pastoril. 

Art. 37. Os animaes que vierem acompanhados dos 
documentos exigidos pelo art. 23 do presente regulamento 
serão submettidos a uma inspecção summaria, antes de 
serem entregues aos seus destinatários, e os que forem 
importados sem esses documentos deverão ser postos em 
observação quarentenaria. 

Art. 38. Em instrucções especiaes serão regulados os 
serviços affectos aos 1 azaretos quarentenários e mais de- 
pendências, bem como os deveres dos respectivos funccio- 
narios. 

Art. 39. Ficam habilitados para a importação de 
gado estrangeiro, além dos pontos da fronteira servidos 
actualmente por alfandegas e mesas de rendas, os seguin- 
tes portos: Belém, S. Luiz, Fortaleza, Recife, S. Salvador, 
Victoria, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, Florianópolis, 
Rio Grande e Cuyabá. 

Art. 40. O Governo Federal tornará extensiva a me- 
dida do artigo anterior a outros portos do paiz e pontos 
da fronteira que, a seu juizo, reunirem as condições neces- 
sárias e desde que o serviço o exija. 

Art. 41. Os animaes importados por via maritima 
ou pela fronteira deverão, na forma do art. 24, ser exa- 
minados pelos inspectores de portos ou por veterinários 
designados pelos inspectores veterinários districtaes, na 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 9 

ponto de chagada ou quando penetrarem em território 
nacional, cumprindo aos interessados communicar, em 
tempo, o dia da chegada, aos mesmos inspectores, indi L 
cando o numero de animaes, a espécie, a raça e a pro- 
cedência. 

Paragrapho único. O Governo providenciará para que 
seja feita communieação pelo inspector da Alfandega ou 
administrador da Mesa de Rendas, independentemente da 
communicação dos interessados. 

Art. 42. O Governo poderá prohibir a importação de 
uma ou mais espécies de animaes. assim como de forra- 
gens, carnes, leite, couros, lãs, pelles, ossos, estrumes, 
etc, ([liando procederem de paizes onde reinem moléstias 
contagiosas, ou nos casos dos arts. 20 e 21. 

Art. 43. Ficam obrigadas as em prez as de navegação e 
as estradas de ferro, que transportarem gado do estran- 
geiro, a exigir dos Interessados, no ponto de embarque, 
attestados expedidos pelo Ministério da Agricultura do 
paiz de origem ou pela repartição a que estiver affecta 
esse serviço, os quaes deverão ser visados pelo cônsul 
brasileiro, declarando: 

1.°, que no paiz de onde procedem os animaes não 
existe nem existiu, no decurso dos dez últimos annos, peste 
bovina; 

2.°, que no alludido paiz não existe nem existiram,, 
dentro de seis mezes, a peripneumonia contagiosa, e», 
ha mais de um mez, a febre aphtosa. 

Art. 44. Tratando-se de gado ovino, serão exigidos 
os attestados mencionados nos ns. 1 e 2 do artigo an^ 
terior, além de outros, que provem não existirem a varíola 
ovina, com caracter epizootico, e o aborto contagisoi;, 
nem se haver produzido caso algum dessas enfermidades. 

Art. 45. Para o transporte do gado caprino e do 
gado suino, deverão os attestados satisfazer ás eixgencias 
dos ns. 1 e 2 do art. 43, assignalando também, quanto 
ao ultimo, a não existência do môrmo, em todas as suas: 
formas, com caracter epizootico, ou a verificação de ne- 
nhum caso esporádico, nos últimos seis mezes. 



'20 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E OOMMBBCIO 



Art. 46. Os inspectores de portos deverão remetter 
mensalmente um boletim dos serviços realizados pela re- 
partição e annualmente, até 20 de janeiro, um relatório 
completo sobre os trabalhos a seu cargo. 

Art. 47. A inspecção veterinária em cada um dos 
portos do Rio de Janeiro e Santos será feita por um in- 
spector e um auxiliar. 

Paragrapho único. Para este serviço serão admittidos 
os trabalhadores necessários, de accôrdo com os recursos 
orçamentários. 

CAPITULO V 

DA INSPECÇÃO E DESINFECÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTE DO GADO 

Artigo 48. As emprezas de navegação, as estradas de 
ferro, etc, são obrigadas a fazer apresentar ao encarre- 
gado do serviço de transporte e desinfecção do gado ou 
ao inspector veterinário districtal, ou seu representante, 
logo após a chegada do trem ou embarcação, um bole- 
tim, em que venham especificados o numero, a espécie e a 
xaça dos animaes transportados, os proprietários ou con- 
signatários dos mesmos, o ponto onde foram embarcados 
<e o numero de dias de viagem, e, bem assim, si houve 
algum caso de morte durante a viagem. 

Art. 49. O governo Federal, por intermédio do Mi- 
nistério da Viação e Obras Publicas e de conformidade 
com os recursos orçamentários, promoverá o melhora- 
mento gradual do material das estradas de ferro da 
União destinado ao transporte de gado e entrará em ac- 
côrdo, para o mesmo fim, com as estradas de ferro arren- 
dadas e com as emprezas de viação subvencionadas, ter- 
restres, maritimas ou fluviaes. 

Art. 50. O Governo providenciará para que todas as 
emprezas de navegação e estradas de ferro que trans- 
portam gado sejam dotadas do material necessário a esse 
fim, tendo em vista a segurança, a hygiene e as accom- 
modações apropriadas a cada espécie de animal, prescre- 
vendo-lhes igualmente as regras attinentes á desinfecção 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 21 

das embarcações e quaesquer vehiculos de que se ser- 
virem. 

Art. 51. A desinfecção de que trata o artigo anterior 
será effectuada sob a inspecção do encarregado do serviço 
de transporte e desinfecção do gado ou de um veteri- 
rinario o qual passará o attestado de expurgo. 

Art. 52. A inspecção e a desinfecção referidas nos 
artigos 21 e 58 ficam a cargo, na Capital Federal, da se- 
cção de veterinária da Directoria do Serviço de Indus- 
tria Pastoril e, nos Estados, das Inspectorias districtaesi, 
cabendo o trabalho material ás administrações respe- 
ctivas. 

Paragrapho único. Para este serviço o Governo po- 
derá admittir, na Capital Federal, de accôrdo com as 
necessidades do serviço e os recursos orçamentários, o 
seguinte pessoal : 

1 encarregado de transporte e desinfecção do gado ; 

1 capataz ; 

3 desinfectadores. 

Art. 53. O Governo providenciará no sentido de or- 
ganizai' um serviço de desinfecção systematica de todos 
os carros das estradas de ferro, embarcações e outros 
vehiculos. bem como boxes, curraes, galpões, embarca- 
douros, etc, que servirem para o transporte e embarque 
de animaes. 

Art. 54. Para execução do disposto no artigo ante- 
rior, ficam as companhias de estradas de ferro e de na- 
vegação obrigadas: 

§ 1.° A não se servirem de embarcações ou quaes- 
quer vehiculos para o transporte de animaes sem prévia 
desinfecção dos mesmos. 

§ 2.° A usarem o antiseptico que a Directoria do Ser- 
viço de Industria Pastoril approvar e que não occasione 
estragos nos carros, embarcações, etc. em que fôr em- 
pregado. I 

§ 3.° A' raspagem, pulverização ou outro qualquer 
processo de prophylaxia em uso, adequado ao caso. 

Art. 55. (Decorrendo em alguns dos meios de trans- 
porte citados no artigo precedente qualquer caso de mo- 



22 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA INDUSTRIA B COXMSBCIO 



lestia contagiosa, o vehiculo será submettido, no primeiro 
ponto de inspecção veterinária, á mais completa desinfe- 
cção, devendo ser observados os dispositivos do pre- 
sente regulamento. 

Art, 56. Todo animal que tiver de ser exposto po- 
derá ser detido em observação, isolado e desinfectado, nos 
portos ou estações de embarque, a juizo do inspector 
veterinário districtal ou de seu representante. 

Art. 57. Na forma do art. 19, fica prohibido o tran- 
sito ou o commercio, entre os Estados, por via marítima, 
fluvial ou terrestre, de animaes atacados ou suspeitos 
de moléstias contagiosas. 

Art. 58. Toda embarcação ou qualquer vehiculo que 
tenha servido para transportar animaes nas condições 
mencionadas no artigo anterior ficará sujeita ás medidas 
de desinfecção ou quaesquer proivdencias de caracter pro- 
phylactico adoptadas pela Directoria do Serviço de In- 
dustria Pastoril, com approvação do Ministro. 

Art. 59. Em instrucções opportunamente expedidas, 
serão estabelecidas as condições que deverão preencher 
os referidos meios de transporte, as providencias referen- 
tes ao embarque e desembarque do gado, tempo neces- 
sário ao repouso do mesmo e outras medidas de hy- 
giene e prophylaxia applicaveis ao trafego ou commercio 
interestadual do gado e as penalidades em caso de in- 
fracção. 

CAPITULO VI 

DOS POSTOS VETERINÁRIOS E DE OBSERVAÇÃO 

Art. 60. De conformidade com as attribuições do 
Serviço de Industria Pastoril consignadas no art. 1.°, 
serão creados Postos Veterinários nas principaes zonas 
criadoras dos Estados da Republica. 

Art. 61. O Governo Federal entrará em accôrdo com 
os Governos locaes para que forneçam o terreno e os 
edifícios necessários aos Postos Veterinários, ficando a 
cargo da União o pessoal, o material technico e o cus- 
teio dos estabelecimentos. 



BBVI8TA DE VETERINÁRIA E ZOOTE^HXTA 23 

Art. 62. Aos Postos Veterinários compete: 

§ 1.° O estudo das moléstias que affectam os ani- 
maes domésticos, principalmente das tropicaes. 

§ 2.° A organização do serviço de prophylaxia, de 
accôrdo com os modernos preceitos de hygienè, sanccio- 
mados pela pratica. 

§ 3.° A divulgação de conhecimentos práticos con- 
cernentes á hygiene animal veterinária e prophylaxia 
das moléstias infecciosas. 

§ 4.° A distribuição gratuita de soros e vaccinas, con- 
forme o n. 18 do art. 1° 

§ 5.° O estabelecimento de enfermarias para a inter- 
nação de animaes doentes, de conformidade com as in- 
strucções organizadas pela Directoria e approvadas pelo 
Ministro. 

§ 6. c A organização de um serviço de vigilância me- 
dico-velerinaria em todos os estabelecimentos pastoris e 
de lacticínios, de accôrdo com os respectivos proprieta- 
tarios, que, neste caso, deverão sujeilar-se ás instrucções 
do Posto. 

§ 7.° O serviço gratuito de polyclinica veterinária. 

§ 8.° As informações sobre assumptos referentes á 
medicina veterinária e á hygiene animal. 

§ 9.° As providencias attinentes ao saneamento dos 
campos invadidos pelo carrapato e mais parasitas e dis- 
criminação das respectivas zonas. 

§ 10. O auxilio ás Inspectorias Veterinárias distri- 
ctaes em tudo o que disser respeito ao levantamento da 
estatistica pecuária e fôr relativo ás moléstias que affe- 
ctam o gado no respectivo districto. 

§ 11. As investigações sobre novos methodos the- 
rapeuticos e prophylacticos. 

§ 12. A distribuição de publicações relativas ao ser- 
viço remettidas pelo Ministério. 

§ 13. A propaganda do Registo de Lavradores, Cria- 
dores e Profissionaes de Industrias Connexas. 



24. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, JSí) I/.STJí I A B CÕMMBBCIO 

Art. 63. Cada um dos Postos mencionados no artigo 
60 terá o seguinte pessoal: 

1 director (bacteriologista) ; 
1 veterinário ; 

1 pharmaceutico^chimico ; 

2 auxiliares ; 

1 porteiro-continuo ; e o numero de serventes e traba- 
lhadores que fôr necessário, de accôrdo com os recursos 
orçamentários. 

Art. 64. Além dos Postos Veterinários, o Governo 
estabelecerá Postos de Observação nos portos do paiz 
e nos pontos da fronteira habilitados para a importa- 
ção e exportação de gado, nas invernadas e nas divisas 
interestaduaes. 

Art. 65. Os Postos de Observação deverão ser con- 
struídos na conformidade do art. 61. 

Art. 66. Aos Postos de Observação compete: 

§ 1.° A inspecção do gado em transito e a applicação 
de banhos insecticidas. 

§ 2.° O isolamento e observação dos animaes suspeitos 
e o sacrificio dos atacados de moléstias infecto-contagio- 
sas, na forma deste regulamento. 

§ 3.° A applicação de medidas prophylacticas ao gado 
da região. ^ 

§ 4.° A concessão ide attestados de livre-transito. com 
declaração de que os animaes foram submettidos á obser- 
vação e á s medidas prophylacticas adoptadas. 

Art. 67. Os banhos insecticidas e quaesquer medidas 
a cargo do Posto serão prestados gratuitamente aos cria- 
dores, emquanto o Governo julgar conveniente. 

Art. 68. Os banhos insecticidas serão preparados de 
accôrdo com as instrucções da Directoria, que terá a seu 
cargo o estudo dos preparados destinados a esse fim e 
a escolha dos mais convenientes. 

i Art. 69. O pessoal dos Postos de Observação, de que 
trata o art. 64, será o seguinte: 

1 administrador (veterinário) ; 

1 auxiliar; 

2 serventes. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 25 



Art. 70. Ao Posto de Observação e Enfermaria Vete- 
rinária installado em Bello Horizonte, nos termos do 
decreto n. 8.974, de 14, de setembro de 1911, compete: 

§ l.o A realização de estudos e pesquisas concernen- 
tes ás moléstias que affectam o gado, principalmente as 
tropicaes. 

§ 2.° O tratamento de animaes da enfermaria vete- 
rinária annexa. 

§ 3.° O serviço gratuito de polyclinica veterinária, 
na sede do Posto. 

§ 4.° A prestação de soccorros medico-veterinarios 
aos centros de criação mais próximos. 

§ 5.° O preparo e distriubição de soros e avccinas 
acompanhados das respectivas instrucções, aos lavrado- 
res e criadores, de conformidade com o disposto no pre- 
sente regulamento e a juizo do director. 

§ 0.° As informações sobre assumptos attinentes á 
medicina veterinária e á hygiene animal. 

§ 7.° A distribuição de publicações remettidas pela 
Directoria. 

Art. 71. O director e seus auxiliares technicos deverão 
collaborar na Revista de Veterinária e Zootechnia. 

Ari. 72. O Posto de Observação e Enfermaria Vete- 
rinária de Bello Horizonte terá o seguinte Pessoal: 

1 director (medico bacteriologista) ; 
1 assistente; 

1 veterinário ; 

2 auxiliares, sendo um pratico de pharmacia; 
1 escrevente ; 

1 porteiro-continuo ; 

2 serventes. 



Art. 73. Em instrucções especiaes, formuladas pelo di- 
rector do Serviço e approvadas pelo Ministro, serão espe- 
cificados os deveres inherentes ao pessoal referido nos 
arts. 63, 69 e 72. 

Art. 74. Os directores dos Postos de Observação de- 
verão remetter mensalmente, até 20 de janeiro, um rela- 
tório completo sobre os trabalhos a seu cargo. 



26 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 

CAPITULO VII 

DOS INSPECTORES DE LACTICINIi 

Art, 75. Aos inspectores de lacticínios, a que se re- 
fere o art. 8.° deste regulamento, compete visitar as prin- 
cipaes fabricas de productos lacticinios. bem como os es- 
tabelecimentos pastoris do paiz, devendo apresentar ao 
chefe da secção de zootechnia relatórios minuciosos fie 
tudo quanto observarem em relação á exploração do leite 
e dos seus derivados. 

Art. 76. Nas visitas a esses estabelecimentos devem 
os inspectores de lacticinios observar todos os defeitos que 
encontrarem e (ensinar aos criadores os melhores meios de 
exploração do leite e seus derivados. 

Art. 77. O director do Serviço de Industria Pastoril 
destacará os inspectores de lacticinios para os pontos que 
julgar «mais vconvenientes, /podendo removel-os de um ponto 
para outro sempre que houver conveniência para o ser- 

Art. 78. O serviço de inspecção de lacticinios será 
feito por três inspectores e tantos mestres de lacticinios 
quantos forem necessários ao serviço, de accôrdo com os 
recursos orçamentários. 

CAPITULO VIII 

DOS CURSOS DE PRATICOS-VETERINARIOS 

Art. 79. Com o fim de se preparar, nas fazendas de 
criação, pessoal apto a desempenhar as prineipaes fun- 
cções praticas de veterinário, principalmente em zonas em 
que não existam estes profissionaes, fica estabelecido no 
Serviço de Industria Pastoril um curso especial de pra- 
ticos-veterinarios. 

Art. 80. O curso de praticos-veterinarios comprehen- 
de o estudo pratico e summario das seguintes matérias: 
noções de anatomia e physiologia dos animaes domésticos, 
noções de embryologla, noções de microbiologia e parasito- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 27 

logia applicadas á veterinária, noções de pathologia me- 
dica e cirúrgica dos animaes domésticos, noções de the- 
rapeutica veterinária, noções de zootechnia, estudo pratico 
das principaes operações cirúrgicas dos animaes domés- 
ticos, estudo summario das moléstias do pé do cavallo 
(ferradura), hygiene e prophylaxia das moléstias con- 
tagiosas. 

Art. 81. As matérias que constituem o curso de pra- 
ticos-veterinarios são sempre professadas com caracter 
eminentemente pratico e ficarão a cargo da secção de 
veterinária. 

Art. 82. O curso de praticos-veterinarios será dado 
no período de seis mezes, a começar do dia 1.° de maio. 
Art. 83. A organização do programma do curso de 
praticos-veterinarios será feita pelo chefe da secção de ve- 
terinária, com a audiência do director do Serviço e ap- 
provação do Ministro. 

Art. 84. O programma de que trata o artigo anterior 
será organizado sob a forma de pontos, que deverão ser 
leccionados pelo chefe, ajudantes e veterinários da secção 
de veterinária, cabendo a distribuição delles ao chefe da 
secção. 

Art. 85. Os trabalhos do curso de praticos-veterina- 
rios serão executados na sede do Serviço, nas dependências 
da rua General Canabarro ou nas Fazendas-Modelo c 
Postos Zootechnicos. sempre que houver necessidade de 
trabalhos práticos que só nestes estabelecimentos se pos- 
sam realizar. 

Art. 86. O ultimo mez do curso será destinado a 
excursões ás Fazendas-Modelo e Postos Zootechnicos, 
afim de que sejam ahi effectuados os principaes trabalhos 
práticos que se realizam commumente nesses estabeleci- 
mentos. 

Art. 87. As inscripções para o curso de praticos-vete- 
rinarios serão feitas na Directoria de Industria Pastoril, 
até o dia 15 de abril de cada anno, sendo preferidos os 
criadores. 

Paragrapho único. As inscripções serão feitas por 
meio de requerimento, dirigido ao director do Serviço, 



28 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBB4 IO 



e que deverá vir acompanhado de attestado de curso pri- 
mário. 

Art. 88. O numero de alumnos do curso de praticos- 
veterinarios será de 20, podendo ser elevado, a juízo do 
Ministro. 

Art. 89. No fim de seis mezes, serão effectuados os 
exames práticos oraes das matérias que fazem parte do 
curso, e aos alumnos approvados serão expedidos certifi- 
cados de praticos-veterinarios. 

Art. 90. Os certificados de que trata o artigo anterior 
dão preferencia, aos seus possuidores, nas nomeações para 
os cargos de auxiliares do Serviço de Industria Pastoril. 

CAPITULO IX 

DOS DEVERES DO PFSSOAL 

Art. 91. Ao director do Serviço, que será o consul- 
sultor do Ministro sobre todos os assumptos technicos 
relativos á zootechnia e veterinária, compete, além das 
attribuições a que se referem os §§ 1, 1, 8, 9, 11, 13, 14, 
16, 17, 18, 21, 22, 23, 26, 28 e 29 do art. 27 do regu- 
lamento approvado pelo decreto n. 11.436, de 13 de ja- 
neiro de 1915, e sem prejuizo das que couberem aos 
directores ou chefes* das diversas dependências do Ser- 
viço, de accôrdo com os respectivos regulamentos, o se- 
guinte: 

§ l.o Velar pelos estudos e pesquisas que se fizerem 
na sede da Directoria ou em qualquer de suas dependên- 
cias. 

§ 2.° Prover a repartição livremente, nos limites da 
respectiva verba orçamentaria, de pessoal extranumerario, 
sempre que as necessidades do serviço assim o exijam, 
mediante prévia autorização do Ministro, quanto ao nu- 
mero e aos vencimentos desse pessoal. 

§ 3.° Communicar ao Ministro o apparecimento de 
qualquer epizootia em paiz que tenha commercio de gado. 
directa ou indirectamente, com o Brasil. 

§ 4.° Fiscalisar, por si ou por funccionario da D ire- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 29 

ctoria, as construcções que se fizerem para o Serviço 
a seu cargo. 

§ õ.° Propor ao Ministro as bases para accôrdos e 
convénios que tiverem de ser feitos. 

g 6.° Propor ao Ministro, quando fôr conveniente, 
a alteração da relação das moléstias contagiosas, de ac- 
côrdo com estudos e pesquizas realizados por centros 
scientificos nacionaes ou estrangeiros. 

§ 7.° Propor ao Ministro a organização de commis- 
sões para estudos scientificos que interessem directamente 
ao Serviço, formulando as respectivas instrucções. 

§ 8.° Organizar e dirigir os cursos de praticos-veteri- 
narios a que se refere o capitulo VIII. 

§ 9.° Propor ao Ministro o chefe de secção que 
deverá substituil-o em seus impedimentos. 

§ 10. Dar poss" nos funecionarios da Directoria e 3 
em caso de urgência, aos de suas dependências, fazendo 
lavrar e assignando o respectivo termo de compromisso. 

Art. 92. Ao chefe de secção de zootechnia compete: 

§ 1.° Superintender os serviços a cargo da secção, 
executando-os e fazendo-os executar pelos ajudantes e 
mais funecionarios. 

§ 2.° Dar parecer sobre os assumptos que dependerem 
da secção. 

§ 3.° Organizar as instrucções para os funecionarios 
da secção, quando em serviço fora da sede, submettendo- 
as á approvação do director. 

§ 4.° Collaborar na Revista de Veterinária e Zoote* 
chnia e oriental-a no ponto de vista technico, quanto 
aos assumptos referentes á secção. 

§ 5. ° Apresentar ao director, quando disso for in- 
cumbido, as bases para instrucções que tenham de ser 
apresentadas ao Ministro. 

§ 6.° Providenciar afim de que sejam attendidas as 
solicitações dos lavradores e criadores em relação aos 
serviços da secção. 

§ 7.° Dirigir, orientar e organizar programmas e in- 
strucções para concursos, exposições de animaes e ex- 
posições-feiras relativos á pecuária. 



30 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COUMWR* IO 



§ 8.° Corresponder-se com os directores dos Postos 
Zootechnicos e Fazendas-Modelo e mais funccionarios do 
Serviço, relativamente a pareceres e esclarecimentos para 
instrucção de informações que devam subir á considera 
ção do director. 

Art. 93. Ao chefe de secção veterinária compete: 
§ 1.° Superintender os serviços technicos a cargo da 
secção, executando-os e fazendo-os executar pelos ajudan- 
tes e mais funccionarios. 

§ 2.° Opinar sobre os assumptos technicos que depen 
derem de parecer da secção. 

§ 3.° Apresentar ao director, quando disso for incum 
bido, as bases para instrucções que houverem de ser apre 
sentadas ao Ministro. 

§ 4.° Organizar as instrucções para os funccionarios 
da secção que tiverem de exercer qualquer commissão e 
submettel-as á approvação do director. 

§ 5.° Collaborar na redacção da Revista e oriental -a, 
no ponto de vista technico, quanto aos assumptos de sua 
especialidade. 

§ 6.° Providenciar para que sejam attendidas as requi- 
sições dos lavradores e criadores, quanto ao serviço dos 
ajudantes! e veterinários. 

§ 7.° Orientar e (dirigir os estudas e pesquisas bacterio- 
lógicos a cargo da secção. 

§ 8.° Promover a distribuição de vaccinas, de soros e 
de outros productos biológicos, observados os dispositivos 
do presente regulamento. 

§ 9.° Aconselhar e dirigir as interdicções e o levanta- 
mento das mesmas, todas as vezes que se fizer necessário > 
sujeitando as providencias a tomar á approvação do 
director. 

§ 10. Organizar as bases para o serviço de combate 
ás epizootias e para os convénios que tenham de ser es- 
tabelecidos, em qualquer paiz, relativamente ao as- 
sumpto. 

§ 11. Corresponder-se com os inspectores veterinários 
e mais funccionarios sob sua jurisdicção, relativamente 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 31 

a pareceres e esclarecimentos para instrucção de infor- 
mações que devem subir á consideração do director. 

§ 12. Exercer, quanto ás zonas do Estado do Rio 
de Janeiro e do norte do de S. Paulo cortadas pela Es!- 
trada de Ferro Central do Brasil e ás do Estado de Mir 
nas Geraes menos accessiveis ás respectivas Inspectorias, 
as funcções que competem aos inspectores veterinários. 

Art. 94. Ao chefe da secção de expediente cabem 
todos os serviços da competência da secção previstos no 
art. 7.° do presente regulamento. 

Paragrapho. único. O chefe da secção de expediente 
será substituído, em suas faltas e impedimentos, pelo 
1.° official. 

Art. 95. Aos ajudantes compete: 

§ 1.° Auxiliar o chefe da secção nos serviços a seu 
cargo e substituil-o em suas faltas e impedimentos, con- 
forme designação do director. 

§ 2.° Cumprir as instrucções do director e do chefe 
da secção, attendendo, todas as vezes que lhes for de- 
terminado, aos serviços fora da sede. 

§ 3.° Collaborar na Revista de Veterinária e Zoór 
technia. 

Art. 96. Aos inspectores veterinários districtaes com- 
pete: 

§ 1.° Superintender os serviços a seu cargo no respec- 
tivo districto. 

§ 2.° Requisitar e mandar proceder á desinfecção nos 
vehiculos que tenham transportado animaes doentes. 

§ 3.° Mandar proceder á fiscalização na enrada e 
sahida dos animaes, de accôrdo com o presente regu- 
lamento. 

§ 4.° Proceder ás visitas sanitárias nos pontos de 
entrada e de sahida dos animaes, ou mandar que esse 
serviço seja feito por um dos veterinários. 

§ 5.° Corresponder-se com as demais dependências 
do Serviço na circumscripção, transmittindo-lhes as or- 
dens recebidas do director e prestando a este as infor- 
mações sobre o serviço e a solução das questões. 

§ 6.° Procurar dar a divulgação possivel ao serviço 



32 MINISTEEIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B CO.UM J-.KCIO 



de policia sanitária, prestando os soccorros profissionaes 
que lhes forem pedidos. 

§ 7.° Soccorrer, com a máxima urgência, aos cria- 
dores do districto, com recursos indispensáveis, afim de 
poder evitar a invasão de qualquer epizootia nos lista- 
dos, nos municipios e mesmo de fazenda a fazenda. 

§ 8.° Dar conhecimento, ás autoridades, da necessi- 
dade de vigilância nos pontos declarados inficionados ou 
suspeitos e pôl-as regularmente ao corrente da marcha 
da moléstia e das medidas adoptadas, scientificando o di- 
rector das providencias tomadas e adoptando as medidas 
que lhes parecerem applicaveis. 

§ 9.° Dar conhecimento, ás autoridades locaes e ao 
director, do apparecimento das epizootias. dos estragos 
occasionados e dos pontos visitados peio mal. 

§ 10. Proceder, sob sua inspecção ou de seu pre- 
posto, ás desinfecções que julgar necessárias por occasião 
do apparecimento de epizootia e, depois delia debellada. 
suspender a declaração de " Infecção ". 

§ 11. Visitar ou fazer visitar todos os locaes em que 
o serviço de policia se tornar necessário, aconselhando a 
fazer conhecer as vantagens desse serviço e os perigos 
a que ficam expostos os interessados não acceitando os 
conselhos que lhe forem dados. 

§ 12. Fiscalizar os Postos Veterinários e de Obser- 
vação e todo o serviço da circumscripção, apontando me- 
didas e modificações a serem adoptadas e salientando a 
marcha do serviço. 

§ 13. Ter a seu cargo um livro de registro para a 
inscripção das declarações de moléstias contagiosas ou 
de casos suspeitos verificados em sua circumscripção. e 
para a dos serviços prestados, como de fornecimento de 
vaccina, serviços profissionaes, etc, pedidos por autori- 
dades locaes e por particulares. 

§ 14. Fornecer annualmente, até o dia 15 de janeiro, 
ao director, um relatório dos trabalhos feitos e, semes- 
tralmente, um boletim detalhado de todas as occurrencias 
que se tiverem dado nesse lapso de tempo, apontando 



CARBOLINA WERNECK 

Poderoso e único desinfectante nacional, premiado com o Grande Premio 
na Exposição Nacional de Hygiene de 1909 

Dentre o grande numero de desinfectantes, que concorreram á Exposi- 
ção, apenas dous mereceram o Grande Premio : a Carbolina Werneck e a 
Creolina de Pearson, producto estrangeiro, o que quer dizer que foram con- 
siderados perfeitamente eguaes, offerecendo a Carbolina Werneck maiores 
vantagens ao consumidor, pois o seu preço é muito inferior. 

Na industria pastoril, ella tem prestado os melhores serviços como es- 
pecifico para destruir completamente as bicheiras, bernes, e no tratamento 
da febre aphtosa os seus effeitos são promptos e satisfactorios. 

Os documentos abaixo transcriptos demonstram á evidencia o valor da 
Carbolina, e devemos assignalar mais o facto importante de ser a única creo- 
lina nacional que tem dado resultados idênticos ;i Creolina Pearson, no tra- 
tamento de bicheiras, conforme a opinião franca e sincera de distinctos cria- 
dores dos mais conhecidos no Brasil. 



PAEECEEES 

Não tendo tido tempo de fazer eu mesmo a analyse da nova amostra da Carbo- 
lina, que me enviou, encarregou-se deste trabalho um illustre chimico de Berlim, o Sr- 
Dr. Valer Kobelt. 

Como se verifica pelo resultado obtido, o seu producto continua, como as amos- 
tras anteriores, a cujas analyses procedi pessoalmente, a ser de óptima qualidade sendo 
elle mais rico em cresóes do que a maior parte dos productos similares nacionaes e estran- 
geiros que se encontram á venda nesta Capital. 

Com elevada estima e consideração, sou de V. S. adm. e amg. obr. — Dr. Da- 
niel Henninger, Lente Cathedratico da Escola Polytechnica. 



Nunca encontrei creolina, mesmo a de Pearson, que produzisse tão bons effeitos 
como o seu preparado. A Carbolina destróe rapidamente todos os vermrs que apoquen- 
tam especialmente o gado vaceum. Felicito-o por mais este triumpho sobre os similares 
estrangeiros. — Dr. Pedro Gordilho Paes Leme. 

Illm. Sr. Vicente Werneck. — Tenho a satisfação de communicar-lhe que tenho 
feito uso em minha fazenda de cultura e criação de diversas qualidades de creolina para 
desinfectar e matar bicheiras das minhas criações suina, lanígera, cwallar e bovina ; ne- 
nhuma até hoje deu-me resultados da sua Carbolina, que, além de tudo, é excellente 
para matar bicheiras em poucos minutos, superior á Creolina de Pearson, que consid< rei 
melhor do que o mercúrio, único medicamento que até pouco tempo empreguei para tsse 
fim. Portanto, posso garantir que a Carbolina é muito bom preparado e continuarei a 
prefiril-o a qualquer outro conhecido. 

Apparecida, 8 de Julho de 190^. — M. U. Lemgruber. 

Experimentei com o maior interesse a sua Carbolina para matar as bicheiras no 
gado da minha fazenda e tenho hoje a satisfação de communicar-lhe que o resultado 
excedeu a toda a espectativa. 

Posso garantir-lhe que ainda não empreguei melhor producto para o fim de 
extinguir os vermes da vareja e afianço-lhe que a Creolina de Pearson não é melhor do 
que o seu producto. 

Felicitando-o calorosamente pelo resultado obtido rom o seu excellente preparado, 
faço votos para a divulgação do seu producto e subscrevo-me com elevada estima e 
consideração. 

Campo Bello, 18 de Junho de 1905. — Seu affectuoso amigo obrigado — Eduardo 
Cotrim . 



Tenho toda a satisfação em participar-lhe que tenho empregado o seu desinfe- 
ctante, Carbolina Werneck, no tratamento das bicheiras dos animaes e obtido em mais 
de um caso resultado verdadeiramente surprehendente. 

Além do meu testemunho pessoal sei que collegas e visinhos meus também têm 
colhido excellentes resultados com a applicação da Carbolina Werneck. 

Felicito-o pela confecção de um producto que vem prestar relevantíssimo serviço 
á Industria Pastoril pelos seus effeitos e modicidade de preços. 

Cantagallo, Fazenda de S. Joaquim, 29 de Junho de 1905. — José A. Fontainha 
Sobrinho. 

Deposito: Pharmacia e Drogaria Werneck 

RUA DOS OURIVES N. 7 — RIO DE JANEIRO 

6-6 
14 



A Au 

■ 



■L . - I . 



£ ^ :-..-. . ..." , 3 

g: • ■ ■ Eif TODOS os Srs. leitores desta revista, que ^ 

|: nos remetterem seus nomes e endereços, receberão ^ 

jÉ- uma lista de todos os volumes e publicações escri- 3 

f ptas em portuguez sobre os assumptos de agricul- 3 

E tura, lavoura, pecuária e industrias ruraes, e que se 3 

e: encontram á venda na Livraria Agrícola da 



I ;" Chácaras e Quintaes" | 

Cl^.ZZSC.Ai. IFOST-AIj S52-S. Paulo ^ 



Ensaio de preços: 3 

As» IYlQl§§tÍas das aves, de J. Wilson da 

E Costa,''5 00 reis* êmàis" 3 00 pelo correio e registro. 3 

P iiO 3 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 33 

as medidas que a pratica tiver aconselhado como de ne- 
cessidade e proveito. 

Art. 97. Aos veterinários da Directoria compete: 

§ l.o Cumprir as ordens do director e do chefe da 
secção, accorrendo, todas as vezes que lhes for deter- 
minado, aos pontos onde a sua presença for reclamada. 

§ 2.° Auxiliar o serviço de polyclinica na sede da Di- 
rectoria. 

§ 3.° Substituir os ajudantes, em seus impedimentos, 
conforme designação do director. 

Art. 98. Aos veterinários das Inspcctorias compete 
auxiliar o inspector nos serviços a seu cargo, substituil-o 
em seus impedimentos e cumprir as ordens e instrucções 
que pelo mesmo lhes forem dadas. 

Art. 99. Aos inspectores de lacticínios compete: 

§ 1.° Cumprir as ordens do director e do chefe da 
secção de zootechnia. 

§ 2.° Inspeccionar, sempre (pie lhes fôr determinado, 
os estabelecimentos e fabricas de productos Lacticínios. 

Art. 100. Aos auxiliares technicos da Directoria com- 
petem os serviços de que forem incumbidos pelo dire- 
ctor e pelos chefes de secção, inclusive as funcções de es- 
cripturario. 

Art. 101. Aos auxiliares das Inspectorias competem 
os serviços de que forem incumbidos pelos inspectores 
e pelos veterinários, inclusive as funcções de escriptu- 
rario. 

Ari. 102. Ao photo-microrapho compete executar todos 
os trabalhos referentes á sua profissão que lhe forem 
determinados peio director e pelos chefes de secção. 

Art. 103. Ao pharmaceutico-chimico compete: 

§ 1.° Zelar pela conservação e guarda do material 
da pharmacia. 

§ 2.° Fazer a expedição de vaccinas, soros, desinfe- 
ctantes emais medicamentos, de accôrdo comas ordens do 
director e do chefe da secção veterinária. 

§ 3.° Cumprir o que lhe fôr determinado pelo dire- 
ctor e pelo chefe da secção de veterinária sobre o prepa- 



34 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 



ro de receitas e de todo e qualquer producto que possa 
ser manipulado pela pharmacia. 

§ 4.° Representar ao chefe da secção de veterinária 
sobre as necessidades da pharmacia, fazendo uma rela- 
ção do que fôr necessário para o serviço. 

§ 5.° Fazer a escripturação, em livros, segundo os mo- 
delos adoptados, da entrada e da sahida de vaccinas. so- 
ros, desinfectantes e mais medicamentos pertencentes á 
pharmacia. 

§ 6.° Organizar o inventario dos mesmos productos e 
material de uso existentes em 31 de dezembro de cada 
anno. 

Art. 104. Aos officiaes compete executar os traba- 
lhos que lhes forem distribuidos, informando sobre to- 
dos os pontos indispensáveis para o esclarecimento do 
assumpto. 

Art. 105. Aos dactyloraphos compete executar os 
trabalhos de que forem incumbidos pelo chefe de sec- 
ção a que estiverem subordinados. 

Art. 106. O dactylographo da secção de veterinária 
ficará encarregado da bibliotheca da Directoria cabendo- 
lhe, nesse caso, mais as seguintes attribuições : 

§ 1.° Zelar pela boa ordem e conservação da biblio- 
theca. 

§ 2.° Providenciar sobre a encadernação dos livros, 
revistas e folhetos. 

§ 3.° Organizar e manter, com perfeita regularidade, 
o catalogo de todas as obras e folhetos. 

§ 4.° Velar para que as collecções se mantenham 
completas, Declamando a remessa dos números de publi- 
cações que deixarem de ser remettidos á Directoria ou 
que faltarem nas collecções. 

§ 5.° Manter em dia o livro de carga dos volumes e 
publicações que tiverem de sahir da bibliotheca com 
permissão do chefe da secção. 

§ 6.° Executar os demais trabalhos que lhe forem de- 
terminados pelo chefe da secção. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 35 



Art. 107. Ao encarregado do material compete: 

§ 1.° O recebimento, a guarda e a conservação de 

todo o material technico adquirido para o supprimento 

da Directoria e suas dependências. 

§ 2.° O fornecimento aos laboratórios da Directoria e 
ás dependências nos Estados, de accôrdo com a requisi- 
ção feita pelo director ou pelo chefe da secção. 

§ 3.° A escripturação, em livros, segundo os modelos 
adoptados, da entrada e da sahida do imaterial. 

§ 4.° A organização do inventario do material existen- 
te em 31 de dezembro de cada anuo. 

§ 5.° Representar ao chefe da secção sobre a nacessi- 
dade de novo material, á medida que se fôr esgotando 
o existente em deposito. 

§ 6.° Organizar o material necessário, conforme a indi- 
cação do chefe da secção, para o serviço externo dos aju- 
dantes e veterinários. 

Art. 108. O recebimento do material será verifica- 
do, relativamente á quantidade, á qualidade e ao preço^ 
pelo encarreado do material e por um funccionario 
technico designado pelo chefe da secção. O material recu- 
sado por não corresponder ás condicções do pedido será 
immediatamente devolvido ao fornecedor, correndo por 
sua conta as dcspezas de transporte. 

Art. 109. Um dos serventes da Directoria, designado 
pelo director do Serviço, ficará incumbido dos trabalhos 
de arrumação e limpeza do deposito e do material nelle 
existente. 

Art. 110. Ao porteiro compete: 

§ l.o Abrir e fechar as portas da Directoria, não so 
nas horas do expediente, mas também nas que forem 
determinadas pelo director. 

§ 2.° Cuidar da seurança e asseio da Directoria, fis- 
calizando os serventes encarreados desse serviço. 

§ 3.° Expedir ou fazer expedir a correspondência of- 
ficial, por meio de protocollos em que se possa verificar 
o devido recebimento. 

§ 4.° Encerrar o ponto do continuo e dos serventes. 



«36 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



íicando o mesmo sujeito ao visto diário do chefe d;i se- 
cção de expediente. 

§ 5.° Representar ao chefe da secção de expediente 
sobre o procedimento do continuo e dos serventes. 

§ 6.° Fazer ao chefe da secção de expediente as de- 
vidas communicações sobre sua ausência e a dos demais 
empregados da portaria. 

§ 7.° Comprar, de ordem escripta do director, os 
objectos necessários ao serviço da Directoria e de suas 
dependências, conforme os pedidos assinados pelos che- 
fes das respectivas secções. 

§ 8.° Attender ás despezas miúdas da Directoria, taes 
como carretos, passagens e outras de prompto paga- 
io, sujeitando-as sempre á ordem do director. 

§ 9.° Fazer a escripturação das despezas que realizar 
com os adeantamentos recebidos para attender a taes 
despezas. 

§ 10. Ter sob sua responsabilidade, mediante inven- 
tario, todos os moveis e objectos da Directoria. 

Art. 111. Ao continuo compete: 

§ 1.° Cumprir as ordens do director, dos chefes de 
secção, dos ajudantes e dos officiaes, relativamente ao 
movimento de papeis dentro da Directoria. 

§ 2.° Zelar pelo asseio e boa ordem de todas as de : 
pendências da Directoria e pela conservação dos inoveis, 
livros e mais objectos empregados no serviço. 

§ 3.° Encaminhar ao gabinete do director do Serviço 
as jpartes que tiverem de tratar de interesses pendentes 
da Directoria, observando para isso as instrucções que 
receber do director. 

§ 4.° Receber e transmittir ao gabinete do director os 
papeis, cartas e cartões ou recados que as partes lhe 
confiarem. 

CAPITULO X 

DISPOSIÇÕES G-EKAES 

Art. 112. Será de livre escolha do Governo a no- 
meação do director e cahirá sempre em profissional de 
provada competência, entendendo-se como tal, pessoa que 



KEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 37 

tenha conhecimento de, pelo menos, uma das especiali- 
dades de que se compõe o Serviço e que tenha, aléirt 
disso, publicado trabalhos originaes de valor reconhecido 
por scicntistas de notória autoridade nessas especiali- 
dades. 

Art. 113. Os cargos technicos da Directoria e de suas 
dependências serão preenchidos mediante concurso, cujas 
instrucções serão elaboradas pelo director do Serviço e 
approvadas pelo Ministro. 

§ l.o O director proporá ao Ministro a nomeação 
interina do candidato que fôr julgado mais competente 
pela commissão examinadora. 

§ 2.° Só depois de um anno de exercício será esse 
funccionario provido effecti vãmente no cargo, si tiver da- 
do desempenho cabal ás suas funcções, a juizo do director; 
no caso contrario, será exonerado, abrindo-se novo con- 
concurso para provimento interino do cargo. 

Art. 114. Para provimento dos cargos de chefe da 
secção de expediente e de 1.° official, serão escolhidos 
funccionarios de categoria immediatamente inferior, das 
diversas repartições do Ministério, tendo preferencia, em 
igualdade de condições, os da Directoria. 

Art. 115. O provimento do cargo de 2° official será 
feito por merecimento, dentre os terceiros officiaes. 

Art. 116. O provimento dos cargos de terceiros of- 
ficiaes será feito mediante concurso, de accôrdo com o 
disposto nos arts. 44 a 48 do regulamento approvado 
pelo decreto n. 11.436, de 13 de janeiro de 1915. 

Art. 117. Cada uma das secções technicas da Dire- 
ctoria terá um laboratório, perfeitamente apparelhado, 
para a execução dos differentes trabalhos a seu cargo. 

Art. 118. De accôrdo com o que a experiência de- 
monstrar e com os recursos orçamentários, poderão ser 
creados novos serviços, que serão distribuidos pelas se- 
cções technicas, conforme as respectivas especialidades, 
e regulados por instrucções que opportunamente serão 
expedidas. 

Art. 119. Para a distribuição de productos biológicos,, 



38 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E 0OMMBBCI0 



de que trata este regulamento, terão preferencia os lavra- 
dores e criadores inscriptos no registo do Ministério. 

Art. 120. Funccionario algum poder recorrer á in- 
tervenção de pessoas estranhas á administração do Ser- 
viço, fazendo reclamações, pedidos ou denuncias que af- 
fectem matéria de serviço ou que com elle se relacionem. 
Nesse sentido, todas as reclamações, declarações ou pe- 
diddidos referentes ás suas pessoas serão dirigidos ao 
director ou ao Ministro, por intermédio daquelle. 

Art. 121. Em instrucções opportunamente expedidas 
serão fixadas as regras que deverão ser estabelecidas 
quando, em consequência da hypothese de que traia o 
n. 4 do art. 2° deste regulamento, se verificar a acção 
da Directoria do Serviço de Industria Pastoril no terri- 
tório de qualquer Estado. 

§ 1.° Si a epizootia que der togar a essa interferência 
assumir caracter grave, caberá ao Governo Federal, de 
accôrdo com o Governo do Estado, fiscalizar os mata- 
douros, feiras, exposições e commercio de transporte do 
gado dentro do Estado ou nos seus limites e tomar as 
providencias que o caracter da epizootia exigir. 

§ 2.° Dada a interferência, a que se refere o paraf 
grapho anterior, em território de qualquer Estado, corre- 
rão por conta deste ou do municipio todas as despezas 
de caracter local, relativas a obras e installações perma- 
nentes. 

§ 3.° O governo Federal nomeará o pessoal extranu- 
merario que o caso exigir e installará os postos de des- 
infecção que, a juizo do Ministro, forem necessários. 

Art. 122. As investigações scientificas sobre as molés- 
tias que affectam o gado serão feitas na sede da Dire- 
ctoria, no Instituto Oswaldo Cruz, conforme o accôrdo que 
for estabelecido entre o Ministério da Agricultura, Indus- 
tria e Commercio e o Ministério da Justiça e Negócios 
Interiores, nas sedes das Inspectorias e nos demais estabe- 
lecimentos technicos dependentes da Directoria do Serviço 
de Industria Pastoril. 

§ l.o O Governo Federal poderá entrar em accôrdo 
com os governos locaes e institutos scientificos, afim de 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 39 

afim de que possam ser realizados nos estabelecimentos 
mantidos pelos mesmos, attendendo á respectiva especiali- 
dade, estudos e pesquisas, pelos inspectores veterinários 
e mais funcconairios technicos da Directoria, sobre as 
moléstias que affectam o gado. 

§ 2.° A Directoria do Serviço de Industria Pastoril 
procurará obter os productos biologocos, não só para 
serem empregados como meios prophylacticos, mas lam- 
bem como meios curativos, desde que tenha chegado á 
conclusão positiva da sua efficacia. 

§ 3.° Para os fins dos paragraphos anteriores, a Dire- 
ctoria do Serviço poderá entender-se com os estabeleci- 
mentos congéneres, nacionaes ou estrangeiros, determi- 
nando assim a troca de relações. 

Art. 123. A orientação e organizarão das medidas 
prophylacticas para a repressão e erradicação das epi- 
zootias ficarão a cargo da Directoria, que as estabelecerá 
de accôrdo com a (natureza das differentes modalidades pa- 
thologicas. 

Art. 124. O tratamento das enzoòtias e epizootias fi- 
cará a cargo da Directoria do Serviço de Industria Pas L 
toril, das Inspeclorias nos Estados, dos especialistas que 
fizerem parte do serviço de inspecção do trafego ou com,- 
mercio interestadual do gado, dos Postos Veterinários ou 
de qualquer veterinário disso encarregado pela Directoria. 

Art. 125. A Directoria do Serviço de Industria Pas- 
toril manterá uma revista com o titulo de Revista de Ve- 
rinaria e Zootechnia, destinada á vulgarização de conhe- 
cimentos úteis sobre a pratica da medicina veterinária e 
sobre a zootechnia, e que conterá: 

1.°. todos os actos officiaes que disserem respeito 
aos assumptos de sua especialidade; 

2.°, o resultado dos estudos effectuados pelo pessoal 
technico da Directoria do Serviço de Industria Pastoril 
e pelos encarregados dos institutos zootechnicos federaes 
ou fundados com o auxilio da União; 

3.°, os trabalhos (originaes elaborados por pessoas 
estranhas ,ao mesmo Serviço e Ide 'reconhecida competência, 
que queiram prestar a sua collaboração ; 



40 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COKMBRCIO 



4.°, o resumo, quando não interessar a publicação 
integral, dos relatórios apresentados pelos funccionarios a 
cujo cargo estão os serviços de veterinária e de zoote- 
chnia do Ministério ; 

5.°, os dados estatísticos, noticias e informações que 
possam ser úteis aos criadores. 

Art. 126. A Revista de Veterinária e Zootechnia será 
pubicalda trimensalmente ou mensalmente, conforme as 
conveniências do serviço. 

Art. 127. A redacção e a direcção da Revista de Ve- 
terinária e Zootechnia ficarão a cargo do Director do 
Serviço, cabendo a administração ao chefe da secção de 
expediente, devendo os respectivos artigos ser subscri- 
ptos pelos seus autores. 

Art. 128. A Revista será distribuída gratuitamente no 
paiz aos criadores e profissionaes de industria rural, com 
preferencia os que se acharem inscriptos no registo respe- 
ctivo istituido neste Ministério, e aos interessados que a 
solicitarem e dada em permuta de publicações congéneres 
do paiz ou do estrangeiro. 

Art. 129. A direcção da Revista poderá receber an- 
nuncios, utilizando em proveito da mesma a receita arre- 
cadada. * 

Art. 130. A receita e despeza, nos termos do antece- 
dente artigo, serão demonstradas em balancetes enviados á 
Directoria Geral de Contabilidade, que providenciará para 
que seja recolhido, ao Thesouro Nacional, o saldo que 
se verificar no fim do exercicio, como renda da União. 

Art. 131. O serviço de informações resultante dos 
ns. 3 a 5 e 19 a 21 do art. 1.° será feito na sede da Dire- 
rectoria e nas das Inspectorias, nos Postos Zootechnicos, 
nas Fazendas-Modelo e em qualquer dos outros estabele- 
cimentos dependentes do Serviço de Industria Pastoril. 

Art. 132. O serviço de polyclinica veterinária será or- 
ganizado na forma do presente regulamento e com cara- 
cter gratuito. 

Art. 133. A inspecção das invernadas de gado será 
regulada pelas instrucções opportunamente expedidas e 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTBCHNlÁ 41 

mais disposições comprehendidas no accôrdo que for fir- 
mado entre o Governo Federal e os governos locaes. 

Art. 134. O Governo Federal promoverá as medidas 
precisas para o combate ao carrapato e a outros trans- 
missores de germens infectuosos. 

Art. 135. No intuito de avitar a propagação da tris- 
teza, o Governo Federal fará estudar, consoante o ac- 
côrdo que for estabelecido com os governos locaes, as 
diversas zonas dos centros criadores e exportadores de 
gado, de modo a dividil-as em Ires categorias, isto é, zona 
indemne, zona intermediaria e zona infectada, corres- 
pondendo, respectivamente, á região completamente livre 
de carrapato, á parcialmente invadida e á infectada. 

§ 1.° As pesquisas e estudos sobre o assumpto serão 
confiados nos Estados aos inspectores veterinários, auxi- 
liados pelos veterinários do Serviço e por veterinários ou 
especialistas nomeados para esse fim. 

§ 2.° Nas linhas divisórias das zonas referidas serão 
estabelecidos pelo Governo Federal banheiros insecticidas, 
pelos quaes passará o gado da zona infectada para a inter- 
mediaria e desta para a indemne, não podendo ter livre 
transito sinão o que estiver isento desses insectos ou de 
outros germens. 

§ 3.° A Directoria do Serviço de Industria Pastoril de- 
signará as linhas divisórias das differentes zona's e os pon- 
tos intermediários que lhe corresponderem e estabelecerá 
as medidas necessárias para o saneamento dos campos in- 
vadidos pelo carrapato e as regras para a inspecção dos 
mesmos ou dos animaes que delles procederem. 

§ 4.° Os dispositivos do paragrapho anterior não se 
applicarão aos animaes procedentes de estabelecimentos 
da zona intermediaria declarados limpos, quando se 
destinarem a pontos da zona indemne ou da intermedia- 
ria onde existam banheiros e inspecção sanitária, desede 
que os referidos animaes possam ser transportados dire- 
mente, por via fluvial, maritima ou terrestre. 

§ 5.° Excepcionalmente, a juizo do director do Ser L 
viço, em periodo de carestia da carne para o consumo, 
poder-se-ha dispensar o disposto no § 2.°, desde que o 



42 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, (INDUSTRIA B COMMJBRCIO 



transito se possa fazer directamente por via marítima, flu- 
vial ou terrestre, mediante as cautelas prescriplas pela 
Directoria, devendo os animaes transportados nestas con- 
dições ser desembarcados nos matadouros e immediata- 
mente sacrificados. 

Art. 136. A Directoria do Serviço promoverá nas zo- 
nas criadoras a propaganda em favor do combate ao car- 
rapato e outros parasitas, indicando os meios necessários 
para esse fim e organizando planos e indicações para a 
construcção de banheiros. 

§ 1.° O Governo Federal auxiliará os criadores, para 
construcção de banheiros e acquisição dos insecticidas 
nelles empregados, de accôrdo com os recursos orça- 
mentarois. 

§ 2.° Terão preferencia na organização dos serviços 
para construcção de banheiros insecticidas os Estados 
e municipios que auxiliarem o Governo Federal, forne- 
cendo os terrenos e as installações destinadas aos mes- 
mos banheiros e se obrigarem a observar as instrucções 
dadas pela Directoria do Serviço. 

§ 3.° Cada banheiro carrapaticida federal ficará a 
cargo de um guarda, encarregado de dirigir o expurgo 
do gado e fazer a estatística do movimento do banheiro. 

Art. 137. A Directoria do Serviço de Industria Pas- 
toril promoverá estudos e medidas prophylacticas tenden- 
tes a combater a disseminação das trypanosomiases. do 
berne e de qualquer parasita que affecte a saúde do 
gado. 

Art. 138. O Governo expedirá opportunamente as 
instrucções relativas ao serviço de prophylaxia contra o 
carrapato e outros parasitas animaes. 

Art. 139. O Governo poderá contractar profissionaes 
estrangeiros para os differentes serviços, na falta de bra- 
sileiros. 

Art. 140. O director do Serviço, ao autorizar qual- 
quer despeza, deverá recommendar á secção de expe- 
diente que o informe sobre o estado da respectiva verba, 
para os devidos fins. 

Art. 141. Os Postos Zootechnicos, as Fazendas-Modelo 



KEVISTA DE VETEKINARIA E ZOOTECHNIA 43 



e a Escola de Lacticínios de Barbacena ficarão sujeitos 
a regulamentos especiaes, além das disposições deste re- 
gulamento que lhes disserem respeito. 

Art. 142. São extensivas ao Serviço de Industria Pas- 
toril, na parte que lhe for applicavel, as disposições con- 
stantes dos arts. 30, 37, 49, 50, 51, 53, 54, 56 a 84 5 
90, 91 e 95 a 98 do regulamento approvado pelo decreto 
n. 11.436, de 13 de janeiro de 1915. 

Art. 143. Os vencimentos do pessoal do Serviço de 
Industria Pastoril serão os da tabeliã annexa. 

Ari. 144. Os funccionarios não contemplados na re- 
forma constante do presente regulamento ficarão addidos 
e poderão ser distribuídos pela Directoria do Serviço e 
suas dependências, de accôrdo com as conveniências do 
serviço, emquanto não forem aproveitados na forma do 
art. 109 da lei n. 2921. de 5 de janeiro de 1915. 

Art. 145. As duvidas que porventura se suscitarem 
na execução deste regulamento serão resolvidas por deci- 
são do Ministro. 

Art. 146. O presente regulamento entrará em vigor 
desde já. 

Art. 147. Ficam revogadas as disposições em con- 
trario. 

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1915. — João Pan- 
diá Calogeras. 



44 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



Tabeliã a que se refere o art. 147 do regulamento annexo ao decrete 

n. 1 1.460, desta data 



CATEGORIA 



GRATIFICAÇÃO 



TOTAL AMUAL 



Directoria 



Director , 1 2:000$000 

Chefe de secção 8-000$000 

Ajudante 6:400#000 

Veterinário 5:600$000 

i.° official . . 5:600$000 

Photomicrographo 4:000$000 

2.° official 4:000$000 

Pharmaceutico-chimico. . . . 3:600$000 

3. official 3:200$000 

Auxiliar technico, 3:200$000 

Dactylographo 2:400$000 

Encarregado do material. . 2:400$000 

Porteiro 2:400$000 

Continuo 1 :600$000 

Servente (salário mensal de 

1 5o#ooo) 

Inspectorias veterinárias 
districtaes 



000$000 
OOO5OOO 
200$000 
800$0O0 

8OO5OOO 
000$000 

ooo$ooo 

800$000 
600$000 
600$000 
200&000 
200#000 
200$000 
800$000 



1 8:000|000 

1 2:0005000 
U0S000 
8:400$00(J 
8:4005400 
6:000S000 
6.000$000 

1OSOOO 
4:8005000 
4:8005000 

iOSOUO 
3:600$000 
3:600$000 
2:400$000 

1:800$000 



Inspector 6:400$000 

Veterinário * 4:800$000 

Auxiliar de i. a classe 2:400$000 

Auxiliar de 2. a classe 2:000$000 

Guarda de banheiro carra- 

paticida (salário mensal 

de ioo$ooo) 

Servente (salário mensal de * 

(ioo$ooo) 

Inspecção veterinária de 
portos 



3:200$000 
2:400$000 
1:200$000 
1 :000$000 



9:600$000 
7:2005000 
3:ò00$000 
3:000£000 



1 :200$000 
1:200$000 



Inspector , ■ 5:600$000 

Auxiliar 2:400$000 

Trabalhador (salário men- 
sal de ioo$ooo) 



2:800$000 
1:200$000 



8:400$000 
3:600$000 

1:2005000 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



45 



categoria 



ORDENADO GRATIFICAÇÃO 



TOTAL ANNUAL 



Inspectoria de lacticínios 

Inspector 4:000$000 \ 2:000$000 

Mestre de lacticinios 2:000$000 jM :000$000 

Postos Veterinários 

Director (bacteriologista).. 5:600$000 2:800$000 

Veterinário 4:800$000 2:400$000 

Pharmaceutico-chimico. . . . 2:400$000 1 :200$000 

Auxiliar 2:000$000 1:000 $000 

Porteiro-continuo 1 :600$000 800$000 

Servente ou trabalhador 
(salário mensal de 60$ a 
ioo$ooo) 

Postos de Observação 

Administrador (veterinário) 4:000$000 2:000$000 
Auxiliar. . . .* 2:000$000 1 :000$000 

Servente (salário mensal de 

6o$ a ioo$ooo) 

Posto de Observação e En- 
fermaria Veterinária de 
Bello Horizonte 



6:000$000 
3:000$000 



8:400$000 
7:200$000 
3 Ó00$000 
3:000$000 
2:400$000 

720$000 
a 
1:200$000 



6:000$000 
3:000$000 

720$000 
a 
1:200|000 



Director (medico bacterio- 
logista) • 7:200$000 3:600$000 1 0:800$000 

Assistente 5:600$000 2:100$000 8:400$000 

Veterinário 4:800$000 2:400$000 7:200$000 

Auxiliar 2:000$000 1 :000$000 3:000$000 

Escrevente ■ 2:000$000 1 :000$000 ' 3 000$000 

Porteiro-continuo 1 :600$000 800$000 2:400$000 

Servente (salário mensal de . 

ioo$ooo) 1:200$000 



Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1915. — João Pandiá Calo- 



geras. 



46 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMKVBCIO 



COLLABORAÇÃO 



A redacção da "REVISTA" não se 
responsabilisa pelos conceitos emittidos 
em artigos assignados por seus collabo- 
radores. 



A FABRICAÇÃO 00 QUEIJO CHEDOAR 

O queijo Cheddar é o mais fabricado na Inglaterra e 
na America do Norte, tornando-se, nestes paizes, um dos 
principaes alimentos dos pobres. 

Este queijo foi conhecido primeiramente na Ingla- 
terra, no século 16.°, e era fabricado em 1639 pelos fra- 
des da Abbadia de Glastonbury. Mais tarde, em 1854. o 
Snr. Joseph Hardings introduziu o seu fabrico na Escos- 
sia, e, deste tempo para cá, tornou-se conhecido. 

O nome Cheddar vem da aldeia deste nome, no Con- 
dado de Somersetshire na Inglaterra, e foi com o lei- 
te produzido nas pastagens admiráveis, na beira do Ca- 
nal de Bristol, que se fabricaram os primeiros queijos 
desta espécie, cuja producção é hoje superiora 250.000.000, 
por anno. 

O ponto de vista do fabricante de queijo, seja qual 
for o seu systema, é reunir a maior proporção dos sóli- 
dos do leite n'um estado mais ou menos secco e dirigir as 
condicções pelas quaes o leite e os seus productos são in- 
fluenciados antes e durante a fabricação e maturação que 
tornam o producto nutritivo, digestivel e agradável ao 
paladar. 

A differença das varias qualidades de queijo é devi- 
da ao systema da sua fabricação, sendo pouco a influen- 
cia do clima, localidade, solo, pastagens ou raça de gado ; 
assim o queijo Stilton separa os sólidos do leite sem o 
emprego de grande calor e sem pressão, ao passo que o 
queijo Cheddar necessita calor e pressão consideráveis. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 47 



Se uma quantidade de leite é dividida em diversas va- 
zilhas e cada porção tratada por um systema differente, 
o resultado será queijos de diversas qualidades, comple- 
tamente differentes uns dos outros, e no caso que a fabri- 
cação tenha sido feita com capricho o queijo de cada 
qualidade será excellente. 

Uma vacca, que dá 2.400 litros de leite por anno, pô- 
de produzir 250 kilos de queijo. 

O gosto e o cheiro do queijo dependem principalmen- 
te do systema da sua fabricação e da cura ou amadure- 
cimento que preside a decomposição da caseina e da 
gordura, de que resultam as qualidades particulares do 
queijo. São pois os micro-organismos que determinam 
o gosto característico das diversas qualidades de queijo. 
C) amoniaco, que é formado pela decomposição da ca- 
seina, une-se aos ácidos voláteis da gordura, produzindo 
este gosto próprio do queijo que se nota n'um género 
bom, e que é exagerado num género inferior. 

Um queijo muito fresco não é de fácil digestão e não 
se dissolve n'agua, mas desde que haja maturação, elle 
torna -se quasi inteiramente solúvel n'agua. 

Na fabricação de queijos é necessário prestar muita 
attenção á quantidade de coalho que se emprega, pois 
coalho de mais produz queijo muito duro, e coalho de 
menos produz coalhada molle e de difficil manejo, dan- 
do queijo de qualidade inferior. 

A acção do coalho é apenas de coagular a caseina 
do leite, sendo necessário para isso a presença de saes 
de calcium que todo leite contem, mas sobre os outros 
componentes do leite o coalho não produz effeito. A gor- 
dura e parte da lactose do leite ficam aprisionados pela 
caseina coagulada, e é neccessario o maior cuidado ao 
quebrar a coalhada e cortal-a para evitar que escapem, 
o que prejudicaria o produeto. 

A [acção do coalho é maior na temperatura de 54.°c, 
mas nade77.°c, já é innativa. Em temperatura muito baixa 
também o coalho não coagula a caseina, mas quanto 
mais alta for a temperatura até 54° c, tanto mais rápida 



48 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIA 

é a sua acção. A presença do acido Láctico no leite, fer- 
mentando auxilia a acção do coalho. 

Na fabricação do queijo Gheddar é muilo necessá- 
rio ter uma casa apropriada para esle fim. 

Deve-se em primeiro logar esludar a localidade, que 
deve ser fresca, porém não húmida. 

As paredes da casa devem ser de boa grossura, para 
evitar as mudanças bruscas de temperatura. 

Deve haver abundância de agua boa, limpa e fresca. 

A sala da fabricação deve ser independente da sala 
da maturação, e deve haver facilidade de governar a 
temperatura destas salas, aquecendo-se ou resfriando-se 
á vontade. 

Feitas estas observações, passemos a tratar do mo- 
do pratico de fabricar o queijo Cheddar. 

Para produzir um queijo Cheddar de boa qualidade 
é necessário que o leite adquira um certo grau dé fer- 
mentação. 

A fermentação do leite para a fabricação de queijos 
é muito menor que a fermentação que se dá á nata na fa- 
bricação da manteiga, pois no primeiro caso, procura-se 
por processos diversos a continuação da fermentação. 

A fermentação do leite pôde ser conseguida por duas 
maneiras; 1.°, expondo-o á acção do ar, em uma tempe- 
ratura mais ou menos elevada; 2.°, juntando-se-ihe um 
fermento artificial, soro ou leite um pouco velho. 

No nosso clima o leite adquire o grau de fermentação 
necessário pelo primeiro systema em poucas horas, porém 
o segundo systema é melhor e mais certo. 

A tina uzada na fabricação do queijo Cheddar é uma 
caixa de folha com os lados e o fundo ocos, percorrendo 
nella o vapor ou agua quente para cozer a coalhada. 

Nas fazendas, onde as vaccas são ordenhadas duas 
vezes ao dia, o leite da tarde é despejado na tina, fi- 
cando ahi até o dia seguinte com uma temperatura mais 
baixa no verão, e no inverno 18° a 20° c, Este leite 
deve ser muito mexido antes de anoitecer, e no outro 
dia tira-se com uma espumadeira a nata accumiuada na 
superficie. Esta nata é aquecida a 32.° c, e despejada de 




Fig. 1 

Coador para prender ao lado 
da tina 




Fig. 3 

Pá fluctuante do ventilador 



PUP 




Fig. 2 

Agitador " Austln " 




Fig. 9— Prensa para queijo 



Fig. 7 

Quebrador de 
coalhada 




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Fig. 8 — Moinho para coalhada 




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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 49 

novo na tina junto com o leite fresco da manhã, passando 
por um coador preso ao lado da tina. (Fig. 1). 

Caso um agitador seja uzado, isto se torna desne- 
cessário, visto não haver nata na superficie do leite. 

Um agitador muito bom e muito simples é do systema 
de Austin, e pôde ser construido por qualquer carpinteiro. 
(Fig. 2). 

Este agitador consiste em duas pás fluctuantes que 
correm sobre a superficie do leite, (Fig. 3) As pás são 
prezas a uma travessa em cima da tina, que por suai 
vez está ligada a uma pequena roda d'agua, geralmente 
feita de zinco. 

A agua necessária é pouca, e pôde ser regulada com 
uma torneira, de maneira a fazer as pás correrem no leite 
cada dois minutos, o que é sufficiente para evitar a su- 
bida da nata. 

Depois de bem misturado, cxamine-sc o leite para 
ver si a fermentação é sufficiente, e, no caso contrario^ 
será necessário esperar mais algum tempo, e talvez aju- 
dal-a com um pouco de soro ou leite guardado. 

Aquece-se então todo o leite a uma temperatura de 
28° c. ou, si o tempo fôr frio, até 30° c, e junta-se coalho 
sufficiente para coagulal-o em 20 minutos e formar uma 
coalhada consistente em 45 a 00 minutos. 

A mistura do coalho com o leite deve durar 
10 minutos, mexendo-se bem durante esse tempo, não 
sô para encorporar bem o coalho, como também para evi- 
tar que a nata suba antes de formar-se a coalhada. 

Quando a coalhada está em condicções de ser cortada, 
ella racha-se, a simples pressão do dedo, apparecendo nas 
fendas algum soro. 

Corta-se a coalhada, em primeiro logar, com uma faca 
em sentido vertical, (Fig. 5), em sentido longetudinal e 
em sentido transversal, e em seguida corta-se da mesma 
maneira com uma faca horizontal. (Fig. 6). As facas uza- 
das são próprias para cortar coalhada e cortam com a 
maior igualdade. 



50 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA ■ OOMMKBCIO 

Limpam-se depois os lados e o fundo da tina, e cor- 
ta-se novamente com ambas as facas, deixando-a então 
assentàr-se durante dez ou quinze minutos. 

Mexe-se então devagar com o quebrador (Fig. 7) du- 
rante 15 ou 20 minutos, até que a coalhada fique em pe- 
daços do tamanho de petit-pois. O serviço de cortar e que- 
brar a coalhada deve ser feito dentro de 45 a 60 minutos. 

Caso o aquecimento seja feito com vapor, a tem- 
peratura da coalhada eleva-se continuamente a ra- 
zão de um gráo c, por 8 minutos, até attingir a tem- 
peratura de 40° a, ; porém caso o aquecimento seja 
feito por meio de agua quente, aquece-se primeiramente 
a coalhada até 32°, mexe-se devagar durante 15 minutos, 
elevando então a temperatura até 36° c, e mexe-se de 
novo durante 15 minutos, aquecendo em seguida até 40° c. 

Não se utilisando tina própria, não ha remédio 
sinão tirar algum soro e aquecel-o, despejando em se- 
guida na tina, de modo a levar todo o conteúdo á tem> 
peratura de 40° c. 

A coalhada deve ser então mexida com o quebrador 
até que adquira uma consistência de chumbo, devendo ser 
dura e afundar rapidamente no soro, ter o cheiro mas não 
o gosto de azedo, e segurar no ferro quente, formando fios 
de 3 ou 4 centimetros. Deixa-se a coalhada na tina mais 
de um quarto de hora, e então colloca-se sobre ella um 
taboleiro próprio com uns pezos em cima, para fazel-a 
fundar no soro, ficando a coalhada assim até que tenha 
uma consistência firme. 

Cortar-se-a então pelo meio ao comprido com 
uma faca larga, e enrola-se para uma das extremidades 
da tina, collocando-se então de novo o taboleiro com 
os pezos. 

O soro deve ser tirado da tina, o taboleiro é removido 
e a coalhada cortada em pedaços no fundo da mesma tina. 

Juntam-se em seguida os pedaços da coalhada, for- 
mando um montão no fundo da tina, e deixa-se durante 
10 minutos com os pezos. 

Corta-se depois a coalhada em tijolos, cobre-se com 
um panno, e collocam-se novamente os pezos. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 51 



Convém abril-a de 20 em 20 minutos para virai -a, 
continuando assim até que ella adquira uma consistên- 
cia de borracha. 

Cortar-se-a de novo em cubos de 2 pollegadas e amar- 
ra-se numa toalha com os pezos em cima. 

Abre-se esta toalha de meia em meia hora para des- 
manchar a coalhada, continuando até que ella tenha a 
consistência necessária para ser moida. 

Quando a coalhada estiver prompta para isso> 
tem cheiro e gosto bastante azedos, é seeca- e solida 
no cortar, e, sendo tocada com o ferro quente:!, faz fios de 1 
a 2 pollegadas. A coalhada é então moida e pezada. (Fig. 8).. 

Colloca-se-a em uma outra tina e juntam-se-lhe 2 e 
meio por cento de sal, mexendo tudo bem durante 15 
minutos, até que o sal fique bem mistura/do cora a coa- 
lhada. 

A temperatura da coalhada deve ser de mais 
ou menos 2ti° c. Põe-se então a coalhada na forma, tendo 
neste momento uma temperatura de 21 a 24° c. 

Enche-se a forma com cuidado, expremendo-se e aper- 
tando-se bem a coalhada lodo o tempo, e quando a for- 
ma estiver cheia, principia-se a dar pressão, augmentando- 
se sempre esta pressão, até que no fim de 2 horas seja 
de 500 kilos. (Fig. 9). 

Deixa-se o queijo durante a noile com esta pressão. 

Na manhã seguinte é elle virado e lavado em 
agua com a temperatura de 50 a c, durante um minuto, 
muda-se a toalha, que deve ser limpa e escaldada, e o 
queijo volta para a prensa. Durante duas horas a pressão 
continua a ser de 500 kilos, devendo ser então augmentada 
para 750 kilos, ficando com esta pressão até a manhã 
seguinte. 

No dia seguinte o queijo é untado e virado, coberto 
com panno lizo e submettido á pressão de 1.000 kilos. 

No 4.° dia vira-se-o novamente e, envolvendo-o num 
outro panno bem untado, volta á prensa com a pressão 
de 1.000 kilos, até á tarde. O queijo é então tirado da, 
forma, envolve-se-o num panno próprio, e leva-se-o para 
a sala da maturação. 



52 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 

Ahi deve ficar na forma durante 3 dias completos. 
Yira-se-o todos os dias durante 6 semanas. 

A temperatura na sala de maturação deve ser de 
18° a 21° c.j devendo ser mais elevada para os queijos 
novos. 

A composição dum queijo "Cheddar" com idade de 
6 mezes. deve ser: 



Agua 31.17 °[n 

Caseína 26.3 1 °r° 

Gordura 33.68 °[o 

Ivactose 4.9 1 °[° 

Cinza 3.93 °[ 

O descuido de virar os queijos é a causa da côr ver- 
melha que se nota nas extremidades de alguns delles. 

A forma do queijo " Cheddar" é funda^ e o pezo de um 
■queijo regula de 30 a 40 kilos, ou até 50, sendo, porém, 
os de menor pezo os preferidos. 

F. W. Cheston. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 53 



PELAS INSPECTORIAS 



Excursão aos municípios de Macapá e Amapá 



Relatório do respectivo veterinário ao Inspector do 1.° districto 

De volta da grande excursão que fizemos, eu e o au- 
xiliar de l.° ciasse Agostinho Tavares Vianna, pelos Mu- 
nicípios de Macapá e Amapá, onde fomos, segundo vossa 
determinação, attender ás requisições dos Snrs. José Ben 
Accon, proprietário da fazenda Três Lagos, no Amapá, e 
Coronel António de Pontes Tavares, dono das fazendas 
Santo António e São Vicente, no Amapá, vimos prestar- 
vos conta dessa incumbência, procurando descrever suc- 
cintamente o que observamos nos immensos campos des- 
sa quasi ignota região. 

A nossa viagem foi longa, pois as fazendas, cuja vi- 
sita nos foi determinada, eistão situadas quasi nos extre- 
mos dos intérminos campos da Guyana Brazileira; mas 
foi sobre maneira demorada, devido á grande deficiência 
de meios de communicação, tendo nós perdido, por mui- 
que nos transportasse de um a outro ponto do deserto ter- 
ritório. Assim aconteceu-nos em São Luiz, no Rio Ara- 
guary, onde, tendo perdido, pela demora da viagem, o bar- 
co que nos devia transportar ao Amapá, tivemos de es- 
perar por um outro quinze dias, demora essa que apref 
veitamos para visitar os magnificos campos do Rio Apô- 
rema . e no Amapá, concluído o serviço, aguardámos 
durante vinte dias, a vinda incerta do vapor que nos rer 
conduziu a esta Cidade. 

Quanto aos serviços de que fomos encarregados temos 
que relatar o seguinte: 

Na Fazenda Três Lagos, do Snr. José Ben Accon, 
situada a margem esquerda do Rio Matapy, no Município 
de Macapá, existem cerca de quinhentas rezes, de raça 
indígena, de tamanho médio e bôa conformação. 

Durante a nossa estadia ali não occorreu nenhum ca- 
so de moléstia no gado, pelo que não pudemos diagnosti- 



54 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E OOMMBfi 



car, com observação pessoal, o mal de que se queixou o 
proprietário na petição que dirigiu a esta Inspectoria. 

Pelos casos e symptomas descriptos, pôde-se apanes 
concluir a occurrencia frequente de envenenamentos por 
picadas de cobras, principalmente cascavel (Crotalus ter- 
rificus e surucucu' (Lachesis Mutusj. Realmente, duran- 
te os poucos dias que nos demoramos nessa e em outras 
fazendas próximas, pudemos verificar a presença de al- 
gumas cobras venenosas, tendo nós perdido um cão victi- 
mado por um surucucu'. 

Sendo, como nos pareceu, o veneno ophidico a causa 
da mortandade do gado das fazendas dessa zona, acon- 
selhamos a caça persistente das cobras venenosas, a quei- 
ma dos campos e o emprego do soro anti-ophidico, en- 
sinando aos encarregados das fazendas as indicações e 
a technica indispensáveis. 

Nas fazendas Santo António e São Vicente, do Sr. 
Coronel António de Pontes Tavares, situadas á margem 
esquerda do Rio Bagres, na zona alagada do litoral, 
no municipio do Amapá, existem perto de cinco mil 
rezes, de raça indigena e bom tamanho, todas gordas e 
de óptimo aspecto. Os campos ostentam luxuriante pas- 
iagem de cannaranas. 

No meio dessa propriedade apresentou-se, porém, a 
Babesiose, occasionando avultada mortandade. Xo anno 
próximo passado houve ali uma epizootia que victimou 
cerca de oitocentas rezes. Actualmente o mal reina com 
menos intensidade; occorrem, todavia, frequentes casos 
f ataes. 

Os symptomas apresentados pelas rezes doentes são 
eloquentes: inappetencia, pello iriçado, febre alta, hemo- 
globinuria, prostração e collapso. 

Pelo exame cadavérico verifica-se a existência de uri- 
na sanguinolenta na bexiga e o grande augmento do baço, 
friável, de polpa deliquescente. 

A explicação dessa epizootia é a seguinte: não existia 
carrapato na zona de campos alagados; com aintroducção 
de gado das fazendas da terra firme, onde existe muito 
carrapato e, certamente tristeza em estado larvado, ap- 



BEVISTA DE VETEKINARIA E ZOOTECHNIA 55 



pareceu essa zoonose na região alagada, occasionando 
grandes prejuízos em varias fazendas, conforme nos foi 
referido. 

Como no alagado existe actualmente ainda muito pou- 
co carrapato explica-se assim a persistência de tantas 
rezes ainda não immunes. 

Xão dispondo lá de nenhum recurso therapeutico, ou 
prophylactico, limitamo-nos a prescrever o rigoroso isola- 
mento das "malhadas" que estavam sendo attingidas e 
o tratamento empírico das rezes doentes; e embarcamos 
para essa cidade, em companhia do proprietário, que veiu 
em procura de carrapaticida e de medicamentos espe- 
cificos (trypanblau e trypaiiroth . que aconselhamos para 
debellar o mal. 

CAMPOS E PASTAGENS 

Si carece de importância o resultado de nossa excur- 
são no que se refere á veterinária, o mesmo não acontece 
considerado sob o ponto de vista pastoril. 

Realmente, no longo percurso de nossa viagem, nada- 
mos, quasiexclusivamente , através de campos, de campos 
immensos, de campos magníficos! E essas intérminas sa- 
vanas permanecem incultas e quasi ignoradas, numa épo- 
ca, como a presente em que a crise de carne é mundial e 
em que se votam á pecuária os maiores esforços e ias 
melhores esperanças. 

E esses campos, enorme riqueza descuidada, não são 
distantes, nem inaccessiveis, como os campos do Rio Bran- 
co; ao contrario: estão situados sobre rios navegáveis 
por vapores e distante desta cidade de trinta a sessenta 
horas de viagem. Vou tentar descrevle-os parcelladamente. 

CAMPOS DO MATAPY. As bacias dos Rios Matapy e 
Pedreiras, últimos affluentes da margem esquerda do 
Amazonas, representam uma grande vastidão de campos 
naturaes, que se estendem á margem esquerda desde Rio, 
ao sul, á malta que acompanha a margem direita do Rio 
Araguay, ao norte, numa extensão de cem kilometros, no 
sentido dos meridianos e de quarenta a sessenta kilo- 



56 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, .INDUSTRIA E COMMLI'/ IO 

metros no dos parallelos, prefazendo uma área de cerca 
de cinco mil kilometros. 

Nessa vasta superfície de campos, ramificam-se os 
Rios Matapy e Pedreiras, com os seus affluentes e con- 
fluentes, acompanhados de uma estreita orla de matta. 
o que permittiria ver-se do alto, desenhados em verde 
escuro, as ramificações arboriformes desses dois tribu- 
tários do grande Rio. 

Entre essas duas bacias fluviaes, estende-se a grande 
"chapada de campos 'geraes", mais ou menos larga e 
plana, donde se destacam, para um e outro lado. innume- 
ras "resacas", que assim se chamam as pontas dos cam- 
pos, espécies de peninsulas, que se insinuam entre os 
valles de dois igarapés visinhos, que adeante se reúnem. 
Si a "chapada" dos campos é mais ou menos plana, 
o mesmo não acontece com as "resacas". que, vincadas 
pelos pequenos tributários dos 'igarapés"" que as de- 
limitam, apresentam uma superficie accidentacla. formada 
de innumeros cabeços de campos altos (contrafortes do 
planalto, entre os quaes se cavam longa<s e estreitas baixas 
e profundos valles. Estes valles são cheios de matta. pelo 
meio da qual se deslisa um " igarapé ". 

As baixas, muito húmidas ou brejadas. são cobertas 
de uma pastagem fresca e viçosa, composta de Grammi- 
neas e Cyperaceas. Quasi invariavelmente, na linha cen- 
tral mais profunda das baixas, existe um verdadeiro tre- 
medal, assignalado, em todo seu comprimento, por uma 
extensa fita de miritys, ou buritys (Mauritia flexuosa). 

A vegetação dos campos altos, embora mais fértil 
no planalto arenoso do que nas encostas pedregosas dos 
accidentados contrafortes das " resacas ", apresenta, em 
tudo caso, uma notável uniformidade. 

Em toda vasta superficie dos campos, sombreando-se 
escassamente, acham-se disseminadas arvores anãs. de fo- 
lhas duras e coriceaes. Essa arborisação xerophyla e ra- 
chitica é quasi exclusivamente composta de muruchy. ou 
muricy (Byrsonina crassifolia), caimbé (Curatella ame- 
ricana), tarumã-tuira Vitex flavens), caróba (Tecoma ca- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 57 



raiba), sucuuba (Plumiera Fallax) e gongo (Palicourea 
rígida). 

Cobrindo o solo dos campos firmes estende-se um 
intérmino lençol de densa pastagem, constituída em sua 
quasi totalidade por duas espécies de Grammineas, uma 
de folhas macias e vellosas (Tachypogon polymorphus, 
uar. plumosus) e outra de folhas duras e glabras Impe- 
nda brasiliensesf)j conhecidas ambas, indistinctamente, 
pela designação de capim "Agreste". 

Por entre o "Agreste" chamam apenas a attenção 
dos troncos esquesitos do Cyrpus paradoxas, as folhas 
acaules do Muruchy rasteiro (Byrsonina verbasci folia e 
principalmente na visinhança das baixas, o pennacho (Pa- 
nicum cayennense), o flabello (Paspalam chrysodaclylon) 
e varias Cyperaceas dos géneros Scleria e Rhyenchospora. 

Em alguns pontos das *margens dos. Rios. principali- 
mente no Maruanum, affluente do Matapy, existem vár- 
zeas baixas, que alagam durante o inverno e se cobrem 
de " serra-perna ", ou andrequicé (Leersia hcxandra), pas- 
tagem de primeira ordem, e, quando seccam, se atapetam 
de capim marreca (Paspalam Canjucatum), var. pabes'r 
cens), pasto pequeno, mas bastante apreciado. E' calcula- 
do apenas em três mil cabeças o gado existente nesse 
campo. 

CAMPOS DO ARAGUARY E APOREM AL— Limitado 

ao S. pelo RioAraguary; ao X. pelo Rio Tartarugal e Lago 
das Duas Roccas;a L. pelos Lagos da Terra Firme e Lago 
NovoeaOesle pelasmattas das Serras daMonguba, Trin- 
dade e Tartarugal, existe um grande campo, medindo 
aproximadamente sessenta kilometros no sentido latitu- 
dinal e cincoenta no longitudinal, occupando, assim uma 
área de cerca de três mil kilometros quadrados. 

Esse campo abrange toda a bacia fluvial de um gran- 
de affluente do Araguary, o Apôrema, que o divide era 
duas zonas. 

A que se acha ao poente do Apôrema é em tudo ser 
melhante aos campos do Matapy, apresentando a mes L 
ma configuração de terreno, as mesmas baixas frescas 
com as suas fileiras de miritysaes, os mesmos valles de 






58 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA Ji COHMHU I" 

inattas assignalando os igaripés, os mesmos campos ele- 
vados com igual arborisação estorricada e igual pasta- 
gem agreste. 

A zona de campos altos, situada ao nascente doApôre- 
ma, em tudo semelhante á precedente, apresenta a vanta- 
gem de formar um planalto menos elevado, com baixas 
de mirityases mais longas e mais extensas, com pasta- 
gens mais frescas e viçosas. 

O que, porém, notabiliaz os campos do Aporem a são 
as baixas alagadas que marginam o Rio e o seu af fluen- 
te Eusébio, formando grandes pi an ices cobertas de ser- 
ra-perna" (Andrequicé; e "capim de marreca ". Não ob- 
stante a boa qualidade de suas pastagens e a existência de 
muitas fazendas, ainda não se encontram nesses campos 
três mil cabeças de gado. 

CAMPO DO NORTE.— Ao X. do Rio Tartarugalzinho, 

affiuente do Tartarugal, principia um outro campo, que 
abrange as bacias do Itaubal, Cujupim. Frexal. Ugara- 
pé da Serra, Amapá Grande, Calsoenne e Cunany. até 
o Cassiporé, terminando, ao poente, nas mattas da Ser- 
ra de Tumuc-humac e das cabeceiras do Araçuarv. 

Não tivemos occasião de visitar esse campo, mas fo- 
mos informados, por muitas pessoas, da sua enorme ex- 
tensão e de sua conficura e vegetação, em tudo sema- 
lhantes ás dos campos do Matapy e do Araguarv. 

E esses campos acham-se quasi totalmente devolutos! 

CAMPOS ALAGADOS.— De natureza bem diversa da 
dos campos firmes são os campos alagados, que oceupam 
uma Faixa bastante larga do litoral do Amapá e das 
margens do Baixo-Araguary. 

Vasta planice, muito raza, inunda durante toda a es- 
tação invernosa e transforma-se, no verão, em um immen- 
so prado de magnifica pastagem; apresenta, portanto, con- 
forme a estação, aspecto bem differentes. 

No inverno, transporta a estreita orla de ciriubas 
(Avicennla nítida), que borda as praias e os rios da região 
estende-se, a perder-se de vista, a varsea innundada. na 
qual apenas emergem, aqui e ali, pequenos 'tesos ? ' bai- 
xos, cobertos de aturiá ( Drepanocarpus lanatus) e de Boiei- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 59 



ras, ou Jurubébas (do yen Solanum), e, mais além, lon- 
gas ilhas de terra firme revestidas de espessa matta. 

Na superfice das aguas, cuja profundidade varia de 
metro a metro e meio, espalha-se, em toda a extensão, 
uma basta camada de " balsedo " constituído quasi to- 
talmente de eannaranas (varias espécies do gen. Pani- 
cum), que são magnificas pastagens, e no qual também 
figuram a arumaraha. (Thalia geniculata), o algodão bra- 
vo (Ipomméa fistulosa), o junco bravo (Cy perus articn- 
lalus i e diversas marurés (Eichomia Azurea, Nympharea 
Rudyeana. Limnanthemun Hiunboldli anum, ele.) 

Durante o verão as aguas excoam-se e as planicies 
Bisseccadas ostentam-se cobertas de luxuriante pastagem, 
constituída principalmente de eannaranas. 

Nessa faixa do litoral do Amapá e das Margens do 
Baixo-Araguary já existem varias fazendas, sendo as maio- 
res as do Sr. coronel António de Pontes Tavares, com 
cinco mil rezes, e Bagres, do Sr. coronel João Franklin 



Távora, com duas mil. 



BAMBOS. — Ao nascente dos campos firmes, que com- 
prehendem os rios Apôrema, Tartarual, Itaubal, Cujubim 
e Frexal, estende-se, de sul a norte, uma linha de grandes 
lagos, que se communicam, sendo os principaes : L. da 
Boccas, L. Itau'ba, L. Cujubim, L. Comprido e L. Pra- 
cuhuba. 

Entre esses lagos e os campos inundados do litoral 
existe uma rande zona inexplorada, alagada quasi todo o 
anno, muito cerrada, impenetrável. São os "bambos". 

Existem nos "bambos" leitos obstruidos de antigos 
rios (o Macarry, por exemplo), e, certamente, lagos des- 
conhecidos e algumas lagoas de terra firme, cuja matta 
se percebe, ao longe, no horizonte. 

Na vegetação que constitue o cerrado alagado ou 
"bambo", predominam as espécies seguintes : o mirity ou 
burity (Mauritia flexuosa), a arumarana (Thalia geni- 
culata); e cobrindo a superfície da terra e das aguas 
densa camada de "Serra-perna" (Leersia Lexandra), a 
melhor gramminea forrageira do Pará. 



60 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCJO 



Nos "bambos" existe uma "brabeza,, — que assim 
se chama a uma grande manada de gado vaccum tresma- 
lhada, embravecida, que vive no cerrado. Todos os annos 
uma centena de rezes das fazendas próximas do ' bambo " 
foge para a "braveza", que já é avaliada em mais de 
mil cabeças. 

Os "bambos", já hoje habitados pelo gado bravio, 
serão para o futuro explendidos campos. 

Pensamos ter dado uma idéa do que sejam os cam- 
pos da Guyana Brasileira, cuja exploração constituiria, 
dentro de poucos annos, uma fonte de riqueza para o 
Estado do Pará. Poder-se-á alegar contra essa nossa visão 
optimista o estado de inaproveitamento em que perma- 
necem. Mas isso é devido a duas causas principaes: o 
paludismo e o deserto — os homens adoecem e extravia-se 
o jgado. 

A prophylaxia especifica e a cerca de arame resolve- 
riam as maiores difficuldades. De certo, também, a pas- 
tagem agreste Idas savanas são de qualidade inferior ; mas 
criam bem, pois vimos no Alto-Matapy, no Apôrema e no 
Lago Novo muitas rezes criadas exclusivamente no cam- 
po firme, as quaes se encontravam em óptimo es- 
tado de gordura e producção. No Araguary, criados em 
campos altos, vimos os melhores typos de cavallo na- 
cional que já observamos. 

Além disso, seria uma empresa relativamente fácil a 
mudança de pastagem. 

Conhecemos no Acre os campos do Capatará, onde a 
mesma pastagem agreste foi substituída, com pouco tra- 
balho, pelo capim de Guiné (Panicum maximum), for- 
ragem de primeira ordem. 

Merece também ser ensaiado o capim pannasco do 
Ceará, onde prospera nos " ariscos „ e " taboleiros ., dos 
sertões. Quanto á zona alagada e aos " bambos"', a dra- 
gagem dos rios obstruidos produziria uma verdadeira 
transformação. 

Mas em empresas dessa ordem fallecem o capital e 
a iniciativa particular; é necessária, pois, a acção do 
Governo. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 61 

A fundação, nos campos do Apôrema, de uma fa- 
zenda nacional, ou, pelo menos, de um posto agrícola- 
pastoril, convenientemente apparelhado para lutar contra 
as difficuldades inherentes á região, em condições de po- 
der guiar e auxiliar o esforço individual, daria, certa 
mente, inestimáveis resultados. 

Si se emprehendessem o desbravamento dos campos 
da Guyana Brazileira e o desaguamento da Ilha de Ma- 
rajó (de que tratamos no Relatório que vos foi apresen- 
tado em 24 de setembro de 1912), o Pará tornar-se-ia, em 
pouco tempo, um grande Estado criador. 

Belém, 31 de Outubro de 1914. 

Dr. EsrERiDiÃÒ de Queiroz Lima. 
Veterinário. 



62 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COM MU 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



(A Revista de Veterinária e Zootechnia responderá, 
nesta secção, a todas as consultas e pedidos de informa- 
ções que lhe forem feitos sobre assumptos de sua espe- 
cialidade.) 



ECOS E NOTICIAS 

Reproductores bovinos - -O Sr. Ministro da Agricultura con- 
\c(e'deu transporte gratuito para dous reproductores de raça caracu', 
adquiridos no Posto de Selecção de Nova Odessa, em S. Paulo, pelo 
criador Hermelijndo Esteves, residente em Belmonte, Estado da Bahia. 

Primeira Exposição Placional de 7v\ilho. Proseguem com 
grande actividade os trabalhos de organização dessa exposição, a rea- 
lisar-íse em 21 do próximo mez de Julho, nos salões da Sociedade Paulista 
de Agricultura, á rua Libero Badaró, 54. 

E } natural o grande interesse, que está dispertando nos lavra- 
dores paulista, a installação desse grande certamen, o primeiro no 
género, que se realisa no Brasil, pois sabemos que existem no Estado 
de S. Paulo 509 grandes cultivadores de milho, que, em 1914, colheram 
'11.285.850 saccas do precioso cereal. 

O Sr. Dr. Silva Telles, Presidente da Sociedade Paulista de 
Agricultura, pensa, aproveitando a opportunidade da concurrencia de 
tantos interessados no assumpto, organizar durante a exposição um 
congresso dos cultivadores de milho, a exemplo do que se fez em re- 
lação á alfafa e que tanto successo alcançou. 

Em muitos Estados da União o interesse por esta exposição 
é 'grande e, segundo já communicaram, aos organizadores da exposição, 
os inspectores agricolas federaes dos Estados da Bahia, Rio Grande 
do Sul e Minas Geraes, já está se organizando, nas respectivas sedes, a 
exposição preparatória de espigas de milho. 

Sabemos ainda que uma grande casa Norte Americana, a The Bly- 
meyer M. C, õffereceu, por solicitação do Dr. Hannicutt, um dos organiza- 
dores da exposição, uma debulhadora de milho, que constituirá um dos 
18 [grandes prémios do brilhante certamen. 

Registro de marcas. — Pela Directoria Geral de Agricultura, 
foram distribuídas aos inspectores agricolas federaes as respectivas 
instrucções para o registro de marcas para assigríalar o gado maior dos 
criadores. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 63 



As formalidades, a que deverão obedecer os requerentes, solici- 
tando o registro de marcas actualmente em uso no paiz, são as se-* 
guintes : í 

Os requeruerimentos deverão ser dirigidos ao Director Geral 
de Agricultura, trazendo a firma do interessado sobre estampilhas no 
valor de 600 réis, devidamente reconhecida, acompanhado de uma es- 
tampilha federal de 10$0Ú0 para ser apposta ao certificado que se 
expedir e instruídos com os documentos seguintes: 

l.o — A marca que desejar registrar impressa a fogo num 
quadrilátero de couro ou madeira. 

2.° — Attestado do collector Federal de que é criador, o nome 
da fazertda e onde é situada. 

3.° — Certificado do collector Estadoal, declarando qual a área 
de campo de que o requerente paga imposto, a denominação da 
fazenda e o districto da sua situação. 

4. o — Certificado da municipalidade da respectiva residência, 
mencionando a quantidade de gado de que paga imposto na sua 
fazenda, cujo nome e situação indicar no pedido. 

5.° — Os documentos que instruírem as petiçjes estão isentos 
de ^ello federal. 

Estes attestados poderão ser suppridos pela inscripção já effe- 
ctuada no registro de lavradores, criadores e profissionaes de indus- 
trias connexas, existente neste ministério. 

Peste das Cadeiras. — Tendo sido coroadas de completo êxito 
as experiências feitas pelo Dr. Astrogildo Machado, do Instituto de 
Manguinhos, sobre o tratamento da peste das cadeiras, e grassando 
esta com grande inensidade no Estado de Matto-Grosso, firmou 
o respectivo governo com o Instituto « Oswaldo Cruz» um contracto 
para a acquisição do medicamento indicado para o tratamento da- 
quella moléstia, afim de pol-o, nas collectorias estaduaes, ao alcance 
dos criadores do Estado. 

Exposição agro-pecuaria. — Os criadores do Triangulo Mi- 
neiro farão brevemente uma exposição agro-pecuaria regional para 
cuja realisação reina grande animação entre os criadores daquella 
zona. 

Varias medidas naquelle sentido já foram tomadas, devendo rea- 
lisarnse o certamen em Uberaba. 

Carnes congeladas. — A' Continental Producto Company 
fechou contracto com as Companhias Sorocabana, Ingleza, Paulista e 
Central para o fornecimento de carnes congeladas aos mercados de San- 
tos, Campinas, Piracicaba, S. Carlos e outras cidades. 



64 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKI 



Industria Pecuária em 7Uatto-(ãrosso. — O Sr - Ministro da| 
Agricultura, desejando estudar as condições do meio, no ponto de vista 
da industria pastoril, vai mandar ao Estado de Matto Grosso uma com- 
missão de technicos, costituida dos Srs. Drs. Charles Vincent, engenheiro 
agrónomo, Director do Posto Zootechnico de Lages, Caramurú Paes Le- 
me, auxiliar da Estação de Chimica Agricola, como auxiliar chimico e 
Alberto Lõefgren, chefe da Secção Botânica do Jardim Botânico, encarre- 
gado do estudo da flora. 

Esta commissão deverá iniciar os seus trabalhos no próximo mez 
de julho. 

Feiras de gado. — Funccionam actualmente no Estado de Mi- 
nas três feiras, que são as de Três Corações, a de Bemfica e a de Sitio. 

Além destas foram creadas outras que, por emquanto, não funccio- 
nam, como as de Lavras, Campo Bello, Sete Lagoas, Sitio (para suinos) e 
Urucú . 

O movimento das três primeiras, em 1914, foi o seguinte : 

Da de Três Corações : 

Rezes vendidas em 1914 132 .997 

Valor da venda 17.914:7505500 

Média por cabeça no i° semestre 134S722 

Média no 2.? semestre i3ò$322 

Média por arroba no 1? semestre 8^981 

Média por arroba no 2? semestre 9$°7 r 

Da de Sitio : 

Rezes entradas 35 .040 

Rezes retiradas * 233 

Idem vendidas 84 . 807 

Valor da venda 4 . 794:Ó72$ooo 

Média por cabeça 1 13^683 

Idem por arroba 8S837 

Da de Bemfica : 

Rezes inscriptas 27.316 

Idem vendidas 26. 187 

Idem por vender 938 

Idem retiradas. 197 

Valor da venda 3.oÓ5:96i$ooo 

Média por cabeça 117S092 

Idem por arroba 8S363 

Ha muito gado mineiro que não passa pelas feiras mineiras, e segue 
directamente para S. Paulo e Bahia. 

Distribuição de Vaccina. — A distribuição de vaccina anti-carl 
bunculosa tem tido augmento notável no Estado de Minas Geraes. 

Em 1914, fez-se expedição de 425.255 doses, 104 estojos para serinl 
gas 23 tubos de vidro e 36 agulhas para as mesmas. 

Da vaccina contra o «hog cholera» ou rbatedera dos porcos, produ-» 
zida no Posto de Observação de Bello Horizonte, fizeram-se no anno pas- 
sado varias experiências, com resultado cabal. 

O Governo do Estado espera poder iniciar este fornecimento logo 
que entre em accôrdo com o Governo Federal a respeito daquelle Posto- 




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6—1 
15 







ARTIGOS VETERINÁRIOS 




CHOCADEIRAS E CRIADEIRAS 



12—9 



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' 4 ^ 



Anno V 



Abril 1915 



N.°2 







DE 



Veterinária e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OFFICIAL 



DO 



Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



SUMMARIO 



í 



=<== \ 



V 



PARTE OFFICIAL : 

SKKVIÇO DE INDUSTRIA PASTORIL \ 

Pcslcs Zcclcchnicos Federacs — Decreto n. II-461, de 27 de Janeiro 

de 1915, approvando o respectivo regulamento 6,5 

Inspecção das Fabricas de Prcductcs Animaes — Decreto n. 11.462, de 
27 de Janeiro de 1915, approvando o regulamento deste 
serviço 78 

SKCÇÃO DE VETERINÁRIA : 

Curso ile Práticos Veterinários — Programma approvado pelo Sr. Mi- 
nistro para 19 15 86 

Secção de Zootechnia: 

Poste Zoctcchnico de Lages — Parte do relatório apresentado pelo 
respectivo Director, ao Sr. Ministro, referente ás forragens 
e á criação em geral 8S 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES 113 

ECOS E NOTICIAS 113 

Programma da Exposição de Milho — Importação de Animaes 
— Curso de Práticos- Veterinários — Inspectorias Veteri- 
nárias Districtaes — Serviço de Industria Pastoril. 



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REVISTA 



DE 



Veterinária e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OIFIFIOIA]!, 

DO 

Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



ABRIL -1915 



Tomo V — Kascictilo II 





IRIO IDE J"-A.3STEII^O 
1915 



Revista de Veterinária e Zootechnia 

Publicação Official do Serviço de Industria Pastoril 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Distribuição gratuita aos criadores do paiz que a solicitarem 

ACCEITAM-SE J^JSUSTTJJSTCTOS 



Toda a correspondência relativa á REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA, pedidos 
reclamações, etc, devem ser dirigidos a Fernando Werneck, Caixa Postal n. 1678 — Rio — Brazil 

=========== : 

ANNO V Abril de 1915 N« 2 

EXPEDIEKTTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar a 
interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possível, o numero de ordem de sua inscripção. 



Serviço d.e Ixid.-u.str ia Pastoril 



PARTE OFFICIAL 

DECRETO N. 11461 — de 27 de janeiro de 1915 

Approva o regulamento dos Postos Zooteehnicos Federaes 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do 
Brasil, usando da autorização constante do art. 79, alí- 
nea VIII, da lei n. 2.924, de 5 de janeiro de 1915, decreta: 

Art. 1,° Fica approvado para reger os Postos Zoote- 
ehnicos Federaes o regulamento que com este baixa, as- 
signado pelo Ministro de Estado dos Negócios da Agricul- 
tura, Industria e Commercio. 

Art. 2.° Revogam-se as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1915, 94.° da Inde- 
pendência e 27° da Republica. 

Wencesi.au Braz P. Gomes. 
/oão Pandiá Calogeras. 



66 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBRCIO 



Regulamento a que se refere o decreto n. 11.461 desta data 

CAPITULO I ] 

DOS POSTOS ZOOTECHNICOS FEDERA JJ.S 

Art. 1.° Os Postos Zootechnicos Federaes, subordi- 
nados ao Serviço de Industria Pastoril, têm por fim effe- 
ctuar todos os ensaios e estudos experimentaes que te- 
nham directa e immediata applicação pratica na indus- 
tria pecuária do paiz, principalmente da > região em que 
se acham localizados. 

Art. 2.° Aos Postos Zootechnicos Federaes incumbe : 

1.°, proceder a estudos zootechnicos, especialmente 
sobre a acclimação e a adaptação; económica das diversas 
raças de gado e seu aproveitamento como productoras 
de força motriz, leite, carne, etc, indicando assim os me- 
thodos de criação e engorda» e de exploração do leite ; 

2.°, promover a acclimação e multiplicação de ani- 
maes de raça, fornecendo aos Jcriadores productos seleccio- 
nados ; 

3.°, facilitar aos criadores o melhoramento das raças 
locaes, por meio dos reproductores mais convenientes 
para esse fim ; 

4.°, promover a selecção das raças nacionaes con- 
venientes ; 

5.°, estabelecer o registo genealógico dos animaes dos 
Postos, bem como das estações zootechnicas ambulantes; 

6.°, ministrar aos criadores instruccões sobre hv- 
giene e alimentação dos animaes, sua,s habitações, valor 
nutritivo das forragens, etc. ; 

7.°, estudar as forragens sob o. ponto de vista agri- 
cola, chimico e económico, dando preferencia ás nacio- 
naes ; ■ . 

8.°, estudar as moléstias e os parasitas que affectam 
o gado, sua prophylaxia e tratamento ; 

9.°, estudar, sob o ponto de vista pratico, os pro- 
cessos relativos á industria de lacticínios; 

10.°, proceder ás analyses das terras de cultura, se- 



EEVISTA DE VETEKINARIA E ZOOTECHNIA 67 

mentes, adubos, forragens ; productos alimentícios de ori- 
gem animal, etc. ; 

11.°, realizar cursos abreviados sobre zootechnia, ve- 
terinária e industria de lacticínios ; 

12.°, attender ás consultas dos criadores sobre os 
differentes assumptos que se relacionam com a pecuária. 

Art. 3.° Os serviços a cargo dos Postos Zootechnicos 
Federaes serão de duas categorias : 

a) serviços administrativos: 

b) serviços technicos ; 

Art. 4.° A direcção de cada Posto Zootechnico será con- 
fiada a um director, auxiliado, nos serviços technicos, por 
um ajudante de zootechnia e leiteria, um ajudante de ve- 
terinária, um ajudante de agrostologia e bromatologia 
e idois auxiliares, e, nos serviços administrativos, por um 
secretario (encarregado da contabilidade), um almoxarife 
e um porteior-continuo. 

CAPITULO 11 

DO PESSOAL ADMINISTKACTIVO E TECHNICO DE CADA POSTO 

Art. 5.° Compete ao director, além das attribuições a 
que se referem os £§ 1.°, 16, 17, 18, 21, 22, 23, 26 e 28 
do arl. 27 do regulamento approvado pelo decreto nu- 
mero 11.436, de 13 de janeiro de 1915, o seguinte: 

1.°, admittir e dispensar o pessoal assalariado do 
estabelecimento, de accôrdo com os recursos orçamentá- 
rios ; 

2.°, fazer experiências relativamente á producção de 
plantas forrageiras ; 

3.°, organizar projectos e orçamentos para a execução 
de trabalhos e obras do Posto ; 

4.°, organizar o programma dos cursos abreviados ; 

5.°, organizar e fazer organizar as instrucções que 
tiverem de ser expedidas em relação a qualquer dos ser- 
viços a seu cargo; 

6.°, encaminhar aos ajudantes as consultas dirigidas 
pelos criadores, relativas a qualquer dos assumptos de 
que se occupa o Posto ; 



68 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 

7.°, apresentar, trimensaimente, á Directoria do Ser- 
viço de Industria Pastoril, um boletim do movimento ge- 
rai do Posto, inclusive o balancete da receita e despeza. e 
annualmente, até o dia 20 de janeiro, um relatório com- 
pleto sobre os trabalhos a seu cargo. 

Art. 6.° Ao ajudante de zootechnia e leiteria com- 
pete : 

1.°, superintender os serviços de cavallariça, estábu- 
los, pocilga, aviário e abrigos, de accôrdo com as instru- 
cções do director; 

2.°, fiscalizar diariamente a distribuição dos alimen- 
tos, fazendo para isso uma tabeliã mensal, onde sejam 
discriminadas as quantidades necessárias de géneros para 
cada dependência e o respectivo custo ; 

3.°, annotar e fazer annotar diariamente todas as 
occurrencias normaes e anormaes referentes aos ser- 
viços, taes como nascimentos, coberturas, mortes, acci- 
dentes, etc. ; 

4.°, communicar ao veterinário qualquer occurrencia 
que se manifeste nos animaes a seu cargo, fazendo-os im- 
mediatamente internar na enfermaria; 

5.°, annotar diariamente a producção de leite, ovos. 
lã, etc. ; 

6.°, fazer, sobre a alimentação com forragens nacio- 
naes, experiências relativas á engorda, á producção do 
leite e á criação dos indivíduos novos, quando a isto 
for autorizado pelo director; 

7.°, responder a toda e qualquer consulta que lhe seja 
enviada pelo director; 

8.°, preparar e designar, em época própria, os ani- 
maes que devem servir nas estações de monta, tendo o 
cuidado de distribuil-os de accôrdo com as exigências lo- 
caes das estações a que vão servir; 

9.° Percorrer diariamente todos os abrigos, informan- 
do-se dos respectivos encarregados sobre o andamento dos 
serviços ; 

10.°, propor ao director semanalmente as medidas 
que julgar necessárias para a execução dos trabalhos : 

11.°, fazer com que o auxiliar escripture os registros 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 69 

genealógicos e todos os dados referentes ao serviço, tra- 
balho esse que deve sempre andar em dia; 

12.°, manter a máxima hygiene nos estábulos, estre- 
barias, aprisco, pocilga, aviário, etc. ; 

13.°, apresentar quinzenalmente ao director um rela- 
tório concernente aos diversos serviços executados; 

14.°, superintender os serviços internos e externos 
da leiteria; 

15.°, zelar pela conservação das machinas e mais 
material a seu cargo ; 

16.°, manter a máxima hygiene na secção de lactici- 
nios ; 

17.°, presidir a todo o trabalho de manipulação do 
leite; 

18. u , fazer diariamente a analyse dos leites a seu 
cargo ; 

19.°. fabricar, quando houver necessidade, manteiga, 
queijos, requeijões, etc; 

20.°, fazer experiências sobre a esterilização do leite 
desnatado, conservação da manteiga, etc. 

21.°, fazer, de aocôrdo com o director, observações 
relativas ás variações de composição do leite, sob a in- 
fluencia dos diversos factores; 

22.°, effectuar a venda do leite e dos produetos mani- 
pulados ; 

23.°, explorar a leiteria a seu cargo como faria um 
particular, tendo em vista a producção máxima, sob o 
ponto de vista commercial ; 

24.°, procurar relacionar-se com os estabelecimentos 
congéneres do paiz, tendo em vista a troca de idéas rela- 
tivamente á parte económica e scientifica; 

25.°, observar a applicação dos methodos scientificos 
na execução dos trabalhos ; 

26.°, enviar mensalmente ao director, com as re- 
spectivas guias da secretaria do Posto, as importâncias 
relativas á renda da leiteria. 

Art. 7.° Ao ajudante de veterinária compete: 

1.°, inspeccionar diariamente os animaes do Posto; 



70 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMKEBCIO 

2.°, examinar e submetter a tratamento os animaes 
doentes ; 

3.°, prescrever as medidas prophylacticas que julgar 
necessárias, em caso de epizootia; 

4 o , attestar a morte dos animaes, indicando as causas 
que a determinaram ; 

5.°, dar consultas na polyclinica do Posto ; 

6.°, attender ás requisições que lhe forem feitas, por 
intermédio do ajudante de zootechnia e leiteria, para tra- 
tamento de qualquer animal doente ; 

7.°, realizar pesquisas e estudos bacteriológicos no 
laboratório respectivo; 

8.°, informar o director sobre o estado em que encon- 
contrar os animaes na visita diária a que deve proceder ; 

9.°, ter sob sua guarda todo o material da enfermaria, 
de laboratórios e gabinete ; 

10.°, dar instrucções directas sobre o tratamento de 
animaes aos encarregados dos abrigos, estábulos, cavalla- 
riças, etc. ; 

11.°, prescrever e assistir á execução de todos os tra- 
balhos therapeuticos e cirúrgicos applicados aos animaes : 

12.°, apresentar mensalmente ao director um relatório 
dos trabalhos a seu cargo ; 

13.°, velar pela hygiene geral dos diversos departa- 
mentos do Posto ; 

14.°, attender, a juizo do director, á clinica externa; 

15.°. responder ás consultas de criadores que lhe fo- 
rem enviadas pelo director. 

Art. 8.° Ao ajudante de agrostologia e bromatologia 
compete : 

1.°, a cultura de forragens nacionaes e estrangeiras, 
quer do ponto de vista experimental, quer para a ali- 
mentação dos animaes do Posto ; 

2.°, o estabelecimento de prados artificiaes e melho- 
ramentos dos prados naturaes ; 

3.°, os trabalhos e experiências relativos á drenagem 
e irrigação ; 

4.°, o estudo das moléstias communs ás plantas for- 
rageiras e dos meios de a combater; 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTEJHNIA 71 



õ.°, a fiscalização e selecção das sementes ; 

6.°, o emprehendimento de ensaios e demonstrações, 
com instrumentos agricolas, applicados á cultura, colheita 
e preparo das forragens ; 

7.°, o estudo pratico dos processos relativos á con- 
servação das forragens ; 

8.°, os estudos chimicos e physiologicos sobre o valor 
nutritivo das forragens e productos destinados á alimen- 
tação do gado e das forragens alimentícias de origem ani- 
mal ; 

9.°, a analyse das terras de cultura, adubos e corre- 
ctivos. 

Art. 9.° Aos auxiliares compete cumprir os deveres 
inherentes ás suas funcções e dar execução ás ordens 
que lhes forem dadas pelo director e ajudantes. 

Art. 10.° Ao secretario, encarregado da contabilidade, 
compete: 

1.°. receber e eu caminhar ao pessoal do Posto, depois 
de protocollados, todos os papeis que aos diversos iiin- 
ccionarios devam ser dirigidos, de accôrdo com as ordens 
recebidas; 

2.°. receber e encaminhar ao director, com a sua in- 
formação, todos os papeis que tiverem de ser despacha- 
dos. 

3.°, fazer a correspondência do Posto, de accôrdo 
com as instrucções que lhe forem ministradas pelo di- 
rector ; 

4.°, organizar o attestado de frequência dos diversos 
sos funccionarios, remettendo uma das vias á Directoria 
da iDespeza Publica do Thesouro Nacional e outra á Di- 
rectoria Geral de Contabilidade do Ministério; 

5.°, registrar, em livros próprios, os assentamentos 
relativos aos funccionarios do Posto ; 

6.°, velar pela boa conservação e ordem da biblio- 
theca. facilitando a consulta dos livros aos interessados, 
de accôrdo com as instrucções do director; 

7.°, ter sob sua guarda e responsabilidade os moveis 
e mais objectos pertencentes á secretaria e bibliotheca; 

8.°, ter sob sua guarda e a immediata fiscalização 



72 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMME] 






do director todos os assumptos referentes á receita e des- 
peza do Posto ; 

9.°, fazer a escripturação da receita e despeza do 
estabelecimento, em livros próprios, rubricados pelo di- 
rector ; 

10.°, processar as contas de fornecimentos que lhe 
forem remettidas, submettendo-as ao esludo e approvação 
do director; 

11.°, fazer o inventario de todo o material do Posto, 
auditando regularmente ao mesmo as novas acquisições 
feitas ; 

12.°, organizar os balanceies que houverem de ser 
remettidos á Directoria Geral de Contabilidade do Minis- 
tério e á Directoria do Serviço de Industria Pastoril ; 

13.°, auxiliar o director na fiscalização do material 
fornecido ao estabelecimento. 

Art. 11. Ao almoxarife compete: 

1.°, ol recebimento, a guarda e a conservação de todo 
o;jm aíeríaí adquirido para o supprimento das diversas de- 
pendências do Posto e que não estiver sob a responsabili- 
dade de outro funccionario ; 

2.°, o fornecimento ás referidas dependências, de ac- 
côrdo com as ordens do director, de todo o material de 
que as mesmas precisarem e de que se achar abastecido o 
almoxarifado ; 

3.°, a escripturação dos livros necessários á boa mar- 
cha dos serviços a seu cargo, segundo os modelos adopta- 
dos; 

4.°, a organização do inventario em 31 de dezembro 
de cada anno e também quando deixar definitivamente o 
exercício do cargo, além dos que forem determinados 
pelo director, de accôrdo com as conveniências do ser- 
viço ; 

õ.°, a requisição, ao director, de todo o material de 
consumo e mais artigos indispensáveis ao serviço, á me- 
dida que se forem esgotando os depósitos existentes. 

§ 1.° O recebimento de material será verificado, quan- 
to á quantidade, qualidade e preço, pelo almoxarife e 
por dous funccionarios technicos designados pelo dire- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 73 



ctor, segundo a especialidade de que se tratar. O material 
recusado por não corresponder ás condições do pedido 
será immediatamente devolvido ao fornecedor, correndo 
por conta deste as despezas. 

§ 2.° Um dos serventes do Posto, admittido por pro- 
posta do almoxarife, ficará incumbido exclusivamente dos 
trabalhos do almoxarifado. 

Para auxiliar nos trabalhos de arrumação e lim- 
peza dos depósitos, serão designados pelo director outros 
serventes ou trabalhadores, sempre que fòr necessário. 

Art. 12. Ao porteiro-continuo compete: 

1.°, abrir e fechar o edificio do Posto ; 

2.°, cuidar da segurança e asseio do edificio do 
Posto ; 

3.°, expedir toda a correspondência official e publi- 
ções do Posto ; 

1.°, ordenar e fiscalizar os trabalhos dos serventes, 
propondo ao director a dispensa dos que não servirem 
bem; 

5.°, transmittir os papeis e recados dentro do Posto ; 

Art. 13. O director, em seus impedimentos, será sub- 
stituído por um dos ajudantes, designado pelo Ministro, 
sob proposta do director do Serviço de Industria Pastoril, 
e, em falta de designação, pelo mais antigo. 

Art. 14. O director será obrigado a residir no Posto. 

Art. 15. O pessoal subalterno constará do seguinte: 
feiotres, vaqueiros, trabalhadores ruraes, serventes de es- 
tábulos, campeiros, moços de cavallariça e guardas no- 
cturnos e ruraes. 

CAPITULO III 

DOS CURSOS PRÁTICOS DOS POSTOS ZOOTECHNICOS 

Art 1 6. Nos Postos Zootechnicos Federaes haverá, 
para adultos, cursos práticos e abreviados, os quaes se 
distribuem pelas seguintes especialidades : 

Zootechnia e veterinária; 

Leiteria ; 



74 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA R COXXBSCIO 



Agrostologia. 

Art. 17. Cada um desses cursos será ministrado du- 
rante o período de três mezes. 

Art. 18. O curso de zootechnia e veterinária constará 
do seguinte : 

a) noções de anatomia e physiologia, para o estudo 
da alimentação dos animaes domésticos e da secreção 
do leite; 

b) alimentação racional dos animaes domésticos ; 

c) composição do corpo, composição dos alimentos, 
papel dos alimentos e papel dos elementos nutritivos, 
digestibilidade dos alimentos, arraçoamento, modo de pre- 
parar as rações, camas, penso dos animaes e hygiene; 

d) secreção do leite, trato ; 

c) noções sobre a escolha das vaccas leiteiras e sobre 
os processos de melhoramento da espécie bovina e ca- 
vallar; 

/) hygiene geral dos animaes domésticos, hygiene da 
gestação e da parição, hygiene da pelle, hygiene da produ- 
cção do leite. 

Art. 19. O curso de leiteria constará do seguinte: 

a) descripção e composição do leite, alterações, fal- 
sificações, descripção dos instrumentos que servem para 
determinar o valor do leite e descobrir a fraude, thermo- 
metro, cremometro, acidimetro, pasteurizador, etc : 

b) installação de uma leiteria, locaes, agua. etc. ; 

c) venda e transporte do leite ; 

d) fabricação da manteiga, quantidade e qualidade 
do leite a empregar, conservação, embalagem, expedição e 
utilização dos seus productos: 

e) fabricação de queijos, leite a utilizar, coagulação, 
dados theoricos e práticos relativos ás differentes espécies 
de q» uei j os. 

Art. 20. O curso de agrostologia constará do se- 
guinte : 

a) estudo pratico da terra e do clima, em relação 
com a formação dos prados e o cultivo de plantas forra- 
geiras ; 

b) escolha de terreno, preparação geral do solo ; 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 75 

c) conhecimento e manejo individual das machinas ; 

d) preparação e applicação dos adubos : 

e) conhecimento e classificação das sementes; 

/) formação dos prados artificiaes, temporários e per- 
manentes; 

g) ensilagem, modo de preparal-a ; 

h) limpeza dos pastos, corte das forragens, extirpa- 
ção das hervas damninhas, etc. 

Art. 21. Os cursos acima referidos serão dados, todos 
os dias úteis, aos que satisfizerem as seguintes condições: 

a) ter, pelo menos, 14 annos de idade; 

b) exhibir certificado de instrucção primaria. 

CAPITULO IV 

DISPOSIÇÕES GERAKS 

Art. 22. Em instruoções especiaes, elaboradas pelos 
directores dos Postos, com a audiência do director do Ser- 
viço de Industria Pastoril, que as submetterá á approva- 
ção do Ministro, serão estabelecidas as regras para a uti- 
lização dos animaes reproductores, por parte dos inte- 
ressados. 

Art. 23. Nos Postos Zootechnicos poderão ser ad- 
mittidos, a juizo do Ministro, ouvidos os respectivos dire- 
ctores, aprendizes gratuitos, com numero determinado, 
principalmente filhos de agricultores e criadores, que 
queiram estudar qualquer dos assumptos nelles tratados. 

Art. 24. Nos Postos Zootechnicos e nas estações zoo- 
technicas ambulantes serão realizadas periodicamente, a 
juizo do respectivo director, conferencias de caracter pra- 
tico, especialmente destinadas aos agricultores e criado- 
res. 

Art. 25. As rendas arrecadadas pelos Postos Zoote- 
chnicos serão applicadas ao custeio desses próprios esta- 
belecimentos, de accôrdo com as disposições do art. 82 
da lei n. 2.924, de õ de janeiro de 1915. 

Art. 26. Será de livre escolha do Governo a nomeação 
do director, que deverá recahir sempre em profissional 



76 MINISTÉRIO DA AGBICULTUBA } INDUSTRIA E COMMEBCIO 

de provada competência em qualquer das especialidades 
a cargo dos Postos. 

Art. 27. Os cargos technicos dos Postos ZootechnL 
serão providos por concurso, de accôrdo com o disposto 
no art. 113 do regulamento approvado pelo decreto nu- 
mero 11.460, de 27 de janeiro de 1915. 

Art. 28. O pessoal technico dos Postos Zobtechnicos 
Federaes deverá collaborar na Revista de Veterinária e 
Zootechnia. 

Art. 29. No caso de apparecimento de qualquer mo- 
léstia nos animaes dos Postos Zootechnicos. deverão os 
respectivos directores fazer as devidas communicações á 
Directoria do Serviço de Industria Pastoril, que providen- 
ciará imm-edi atam ente como no caso couber. 

Art. 30. O pessoal dos Postos Zootechnicos Federaes 
terá os vencimentos constantes da tabeliã annexa. 

Art. 31. São extensivas aos Postos Zootechnicos Fe- 
deraes, na; parte que lhes fôr applicavel. as disposições 
constantes dos jarts. 37, 50, 51, 53, 56 a 84 e 95 a 9i8 
do regulamento approvado pelo decreto n. 11.436. de 13 
de janeiro de 1915. 

Art. 32. De accôrdo com o presente regulamento, fi- 
cara mantidos os Postos de Pinheiro, no Estado do Rio 
de Janeiro, de Ribeirão Preto, em S. Paulo, e de Lages. 
em S anta Catharina, e nos termos do decreto n. 8.810. 
de* 5 de julho de 1911, o de Viamão, no Estado do Rio 
Grande do Sul, podendo ser creados outros quando o Go- 
verno julgar conveniente, de accôrdo com os recursos or- 
çamentários. 

Art. 33. Os ajudantes do Posto Zootechnico de Pi- 
nheiro ficarão obrigados ao cumprimento das attribui- 
ções que lhe competirem de accôrdo com o regulamento 
da Escola de Agricultura alli existente. 

Ari. 34. Os^ funccionarios não contemplados na re- 
forma constante do presente regulamento ficarão acldidos 
e «poderão ser distribuídos pela Directoria do Serviço de 
Industria Pastoril e suas dependências, de accôrdo com 
as conveniências do serviço, emquanto não forem apro- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



77 



veilados na forma do art. 109 da lei n. 2.924, de 5 de 
janeiro de 1915. 

Art. 35. As duvidas que se suscitarem na execução 
do presente regulamento serão resolvidas por decisão do 
Ministro. 

Art. 36. O presente regulamento só entrará em vigor 
depois de registado pelo Tribunal de Contas o credito 
que for aberto, na forma do art. 79, alinea VIII, da 
lei n. 2.924, de 5 de janeiro de 1915, para o custeio 
dos serviços nelle previstos, na parte excedente á respe- 
ctiva dotação orçamentaria. 

Art. 37, Ficam revogadas as disposições em contra- 
rio. 

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1915. — João Pan- 
diá (lalogeras. 



Tabeliã dos vencimentos do pessoal dos Postos Zootechnicos 
Federaes a que se refere o art. 30 do regulamento ap- 
provado pelo decreto n. ii.46i, desta data 



Categoria 

■ 


Ordenado 


Gratificação Total annual 


Director 


8:000$000 
4:000$000 
4:000$000 
2:000$000 
1:600$000 
1:200$000 


4:000$000 
£ 2:000$000 

2:000$000 . 

1 :000$000 
800$000 
600$000 


12:0O0$000 


Ajudante 


<>:000$000 


Auxiliar 


6:000$000 
3:000$000 


Porteiro-continuo 


2:400$400 
1:800$000 



Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 191 5. — João Pandiá 



-Calo o eras. 



78 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEfi 






DECRETO N. 11.462 — dk 27 de janeiro de 1915 

Approva o regulamento para reger o serviço de inspecção das fabricas de productos 
animaes, a cargo do Ministério da Agricultura, Industria e Commeicio. 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do 
Brasil, usando da autorização constante do art. 79. alinea 
VIII, da lei n. 2.924, de 5 de janeiro de 19l5 3 resolve 
approvar para reger o serviço de inspecção das fabricas 
de productos animaes, a cargo do Ministério da Agricul- 
tura, Industria e Commercio. 

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1915, 94.° da Indepen- 
dência e 27.° da Republica. 

Wenceslau Braz P. Gomes. 
João Pandiá Calogeras. 



Regulamento a que se refere o decreto n. 11.462, desta data 

Art. 1.° O serviço de inspecção veterinária das fa- 
bricas de productos animaes, subordinado á Directoria do 
Serviço de Industria Pastoril, tem por fim fiscalizar to- 
dos os estabelecimentos em que se elaborem productos 
animaes destinados á exportação para o estrangeiro ou 
ao commercio entre os Estados da Republica. 

Art. 2.° Os estabelecimentos a que se refere o artigo 
anterior, que quizerem valer-se das vantagens deste regu- 
lamento, ficam obrigados a entrar, no primeiro mez de 
cada semestre, para o Thesouro Nacional, com a quantia 
que fôr estipulada pelo Governo, destinada ás despezas 
resultantes da mesma inspecção. 

Art. 3.° Qualquer estabelecimento fundado para o fa- 
brico de productos animaes destinados á exportação só 
terá direito aos favores deste regulamento si fôr construi- 
do mediante as condições seguintes, necessárias e im- 
prescindíveis á inspecção de que trata o art. 1.° : 

I, solicitar do Ministério da Agricultura, Industria e 
Commercio a inspecção prévia dos terrenos e approva- 
ção dos planos de installação ; 

II, declarar a espécie ou espécies de animaes que se 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 79 



pretende sacrificar, o numero approximado dos que se 
hão de abater por semana e a classe e quantidade de pro- 
ductos que serão elaborados ; 

III, declarar os paizes estrangeiros a que se destina 
a exportação dos productos, afim de que o Ministério da 
Agricultura, Industria e Commercio possa providenciar 
no- sentido de serem fornecidas ás autoridades competen- 
tes desses paizes as assignaturas authenticas dos inspe- 
ctores de carnes, que terão de firmar os certificados a 
que se refere o art. 19. 

Paragrapho único. Os estabelecimentos já existentes 
serão obrigados a cumprir as condicções II e III do pre- 
sente artigo, bem como a declararão local em que se acham 
installados e a reunir todas as condicções hygienicas jul- 
gadas indispensáveis, a juizo do Serviço de Industria Pas- 
toril, sob pena de lhes ser recusada a inspecção veteri- 
nária de que trata este regulamento. 

Art. 4.° Os estabelecimentos existentes ou que se vie- 
rem a fundar na vigência deste regulamento serão obri- 
gados a ter um ou mais inspectores veterinários de carnes 
e auxiliares verificadores, a juizo do Governo e 'de accôr- 
do com a natureza e importância de cada estabeleci- 
mento. 

Art. 5.° Os inspectores de carnes e seus auxiliares fi- 
carão, para todos os effeitos, subordinados á Directoria 
do Serviço de Industria Pastoril. 

Art. 6.° A inspecção veterinária a que se refere o 
art. 1.° constará do exame de sanidade dos animaes a 
serem abatidos e do exame de salubridade dos seus pro- 
ductos e dos estabelecimentos e suas dependências, e para 
esse fim observar-se-ha o seguinte : 

I. Será franqueado livre accesso aos inspectoes de 
carnes e seus auxiliares nos estabelecimentos e suas depen- 
dências. 

II. Será prohibida a entrada de animal, vivo ou mor- 
to, ou producto proveniente de animaes, sem inspecção 
prévia. 

III. Serão fornecidos pelos proprietários ou encar- 
regados dos estabelecimentos, quando exigidos pelos ins- 



80 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIÚ 



pectores de carnes, todos os dados que elucidem e com- 
provem a procedência dos animaes. 

IV. Serão os inspectores de carnes obrigados a pro- 
ceder a uma inspecção minuciosa nos animaes antes de 
serem abatidos, não permittindo, sob pena de apprehen- 
são, o sacrifício : 

1.°, dos animaes que não tenham permanecido pe- 
lo menos 24 horas nos pastos ; 

2.°, dos que estiverem fatigados ou febris, em con- 
sequência de algum estado pathologico ; 

3.°, das vaccas em estado de gestação adeantada (de- 
pois de sete mezes) ; 

4.°, das vaccas recentemente paridas, isto é. com 
menos de 36 horas. 

5.°, dos animaes que estiverem excessivamente fra- 
cos ou cacheticos, assim como dos que estiverem ata- 
cados de qualquer moléstia que os torne impróprios pa- 
ra o consumo. v > 

V. Serão notificadas, de véspera, aos inspectores de 
carnes a hora em que deve começar e a em que deve 
terminar a matança, ficando prohibida a sua pratica sem 
aviso prévio. 

VI. Será permittido aos inspectores de carnes fazer 
cortes nos animaes ou cadáveres de animaes para reco- 
lher- os materiaes necessários ao exame veterinário, po- 
dendo isolar qualquer animal durante o tempo indispen- 
sável para formular o seu diagnostico, quando assim o 
exigir a natureza das lesões encontradas. 

VII. Serão os inspectores de carnes obrigados a pro- 
ceder a uma inspecção minuciosa dos animaes sacrifica- 
dos e não permittirão que seja aproveitado animal al- 
gum que tenha estado doente ou que deva ser conside- 
rado inapto ou perigoso á alimentação. 

Art. 7.° Serão rejeitadas as carnes de todos os ani- 
maes sacrificados em cuja necropsia forem encontradas 
manifestações provenientes de carbúnculo, pneumoente- 
rite, tuberculose generalizada, tristeza, pneumonia ou qual- 
quer moléstia inflamatória dos pulmões, do peritoneo ou 
do intestino, pyemia -confirmada ou duvidosa, phlebite 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 81 



suppurada do cordão umbilical, diarrhéá infecciosa dos 
vitellos (arthrite infecciosa), peste bovina, Ao^cholera, 
trichinose e tétano. * • 

Serão queimados com o couro os que estiverem ata- 
cados de carbúnculo, raiva, peste bovina ou tétano e este- 
rilizados em digestores ou queimados, depois de retira- 
do o couro, os que tiverem sido rejeitados por outras 
causas. 

Os animaes rejeitados por anemia ou fraqueza não 
poderão servir para alimentação, podendo, entretanto, 
deixar de ser queimados. 

A parte machucada ou affectada de tuberculose Locali- 
zada, de actinomycose, de aelinobacillose, de cravagem, 
de lesões parasitarias diversas (distomas, cyslieereus. eehi- 
nococcus. strongilos, coccideas, etc), de abcessos, tumores, 
ulceras ou kystos, em qualquer animal, será rejeitada e 
queimada. 

Sei á ainda rejeitado e queimado qualquer producto" 

que não haja sido elaborado em condições hygienicas. 

Ari. 8.° A lista de moléstias e de alterações que dão 
logar á apprehensão parcial ou total pode ser alterada, 
a :juizo do Ministro, mediante proposta do director do Ser- 
viço de Industria Pastoril. 

Art. 9.° Em lodos os estados mórbidos ou anormaes 
omittidos no quadro das apprehensões, parciaes ou totaes, 
a [decisão a tomar fica sujeita á apreciação do inspector 
veterinário de carnes. 

Toda a apprehensão feita nestas condições deve ser 
justificada no registro das operações do serviço de inspec- 
ção, devendo ser entregue o respectivo certificado aos 
proprietários dos animaes. 

Art. 10. Havendo conflicto entre os interessados, o 
facto será levado ao conhecimento immediato do dire- 
ctor do Serviço ou do inspector veterinário do districto. 
Art. 11. No caso do proprietário protestar contra 
uma apprehensão e desejar recorrer a uma contraprova, 
o inspector de carnes, sequestrará a carne assim como 
todas as visceras, de modo que os peritos possam julgar 
com pleno conhecimento de causa. 



82 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA J, COMMBBOIO 



8 1.° O pedido de contraprova será feito pelo pro- 
prietário e consignado em um registo especial, que de- 
verá existir nc serviço de inspecção, entregando-se ao 
proprietário uma declaração de que consta do livro respe- 
ctivo esse pedido, mencionados a hora da apprehensão, 
a hora do pedido de contraprova e o nome do perito in- 
dicado pelo proprietário. 

§ 2.° No caso deste perito não concordar <com o 
inspector de carnes, será escolhido, de commum accôrdo, 
um segundo perito, que decidirá a duvida. 

§ 3.° Quando o proprietário da carne ou producto 
apprehendido não tiver formulado, nas 24 horas que se 
seguirem á matança, o pedido de contraprova de que 
trata o § 1.°, a carne será desnaturada e lhe será dado o 
destino indicado pelo inspector veterinário de carnes. 

Art. 12. Em cada estabelecimento deverão existir três 
livros para registo, sendo que em um serão inscriptas 
as apprehensões, com a devida indicação do numero de 
ordem, data e hora da operação, nomes dos empregados 
presentes, designação do animal, peso e natureza das par- 
tes apprehendidas, motivos da apprehensão e procedên- 
cia do animal ; no outro serão mencionadas as verifica- 
ções de moléstias contagiosas, contendo numero de or- 
dem, numero da apprehensão, moléstia e lesões observa- 
das, methodos diagnósticos empregados, signaes e mar- 
cas do animal, origem do mesmo, peso e valor, além de 
todas as indicações possiveis, e, finalmente, no terceiro 
serão mencionadas as reclamações e pedidos de contra- 
prova. 

Estes livros deverão ser escripturados pelos inspecto- 
res de carnes, a quem serão remettidos pelo Serviço de 
Industria Pastoril, competentemente authenticados pelo 
director do mesmo, competindo ainda aos inspectores en- 
viar semanalmente á Directoria do Serviço papeletas com 
os dados referentes aos animaes rejeitados e á causa 
da rejeição, assim como ao movimento da matança. 

Art. 13. Si for comprovada ou suspeitada a existên- 
cia de animaes atacados de moléstias contagiosas (peste 
bovina, peripneumonia contagiosa, febre aphtosa. môrmo, 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECNIA 83 

varíola ovina, /zo#-cholera), o inspector de carnes pro- 
cederá ao isolamento completo da tropa em que foi en- 
contrado o animal suspeito e pedirá instrucções, pelo 
telegrapho, á Directoria do Serviço de Industria Pastoril 
ou ao inspector veterinário do districto, especificando 
todas as condições que se relacionem com o caso. 

Art. 14. Todos os productos de procedência de deter- 
minado estabelecimento serão assignalados, pelos inspecto- 
res de carnes ou por seus auxiliares, com as marcas offi- 
cialmente escolhidas pelo Serviço de Industria Pastoril, e 
deverão levar a marca do estabelecimento que os tiver 
elaborado. 

Art. 15. O pessoal encarregado da manipulação de 
carnes ou productos alimentícios de origem animal ficará 
sujeito ás disposições seguintes: 

l. a , deverá apresentar certificado medico que atteste 
estar isento de moléstia contagiosa ou de qualquer outro 
mal que o impossibilite de se dedicar a esse mister. 
Este certificado será renovado semestralmenle. podendo 
o inspector de carnes exigir o exame medico toda vez 
que o julgar necessário; 

2. a , deverá trazer trajes hygienicos (blusas, aven- 
taes, etc.) ; 

3. a j ser-lhe-á expressamente prohibido fumar nas sa- 
las de matança, resfriamento e congelação de carnes, sen- 
do-lhe, outrosim, vedado escarrar em qualquer outro logar 
que não seja em escarradeiras hygienicas collocadas em 
determinados pontos. 

Ari. 16. Aos auxiliares compete fazer a fiscalização dos 
animaes vivos, na occasião da entrada e durante a sua 
permanência no estabelecimento, assistir á matança dos 
animaes, notar tudo quanto fôr anormal, acompanhar 
os inspectores em seus trabalhos, fazer a carimbagem das 
carnes boas e mandar transportar para os locaes sanitá- 
rios as carnes apprehendidas ou os animaes que necessi- 
tem de um exame mais completo. 

Paragrapho único. Fica expressamente prohibida aos 
auxiliares a carimbagem das carnes, mesmo absolutamente 



84 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCíO 

normaes e de boa qualidade, sem ordem prévia do in- 
spector. 

Ari. 17. Os estabelecimentos ficarão obrigados á ob- 
servância de quaesquer outras regras sanitárias que ve- 
nham a ser estabelecidas pelas autoridades competentes. 

Art. 18. Havendo, nas vizinhanças dos estabelecimen- 
tos, invernadas ou pastos para gado, fica estabelecida 
para os proprietários dessas invernadas ou pastos a obri- 
gação de notificarem aos inspectores de carnes dos mes- 
mos estabelecimentos, (dentro de 24 horas, a morte de 
qualquer animal que ahi se dê. 

O inspector de carnes praticara a necropsia afim de 
determinar a causa da morte. 

Si a necropsia provar que a morte não foi devida 
a moléstia contagiosa, não será aproveitada a carne para 
alimentação, mas o proprietário fica autorizado a utili- 
zar-se cio couro, da carne e da graxa, para uso industriacs. 

Si, porém, z\ necropsia provar que a morte foi devida 
a uma moléstia contagiosa, proceder-se-á á incineração 
completa do cadáver, ao isolamento e fechamento do 
pasto, telegraphando-se ao inspector veterinário do distri- 
cto ou á Directoria do Serviço de Industria Pastoril. 
afim de serem tomadas as medidas necessárias, 

Art. 19. Todos os productos elaborados nesses es- 
tabelecimentos, que tiverem de ser exportados para fora 
do *paiz, serão acompanhados do competente certificado 
de Salubridade, de accôrdo com o modelo annexo. fir- 
mado pelos inspectores de carnes a que estiverem affectos 
os mesmos estabelecimentos. 

Paragrapho único. Os certificados serão redigidos nas 
linguas portugueza, franceza, ingleza e allemã e serão 
assignados somente pelos inspectores veterinários cujos 
nomes já tenham sido notificados aos paizes importadores. 

Art. 20. Os inspectores veterinários e auxiliares verifi- 
cadores a que se refere o art. 4.° deste regulamento per- 
ceberão as gratificações mensaes de 800$ e 400-S, respe- 
ctivamente. 




Marca para quartos de bovinos 




Marca para suinos e ovinos 





Marca para productos de suínos Marca, em relevo, para latas 



R.E.U.doBRAZIL 



AMN I5TERI0 daAGRICULT URA 

serviço de industria pastoril 
Est. s N 2 . 

INSPEttlONflDO 



Marca para saccos 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



85 



Art. 21. As duvidas que porventura se suscitarem no 
presente regulamento serão resolvidas por decisão do Mi- 
nistro. 

Art. 22. O presente regulamento entrará em vigor 
desde já. 

Art. 23. Revogam-se as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro. 27 de janeiro de 1915. — João Pan- 
diá Calogeras 



86 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBOIO 



SECÇÃO DE VETERINÁRIA 

Programma approvado pelo Sr. Ministro da Agricultura para o curso de 

práticos veterinários 

1. Anatomia do apparelho locomotor. Osteologia, ar- 
thrologia e myologia. Physiologia do apparelho locomotor. 

2. Anatomia do apparelho circulatório. Artérias, veias 
«e lymphticos. Physiologia do apparelho circulatório. 

3. Anatomia do systema nervoso central e peripherico. 
Physiologia do systema nervoso. 

4. Splanchnologia. Estudo anatómico e physiologico 
vdos apparelhos (digestivo, respiratório e genito-urinario. 

5. Anatomia e physiologia dos órgãos dos sentidos. 

6. Diagnostico das moléstias. Symptomas. Methodos 
e exame dos animaes : inspecção, palpação, percussão, 
auscultação. 

7. Exame da pelle e das mucosas. Temperatura do 
corpo : temperatura normal, temperatura da pelle, febre. 
£studo do pulso. 

8. Exame dos apparelhos respiratórios e digestivo. 

9. Exame do apparelho genito-urinario, do systema 
nervoso e dos órgãos dos sentidos. 

10. Carbúnculo /hematico. Edema maligno. 

11. Carbúnculo symptomatico ou peste da manqueira. 
Bradsot do carneiro. Tétano. 

12. Ruiva dos porcos. Peste do porco ou "hog-chole- 
ra" Peste bovina. 

13. Septicemias hemorrhagicas do boi, carneiro e 
porco. Cholera das gailinhas. Pyobacillose do porco. 

14. Diarrhéa dos bezerros. Influenza dos cavallos. 
Febre typhoide dos cavallos. Destemper, cimurro ou mo- 
léstia dos cães novos. 

15. Febre aphtosa. Stomatite contagiosa dos cavallos. 
Cravagem dos carneiros. Pietim. Peste aviaria. Variola do 
boi, cavallos, porco e caprinos. 

16. Gourme ou garrotilho dos cavallos. Môrmo. Lym- 
phagite epizootica. 






KEVISTA DE VETEKINARI \ E ZOOTECHXIA 87 

17. Diphteria dos bois, vitellos e das aves. Epithelioma 
contagioso. 

18. Raiva. Pseudo-raiva ou peste de coçao. Moléstia 
de ; Borna. 

19. Tuberculose. Actinomycose. Aetinobacillose. Mo- 
léstia de Johne. 

20. Aborto epizootico. Vaginite contagiosa. 

21. Cara-inchada ou osteoporose dos equideos. Osteo- 
malacia. Rachitismo. Alliotrophagia. 

22. Coccidioses, Babesioses e anaplasmoses. 

23. Nambyuvu' ou peste do sangue dos cachorros. 
Spironemose das gallinhas. 

24. Trypanosomiases animaes. Mal de cadeiras. Du- 
rina ou mofo. Surra. Nagana. 

25. Moléstias produzidas por cogumellos. Endomy- 
coses dos poldros e vitellos. Microsporias, tricophycias 
e favus dos animaes domésticos. Crista branca das aves. 
Aspergilloses e sporotrichoses dos animaes domésticos. 

26. Moléstias produzidas pelos vermes cestoides. 

27. Moléstias produzidas pelos vermes trematoides. 

28. Moléstias produzidas pelos vermes nematoides. 

29. Moléstias produzidas pelos acarianos. Sarnas. Bra- 
chyceros parasitas: gastrophilus, hypodermas e derma- 
tobios (bernes). Apteros parasitas: pediculidas e trico- 
dectes. 

30. Contenção e anesthesia dos animaes domésticos. 

31. Operações praticadas no apparelho circulatório. 

32. Operações praticadas no apparelho locomotor. 

33. Operações praticadas no apparelho respiratório. 

34. Operações praticadas nos órgãos genito-urinarios. 

35. Affecções do pé do cavallo. Ferradura. 

36 .Noções geraes sobre therapeutica clinica. Absor- 
pção e administração dos medicamentos. Acções medica- 
mentosas. Arte de formular. 

37. Estudo dos parasiticidas e dos antisepticos. 

38. Estudo dos medicamentos tópicos. 

39. Estudo dos modificadores das grandes funeções. 

40. Zootechnia em geral. Variação e herança. Indi- 
víduos e grupos zootechnicos. Methodos de reproducção. 



88 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COIOCBBCIO 



Producção de leite, carne e trabalho. Methodo de melho- 
ramento dos animaes domésticos. 

41. Equinos. 

42. Bovinos. 

43. Ovinos e caprinos. 

44. Suínos. 



SECÇÃO DE ZOOTECHNIA 



POSTO ZOOTECHNICO DE LAGtS 

Parte do relatório apresentado pelo respectivo Director ao 
Sr. Ministro da Agricultura, relativa aos melhoramentos 
das forragens e da criação em geral. 

Melhoramentos agrostologicos dos campos 



O melhoramento dos campos da zona é o problema 
mais difíicil e, ao mesmo tempo, de maior alcance que se 
nos apresenta. 

Com ef feito, a nossa zona, principalmente ao Xorte do 
rio "Caveiras", mostra-se inferior a muitas outras do 
Brasil e, em todo o caso, aos Estados em que tive en- 
sejo de trabalhar (Matto Grosso, S. Paulo, filio de Ja- 
neiro), no ponto de vista das espécies botânicas e quali- 
dades dos capins que povoam os seus campos. 

Na zona de Lages o que predomina é a "macega do 
campo ", planta que, embora apresente qualidades nu- 
tritivas notáveis emquanto nova, cresce muito rapidamen- 
te na primavera, tornando-se em pouco tempo lenhosa, 
indigesta e de pouco valor alimentar. 

As essências de qualidade melhor desappareceram e 
tinham de desapparecer forçosamente nas fazendas em 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 89 

que ha poucas subdivisões das pastangens. Com effeito, 
o gado, quando em potreiros bem divididos, é obrigado 
a comer tudo o que encontra, ao passo que numa ex- 
tensão grande elle vae procurai' as essências melhores, fa- 
vorecendo assim o crescimento e multiplicação das ruins. 

Com esta escassa alimentação, apenas póde-se contar 
ainda durante o verão, pois as geadas são tão fortes e 
frequentes aqui no inverno que os campos ficam com- 
pletamente seccos. 

Alem dislo, em muitos logares os vassouraes invadem 
progressivamente os campos exgottados. 

Tive ensejo de ver animaes mortos de fome e outros 
chegados lio ultimo gráo de fraqueza no inverno, num 
campo em que só tinha oito cabeças de gado para uma 
extensão de oitenta hectares. 

O remédio empregado pelos fazendeiros contra esta 
situação consiste em metter o gado no matto durante o 
inverno. Ahi encontram-se algumas gramíneas protegidas 
contra a geada pela ramagem, mas o gado alimenta-se 
principalmente de varias folhas de arvores e arbustos, taes 
como caraba (variedade de taquara delgada), vassourões, 
baracatinga, etc. 

Desnecessário é insistir sobre os inconvenientes de 
tal alimentação que, se pôde supprir as exigências de um 
animal já adulto, é notoriamente inferior para a boa 
formação de animaes em crescimento ou ainda em ges- 
tação. 

Este systema offíiecc ainda o inconveniente de expor 
a criação a perigos numerosos (aeeidentes de toda a na- 
tureza, parasitas, inimigos naturaes) como também de 
tornar impossivel a sua fiscalisação durante alguns me- 
zes no que diz respeito a epidemias e moléstias de toda 
a sorte. 

Urge, por conseguinte, si quizermos introduzir nesta 
zona os princípios da criação racional e o melhoramento 
das raças, encarar resolutamente o problema do melho- 
ramento dos campos extensivos, ao lado da cultura pro- 
priamente dita de forragens para o trato em estabulação 
e meia estabulação. 



90 MINISTEEIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 



Nos Estados de climas mais quentes, taes como Minas 
e S. Paulo, o problema já está em grande parte resolvido 
pela adopção e propagação dos capins jaraguá e gor- 
dura, principalmente este ultimo, que é o melhor capim 
que tive ensejo de encontrar no Brasil. 

Aqui tal não se dá: estes capins foram experimenta- 
dos no Posto Zootechnico. O jaraguá nos deu um corte 
só, em nada comparável como rendimento com o que se 
consegue n'outro logar. O gordura desenyolve-se bem du- 
rante o verão, dá dois cortes satisfactorios e morre no 
inverno. Nem um, nem outro chega a amadurecer a se- 
mente. 

Resulta disto que elles são aproveitados unicamente 
como plantas annuaes destinadas a fornecer feno para o 
inverno. 

Apezar de ser contestado muitas vezes ao capim gor- 
dura de seccar mal, devido á matéria gordurosa que con- 
têm, e dar feno inferior, tal não se deu aqui. Pelo con- 
trario, graças ao systema de desseccação que empreguei 
e que já descrevi, o nosso feno do gordura é completa- 
mente verde, bem secco e muito aromático. 

Não tendo dado resultados estas plantas, já clássi- 
cas entre nós, de substituição dos pastos naturaes, tivemos 
que procurar algures a solução do problema. 

A questão apresenta-se de dois modos : 

1.° Será possivel introduzir e acclimatar gramineas 
de outras regiões de clima! frio, susceptíveis de tornarem-se 
aqui naturaes e de lutar com as plantas mdigenas ? 

2.° Existirá na zona plantas resistentes á geada e de 
qualidade nutritiva sufficiente para serem empregadas na 
formação de campos de inverno ? 

Procuramos resolver ambas as perguntas, iniciando 
as experiências necessárias para este fim. 

Taes estudos devem durar forçosamente alguns an- 
nos consecutivos para poder tirar-se delles conclusões defi- 
nitivas ; penso, porém, e disto poderá julgar V. Ex.. que 
elles se acham desde já encaminhados para um fim pro- 
missor. 

l.° — Introducção de gramineas exóticas- — Devido ás 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 91 

analogias do clima, pensamos que a primeira expe- 
riência a fazer-se era tenta implrantar-se aqui grami- 
neas da zona temperada européa e da America do Norte. 

Para este fim, plantou-se, a titulo experimental, as 
espécies seguintes, que formam a base dos bons prados 
da Bélgica, França, e Allemanha: a) Aveia elatior (Fro- 
mental), b) Lolium perenne (Ray grass ou azevém), c) 
Phleum pratensis (Fleole Thimoty), d) olopecuras praten- 
sis (Vulpin dos prados), e) Holcus lanatus (Holca lanuda), 
f) Poa pratensis (Paturin), g) Agrostis, h) Anthroxantum 
odoratum (Flouve odorante), i) Dactylis conglomerata 
(Dactyle). j) Bromus pratensis (Brome), k) Festuca ovina 
(Fetuque) e a espécie Norte-Americana Chloris virgata. 

Estas plantas foram experimentadas em canteiros se- 
parados, um para cada espécie, e também misturando as 
sementes em proporções combinadas, de accôrdo com o 
que se faz na sua terra de origem. 

As que se desenvolveram com êxito satisfactorio são : 
o fromental, o ray grass, a fleole, o vulpino, a holca, o 
dactylo e o chloris virgata. 

Isto não quer dizer que as outras não sejam apro- 
veitáveis; opinamos pelo contrario, que todas ellas são 
susceptiveis de serem acclimatadas, dependendo o resul- 
tado -unicamente das experiências dos processos emprega- 
dos. Continuaremos, portanto, essas experiências. 

As espécies conseguidas têm os característicos se- 
guintes : 

1.° — Fromental (Aveia Elatior), também chamado 
ray grass francez e arrenatherum alatius ; Gramínea alta, 
com haste elevada e fina, prestando-se muito para confe- 
cção de feno, adaptando-se na Europa a todas as situações 
e particularmente ás seccas devido ao seu forte enraiza- 
mento. Cresce rapidamente e dá vários cortes. 

Tem o inconveniente de exigir bastante potassa e 
acido phosphorico, sendo preciso, por conseguinte, espa- 
lhar de vez em quando adubos sobre o prado. 

A sua composição em elementos digestivos no estado 
de feno é de 






92 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMBBCIO 

Matéria albuminóide 5.6 Relação 

Hydratos de carbono 33 . 1 nutritiva 

Graxa 0.8 1/6 . 3 

O seu teor em cinzas é de 9.9, numero muito elevado 
e superior ao teor das outras gramíneas em geral. 

Isto nos explica as exigências da planta em adubos, 
mas também é um factor de primeira importância, visto 
como esta forragem traz ao tubo digestivo dos animaes 
bastantes elementos para a constituição do seu esqueleto. 

Fromental desenvolveu-se muito bem na nossa ex- 
periência, tendo attingido altura superior a um metro. 

2.° — Ray Grass (Lolium perenne) — Esta planta 
é uma das melhores gramíneas inglezas, muito apro- 
priada á pastagem e muito empregada na formação dos 
prados temporários e permanentes. 

Desenvolveu-se bem nos terrenos argilosos frescos. 

A sua haste não é muito comprida, razão pela qual 
convém mais para pastagem do que para feno. As 
folhas são finas e macias e muito apreciadas pelo gado; 
por sua abundância, ellas fecham perfeitamente o pasto. 

O seu valor nutritivo é bom, sendo esta a composição 
em elementos nutritivos: 

Verde — Matérias albuminóides 1.8 Relação 

Hydratos de carbono 12.2 nutritiva 

Graxa 0.4 1/7.2 

Cinza 2. 



Feno — Matérias albuminóides 5.1 Relação 

Hydratos de carbono 35-3 nutritiva 

Graxa • , 0.8 1/7 . 3 

Cinzas ... 6.5 



O seu desenvolvimento, na nossa experiência era ópti- 
mo até o momento em que foi invadido completamente 
pela ferrugem, que matou a maior parte. 

A semente das plantas que resistiram servirão para 
outras experiências e selecção de variedades mais resis- 
tentes. 

Em mistura com outras grammineas elle resistiu me- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 93 

lhor ao inimigo, parecendo ter unia tendência a espa- 
palhar-se. 

3.° — Fleole (Phleum pratensis), da qual o feno é 
bem conhecido nos mercados europeus com o nome de : 
"feno de timothy", (nome inglez da planta) é muito alta, 
de mais de metro b e bem provida de folha. Presta-se bem 
ao corte, depois do qual cresce rapidamente. Apezar de 
ser ella frequentemente atacada pela ferrugem na Eu- 
ropa, aqui não apresentou este inconveniente até agora. 

Ella tem a vantagem de apropriar-se bem a todos os 
terrenos com a condição de serem elles muito arenosos. 
Dando muita semente e sendo esta de fácil colheita, ella 
pôde implantar-se rapidamente numa zona. tanto mais 
que a semente pode conservasse intacta na terra durante 
annos, até encontrar condição favorável á sua germina- 
ção. 

Verde, ella contém os seguintes elementos digestivos: 

Matéria albuminóide 2.1 Relação 

Hydratos de carbono 16. nutritiva 

Graxa 0.5 1/8.2 

Cinzas (das quaes 0.2b de acido phospho- 

c 1 j rico e o. 10 de cal) 2.2 

Feno*(timothy) Matéria albuminóide 5.8 

Hydratos de carbono. ... 43.4 Relação 

Graxa 1.4 nutritiva 

Cinzas 4.5 1/8. 1 









4.° — Vulpino (x\lopecurusus pratensis), é uma gram- 
minea alta que cresce nas terras argilo-arenosas, e princi- 
palmente nos iogares frescos e baixos. Elle é precoce e 
cresce rapidamente depois do corte. E' uma sdas gram- 
mineas mais apreciadas na Europa, sendo muito resistente 
ao frio. Presta-se tanto para pastagem como para corte. 

Tendo crescido muito irregularmente nas nos - 
sas experiências, renovaremos estas em 1915. 

5.° — Holca (Holcus lanatus), cresce em touceiras 
cerradas, de cor verde-claro, de folhas muito macias e 
e bem appetecidas pelos animaes. Apropria-se a todos 
os terrenos húmidos e furiosos. 






94 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



De todos os capins experimentados, foi este que nos 
deu os resultados mais positivos. As suas touceiras inva- 
diram todo o canteiro plantado, lutando com vantagem 
contra as plantas indigenas que procuravam tomar es- 
paço. Attribuo este facto á qualidade que tem esta espécie 
de ser pouco exigente quanto á alcalinidade da terra e 
ao teor desta em cal e acido phosphorico. 

Nas misturas, ella teve uma tendência bem pronun- 
ciada a invadir os logares mais húmidos, vencendo to- 
dos os concorrentes. 

6.° — Dactylo (Dactylis glomerata) cresce bem em 
qualquer terreno e caracterisa-se pela rapidez do seu des- 
envolvimento antes e depois do corte. 

Elle tem o inconveniente de tornar-se duro depois 
de maduro, mas fornece um feno bom quando ceifado no- 
vo. Comtudo, convém melhor como pastagem que como 
feno. Desenvolveu-se normalmente aqui. 

Antes da floração tem a seguinte composição em ele- 
mentos nutritivos : 

Matéria albuminóide ■ 1.5 

Hydratos de carbono 7.6 

Cellulose 3 . 

Graxa 0.4 

Cinzas (das quaes 0.09 em acido phospho- 
rico e 0.07 em cal 1.9 

Todos estes capins desenvolveram-se perfeitamente du- 
rante um periodo das geadas mais fortes e apresentaram 
todos esta caracteristica : são verdes e sadios durante o in- 
verno, dão semente na primavera e vegetam muito mais 
vagarosamente durante o verão, deixando-se. com exce- 
pção da holca, invadir pelas plantas locaes. 

Não podemos tirar conclusões certas por emquanto, 
porém a nossa opinião é que, quando a geada matar as 
plantas indigenas, as européas, que se acham no melhor 
momento do seu desenvolvimento, reivindicarão completa- 
mente o terreno quer por alastramento, quer por germi- 
jaação das sementes espalhadas no chão pelas próprias 
plantas. 

Teremos assim uma rotação muito favorável, pro- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 95 

porcionando-nos campos verdes durante o anno inteiro. 

Será preciso naturalmente tratar estes campos com 
certos cuidados durante os primeiros annos, poupando-os 
opportunamente, de modo a permittir a fructificação. 

Nestas experiências foram occupados 3 hectares, 3.855 
ms. qs. de terreno, dos quaes perto de 3 ha. para plantio 
de grammineas misturadas, destinadas a formar os nos- 
sos primeiros prados artificiaes. 

Nesta mistura foram introduzidas também sementes 
de varias leguminosas européas, sendo algumas destas r 
o trifolium repens, o trifolium hybridum, a serradella 
(ornithopus sativa) e a vicia veliosa, com todas as ap- 
parencias de se terem adaptado ás suas novas condições. 

Trataremos destas espécies no tópico relativo ás cul- 
turas. , 

Muito interessados por um artigo publicado pelo Dr. 
Misson no "Criador Paulista" a respeito duma gram- 
minea recentemente introduzida no Brasil proveniente da 
America do Norte, o Chloris virgata, pedimos á Directoria 
do Posto Zootechnico de S. Paulo, que correspondeu 
amavelmente ao nosso appello, uma amostra de sementes, 
com as quaes fizemos uma experiência aqui. 

O Chloris virgata desenvolveu-se bem, dando toucei- 
ras altas e fechadas. Mas, tendo recebido e plantado as 
sementes na primavera, é cedo ainda para poder dar 
uma opinião sobre a sua resistência ás geadas, factor esse 
para nós essencial. Em S. Paulo elle resistiu ás geadas 
mais fortes, mas estas não são comparáveis com as desta 
zona serrana. 

Voltaremos, pois, ao assumpto no nosso próximo Re- 
latório. 

2.° — Selecção de plantas indiginenas. — Afim de 
observar as espécies de Lages susceptíveis de desenvoi- 
verem-se e de reverdecerem no inverno, mandamos reser- 
var na parte mais fértil do Posto, mas ao mesmo tempo 
andais exposta ás geadas, pequenas partes do campo, col- 
locadas dentro de cercado, aifm de evitar as incursões do 
gado. 

Durante o inverno deste anno (1914) observamos cui- 



96 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA I OOMMBBCIO 



s 



dadosamente as plantas que resistiam ás geadas, expe- 
rimentando-se também o seu modo de acceitação pelos 
animaes, o porte e rendimento eventual da planta, etc. 

Depois de varias eliminações, fixamos a nossa 
colha sobre quatro grammineas e duas leguminosas. 

Na primavera, recolhemos as suas sementes, que serão 
plantadas em março e abril de 1915 no campo de de\ 
monnstração, a titulo de experiência. 

Das grammineas, duas pertencem á familia das f es- 
tucas, uma á familia das stipas e uma á familia do 
panicum. 

Das leguminosas, uma parece pertencer á espécie La- 
thyrus. A outra é um trifolium muito análogo ao trifo- 
lium repens europeu, com excepção de ter a flor rosada. 
Elle dá espontaneamente aqui nos campos e pretendemos, 
depois de seleccionado, introduzil-o nos nossos prados 
artificiaes. 

Como já disse, a falta de documentação impediu-nos 
de determinar exactamente a entidade botânica destas 
plantas. 

Esperamos poder fazel-o durante o próximo exercício, 
concorrentemente com as experiências culturaes, broma- 
tologicas, etc, das referidas plantas. 

Em resumo, ligamos e continuaremos a ligar toda a 
nossa attenção ao estudo desta questão de maior importân- 
cia para a zona, de formação de campos verdescentes no 
inverno, e temos boa esperança de poder apresentar, no 
no nosso próximo Relatório, dados sufficientes para o 
problema ser considerado como resolvido. 

Antes de deixar este assumpto, convém fallar de um 
recurso que aqui lançamos mão no tratamento dos ani- 
maes durante o inverno. 

Consiste elle na preparação de feno com uma grammi- 
nea aqui chamada impropriamente "pé de gallinha"' e 
que não é outra cousa sinão o capim chamado capim san- 
guinário em S. S. Paulo. (Panicum sanguinale). 

Este capim, que produz muitas sementes, além de 
ser muito aastradlor, invade as terras lavradas com tanta 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 97 

facilidade que se torna uma praga aqui indestructivel, 
como veremos ulteriormente. 

Nos campos elle não, é encontrado. Morre no inverno 
para reapparecer desde a primavera somente nas terras 
trabalhadas. 

Comtudo, é uma praga aproveitável visto como, de- 
vido á sua altura e fineza, dá um feno de preparação fácil, 
ntuito cheiroso e muito procurado pelos animaes. 

Elle deu-nos resultados muito satisfactorios na alimen- 
tação dos cavallos e já temos em deposito grande quanti- 
dade deste feno para o próximo inverno. 

Um outro capim que cresce nas mesmas condições, 
aqui chamado " Milian grande", pôde também ser apro- 
veitado, mas é muito aquoso e só convém ao gado leiteiro. 
Quando crescido, se torna jnuito lenhoso e pouco apro- 
veitável. 

MELHORAMENTOS CULTURAES 

O fim, que visamos no estabelecimento das culturas 

do Posto, não foi só o abastecimento dos animaes cm 

forragens cortadas e fenos, como também a formação 
progressiva de prados artíficiaejs e ynlljafaes. 

Não é nosso intuito, por emquanto, produzir o mi- 
lho necessário ao consumo dos cavallos, porque, sendo 
as nossas terras de qualidade inferior, convém manter 
uma certa importação de elementos enriquecedores dos 
terrenos, o que se faz mais economicamente pelo tubo 
digestivo dos animaes. 

Durante o exercicio de 1914, foram cultivadas as 
plantas seguintes : 

Outomno, para forragem no inverno : 

Aveia com hervilhaca ha. 3 . 500 m . q . 

Aveia com serradella 1 . 760 m . q . 

Aveia com trifolium incarnatus. . . . 6.500 m. q. 

Inverno, para forragem de primavera : 

Hervilhas com aveia e centeio ij2 ha. 

Spergula 1 ha . 2 . 800 m . q . 



98 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMERCIO 



Primavera, para forragem de verão e feno : 

Milho com feijão 3 . ha . o . 876 m . q . 

Capim gordura e jaraguá 1 . ha . 5 . 595 m . q. 

Capim gordura com hervilhas o. ha. 7.644 m. q. 

Aveia com serradella ehervilhaca. . 2. ha. 4.350 m. q. 

Fava com hervilha i.ha. 5. 692 m . q . 

Fava equina o. ha. 4.837 m. q. 

Hervilha com vellosa o . ha . 5 . 267 m . q . 

Beterrabas * o . ha . 3 . 403 m . q . 

Batata doce 1 . ha . 4 . 773 m . q . 

Lathyros sylvestris o . ha . 1 . 300 m . q . 

Nabos o . ha . 6 . 290 m . q . 

Esparguta gigante o. ha. 6.682 m. q. 

Aipim o . ha . 5 . 000 m . q . 

Como forragem perenne : 

Alfafa 1 hectare 

Pastagens artificiaes * 3. ha. 3 .855 m. q. 






Cultivamos também 3 ha. 5.455 m.q. de tremoços co- 
mo adubo verde com o intuito principal, não de augmen- 
tar a quantidade de azoto e matéria orgânica contida no 
solo, mas principalmente com o fim de melhorar a sua 
composição physica. 

Das plantas cultivadas como forragem, algumas dão 
o mesmo resultado. São ellas a serradella, a hervilhaca e 
o lathyrus. 

O emprego das plantas leguminosas melhoradoras do 
terreno como pastagens offerece uma dupla vantagem. 
O melhoramento do terreno faz-se da mesma forma, visto 
como o gado adulto posto a pastar sobre elle restitue, 
sob a forma de excremento, o que elle come (com pouca 
differença) e aproveita-se, além disto, a planta como ali- 
mento. 

As varias plantas cultivadas no Posto tem resumida- 
mente as seguintes caracteristicas : 

Aveia. — Esta planta, que se adaptou perfeitamente 
ao nosso solo, tem para nós duas utilidades : A primeira 
é de poder, para corte verde, servir como forragem verde 
Ipara o inverno. 

Neste caso, planta-se no mez de abril. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 99 



Pôde ser também cultivada para semente, que é 
o alimento mais preconisado para os cavallos. 

Xestc caso, planta-se no inverno, junho-julho, para 
ser colhido o grão no verão. 

Como forragem verde, a aveia constitue aqui um re- 
curso precioso, porque as geadas não têm influencia algu- 
ma sobre o seu crescimento. Ella resiste igualmente ao 
frio e á humidade. 

Seis ou sete semanas depois da sua plantação, dá um 
primeiro corte de mais de 50 cm. de altura e cresce ra- 
pidamente depois de cortada, dando uma segunda, e, ás 
vezes, uma terceira colheita. 

Tem este alimento o inconveniente de ser bastante 
aquoso e de valor digestivo reduzido, tendo a seguinte 
composição em elementos nutritivos : 

Matéria albuminóide 1.7 

Hydratos de carbono 5.2 

Cellulose 2.3 

Graxa 0.4 

Cinzas (das quaes o. 10 em acido phos- 

phorico e o . 07 em cal 1.5 

Mas póde-se remediar este inconveniente pela com- 
binação na ração com feno ou, como fizemos aqui, pela 
cultura em mistura com uma leguminosa, tal como hervi- 
Ihaca e serradella. 

Tentamos também cultival-a para forragem verde na 
primavera, mas sem êxito, porque foi atacada de fer- 
rugem. 

A ferrugem é também aqui o grande inimigo da ex- 
ploração desta planta para a producção de grãos. 

Eis por que experimentamos diversas variedades, sob 
o ponte de vista da resistência a este inimigo. As varie- 
dades experimentadas foram a aveia parda de Houdan, 
a amarella d'Ivois, a negra de Brie, a branca de Hun- 
gria e a branca de Ligowoo. 

A que menos damno soffreu da ferrugem, embora 
bastante prejudicada, foi a branca de Hungria. Uma parte 






100 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E OOMKEBOIO 

desta chegou a amadurecer, tendo nos dado uma colheita 
muito falhada. Observamos, porém, que um certo numero 
de pés tinha resistido perfeitamente, dando aveia que 
seria muito boa ainda na sua própria terra de origem. 

Mandei colher á mão e separar estas sementes, que 
pretendemos plantar no campo de demonstração, no pró- 
ximo inverno, para servir de base á selecção duma va- 
riedade resistente á ferrugem. 

Em todo caso, convém procurarmos chegar a este 
resultado, visto como este inimigo é o único obstáculo 
que se oppõe á producção aqui deste cereal preciosíssimo 
para a criação dos cavados. 

Milho. — O milho plantado por nós é o milho cunha 
ou dente de cavallo, duro e de côr avermelhada, bastante 
conhecido no Brasil para não precisar dercrever as suas 
qualidades. 

Plantamol-o, não para producção de semente, ma 
para ser cortado verde; e assim distribuído á nossa criação. 

O desenvolvimento foi normal e, devido ao teor ele- 
vado em assucar da canna desta variedade, obtivemos mui- 
to bom resultado no seu emprego no trato dos animaes. 

Para* corrigir o defeito deste alimento, a sua aquosi- 
dade, procedemos antes do seu emprego a uma meia des- 
seccação, privando-a assim do excesso de agua. 

Outra parte foi fenada, a titulo de experiência para 
ser utilizada como alimento no próximo inverno. 

Hervilha forrageira. — (Pisum arvense), é uma va- 
riedade das hervilhas comestiveis, que tem o caule grosso 
e mais curto que as outras variedades, podendo assim ser 
plantada em varas. Também é mais folhuda. Desenvol- 
veu-se muito bem nas nossas condições e deu colheita 
inormal. 

A melhor época para sua plantação é em junho, ju- 
lho e agosto, permittindo a colheita na primavera. 

Para sustental-a contra a acção da chuva e obter 
uma forragem mais abundante, convém plantal-a em as- 
sociação icom aveia ou centeio. 

Isto tem ainda a vantagem de alargar a sua relação 
nutritiva, que é muito estreita. 



KEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 101 



A sua composição é a seguinte em elementos diges- 
tiveis : 

Matéria albuminóide 2.4 

IHydrato de carbono 3.7 
Cellulose 3 . 
Graxa 0.3 
Todos os animaes de fazenda comem-na com muita 
avidez, tanto em estado verde como no de feno. 

Como leguminosa, que é, deixa no terreno, depois 
da colheita, raizes e resíduos que enriquecem o solo em 
azoto. 

O seu leòr em cinzas é salisfactorio (1, 2 0/0) e a 
composição destas é favorável, sendo que contém C.15 
de acido phosphorico e 0.35 de cal, quasi egual em acido 
phosphorico aos trevos e alfafa. 

Sebeadblla. (Ornithopus saliva), é uma planta le- 

guminosa adaptável aos terrenos seccos e arenosos. Deu 
muito bem aqui. 

O seu desenvolvimento é lento ; apresenta, porém, a 
vantagem de ser semeada por baixo de um cereal e de 
se desenvolver rapidamente depois da colheita deste. 

E ; a única planta leguminosa que não provoca a 
meteorisação, apesar de sua relação nutritiva estreita e 
pôde, por conseguinte, ser pastada sem cuidado. 

Como leguminosa, melhoradora dos terrenos, adopta- 
mol-a como adubo verde em pastagem da. qual já vimos 
precedentemente as vantagens. 

Esta forragem, muito macia, é bem acceita em verde 
por todos os animaes, prestando-se também para fazer 
feno. 

Sua composição em elementos digestiveis é a se- 
guinte : 

Matéria albuminóide 2.1 

Hydratos de carbono 6.4 

Cellulose 2.5 

Graxa 0.5 

De todas as plantas leguminosas correntemente cul- 
tivadas como forragem, é a mais rica em acido phospho- 



102 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COHMEBCIO 






rico, do qual contém 0,19%. Em cal o seu teor é de ().')%. 
Este alimento convém, pois especialmente para as 
fêmeas em gestação e aos animaes novos em periodo de 
crescimento. 

Capins gordura e jaraguá. — São bastante conhecidos 
entre nós para dispensar nova descripção. 

Como já disse, só puderam ser aproveitados como 
plantas de campo, visto como o inverno os destróe por 
completo. 

O capim gordura nos deu dois cortes no verão, altos 
e fechados e delie fizemos um feno de primeira qualidade. 

Hervilhaca vellosa. — (Vicia vellosa), também cha- 
mada Hervilhaca das areias, é uma leguminosa alastra- 
dora e trepadeira e muito voluntária e que se torna facil- 
mente nativa era certa zona, conforme pudemos averiguar 
no Posto. 

E' bastante cultivada na Europa, seja para forra- 
gem verde, seja para producção de grãos muito apreciados 
em avicultura. 

Adaptou-se perfeitamente aqui. Resiste a qualquer gea- 
da e pôde ser semeada no outomno para dar corte no 
fim do inevrno. 

Por ser planta muito delgada e trepadeira, convém 
associal-a ao centeio ou aveia para sustental-a. A sua mis- 
tura com fava, que é planta de caule forte, e erecto. 
é também favorável. 

E' muito appetecida pelos animaes e tem a vantagem 
de melhorar o terreno. 

A sua composição é a seguinte : 

Matéria albuminóide 2.2 

Hydratos de carbono 4.9 

Cellulose 2.3 

Graxa * 0.3 

Cinzas 1.5 

O seu teor em acido phosphorico e cal é sensivel- 
mente igual ao da serradella, offerecendo, pois, as mes- 
mas vantagens. 

Secca, fornece um feno de primeira qualidade, com- 
parável com o da alfafa. 



REVISTA DE VETERINÁRIA £ ZOOTECHNIA 103 

Esparguta Gigante. — (Spergula máxima), é, de to- 
das as plantas européas, a que com mais facilidade ad- 
aptou-se aqui. Desenvolveu-se com tal exhuber anciã que 
invadiu as outras lavouras, tornando-se uma verdadeira 
paga, muito difficilr de extinguir. 

Apezar de ser reputada planta de solos arenosos, aqui 
se espalhou em todo terreno. O que caracterisa mais 
esta planta é a sua rapidez de desenvolvimento. Dois me- 
zes depois de plantada, pôde ser colhida estando já em 
plena floração. 

Pode ser semeada em qualquer tempo, desenvolvendo- 
se igualmente no inverno e no verão. 

A sua composição em elementos digestiveis é a se- 
guinte : 

Matéria albuminóide 1.5 

Hydratos de carbono 6.5 Relação 

Cellulose 3.3 nutritiva 

Graxa 0.3 1 [4 . 6 

Cinza 2 . 

Na Europa ella tem a reputação de ser mal acceita 
pelos cavallos ; mas aqui tal não se deu, pois todos os 
animaes, com exepcção de um, o garanhão anglo-arabe*, 
comeram-na com appetite, principalmente quando mur- 
cha. 

Preparamos também feno desta planta, mas elle apre- 
senta o inconveniente de ser duro e muito quebradiço.. 

Este alimento é muito preconisado na Europa para 
as vaccas leiteiras, por ter a propriedade de communicar 
um sabor particular á manteiga. 

Sobre a Fava e os Nabos não podemos dar conclu- 
sões. Elles desenvolveram-se bem, mas foram completa- 
mente destruidos pelos insectos. 

Faremos outras experiências, mudando a época do 
plantio e prevenindo-nos contra os ataques dos insectos 
pelo emprego de insecticidas. 

Feijão Americano. — (Cow pea). Esta planta, origina- 
ria dos Estados Unidos do Norte, é muito preciosa por 
prestar-se a vários fins : 



104 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMK BACIO 



a) O seu grão constitue um alimento de primeira 
ordem para o homem e para os animaes ; 

b) o seu caule e as folhas são uma rica forragem; 

c) como adubo verde, enriquece consideravelmente 
o solo em azoto. 

As sementes que mandamos vir da America do Xorte 
foram semeadas ao abrigo do milho forrageiro e desenvol- 
veram-se perfeitamente, adaptando-se ás suas novas con- 
dições de vida com a máxima facilidade e carregando mui- 
tas vagens. 

Este feijão é de côr preta, pintado de branco e de 
tamanho médio. Tem a vantagem de não ser trepador e 
de formar touceiras erectas, espessas e carregadas de va- 
gens a pequena distancia do chão, sem todavia vir ao 
contacto deste. Resulta disto que, quando plantado sem 
abrigo, pode ser colhido por meio de ceifadeira, o que 
diminue bastante o custo da lavoura. 

Já pudemos averiguar que depois de cortado, brota 
de novo. Os novos brotos, sem duvida não chegarão a 
dar sementes pela superveniencia das geadas, mas poderão 
ser aproveitados, seja como forragem, seja enterrados 
como adubo verde. 

A composição das ramas é a seguinte : 

Matéria secca 18 . 13 °[ 

contendo °[ Matéria albuminóide. . 9.67 

Hydratos de carbono 23 . 25 

Cellulose 9.71 

Graxa 1 . 43 

Depois de colhido e beneficiado, uma parte da pro- 
ducção será vendida como fonte de renda do Posto. 

Batata doce e Aipim. — Estas plantas, já cultivadas 
nas hortas da zona, desenvolveram-se normalmente du- 
rante o verão. 

Beterraba. — Deu com muitas falhas pelo facto de 
serem já muito velhas e de fraco poder germinativo as 
sementes de que dispúnhamos. 

A variedade " amarella ovóide Desbarres " desenvol- 
veu-se bem. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 105 

Depois de feitas experiências com sementes novas, 
daremos as nossas conclusões a respeito. 

Capim sanguinário (Panicum sanguinale) — Apezar 
de não ser este capim uma planta cultivada voluntaria- 
mente, convém mencional-a por ser para nós um recurso 
para feno no inverno. 

Este capim constitue a praga mais terrível que temos 
aqui nas lavouras. Tendo sementes muito finas e leves 
que o vento espalha por toda parte, tem um poder de 
disseminação considerável. Logo depois de germinado, 
emitlc em lodos os sentidos ramos compridos, que en- 
raízam por sua vez, alastrando assim progressivamente até 
invadir todo o terreno. Sendo, além disto, muito rápido o 
seu crescimento e fazendo a sua fructificação em qual- 
quer tempo do verão, não ha, póde-se dizer, meios de 
impedir a sua propagação. Experimentamos aqui todos 
os meios empregados contra as plantas damninhas, sem 
poder conseguir resultado notável. 

Num mesmo terreno, mandamos capinar, tirar o cisco 
para fora da superfície e lavrar quatro vezes seguidas 
a três semanas de intervallo, sem conseguir acabar com 
elle. 

Para conseguir resultado, seria preciso que as mesmas 
operações fossem feitas em todas as chácaras visinhas, 
pois o vento leva as sementes a grandes distancias. 

Esla gramminea dá unicamente nas terras lavradas. 
No primeiro anuo de lavra da espalhada e pode reme- 
diar-se facilmente com a capina. No segundo anno, muito 
mais espalhada, ó ainda possível evitar grande prejuízo. 
Mas, no teceirro anno, invade tudo e não ha mais meios 
de impedir o seu desenvolvimento. 

Insistindo-se na luta contra elle, as operações de lim- 
peza dos terrenos, tornar-se-iam tão onerosas que absor- 
veriam a totalidade do lucro. Não podendo, por conse- 
guinte, lutar contra o mal, tratamos de transformar a 
praga em vantagem, tirando deste capim partido como 
forragem. 

Sabido que elle morre com a geada, não prejudicando 
de modo algum as culturas de inverno, e que desapparece 



106 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMME 



rapidamente no campo, precisando de terra removida para 
se desenvolver, procederemos do modo seguinte: Xos 
primeiros dois annos capinamos. No terceiro deixa- 
moi-o desenvolver-se e aproveitamol-o como feno. Sobre- 
vindo a geada, plantamos capins para formação de prado 
artificial e, quando chegar a primavera, o sanguinário 
já encontrará o terreno occupado por outras espécies, ás 
quaes pouco pôde prejudicar, vindo a desapparecer, á 
medida que se forma o campo. 

Para confecção de feno, presta-se bem com as suas 
hastes compridas, finas e compactas. 

A sua composição em elementos digestiveis é a se- 
guinte : 

Matéria albuminóide 2.21 Relação 

Hydratos de carbono ^^ nutritival 

Cellulose 1 1 . 08 1 19 . 1 

Graxa o . 50 

Alfafa. — Apezar de ser esta planta exigente sobre 
a qualidade do terreno, e de ser o nosso bastante pobre, 
experimentamos aqui a formação de um aifafal. A varie- 
dade plantada é de Provence. 

Semeada uma primeira vez em março, pouco resultado 
nos deu. Mas lavrado novamente o terreno, na primavera 
e provido de um novo supplemento de adubo, resemeamos 
no mesmo logar e conseguimos uma alfafa de desenvol- 
vimento normal, porém, falhada em alguns logares. 

Repetiremos a operação em março próximo e temos 
a convicção de conseguir resultado inteiramente satisfa- 
ctorio. 

Penso que a razão do primeiro insuccesso foi a au- 
sência quasi total de bactérias no solo. Xa segunda plan- 
tação as nodosidades, raras a principio, chegaram agora 
a ser muito abundantes. E' provável que na terceira plan- 
tação, já estando a terra bem infectada, desde o principio 
proporciona á planta condições favoráveis. 

A melhor época, climatericamente, para semear al- 
fafa aqui é a primavera; mas preferimos o outomno por 
permittir á planta de escapar durante os primeiros mezes 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 107 



da sua vegetação á concorrência do capim sanguinário, 
que muito lhe prejudicaria nas outras estações. 

Tendo em vista as vantagens bem conhecidas que of- 
ferece a alfaia como forragem entre nós, continuaremos 
os nossos ensaios até ter compieto êxito e augmentaremos, 
na medida do possivel, a extensão do nosso alfafal. 

No exercício anterior, tínhamos desbravado um total 
de 13 1/2 hectares. 

Durante o exerci cio de 1914 continuamos este me- 
lhoramento e elevamos a quantidade a 24 hectares, 1.000 
metros quadrados. 

Pretendemos, si o permittirem os nossos recursos, 
continuar a desbravar assim mais ou menos dez hectares 
de campo cada anno, deixando outra vez em pastagem, 
em compensação, dez hectares de pastagens artificiaes, 
mas tendo sempre como base uma lavoura de 20 hectares 
em plena producção. 

Teremos assim, quando o systcma estiver em inteira 
applicação : 

1.° anno — 10 ha. em via de melhoramento 

20 ha. em afolhamento 

10 ha. em pastos melhorados 
2.° anno — 10 ha. em via de melhoramentos 

20 ha. em afolhamento 

20 ha. em pastos melhorados, e assim 

continuando chegaremos a melhorar progressivamente to- 
das as partes da pripriedade, aproveitáveis para este fim. 
Cada parcella de terreno terá passado pelas seguintes 
transformações successivas antes de tornar-se em prado : 
1.° Anno cultural — Primavera: Cultura melhorada; 

Outomno: plantas pára inverno; 
2.° Anno cultural — Primavera : plantas para verão ; 

Outomno: plantas para inverno; 

r3.° Anno cultural — Primavera: capim sanguinário 
para feno; 
Outomno: plantação de prados. 
E' certo que com este systema os nossos recursos 
forrageiros poderão fazer face ao augmento eventual dos 



108 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMKBBCIO 

nossos effectivos em gado,, e quando as necessidades destes 
sejam ultrapassadas pela producção forrageira, poderemos 
introduzir no afolhamento plantas destinadas a serem 
vendidas, taes como feijão, batata, etc., tornando-se uma 
fonte de renda para o estabelecimento. 

Durante o exercicio de 1914, o abastecimento em 
forragem cortada para os animaes de raça e de serviço, 
foi feito pela nossa lavoura, tendo sido comprado apenas 
alfafa íenada, apezar de estarmos somente no primeiro 
anno de exploração económica. 



CAMPO DE DEMONSTRAÇÃO 

Afim de poder realisar mais facilmente as nossas 
experiências agricolas e facilitar ao mesmo tempo aos 
visitantes o exame das forragens por nós aqui introdu- 
zidas, estabelecemos na proximidade dos edificios um pe- 
queno campo de demonstração. 

Tem elle a superficie de um hectare e é dividido em 
40 canteiros de cerca de 150 ms. q. cada um, separados 
por caminhos em forma de xadrez. 

Neste campo de demonstração foram plantadas du- 
rante o exercicio as espécies seguintes : 

Trevo branco Hervilhaca commum 

Trevo roxo Hervilhaca vellosa 

Trevo hybrido Sanfeno 

Trevo encarnado . Cevada 

Trevo amarello Aveia branca 

Alfafa sativa Aveia preta 

Alfafa falcata Lathyrus silvestris 

Holca Junco marinho 

Capim j araguá Mostarda 

Capim gordura Serradella 

Ray grass Milho cunha 

Fromental Abóboras 

Poa Feijão Americano 

Dactylisglomerata Hervilhas 

Alepecurus pratensis Serraceno 

Mona da Hungria Cenoura 

Beterraba branca Nabos 

Beterraba meio assucareira Rutabaga 

Beterraba de Vaurice Tremoço 
Beterraba amarela Desbarres Chloris virgata 






BEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 109 



MELHORAMENTO DAS CONDIÇÕES 
ZOOTECHNICAS 

Em Relatórios precedentes já referi as qualidades 
apresentadas pelo gado bovino da zonat e peios animaes ca- 
valares. 

O resumo das minhas observações era que os cara- 
cteres, que se encontram no gado vaccum, são as das 
varias raças portuguezas primitivas, misturados em certos 
indivíduos com caracteres da raça tranqueira, sendo os 
derivados desta chamados aqui gado mestiço. 

Encontrei também aqui signaes manifestos de mistura 
com o gado Cuyabano ou Pantaheiro, do Matto Grosso. 

Emfim e infelizmente, em algumas fazendas, eucon- 
tram-se cruzamentos de zebu', tendo sido esta praga intro- 
duzida aqui por tropeiros vindos do Norte. 

conjuncto destas variedades formou uma qualidade 
de gado sem caracteres determinados nem fixos e que não 
nos parece servir economicamente de base a uma sele- 
cção zootechnica, sendo preferível subslituil-a progressiva- 
mente por cruzamento continuo (unilateral) com uma 
raça para este fim escolhida. 

Já expuz também, varias vezes, as razoes pelas quaes 
o gado Flamengo nos parece o mais indicado para cum- 
prir aqui o papel de raça melhoradora; e substitutiva. 

Temos presentemente os seguintes reproductores bo- 
vinos : 

1 touro Flamengo 
1 touro Schwiz 

1 touro Hereford 

1 garrote Flamengo (comprado em Pinheiro duran- 
te o exercicio). 

1 garrote Red-Polled (comprado em Pinheiro durante 
o exercicio). 

Os três primeiros são touros já velhos e quasi in- 
utilisados. 

Os dois últimos foram-nos vendidos . . . (por grande 
favor!!) pelo Posto Zootechnico de Pinheiro, e, sendo 






110 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMHBCIO 



novos e estancio no primeiro período de acclimação, ti- 
veram que ser poupados. 

No exercicio de 1915 póde-se dizer que teremos como 
aproveitáveis só estes dois, sendo os outros velhos de- 
mais. 

Não temos verba para compra de animaes de raça, 
sendo de resto impossível importar, e os numerosos pe- 
didos que fizemos para ser auxiliados pelos outros esta- 
belecimentos do governo em que já se cria gado de raça 
pura, foram sempre indeferidos. 

Peço permissão para chamar, mais uma vez, a at- 
tenção de V. Ex. sobre esta situação eminentemente pre- 
judicial á acção deste Posto Zootechnico e aos interesses 
duma zona inteira. 



A espécie cavallar apresenta aqui uma base excel- 
lente para a producção do cavallo militar, sendo que a 
altura dos animaes crioulos é relativamente grande. 

A média das medições feitas aqui dão perto de lm.42. 
permittindo o cruzamento com garanhões de lm.60 e 
mais. Sobre 177 éguas apresentadas, 27 tinham mais de 
lm,45, 78 mais de lm/40 e 76 menos de lm.40 de altura. 

As condições da zona prestam-se também a criar uma 
raça bem formada, rústica e resistente, sendo facto bem 
conhecido que os cavallos mais voluntários, resistentes e 
de pé melhor, são os de montanha. 

Como já disse, a natureza dos terrenos da zona Sul 
são bem apropriados, visto como a composição do terreno 
facilita a formação do esqueleto, o aspecto pedregoso dos 
campos forma o pé bom, e as condições de criação na- 
tural dão resistência e rusticidade. 

Penso que o governo da União procederia muito 
acertadamente, aproveitando-se destas condições particu- 
larmente favoráveis para fazer da zona serrana um centro 
de remonta para o exercito, da mesma forma que a Bél- 
gica tem o seu centro de remonta para artilharia nas 
Ardennes, que é uma zona montanhosa análoga á nossa, 
e a França um dos ; seus principaes centros de remonta nas 



EBVISTA DE VETEBINABIA E ZOOTECHNIA 111 

regiões do Sul (Pyrineus, etc.) de clima e condições ainda 
mais análogas ás nossas. 

Aqui se pôde conseguir, desde a primeira geração, 
cavallos aptos para o serviço militar, o que daria como 
consequência não só uma vantagem económica enorme, 
para a zona, como também vantagem pratica para os 
serviços da defesa nacional. 

Os criadores da zona estão tão convencidos disto, 
que ligam muito mais importância ao melhoramento do 
seu gado cavallar do que do bovino, sendo muito mais 
numerosos os pedidos para cobertura de éguas do que 
para vaccas. 

No meu ultimo Relatório previa eu para o exercicio 
de 1914 pedidos de cobertura para mais de 600 éguas. 
A realidade ultrapassou as minhas previsões, pois os pe- 
didos foram de mais de metade além deste numero. 

Fomos obrigados a limitar a acceitação aos criado- 
res registrados no Registro de Criadores do Ministério; 
mas sendo ainda excessiva a affluencia, autorisamos só 
uma égua por garanhão a cada interessado, e mesmo as- 
sim não foi possível attender a todos. 

Precisaríamos ter aqui, para satisfazer as exigências 
da zona, pelo menos 20 garanhões anglo-arabes, e temos 
dessa raça apenas um. 

Uma outra prova da importância ligada pelos cria- 
dores a esta criação está no facto de que um produeto 
nascido de cruzamento do garanhão "Chaiitilly" com uma 
égua crioula teve a offerta de quinhentos mil réis com 
nove dias de edade. 

Uma outra égua crioula foi vendida por quatrocen- 
tos mil réis só pelo facto de estar ella coberta pelo ga- 
ranhão de raça. 

São factos positivos que dizem mais do que qual- 
quer argumento. 

A raça Ardenneza, para tiro de artilharia, que tinha 
menos acceitação que a anglo-arabe a principio, ganha 
cada dia mais favor, devido ao facto de terem sido muito 
bem conseguidos os primeiros produetos nascidos. 

Recebemos em fevereiro de 1914 dois garanhões e seis 



112 MINISTÉRIO DA A.QBICULTUBA, I CEIA I COMHERCIO 

éguas desta raça destinadas á reproducção pura. Destas 
éguas uma já deu cria fêmea em boas condições e qua- 
tro se acham em estado de gestação. 

A aoclimação dos animaes europeus fez-se com Lodo 
cuidado, tendo sido elles suecessivamente tratados em 
gimen: 1.°, de estabulação completa, 2.° de estabula 
durante a noite e pastagem durante o dia. 3.° de pastagem 
completa com distribuição de supplementos de alimento. 

Nenhum inconveniente podemos registrar da mu ■ 
dança de condições. 

As éguas participam nos trabalhos agrícolas, sendo 
utilisadas na tracção de machinas, vehiculos, etc. como 
na sua terra de origem. 

No que se refere á espécie suina, temos aqui actual- 
mente 27 representantes puros e mestiços da raça ' Ber- 
ckshire " e penso que no próximo exercicio poderemos 
iniciar a venda deis primeiros produetos. 

Continuamos também a criação dos caprinos de raça 
"Angora", que são hoje em numero de 10. 

O movimento de fêmeas para padreações no Posto 
durante os treze primeiros mezes foi o seguinte : 

Foram deferidos 512 pedidos, recebendo cada criador 
boletim autorisando a entrada, sendo para éguas 294, para 
vaccas 174, para porcinos 41 e caprinos 3. 

Entraram no estabelecimento para cobertura 251 
éguas, 94 vaccas, 24 porcas e 8 cabras no total de 37/ 
fêmeas, tendo sido effectivamente cobertas e recebido c 
competente certificado 188 éguas, 75 vaccas, 21 porcas e £ 
cabras, seja um total de 292. 

Penso poder considerar este resultado como satisfa 
ctorio em razão dos recursos limitados de que dispomos 

Ha uma desproporção grande entre os pedidos de 
feridos e as entradas porque o movimento revolucionário 
que agitou a zona desde mais de um anno, obrigou varioí 
fazendeiros a abandonar momentaneamente os seus ne 
g o cios. 

De. Chaeles Yixcext 

Director do Posto 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 113 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 

(A Revista de Veterinária e Zootechnia responderá, 
nesta secção, a todas as consultas e pedidos de informa- 
ções que lhe forem feitos sobre assumptos de sua espe- 
cialidade.) 



ECOS E NOTICIAS 

PROORAMMA DA EXPOSIÇÃO DE MILHO. — Acabamos de 
receber o elegante Programma da I a Exposição Nacional de Milho, 
que se effectuará na Capital de S. Paulo, nos salões da " Sociedade 
Paulista de Agricultura ", rua Libero Badaró, 54, nos dias 21, 22 e 23 
de Julho próximo futuro. 

Em todos os Estados da União serão feitas exposições parciaes,, 
preparatórias, de espigas nas sedes das Inspectorias Agrícolas Fe- 
deraes, em datas a determinar-se, sendo depois as espigas remettidas em 
blocos para a Exposição de S. Paulo. 

Pelo programma, sabemos que existem avultados prémios para 
os expositores, e destacamos entre elles uma rica taça de prata offe- 
recida á melhor espiga da Exposição pela Empreza Editora da 
"Chácaras e Quintaes", organiazdora da Exposição. Todos os nossos 
leitores, que quiezrem um exemplar deste programma, podem pedil-o 
á revista "Chácaras e Quintaes ", Caixa postal, 652, S. Paulo ou 
na redacção da mesma revista, Largo do Palácio, 5 B, 2. o andar. 

IMPORTAÇÃO DE ANIMAES. Pelo porto desta Capital fo- 

ram importados no mez corrente três garanhões argentinos p. s. ; sete 
faizões ; sete perdizes ; dois gallos Plymouth e seis gallinhas da 
mesma raça. 

No mesmo mez foram malleinisados oito animaes pertencentes 
ao Museu Nacional. 

CURSOS DE PRATICOS-VETERINARIOS. — Com o fim de 
preparar pessoal competente para desempenhar as principaes funeções 
praticas de veterinários, principalmente em zona em que não existam 
profissionaes, foi creado no Serviço da Industria Pastoril um curso 
especial para aquelle fim. 

Entre outra local publicamos o programma approvado pelo Sr. Mi- 
nistro para taes cursos, que serão dados no período de seis mezes 
a contar de 1.° de maio próximo, e cujas matérias serão professadas, 
com caracter eminentemente pratico, pelos profissionaes de que se 
compõe a Secção de Veterinária daquelle Serviço. 



114 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMEBCIO 



INSPECTORIAS VETERINÁRIAS DISTRICTAI S. traba- 

balhos a cargo do Serviço de Industria Pastoril nos Estados es são 
confiados a dez Inspectorias, comprehendendo os seguintes district 

l.o - Amazonas, Pará e Maranhão, sede Belém ; 

2.° — Piauhy e Ceará, sede Fortaleza ; 

3.° — Rio Grande do Norte, Parahyba e Pernambuco, sede Recife; 

4.° - Alagoas, Sergipe e Bahia, sede Bahia ; 

5.° — S. Paulo e Matto Grosso, sede S. Paulo ; 

6.° — Minas Geraes e Goyaz, sede Uberaba ; 

7.° — - Rio de Janeiro e Espirito Santo, sede Campos ; 

8.° — Paraná, sede Ponta Grossa ; 

Q.° — Santa Catharina, sede Florianópolis ; 

10. o — Rio Grande do Sul, sede Santa Maria da Bocca do 
Monte. 

SERVIÇO DE INDUSTRIA PASTORIL. Com a reorganisa- 

ção da Directoria do Serviço de Veterinária, que passou a denominar-se 
Serviço de Industria Pastoril, ficaram subordinados á respectiva Dire- 
ctoria os Postos Zootechnicos ; as Fazendas Modelos ; as Escolas 
de Lacticínios ; as Inspectorias Veterinárias districtaes ; as Inspecções 
Veterinárias de portos e das fabricas de produetos animaes ; os Postos 
de Veterinária e de Observação e as Inspecções de lacticínios. 







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EXPOSIÇÃO REAL. 1909 



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outros apparelhos para lacticínios 

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Rio de Janeiro, S. Paulo e Bahia 

BROMBERG & Cia. 

Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande do Sul e agencias. 



6-2 
15 






AVES ESCOLHIDAS 




ARTIGOS VETERINÁRIOS 




CHOCADEIRAS E CRIADEIRAS 



12—10 
13. 






1 v,1 »' 

Anno V Junho 1915 N.° 3 

REVISTA 



DK 



Veterinária e Zootechnia 

PUBLICAÇÃO offioi-ajl* 

DO 

Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



SUMMARIO 



r 



^ 



PARTE OFFICIAL : 

Importação de Animaes com auxilio do Governo — Decreto 
n.° 11.579, de 12 de Maio de 1915, approvando o respe- 
ctivo regulamento 115 

Kstacõks dk Monta — Instrueções regulando o serviço 124 

COLLABORAÇÃO: 

Dr. A. Athakassof — O gado Guernesey 128 

Dr. Theophilo de Azevedo — A selecção do caracú 134 

OTTO A. Fischer — Differença de conformação entre o gado 

para o corte e o leiteiro 138 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES : 

Verrugas dos Animaes — Carbunc\ilo bacteridiano 143 

ECOS E NOTICIAS 144 

Curso de práticos veterinários — Visita presidencial — Exportação de 
carne — Carbúnculo — Matadouro de Osasco — Postos Zootechnicos 
— Carnes congeladas — A pecuária no Rio Grande do Sul — Dis- 
tribuição de vaccina — Venda de animaes — A raça zebú. 

BIBLIOGRAPHIA 154 

^^~~ ,:,,,, ' ' " , ■■: ' ' ■ ', '■ „ ' , , , ~i 




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1915 



REVISTA 



DE 



Veterinária e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OFFTCTAJLí 

DO 

Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



JUNHO — 1915 



Tomo V — Kasciculo III 




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Revista de Veterinária e Zootechnia 

Publicação Official do Serviço de Industria Pastoril 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E CCMMERCIO 



Distribuição gratuita aos criadores do paiz que a solicitarem 



^OCEITAIIVE-SE ^INIINTCnSTOIOS 



Toda a correspondência relativa á REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA, pedidos, 
reclamações, etc-, devem ser dirigidos a Fernando Werneck, Caixa Postal n. 1678 — Rio — Brazil 

ANNO V l Jurjho de 1915 $ N° 3 



Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar a 
interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possível, o numero de ordem de sua inscripção. 



Serviço cie Ind/ustria, Pastoril 



PARTE OFFICIAL 

IMPORTAÇÃO DE ANIMAES COM AUXILIO DO GOVERNO 

DECRETO N. 11.579 de 12 de maio de 1915 

Approva o regulamento para importação, com auxilio do Governo Federal, e 
transporte, no paiz, de animaes reproduetores 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do- 
Brazil, usando da autorização constante do art. 79, n. VIII, 
da lei n. 2924, de 5 de Janeiro de 1915, decreta: 

Art. 1.° E' approvado o regulamento que a este acom- 
panha e vae assignado pelo Ministro de Estado dos Ne- 
gócios da Agricultura, Industria e Commercio, para a 
importação, com auxilio do Governo Federal e transporte, 
no paiz, de animaes reproduetores. 

Art. 2.° Revogam-se as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 12 de Maio de 1915, 94° da Inde- 
pendência e 27.° da Republica. 

Wenceslau Braz P. Gomes. 
João Pandiá Calogeras. 



116 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



Regulamento a que se refere o decreto n. 11.579, desta data 

Art 1.° Aos criadores e agricultores que importarem, 
coin assentimento ou por intermédio do Ministério da 
Agricultura. Industria e Commercio, animaes reprodu- 
ctores de boa compleixão, em perfeito estado de saúde. 
o Governo Federal concederá um auxilio, sempre que 
houver verba destinada a esse fim no respectivo orça- 
mento, além do transporte dos animaes dentro do paiz. 

Paragrapho único. Tratando-se de bovinos, o Governo 
só (concederá, a titulo de auxilio, o transporte dentro 
<lo paiz e a immunização contra a tristeza. 

Art. 2° O auxilio de que trata o artigo anterior appli- 
ca-se aos animaes das seguintes espécies e raças : 

1. — ESPÉCIE BOVINA 

RAÇAS 

a) Hereford, Polled-Angus, Sussex. Shorthorn. Limou- 
sina c Charolleza; 

b) Sehwyz, Simmenthal, Friburgueza. Normanda, Red- 
Lincoln e South-Devon ; 

c) Hollandeza, (Holstein-Frisian, Jeverland), Flamen- 
ga, Guernesey e Jersey. 

2. — ESPÉCIE SUÍNA 



RAÇAS 



Yorkshire, Berkshire, Large-Black, Polland-China e 
Tamworth. 



'1 ^ al Í5' 



3. — ESPÉCIE OVINA 

a) raças merinos: Rambouillet, Vermont e Allemães: 

b) raças inglbzas: Romney-Marsh, Oxfordshiredown. 
Shropshiredown e Southdown. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E Z00TECHX1A 117 



4. — ESPÉCIE CAPRINA 

RAÇAS 

Saanen. Toggenbourg, Murcia, Angora e Malteza. 
5. — ESPÉCIE CAVALLAR 

RAÇAS 



a) p. s. Árabe. Auglo-arabe, e p. s. Inglez; 

b) Hachney, Xorfolk-Bretão e Orloff; 
cj Percheron e Ardennez. 

6. — ESPÉCIE ASININA 

RA« 

Catalã, Italiana c Poitou. 

Paragrapho único. Ministério da Agricultura poderá 
concede]- auxilio para a importação de outras raças além 
das mencionadnas neste artigo, uma vez provada a sua 
utilidade, bem como reeusal-o para qualquer delias, uma 
vez que não sejam satisfeitas as prescripções do art. 6.° 
deste regulamento. 

Art. .')" Dentro de um mesmo exercício só será con- 
cedido a cada criador ou agricultor auxilio para a im- 
portação até dez animaes de cada espécie, de accôrdo 
com a tabeliã annexa ao presente regulamento. ' 

Paragrapho único. Poderá ser concedido auxilio para 
numero superior a dez animaes, a juizo do Ministro, 
ás companhias ou emprezas pastoris de capital superior 
ai 300:000$, postos e estações zootechnicos, escolas e 
quaesquer institutos de ensino agricola fundados por ini- 
ciativa dos Estados ou municipalidades ou por socieda- 
des apstoris, syndicatos e cooperativas agricolas. 

Art. 4.° Os Estados, as prefeituras municipaes, as 
sociedades pastoris e os syndicatos e cooperativas agri- 
colas poderão encarregar-se de adquirir animaes para 
criadores ou agricultores, com auxilio do Governo Ee- 



118 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, /NDUSTRIA E COMMERCIO 

deral, de accôrdo com este regulamento, enviando ao 
Ministério da Agriculutra, dentro do prazo estabelecido 
no art. 6.° os requerimentos dos interessados. 

Art. 5.° As sociedades agricolas ou pastoris que. di- 
rigidas por nacionaes, se constituirem no estrangeiro, com 
o fim de promoverem por meio da propaganda o desen- 
volvimento da industria pastoril do Brazil, terão direito 
ao auxilio de que trata o presente regulamento, quando 
remetterem animaes reproductores aos seus sócios, en- 
viando ,ao Ministério da Agricultura os requerimentos 
dos interessados. 

Art. 6.° Para a obtenção do auxilio para a importação 
de animaes, deve o interessado : 

1.°, requerer ao Ministro, até 31 de março de cada 
anno, mencionando: 

a) o numero, espécie, raça e idade dos animaes que 
pretende importar ; 

bj o fim visado na criação e exploração do rebanho 
da sua propriedade; 

c) o numero e raça dos animaes que possue para 
cruzar ou constituir um núcleo de raça pura; 

d) a zona onde se encontra a sua propriedade, quaes 
as recommendações e pessoal e quaes as pastagens e 
forragens de que dispõe : 

e) o paiz de onde pretende fazer a importação ; 

2.°, juntar ao requerimento a certidão do pagamento 
do imposto estadual ou municipal, como criador ou la- 
vrador, declarando nelle que se subordina a qualquer 
medida de policia sanitária estabelecida pelo Governo 
com relação aos animaes que vae importar ; 

3.°, tcommunicar com a possivel antecipação ao Ser- 
viço de Industria Pastoril, a chegada dos animaes im- 
portados, por via maritima ou terrestre, mencionando 
a data provável dessa chegada e o numero, espécie, raça 
e procedência desses animaes. 

Art. 7.° O Serviço de Industria Pastoril providen- 
ciará quanto ao exame de sanidade e designará o local 
onde os bovinos serão submettidos á immunização con- 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 119 



tra a tristeza, correndo as respectivas despezas por conta 
do Governo Federal. 

§ 1.° A immuniazção de que trata o prezente artigo 
será effectuada em estabelecimento dependente do Serviço 
de Industria Pastoril. 

§ 2.° Só poderão ser immunizados contra a tristeza 
os bovinos que fiquem pelo menos dous mezes sob a 
vigilância do Serviço de Industria Pastoril, nos pontos 
previamente indicados, correndo as despezas de trato e 
alimentação, durante esse tempo, por conta do Governo 
Federal. 

§ 3.° O Governo Federal indemnizará os proprietários 
dos bovinos submettidos á immunizaeào contra a tris- 
teza, desde que a morte do animal se dê em consequência 
dessa moléstia, devidamente comprovada, e durante o 
tempo em que estiver o mesmo sob a vigilância do Ser- 
viço de Industria Pastoril, sendo a indemnização, no má- 
ximo, de 500$ por bovino. 

Art. 8.° Os animaes importados com auxilio do Go- 
verno Federal deverão estar comprehendidos nos seguin- 
tes limites de idade : 

MEZES 

Bovinos 12 a 20 

Suinos 8 a 12 

Ovinos 12 a 20 

Caprinos 12 a 20 

ANNOS 

Equinos 4a 7 

Asininos 3a 6 

Art. 9.° Os animaes devem ser de raça pura de pe- 
digree e vir acompanhados dos respectivos documentos, 
devidamente legalizados, que permittam a identificação 
por occasião do desembarque. 

Paragrapho imico. Qualquer alteração que fôr en- 
contrada nesses documentos será considerada como mo- 
tivo para se negar o auxilio. 



120 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COHMEBCIO 



Art. 10. Feita a importação e cumpridas as exigên- 
cias dos artigos anteriores, deverão os interessados re- 
querer o pagamento do auxilio a que tiverem direito, 
declarando no mesmo requerimento que se obrigam : 

1.°, a fornecer ao ministério todos os esclarecimentos 
que lhes forem pedidos em relação aos productos dos 
reproductores importados ; 

2.°, a enviar annualmente uma relação dos nasci- 
mentos, com discriminação dos sexos e caracteres, e uma 
nota de apreciação quanto ao resultado obtido ; 

3.°, a communicar a transferencia que fizerem, sob 
qualquer titulo, dos animaes adquiridos. 

Art. 11. Acompanharão o requerimento a que se re- 
fere o art. 10, além da photographia em duplicata de 
cada animal, tratando-se das grandes espécies, os seguin- 
tes documentos, escriptos ou traduzidos em portuguez, 
de accôrdo com a legislação vigente, authenticados por 
autoridade consular brazileira, no ponto de embarque 
ou de origem : 

a) icertidão de alfandega relativa á entrada dos ani- 
maes no aiz ; 

b) pedigree de cada animal ; 

c) attestado de saúde dos animaes, passado no paiz 
de origem, por autoridade competente, com a declaração 
de que nos 30 dias anteriores ao embarque não gras- 
sava na região de onde procederam nenhuma moléstia 
contagiosa ; 

d) icertificado de tuberculmização, tratando-se de bo- 
vinos, ou certificado de malleinização, tratando-se de ca- 
vallares e asininos ; 

e) recibo do criador para quem forem importados 
os animaes, quando a importação não houver sido feita 
directamente pelo mesmo. 

Art. 12. O pagamento do auxilio só se tornará effe- 
ctivo, quando a entrada do animal no paiz se verificar 
dentro ido exercício em que houver sido dada a respe- 
ctiva autorização. 

Art. 13- As sociedades de que trata o art. õ.° podem 
ser dispensadas do preenchimento dos requisitos con- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 121 

stantes do n. 1, alíneas b, c e d"; e n. 2 do ar?h 6.^,, 
com tanto que os satisfaçam no acto de requerer o au- 
xilio. 

Art. 11 O Governo promoverá a acquisiçâo de re- 
productores de raça por conta de criadores, agriculto- 
res. Estados ou municipalidades, uma vez que se su- 
jeitem ás exigências do presente regulamento. 

Art. 15. Os Estados, municipalidades, criadores e agri- 
cultores que pretenderem adquirir animaes, de accôrdo 
com o artigo anterior, deverão requerer ao Ministério 
da Agricultura, até 31 de março, indicando não só o 
numero de animaes, que pretendem importar, como a 
raça e procedência destes e a importância máxima das 
despezas a que se obrigam com a respectiva acquisição. 

Art. 16. Cumpridas as exigências regulamentares e 
reconhecida a utilidade da importação dosanimaes indica- 
dos, attendendo-se á raça e á possibilidade de sua ac- 
climação na zona a que se destinam, será autorizado o 
requerente a fazer no Thezouro Nacional o deposito em 
ouro, do valor da encommenda, acerescido da importância 
correspondente ás despezas de otransporte. 

Art. 17 No caso de não se realizar a importação dos 
animaes encommendados, o deposito de que trata o artigo 
precedente será restituido, na mesma espécie. 

Art. 1.8. Sendo a encommenda satisfeita, somente em 
parte, rcslituir-se-á a somma correspondente aos animaes 
que não houverem sido comprados. 

Art. 19. O Governo Federal, quando tiver de im- 
portar reproduetores para seus postos zootechnicos ou 
fazendas-modelo de criação, avisará pela imprensa aos 
interessados, afim de que estes possam fazer conjunta- 
mente encommendas de animaes. 

Art. 20. Os bovinos importados estão sujeitos, além 
da immunização oentra a tristeza e das outras medidas 
sanitárias á vaccinação contra o carbúnculo, que será pra- 
ticada nos estabelecimentos dependentes do Serviço de In- 
dustria Pastroil, mais próximos da zona a que estes ani- 
maes se destinarem. 

Art. 21. O transporte dentro do paiz será concedido 



122 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, JNDUSTRIA E COMXEBCIO 



aos animaes reproductores de raça introduzidos do es- 
trangeiro ou adquiridos no paiz, não podendo ser facul- 
tado sinão ao próprio criador ou agricultor. 

Paragrapho único. O transporte a que se refere este 
artigo será requisitado pela Directoria do Serviço de In- 
dustria Pastoril ás estradas de ferro e emprezas de nave- 
gação. 

Art. 22. Sendo os animaes reproductores adquiridos 
no paiz, o interessado deverá requerer o transporte ao 
director do Serviço de Industria Pastoril, indicando o pon- 
to de embarque e desembarque, a Tazenda a que se des- 
tinam e o numero e a r aça dos mesmos. 

Art. 23. Nenhum criador poderá obter transporte 
gratuito na vigência do mesmo exercicio para mais de 
dez animaes de cada espécie. 

Paragrapho único. Tratando-se de bovinos importa- 
dos do estrangeiro, o Governo Federal poderá conceder o 
transporte dentro do paiz, nas emprezas de viação fe- 
deraes,, a numero superior a dez animaes para cada criador 
ou agricultor. 

Art. 24. O transporte de animaes reproductores por 
conta do Governo Federal, no interior do paiz, só será con- 
cedido quando os mesmos animaes procederem de re- 
giões onde não reinem moléstias contagiosas e se dirigirem 
a {regiões igualmente limpas. 

Art. 25. Os pedigrees dos animaes importados com 
auxilio do Governo, de accôrdo com o presente regulamen- 
to, ficarão no Miniserio da Agriculttura, até que, feita a 
respectiva transcripção nos registros genealógicos, seja 
restituído ao 11'mportador o documento original, devida- 
mente carimbado. 

Paragrapho único. Os certificados de sociedades de 
corrida não serão acceitos em substituição dos certifi- 
cados genealógicos para prova de pureza dos cavallos. 

Art. 26. Os criadores ou agrcultoreis que registrarem 
no Ministério da Agricultura, dentro do prazo e nas con- 
dições fixadas no regulamento approvado pelo decreto 
n. Í1.425, de 13 de Janeiro de 1915, os productos de ani- 
maes de raça bovina ou cavallar, adquiridos com auxilio 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 



123 



do Governo Federal, terão direito a receber certificados 
de raça e filiação. 

Ari. 27. Xão podem merecer auxilio do Governo os 
animaes destinados a corridas, quer importados directa- 
mente, quer adquiridos no paiz. 

Art. 28. Aos favores conferidos pelo presente regula- 
mento terão preferencia os lavradores e criadores inseri- 
ptos no Registro de Lavradores. Criadores e Profissionaes 
de Industrias Conncxas. instituído no Ministério da Agri- 
cultura. 

Art. 29. Ficam revogadas as disposições em contra- 
rio. 

Rio de Janeiro. 12 de maio de 1915. — João Pandiá 

Calogeras. 

l 

Tabeliã a que se refere o art. 2.° do regulamento approvado 
pelo decreto n. ri, 579, desta data 



ESPÉCIES 



PROCEDÊNCIAS 



Portos 

da 
Europa 



Estados Unidos 



Portos 

da Republica 

do Prata 



DESTINOS 



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Equino. 
Asinino 
Suino.. . 
Ovino. . 
Caprino 



500$000 
4Q0$000 
120$000 
100$000 
100$000 



300$000 

250$000 

80$000 

70$000 

70$000 



500#000 
4 00$000 
120$000 
1 00$000 
1 00$000 



400$000 

250$000 

1 20$000 

80JJ000 

80$000 



250$000 

200$000 

80$000 

60$000 

60$000 



Rio de Janeiro, 12 de Maio de 1915. — Toão Pandiá Calogeras. 



124 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 

ESTAÇÕES DE MONTA 

INSTRUCÇÕES 

O ministro de Estado dos Negócios da Agricultura, 
Industria e Commercio, em nome do Presidente da Re- 
publica : 

Resolve que sejam observadas, para o estabelecimento 
de estações de monta a cargo do Serviço de Industria 
Pastoril, as seguintes Instrucções : 

Art. l,o. Os postos zootechnicos e fazendas-modelo de 
criação, poderão, para os fins do disposto no n. 3 do 
art. 2.° do regulamento approvado pelo decreto n. 11.161, 
de 27 de janeiro de 1915, e art. 1.°, alinea n. do regulamen- 
to ajpprovado peio decreto n. 9.704, de 7 de agosto de 
1912, estabelecer, periodicamente, e de accôrdo com as 
conveniências do serviço, estações de monta, nos loga- 
res indicados pelos respectivos directores e approvados 
peia ^Directoria do Serviço de Industria Pastoril. 

Art. 2.° Para as zonas pastoris, ainda não servidas 
por postos zootechnicos ou fazendas-modelo de criação, 
a, Directoria do Serviço de Industria Pastoril providen- 
ciará sobre a criação de estações de monta. dotando-as 
com os reproductores disponiveis dos postos zootechni- 
cos e fazendas-modelo de criação ou com os adquiridos 
especialmente para esse fim. 

Art. 3.° Em cada uma das estações de monta ha- 
verá, á disposição dos criadores, numero sufficiente de 
reproductores puros, das raças mais adequadas á zona. 

Art. 4.° Nas estações de monta serão observadas as 
instrucções em vigor nos postos zootechnicos e fazendas- 
modelo de criação sobre a utilização dos reproductores. 

Art. 5.° As estações de monta funccionarão de 1.° 
de agosto de cada anno a 31 de janeiro do anno seguinte, 
sendo, depois desse periodo, os reproductores recolhidos 
aos respectivos postos ou fazendas-modelo de criação. 

Paragrapho único. Para os reproductores bovinos, o 
periodo de monta poderá prolongar-se além do tempo 
acima fixado, a juizo da Directoria do Serviço de Industria 
Pastoril. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 12Õ 

Art. 6.° Nas estações de monta os reproductores se- 
rão alimentados e tratados segundo as instrucções expe- 
didas pelos directores dos postos zootechnicos e fazen- 
das-modelo de criação respectivos, sendo o local e as 
forragens fornecidos pelas municipalidades ou pelos cria- 
dores interessados. 

Art. 7.° Em cada estação de monta, o trato dos re- 
productores e demais serviços serão confiados a um tra- 
tador, designado pelo director do posto zootechnico ou 
da fazenda-modelo de criação e auxiliado, conforme as 
necessidades, por pessoal fornecido pelas municipalidades, 
ou pelos criadores interessados, quando a estação fôr in- 
st aliada ou estiver funccionando em propriedade par- 
ticular. 

Art. 8.° Ao tratador encarregado da estação de monta 
compete : 

a) tomar nota, em livro especial, das fêmeas que 
forem padreadas, indicando o nome ou numero do animal, 
edade, signaes e procedência, o nome do proprietário e a 
data da cobrição ; 

b) observar todo o cuidado no trato e alimentação 
dos reproductores; 

c) tomar nota da forragem e da palha para cama, 
fornecidas pela Municipalidade ou pelo criador, e re- 
cusal-as sempre que não forem de boa qualidade, dando 
disso sciencia ao director do posto ou da fazenda-modelo ; 

d) avisar immediatamente, por telegramma, ao di- 
rector do posto ou fazenda-modelo, os casos de moléstias 
que surgirem entre os reproductores a seu cargo, bem 
como o apparecimento de casos de moléstia de caracter 
epizootico grave na zona em que se achar; 

e) enviar ao director do posto ou fazenda-modelo 
de criação, no fim de cada mez, uma relação dás fêmeas 
padreadas, informando sobre o estado dos reproductores. 

Art. 9.° As Camarás Municipaes ou os criadores que 
desejarem obter reproductores puros para uma estação 
de monta e puderem garantir o minimo de 50 fêmeas 
para cada reproductor durante essa estação devem di- 
rigir seus requerimentos, no principio de cada anno, até 



126 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEJ'/ ÍO 



30 de abril, ao director do posto zootechnico ou fazenda- 
tfnodelo de criação, mais próximo ou á Directoria do 
Serviço de Industria Pastoril, indicando o numero de 
fêmeas de cada espécie que destinam a serem padreadas 
pelos reproductores e o numero, espécie e raça dos re- 
productores que preferem e declarando que se obrigam 
a jfornecer: 

a) local apropriado ao abrigo dos reproductores, bem 
como um pasto fechado para as fêmeas a serem apre- 
sentadas aos reproductores e que tiverem de permanecer 
na jestação alguns dias; 

b) toda a forragem verde e secca necessária á ali- 
mentação dos reproductores, bem como a palha para 
a cama; 

\c) alojamento para o tratador que acompanhar os 
reproductores e fôr encarregado da estação; 

d) o pessoal necessaro parai auxiliar o tratador nos 
serviços da estação. 

Art. 10. A Directoria do Serviço de Industria Pas- 
toril mandará examinar o local e as condições da zona, 
afim de verificar si ha conveniência no estabelecimento) 
da estação de monta e determinar o numero e a raça 
dos reproductores que mais convêm. 

Art. 11. Os reproductores disponíveis, dos postos zoo- 
technicose fazendas-modelo de criação, serão distribuídos, 
de preferencia, pelas estações de monta, de accôrdo com 
as condições peculiares de cada zona, podendo a Dire- 
ctoria do Serviço de Industria Pastoril determinar a sua 
remoção para outras zonas, caso assim exija o serviço. 

Art. 12. Nenhuma estação de monta será estabele- 
cida, sem prévia antorisação da Directoria do Serviço de 
industria P astoril. 

Art. 13. No caso de ficar o numero de fêmeas áquem 
do minimo fixado, ou no de não serem fornecidas forra- 
gens em tempo e de boa qualidade, a estação de monta 
será supprimida e os reproductores removidos para ou- 
tra ou recolhidos ao respectivo posto ou fazenda-modelo de 
/Criação. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 127 

Art. 14. Os directores dos postos zootechnicos e das 
fazendas-modelo de criação, no fim de cada trimestre, 
enviarão á Directoria do Serviço de Industria Pastoril 
relação detalhada do movimento das estações de monta. 

Rio de Janeiro, 25 de maio de 1915. — João Pandiá 
Calogeras. 



128 MINISTÉRIO DA A GB] CULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



COLLABORAÇÃO 



A redacção da "REVISTA" não se 
responsabilisa pelos conceitos emittidos 
em artigos assignados por seus collabo- 
radores. 



GADO GUERNESEY 

Entre as raças bovinas mais estimadas pela sua ex- 
cellente aptidão leiteira ou, melhor, manteigueira, desta- 
cam-se relevantemente a Jersey e a Guerneséy. Esta ul- 
tima, oriunda da ilha de Guerneséy, possessão ingleza,, 
no mar da Mancha, da qual tirou o nome, pôde ser consi- 
derada como descendente da raça Normanda, possuindo 
vaccas leiteiras mais robustas e de estatura maior que 
as Jersey s. Ha também quem pense que tanto a raça 
Guerneséy como a Jersey, reunidas durante muito tempo 
sob o nome genérico de Aurign} T , são de origem franceza. 
A 1 ilha de Guerneséy possue um clima mais frio e acha-se 
mais exposta aos rigores da temperatura do que a de 
Jerse} 7 ,o que, sem duvida, tem contribuido para o des- 
envolvimento da robustez de seu gado. A criação desta 
raça é feita quasi que exclusivamente pelos pequenos 
criadores, que, entretanto, com o máximo carinho, traba- 
lham pela sua selecção. As novilhas têm em geral a pri- 
meira cria dos dois e meio aos três annos, sendo os be- 
zerros alimentados artificialmente, recebendo leite puro 
apenas durante as duas ou três primeiras semanas, em 
média. Tanto o gado novo como as vaccas primiparas re- 
cebem comummente uma ração de farelo de trigo. Como 
os criadores daji ilha de Jersey, os de Guerneséy, dedi- 
cando-se exclusivamente á selecção do gado local, evitam 
por todos os meios a importação de bovinos de raças es- 
trangeiras, a excepção dos de Aurigny que pertencem a 
mesma familia que os Guerneséy. Aliás o gado de Au- 
rigny, que não ha muito tempo era menor e de cor 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 129 

mais escura, hoje se assemelha muito ao Guernesey, pois 
o emprego continuo de touros desta raça unificou os 
dois typos. O objectivo para o qual tem convergido princi- 
palmente os esforços dos criadores da ilha de Guernesey 
têm sido o de conseguir vaccas de grande producção 
leiteira e da maior riqueza em manteiga. A mesma ab- 
sorvente preoccupação não existe quanto ao aperfeiçoa- 
mento das formas, que têm sido relativamente descurado. 
O paciente e pertinaz trabalho de selecção, que hafmais 
de um século se vem fazendo neste gado, já permittiu que 
se conseguisse um augmento de tamanho, precocidade e 
um maior desenvolvimento da aptidão leiteira. 

As vaccas Guernesev são dóceis, o mesmo não se 
podendo dizer dos touros que, em certa edade, se tor- 
nam bravios, pérfidos e perigosos, tornando-se necessário, 
para os conter, que se colloque a ar gol la no nariz e 
corrente nos chifres. 

O peso vivo médio das vaccas Guernesey é de 100 
kilos, predominando nellas a pellagem amarello-clara-pin- 
lada, com pintas brancas na cabeça, no flanco e nas 
pernas, o focinho e os olhos cercados de uma aureola 
alaranjada. 

A cabeça é Tina. os chifres pequenos, a fronte pouco 
concava, o pescoço jfl.ino, a linha do dorso mais arqueada 
que direita, aspecto descarnado. Alguns indivíduos, quan- 
do novos, tem a região da cernelha bastante Larga, tor- 
nando-se ella com a edade e depois de uma lactaçãão con- 
tinua, saliente e .cortante. 

O trem posterior 6 um pouco pontudo, a pelle fina, 
macia e unctuosa, tendo o pello de todas as extremidades 
e aberturas naturaes cor clara. O ubre; é de forma regular 
e "bem desenvolvido, as tetas bem collocadas e as veias 
mammarias bastante desenvolvidas e sinuosas. 

APTIDÕES — A principal é a producção do leite, 
contando-se por um periodo de lactação 2.400 a 3.400 
litros, com uma riqueza de 5 a 6 o/o. A manteiga é mais 
amarella que a produzida pelas vaccas Jersey, particula- 
ridade que tem tornado o gado Guernesey mais conhecido 
entre os criadores da Inglaterra, os quaes procuram sem- 



130 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

pre introduzir uma ou duas vaccas desta raça no seu 
rebanho de Shorthorn ou Aryshire, afim de dar ao seu 
leite e á sua manteiga uma mais bella apparencia. O ren- 
dimento ordinário, commum em manteiga, das vaccas 
mantidas e tratadas de uma maneira normal varia de 
4\jkjk>s e 500 grs. a 5 kilos e 500 grammas. por semana. 
Para provar a resistência e a utilidade sob o ponto de 
vista commercial desta raça, relata o professor Roberto 
Wallace, no seu livro sobre as raças inglezas. um facto 
muito significativo de um criador residente numa região 
fria como Midlothian, o qual mantém ha dezenove an- 
nos um rebanho de 120 cabeças provenientes de rebanhos 
de P. D. Ozanne, Les Pelleys, Captei, Guernesey. As novi- 
lhas ficaram, após o primeiro inverno, até á edade de 
dous annos e três mezes, num abrigo aberto, sendo o seu 
rendimento de 3.200-3.400 kilos de leite, com 5 o/o de ri- 
queza. Como animal de peso, o gado Guernesey é inferior 
ás íraças destinadas a esse fim, sendo ainda sua carne por 
muitos desprezada, devido á cor amarella da gordura. 

HERD-BOOK — Existem na ilha de Guernesey. con- 
forme o professor Wallace. 6 a 700 cabeças de gado. das 
quaes mais de 1.200 acham-se inscriptas no Herd Book 
da 'Sociedade Real de Agricultura e Horticultura de Guer- 
nesey. A Sociedade Ingleza do Gado Guernesey (English 
Guernesey Cattle Society) possue também um registro, 
existindo nos Estados Unidos, desde 1877, o 'The Ame- 
rican Guernesey Cattle Club ", que publicou seu primeiro 
volume de Herd Book em 1884. 

Taes são, summariamente, os caracteres e as qua- 
lidades desta soberba raça no seu paiz de origem, os 
quaes a tornaram conhecida e procurada por outros pai- 
zes, particularmente a Inglaterra e os Estados Unidos, 
para onde tem sido grande a exportação e nos quaes 
têm sido satisfactorios os resultados alcançados. 

Sua importação nos Estados Unidos começou em 
1850, continuando em grande escala até 1875. anno em 
que já era grande o seu numero. Hoje o gado Guernesey^ 
inscripto no Herd Book Americano, excede de 16 mi 
cabeças, ou sejam duas vezes mais do que a existencií 




ANGÉLICA - Vacca de raça "Guernesey" - do Posto Zootechnico Central 

de São Paulo. 







Imp. Yeoman. 8618 A R 99 



TOURO DE RAÇA GUERNESEY 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 131 



total no seu paiz de origem. Em 1896, nos Estados Unidos, 
um rebanho de 104 vaccas leiteiras seleccionadas, de 
edade differente, deu como média, por cabeça e por 
anno, 2.600 kilos de leite, representando 160 kilos de 
manteiga. Xo anno anterior, um grupo de 15 vaccas 
deu, em média, 3.300 kilos de leite e 200 kilos ,de man- 
teiga. 

Em Poppelsdorf. Allemanha, uma vacca e quatro no- 
vilhas de primeira cria, submettidas a uma experiência, 
sob um regimen de alimentação secca, forneceram por 
1.000 kilos de peso vivo e por dia: 

18.19 kilos de Leite 

0.82 13 kilos de manteiga 

0.4975 kilos de substância secca. 

Sobre 100 kilos de peso vivo o rendimento foi de 
562 kilos de leite por anuo. com 4.56 o/o de manteiga, 
ou, sendo o peso médio de 408 kilos por cabeça, teremos 
2.293 kilos de leite com 103.5 kilos de manteiga. 

Segundo observações de Wiliiam Collings, relatadas 
peio professor Werner, uma vacca Guernesey deu, como 
média. 17 ( .) kilos de manteiga e segundo Priaulx 5 vaccas 
submettidas a uma experiência durante 5 anno deram 
como resultado um rendimento annual e por cabeça de 
160 kilos de manteiga. Rendimentos superiores são men- 
cionados nos Estados Unidos para as melhores vaccas 
da Sociedade do Herd Book Guernesey. Aili, conforme 
dados officiaes, se eleva o rendimento em leite até 5.780 
kilos com 270 kilos de manteiga, por cabeça e por anno. 

Vejamos agora como se comporta a raça Guernesey no 
Brasil e quaes as vantagens que cila nos offerece. In- 
troduzida entre nós já por diversos criadores e vezes, mas 
sempre em numero pequeno, e devido á falta de dados 
seguros quanto á sua acelimação, resistência, aptidão lei- 
teira, etc, difficil se torna,, pelo menos por emquanto^ 
pronunciarmo-nos de uma maneira absoluta a respeito. 
O Governo do Estado de S. Paulo, pela primeira vez, 
em 1907, importou duas novilhas e um touro Guernesey 
para o Posto Zootechnico Central " Dr. Carlos Botelho". 
Desta importação morreu o touro de Piroplasmose (Tris- 



132 MINISTÉRIO DA AG BI CULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

teza), o que representa, como resultado da acclimaçf 
uma porcentagem de mortalidade de 33 °/o, não se po- 
dendo, portanto, considerar essa raça como mais resistente 
á Tristeza do que a maioria das outras européas. Quanto 
á produeção do leite, os únicos dados que possuímos são 
os seguintes, obtidos no Posto Zootechnico de S. Paulo: 



JPxodLvLGÇBtO cL"u.rst:nte o anuo cie 1908 



NOME 


DATA 

DA 

PARIÇÃO 


Edade 


PERÍODO 
de LACTAÇÃO 


Rendimento 
em leite 
no anno 


Média 

diana 

em leite 


Rendimento 
annual em 
manteiga 


faJD CD 

.3 o 

ca ca 

ea cd 


ANGÉLICA 
LADY 


29-8-907 
19-1-908 


3annos7mezes 
4annos3mezes 


14 mezes 
11 mezes 


2349.4 
2587.5 


5.592 
7.810 


126.359 
115.519 


5.3 o 
4.5o 



IProd/CLCçsio d."u.ra,rLte o slicitio cie IS IO 



NOME 


DATA 

DA 

PARIÇÃO 


Edade 


PERÍODO 
de LACTAÇÃO 


Rendimento 
em leite 
no anno 


Média 

diária 

em leite 


Rendimento 
annual em 
manteiga 


S ca 

CD Cj 

ca° S 

S 2 

zz c» 


ANGÉLICA 
LAD7 


29-9-909 
25-6-910 


7 annos 
annos 


314 dias 
346 dias 


3330.200 

3449.200 


10.605 
9.970 


171.151 
179.105 


5.1 o/ 

5.2 o /o 



Os rendimentos acima referem-se a animaes estabu- 
lados, recebendo ração duas vezes por dia e sahindo 
ao pasto 'diariamente mais a titulo hygienico. Comparando. 
entretanto, esses dados com os obtidos em outros paizes. 
já citados, parece-nos que em boas condições de alimen- 
tação e trato, a raça Gernesey conserva entre nós a sua 
afamada aptidão leiteira, assim como a riqueza em man- 
teiga de seu leite. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 133 

Não nos devemos esquecer, porém, de que a vacca 
Guernesey, como boa productora de leite rico em man- 
teiga, animal esbelto e fino, talvez que, transplantada para 
um regimen extensivo., sem pastagens limpas nem ração 
substanciosa e sujeita ás picadas dos carrapatos, aos ber- 
nes, etc, não possa conservar integralmente a sua ex- 
oellentè aptidão leiteira, a única apreciável, porquanto, 
como animal de peso e de tracção, o gado Guernesey 
não pode competir com as outras raças. 

Pouco sabemos sobre o cruzamento desse gado com 
o nacional, dado o pequeno numero de reproductores im- 
portados até agora. .lá dissemos que sua conformação não 
é perfeita e procurando-se melhorai' a do nosso gado a 
raça Guernesey seria uma das menos indicadas para esse 
fim. Com o gado nacional Caracu', robusto e forte como 
é. talvez Posse mais indicado tentar-se o cruzamento. Km 
todo caso é possível esperar-se bons resultados com a 
criação no Brasil desla raça. desde que se lhe dê, pelo 
menos, um, ia estabulação, visto ser explendida sua 

aptidão leiteira e se:- o seu leite de qualidade superior, 
principalmente para o fabrico da manteiga. Não nos de- 
vemos esquecer lambem de que o gado Guernesey, devi- 
do á sua alia reputação e grande procura, se vende relati- 
vamente caro. 

Com o fim de estudar esta raça sob o ponto de vista 
da Facilidade dv acclimação e das vantagens que ella possa 
offerecer ao nosso criador, quer em estado puro, quer 
cruzada com o gado nacional, foram importados em 
1912 da. Ilha Guernesey para o Posto Zootecbnico Fe- 
deral de Pinheiro 2 touros e 5 novilhas. 

A acclimação desses animâes correu relativamente 
bem, lendo sido registrada apenas a morte de um touro 
em consequência da tristeza, o que representa na média 
uma perda de 14.2 o/o. 

Hoje todas as novilhas paridas e criadas em pleno 
campo se acham em boas condições, guardando-nos para 
mais tarde fornecermos informações mais amplas e de- 
talhadas sobre os resultados obtidos. 

Rio de Janeiro, 10 de junho de 1915. N. Athanassof. 



134 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



A SELECÇÃO 00 CARAGU' 



O melhoramento do gado bovino indígena vae sendo 
feito entre nós sem uma orientação segura e definida. 

Por intermédio dos seus órgãos naturaes de acção 
e propaganda, os Postos Zootechnicos e as Fazendas- 
M odeio de Criação, o Ministério da Agricultura tem, para 
aquelle fim, aconselhado, favorecido e posto em execução 
os principaes methodos zootechnicos conhecidos : o cru- 
zamento do gado indígena com reproductores de raças 
européas especializadas para determinada funcção eco- 
nómica, e a selecção progressiva das raças nacionaes 
dentro do próprio sangue. 

Para cruzamentos, têm sido importados do estrangeiro, 
com e sem auxilio dos Governos Federal e Estadoaes, 
genitores oriundos da maior parte das raças européas 
conhecidas, taes como Dhuram, Hereford, Devon, Polled 
Angus, Limousina, Red-Lincoln, Flamengas Hollandezas, 
Schwyz, Simmenthal, Red-Polled, Friburguezas. Norman- 
das, Bretã, Jersey e outras especializadas ou não. 

E ? fácil de comprehender que a intervenção de ele- 
mentos tão variados, longe de facilitarem, mais ainda 
virão complicar a solução do problema do refinamento 
dos nossos rebanhos. 

Emquanto dispendemos annualmente grandes sora- 
mas com a acquisição de reproductores que, nos próprios 
paizes de origem, requerem para seu desenvolvimento um 
tratamento especial, alimentação racional que ainda lhes 
não podemos dar, vamos cooperando para que seja sa- 
crificada e eliminada dos nossos campos a mais nobre 
e bella raça nacional, — a caracu'. 

Estamos, pois, contribuindo para a substituição por 
mestiços, productos dos mais disparatados cruzamentos, 
da única raça bovina que possuímos com caracteres fixos, 
já acclimada e affeiçoada ( ao meio ambiente, raça ess 
cujas qualidades e defeitos conhecemos e, consequente- 
mente, com algum esforço poderemos melhorar e cor- 
rigir. 

Si não se registrou ainda o seu completo desappareci- 









REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 135 



mento, clcvc-se isso exclusivamente ao Ministério da Agri- 
cultura, ao Governo paulista e a um pequeno grupo de 
criadores intelligentes, domiciliados nos Estados de São 
Paulo. Minas e Rio de Janeiro,, os quaes. luctando coutra 
a corrente invasora das raças exóticas, procuram conser- 
var, melhorando, os rebanhos de caracu' que possuem. 

Certo, ninguém explora uma industria por mero di- 
lettantismo e sim para ganhar dinheiro. 

Claro está que. para o criador, a melhor raça será 
sempre aguei la cuja explorarão com menos despeza. lhe 
der maior lucro. 

Consequentemente, si a maioria dos criadores brasi- 
leiros prefere o mestiço ao caracu" é, naturalmente, por- 
que a producção daquelle é mais vantajosa. 

Cumpre, entretanto, salientar que o caracu' seleccio- 
nado, apezar de não constituir ainda um typo de boi im 
dustrial, lai como se requer actualmente, todavia, alcança 
hoje em dia preços altamente remuneradores e vaé Lendo 
grande procura. No ultimo leilão de reproduetores Feito 
pelo Ministério da Agricultura os exemplares vindos de 
Pinheiro alcançaram preços excellenles. 

Tanto quanto o zebu". e melhor que os reprodu- 
etores das raças exóticas, o caracu J seleccionado está, a 
meu ver destinado a servir de elemento regenerador para 
o gado Fdas regiões situadas no nordeste 1 brasileiro. 

O caracu". ninguém o ignora, tem os predicados que dis- 
tinguem e constituem o valor económico das raças portu- 
guezas de que descende. 

Ao Ministério da Agricultura, creado para dirigir e 
orientar a actividade produetora da classe agrícola, cum- 
pre, portanto, além do que já se vae fazendo nos esta- 
belecimentos officiaes, estimular por todos os meios e 
modos, o melhoramento dessa nobre raça pela selecção 
progressiva, no intuito de especializai-a para determinada 
funeção económica. 

Essa é, quero crer, uma medida acertada que de 
perto interessa a economia nacional, maximé nas condi- 
ções actuaes em que está virtualmente prohibida a ex- 



136 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTBIi 1ERCIO 



portação de gado bovino em quasi todos os paizes da 
Europa. 

A sua realisação não imporia em condemnação do 
methodo de cruzamento até aqui adoptado e seguido e 
que não pode nem deve ser abandonado. 

Valorizando uma raça nossa e desenvolvendo pela 
alimentação racional, hygiene e gymnastica funccional, 
as suas boas aptidões, em uma palavra, criando no paiz 
reproductores de elite e capazes de actuarem por si sós 
na regeneração do gado bovino indígena, contribuímos 
para libertar a economia nacional do pezado imposto que 
annualmente pagamos á indusria patstoril estrangeira, cjue, 
nem sempre, nos fornece productos realmente bons e apro- 
veitáveis. A formação de uma raça especializada não é 
segredo nem constitue privilegio dos criadores inglezes, 
francezes, belgas, suissos e hoilandezes. que elles ten- 
taram e alcançaram nesse campo, podemos egualmente ten- 
tar com probabilidades de êxito, desde que haja uni- 
dade de vistas e direcção intelligente e activa. 

Os trabalhos de um criador isolado, diz Paul Des- 
chambre, terminam, sem duvida, pelo melhoramento de 
seu rebanho, mas ficam sem ef feito apreciável sobre a 
raça inteira. 

Si esse criador obtém, accrescenta o mesmo eminente 
professor, um beneficio certo pela espécie de monopólio 
que se estabelece em favor de sua producção, o interesse 
geral muito pouco aproveita com o esforço despendido. 

Para melhorar uma raça um tanto degenerada, au- 
gmentar e regularizar o seu rendimento económico, acre- 
ditai -a emfim, nos mercados consumidores, é preciso ope- 
rar-se com um fim determinado a transformação da 
maioria dos seus representantes. E isso só se consegue 
pela conjugação de esforços de todos os criadores, em vista 
de um fim com muni e de se assegurarem a perseverança 
e a continuidade de esforços tão necessários para o resul- 
tado do methodo de selecção progressiva. 

Essa obra patriótica, estou convencido que poderia 
realizal-a, sem maiores despezas e com a certeza do su- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



137 



ccesso. o Serviço de Inustdria Pastoril do Ministério da 
Agricultura. 

Bastaria, para isso, que por intermédio dos seus de- 
legados nos Estados, procurasse aggremiar os criadores 
de caracu' para a fundação de um ou mais syndicatos de 
gado dessa raça, associações essas que teriam por fim: 

a promover o melhoramento da raça por 
meio da selecção progressiva dentro do pró- 
prio sangue; 

1) determinar e fixar quaes os seus ca- 
racteres fundamentaes e eleger o typo para o 
qual devem convergir os aperfeiçoamentos; 

c instituir e manter em dia o registroi 
genealógico da raça caracu' e promover expo- 
sições e concursos de reproductores em épocas 
certas e logares determinados. 

E por esse processo que na Allemanha, Hollanda, 
Suissa, Inglaterra, França, Bélgica e Norte America se 
realizam o mehorlamento e especialização das raças lo- 

eaes. 

Não podemos este anno e nos mais próximos con- 
tar com os reproductores de procedência européa. As du- 
ras necessidades da guerra, ao que consta, impuzeram o 
sacrifício dos melhores rebanhos e o despovoamento dos 
campos nas regiões pastoris. Poderíamos, é certo, recor- 
rer á Argentina, á Austrália;, e America do Norte, onde 
existem egu ai mente reproductores finos das citadas raças 
européas. Estamos, porém, arriscados de pagal-os excessi- 
vamente caros, sem que logremos obter os melhores como 
seria para desejar. 

A occasião, portanto, é mais opportuna para se tentar 
um bom movimento em prol da mais nobre e bella das 
raças de gado bovino nacional. 

O problema, quero crer, não offerece difficuldades 
insuperáveis. Sua solução é apenas uma questão de boa 
vontade. 

Julgo cumprir um dever, vindo chamar para o assum- 
pto a esclarecida attenão dos doutos e techçnicos que> 



138 MINISTÉRIO DA A.GBICULTUBA, INDUBTBIA E COXMBB4 [0 



felizmente, já existem em grande numero no Ministério 
da Agricultura e fora delie. 

Thbophilo de Azevedo. 



Differença de conformação entre o gado para o corte 

e o leiteiro 

(De "LA HACIENDA", Maio 1915) 

Em meu trabalho anterior publicado nesta revista 
mezes atraz, me limitei a fazer certas considerações sobre a 
industria pecuária em geral segundo é exercida em Cuba. 

No presente artigo, me proponho a assignalar a dif- 
ferença de conformação existente entre a rez productora 
de leite e a destinada ao corte. 

E' indsicutivel que duas tendências oppostas não po- 
dem chegar ao seu mais alto grau de desenvolvimento 
no mesmo animal, e por conseguinte, é absurdo suppòr 
que se pôde obter um perfeito desenvolvimento nas fun- 
cçoes productoras de leite e carne ao mesmo tempo. 

O estudo dos differentes característicos na estructura 
de um animal é de muito mais importância do que 
parece á primeira vista, pois, apezar de ser verdade que 
a \dita conformação não indica necessariamente a utilidade 
do animal, mas, comtudOí, indica, de uma maneira muito 
positiva, os seus méritos e defeitos. 

Por meio de um exame minucioso das partes externas 
do animal, póde-se obter uma idéa bastante correcta do 
seu organismo interior. O estudo dos differentes caracte- 
rísticos e sua relação entre um e outro dará ao criador 
de gado uma idéa da importância symetrica, qualidade e 
inechanismo animal. 

Aquelle que julga que todos os órgãos do corpo es- 
tão harmonisados e proporcionados, segundo certas leis, 
verá em seguida que o mechanismo animal e a symetria 
são qualidades, ás quaes se deve dar a mais escrupu- 
losa consideração. Convenoer-se-á de que um órgão de- 




UMA BOA VACCA DE LEITE 




O TYPO DE ANIMAL PARA PRODUCÇÃO DE CARNE 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 139 

feituoso influirá cm todos os outros do animal em pro- 
porção á sua importância, e apreciará então que somente 
onde ha perfeita harmonia e onde cada órgão funcciona 
com a menor fricção, se poderá obter o maior vigor e re- 
sistência. 

A conformação do animal nos facilita o discerni- 
mento de doenças occultas, taes como as de natureza es- 
crofulosas. 

estudo da conformação educa a vista a discernir 
e calcular a influencia detractora de um defeito existente, 
é portanto de immenso valor para todas as pessoas que 
se dedicam á exploração de qualquer ramo da industria 
pastoril. 

Os signaes externos de um animal, quando sua ver- 
dadeira importância é económica, auxiliará o criador a 
determinar as condições especiaes que o dito animal re- 
úne para um objecto determinado. 

Émquanto que não se possuindo conhecimentos 
de conformação e sendo capaz de notar defeitos no ani- 
mal vivo. não é provável que se lenha bom êxito como 
criador ou cevador. 

Ao fazer uma analyse dos paragraphos seguintes dos 
respectivos característicos correspondentes á uma rez pro- 
ductora de carne ou de leite, devemos começar pela cabeça. 

A cabeça de uma rez productora de carne deve ser 
curta e compacta, de tamanho mediano, de aspecto re- 
finado, de contornos pronunciadas e fronte Larga, que indi- 
que uma quantidade de força nervosa. Os olhos serão 
grandes e claros, as orelhas finas e cobertas de pello se- 
doso, a bccca grande, o focinho mediano, a queixada mas- 
siça e os tarsos medianos. 

O olho é um factor muito importante para determi- 
nar o temperamento do animal. Sua transparência, vi- 
vacidade e tamanho indicam o grau de energia nervosa 
e temperamento. Um olho que apresenta muito branco- 
em seu derredor ou com uma pupilla reduzida ou con- 
trahida. em geral, indica um temperamento irritável e 
conseguinte será um candidato para a ceva. 

Uma fronte larga e alta denota energia nervosa per- 



140 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMEBCIO 



fei lamente equilibrada, que influirá na digestão, assimi- 
lação, circulação e outras funcções do organismo ani- 
mal. As ventas da rez productora de carne, si são de- 
masiadamente grandes, indicam predisposição a doen< 
escrofulosas e perdas desnecessárias dos alimentos. Si 
são excessivamente pequenas, não terão espaço suffi ciente 
para o devido desenvolvimento das passagens ou con- 
ductos de ar, e indicarão debilidade hereditária. Em taes 
circumstancias, os pulmões não receberão o ar suffi- 
ciente para completar a oxydação dos alimentos, o que 
deve succeder com rapidez nos animaes que consomem 
grandes quantidades de hervas. 

O pescoço do animal para o talho é relativamente 
mais curto e mais compacto do que o da rez leiteira ; 
a parte superior é muito mais accentuada e os contornos 
da parte inferior são muito mais rectos, sendo o con- 
juncto uniforme e massiço até a união do tronco. 

O pescoço do animal leiteiro é mais comprido, ovado 
e menos redondo nos lados; a linha inferior não é recta 
e o (conjuncto carece da solidez dos contornos do anterior. 

O pescoço comprido indica debilidade constitucional, 
especialmente si não está em proporção com as outras 
partes do corpo. 

As circumferencias do animal para o corte são espe- 
cialmente caracterisadas pela igualdade e redondeza dos 
seus contornos. A circumferencia da reigão do umbigo 
deve ser ampla, pois indicará a capacidade digestiva e 
productora do animal. O umbigo deve ser bem desenvol- 
vido, visto que o seu tamanho, até certo ponto, indica a 
quantidade de alimento proporcionado ao animal antes 
de nascer, e por conseguinte medirá sua constituição. 
Este característico não deve passar despercebido, pois 
podemos assegurar por observações próprias que um 
umbigo bem desenvolvido por occasião do nascimento é 
um signal bastante positivo de um desenvolvimento vi- 
goroso no futuro. 

Aquelles que nunca estudaram o assumpto da materni- 
dade, não podem calcular o quão seriamente pôde ser 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 141 

affectado o ultimo desenvolvimento do feto pela inter- 
rupção provisória da via umbelical. 

O lombo de uma rez productora de carne deve for- 
mar uma linha quasi que recta desde a base da parte 
superior do pescoço, até a raiz da cauda. Si diffecencia do 
anima! leiteiro, este ultimo tem mais pronunciada a parte 
superior do pescoço, e a linha que parle dahi até a cauda 
não é tão recta, mas sim concava. 

Existe uma differença bem notável nos contornos do 
lombo dos typos para o talho e leiteiros. No primeiro, 
o lombo deve ser largo, sem saliências e perfeitamente 
coberto de carne que oceultará da vista a columna verte- 
bral, em toda a sua extensão. 

Por outro lado.no secundo, a parte superior das pás 
e a columna vertebral estarão descobertas e visíveis em 
todos os seus contornos. 

Um animal pára talho, visto lateralmente, é quasi que 
quadrado, enchendo por completo um parallelogrammo 
si suas patas e cabeça fossem cortadas. 

Visto posteriormente, observar-se-á que é Igualmente 
quadrado e massiço em seus contornos. 

A vacca leiteira não encherá nem Lateral nem poste- 
riormente um rectângulo traçado de igual forma que no 
i.nimal anterior. 

Entre os vários característicos que distinguem o gado 
para o corte e o leiteiro, devemos mencionar o escudo de 
Guenon, cuja forma mais ou menos pronunciada indicará 
a aptidão do animal para maior ou menor producção de 
ieite. 

Chama-se escudo de Guenon a parte da pelle compre- 
hendida entre a cauda e o ubre, coberta de pellos finos 
e apontando de baixo para cima em vez de se dirigirem 
de cima para baixo, como nas demais partes do corpo da 
rez. Quanto mais extenso e regular em sua conformação 
fôr o escudo, tanto maior será a aptidão leiteira da vacca. 

Outros dos signaes que invariavelmente indicam um 
animal produetor de leite, é o desenvolvimento das "veias 
de leite". Essas 'veias,, que graduam a capacidade produ- 
ctora do ubre, devem ter um curso bem pronunciado no 



142 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 



ventre da vacca. penetrando por um orificio amplo e 
desappareoendo na região do coração. 

O ubre recebe o sangue da artéria principal e a veia 
principal o devolve ao coração ; e como o leite é um pro« 
dueto indirecto do sangue, quanto maior fôr a circulação 
atravéz do ubre, tanto maior será a quantidade de leite 
produzida pelo animal. A artéria principal influe notavel- 
mente no seu desenvolvimento e regularidade do escudo 
de Guenon, pois me inclino a crer que esse pello sedoso 
e Ide crescimento para cima que dá forma ao citado es- 
cudo, obedece á vigorosa circulação de sangue na pelle 
dessa parte do corpo, proporcionada pela artéria principal. 

Emiim, os caracteres existentes que facilitam distin- 
guir o animal produetor de carne do leiteiro são tão nu- 
merosos, que seria uma árdua empresa descrevel-os cada 
um de per si. Unicamente a observação e a experiência 
convencerão o criador da importância desses signaes ou 
característicos de conformação que indicam as aptidões 
do seu gado para um ou outro fim. 

Otto A. Fischer. 



EEVI8TA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 143 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



(A Revista de Veterinária e Zootechnia 
responderá, nesta secção, a todas as consultas e 
pedidos de informações que lhe forem feitos sobre 
assumptos de sua especialidade.) 



N. 1 — Sr. Manoel Luiz Campos — Bicas do Pará, Minas. 

Consulta — Tem apparecido aqui e em outros logares uma en- 
fermidade que somente avcomette as vaccas e novilhas de dous an- 
nos, não se tendo visto ainda no gado do sexo masculino. 

Começa nas partes trazeiras, atacando principalmente as partes 
genitaes, e suas immediaçõcs, principiando por um botãosinho, que 
augmenta, pouco a pouco, até tomar dimensões enormes. 

Tenho empregado diversos tratamentos sem resultados, principal- 
mente cautério com ferro quente. 

Peço orientar-me a respeito, dizendo qual o medicamento que devo 
empregar. 

Resposta — Trata-se de verrugas que apparec?m em certos animaes 
predispostos a isso. 

O tratamento, que dá resultado, é o seguinte: arrancar as verru- 
gas e submetter o animal a tratamento interno, que consiste em admi- 
nistrar-lhe diariamente de 50 a 100 grammas de carbonato de ma- 
gnesia. 

Este medicamento, ministrado logo no começo da moléstia, é, 
geralmente, sufficiente para sustar o desenvolvimento das verrugas. 

Dr. Ch. Conreur. 

N. 2 — Sr. Cupertino de Castro — Guaratinguetá, S. Paulo. 

Exposição — Em Janeiro deste anno, appareceram vários casos 
(7) de uma moléstia pouco commum, ou melhor, quasi desconhecida 
aqui, no gado da Fazenda do Coronel Júlio Antunes. 

Das sete rezes, cinco morreram dentro de dous ou três dias 
e as duas outras dahi ha um mez, depois de apparentemente saívas y 
e mais ou menos bem dispostas, alimentando-se normalmente. 

Um touro, forte e gordo á tarde, amanheceu morto no dia 
seguinte, sem lesão ou symptoma exterior e apparencia de doença; 
duas vaccas morreram logo depois, notando -se nellas um tumor na 
parte interna da coxa, do lado esquerdo, e junto do ubere, interes- 
sando a este (symptoma commum a todos os outros casos que se 



144 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COXKMBCIO 



deram); duas outras morreram nas mesmas condições dahi ha am 
ou dous dias. 

Consulta — Desejo saber si se trata ou não de carbúnculo. 

' Resposta — Parece effectivamente tratar-se de carbúnculo bacte- 
ridiano. \ 

O carbúnculo, geralmente mortal, pode-se curar espontaneamente 
quando fica localisado em um tumor que o organismo mesmo, pelos 
seus próprios recursos, isola. 

Uma vez isolado o tumor carbunculoso, o "bacillus anthracis" 
pode desapparecer. 

Quanto ao meio simples de diagnosticar o carbúnculo, só existe o 
exame bacteriológico e as inoculações em animaes de experiências. 

Dr. Ch. Conbeub. 



ECOS E NOTICIAS 



CURSO DE PRATICOS-VETERINARIOS. — Inaugurou-se no dia 
2 de Maio passado o curso de praticos-veterinarios, creado na reor- 
ganisação do Serviço de Veterinária, actualmente Serviço de Industria 
Pastoril. 

Ao meio-dia, presente o Sr. Ministro da Agricultura, que occupou 
a presidência da sessão, ladeado pelos Srs. Drs. Alcides Miranda, di- 
rector l do Serviço e o Dr. Parreiras Horta, chefe da Secção de Vete- 
rinária, e presentes ainda, além dos aluirmos, os Secretario e officiaes 
de gabinete de S. Ex. ; os directores geraes da Secretaria de Estado ; 
diversos directores de serviços ; os funccionarios do Serviço de Indus- 
tria Pastoril e representantes da imprensa, o Sr. Dr. Parreiras Hota 
leu o seguinte discurso : 

«Sr. Ministio. Meus Senhores. Bem longe estava do espirito do 
celebre picador Claude Bourgelat, ao fundar em 1762, em Lvon, a 
primeira Escola Veterinária do mundo, que sua iniciativa, feita nas 
mais precárias conídições de installação e de pessoal docente, tives- 
se o desenvolvimento mais tarde alcançado e que ainda cm vida 
do creador das Escolas Veterinárias fosse necessário serem formu- 
lados os conhecidos : Reglements pour les Escoles royales veterinaire? 
de France». Antes de Bourgelat, o charlatanismo mais grosseiro e 
irritante servia para explorar a credulidade e ignorância dos agricul- 
tores ; de sua iniciativa fecunda surgiram as Escolas Veterinárias que 
hoje existem em quasi todos os paizes, possuindo só a França três 
Escolas officiaes, a Bélgica uma, a Allemanha duas, a Argentina duas, 
localizadas em Buenos Aires e em La Plata e o Uruguay uma. Ao 
lado desses cursos superiores de medicina veterinária, destinados á 
formação! de profrssionses, appareceram e proliferaram por toda a 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 145 



parte os cursos abreviados e os cursos práticos de veterinária, cada 
dia mais considerados de grande utilidade para os que se dedicam 
á vida dos campos. 

Ainda recentemente, em 1912, o Senador Pams, f aliando em Lyon, 
assim se exprimia : 

«Em todas as nações, o departamento da Agricultura é particular- 
mente interessado em favorecer a evolução do ensino veterinário, pela 
repercursão que* os sacrifícios consentidos sempre tiveram sobre a 
prosperidade geral ; melhorar em numero e qualidade a producção dos 
animaes domésticos, conserval-os para o seu destino económico, subtra- 
hil-os ás moléstias contagiosas, eis o papel do veterinário no meio das 
populações ruraes». E tinha absoluta razão o Senador Pams quando 
assim se exprimia em relação ao papel dos veterinários no meio :ural, 
pois elles mereceram do em ih r. te zootechnista Professor André San sou 
ser designados pelo titulo de «missionários do progresso agricola». 

Em todos os paizes, a veterinária é considerada como do mais 
elevado valor no propulsionamento da vida económica, devendo se 
notar que a organização dos serviços de veterinária é sempre seguida 
de resultados immediatos, cjue por outros meios não seriam obtidos. 
E' bastante citar em abono desta these aquella referencia feita pelo 
Dr. Assis Brasil á creação do serviço de inspecção veterinária do 
gado importado e exportado na America do Norte, que fez com que 
o seguro de viagem dos animaes cahisse immediatamente de oito dollars 
a um dollar por cabeça, poupando aos exportadores cerca de três 
vezes a despe/a que fez a nação com essa secção do Departamento 
da Agricultura. 

Tão bem comprehenderam os americanos o valor dos estudos 
veterinários como factor económico que, só durante o anno passado, o 
Instituto Rockfeller recebeu 50 mil dollars para auxiliar o estudo do 
hog-cfrolera ou batedeira dos porcos, auxilio seguido logo de outro 
de um milhão de dollars, dados por Johon Rockfeller com o mesmo 
fim. Não causará a ninguém extranheza estas declarações quando se 
verificar que só no anno passado o hog-chqlera causou prejuizos aos 
Estados Unidos avaliados em 60 milhões de dollares, valor dos porcos 
mortos por esta moléstia. Esta mesma orientação determinou a appro- 
vação pela Commissão dos Negócios Militares do Congresso Americano 
da lei n. 4.331, que consolidava o serviço veterinário do Exercito 
Americano, declarando-se no parecer que essa approvação era dada 
pelo muito dinheiro que era poupado pelo desenvolvimento da effi- 
ciencia do serviço. 

Não creio, Sr. Ministro, que tivesse sido outra a orientação de 
V. Ex. ao crear este curso pratico de veterinária, que ora se inaugura. 
Todos aquelles que se dedicam á pecuária encontrarão nelle um 
meio pratico de adquirir conhecimentos indispensáveis para a vida 
do criador. Mão serão feitas aqui longas prelecções theoricas, nem 
será exigido dos que frequentam este curso outra cousa senão uma assi- 
duidade completa e uma dedicação absoluta aos trabalhos práticos que 






146 M1NISTEBI6 DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E OÒMMBBCIO 



vamos encetar. A anatomia, a physiologia, a parasitologia, a pathologia, 
a therapeutica e a hygiene dos animaes domésticos serão aqui pro- 
fessados de modo que os que por aqui passarem possam no interior 
do paiz ser úteis a si e a todos os criadores da região em que es- 
tiverem 

O paiz tem absoluta necessidade de quem conheça as moléstias 
dos animaes domesticoiS/ e os meios de debellal-as ; na immensa crise que 
nos assoberba, o desenvolvimento da industria pastoril apparece aos 
espíritos interessados no progresso do paiz, como um clarão de espe- 
rança, a nos fazer antever dias mais venturosos e promissores. 

Permitti, Sr. Ministro que, ao terminar estas despretenciosas pa- 
lavras, eu apresente, em meu nome e no de meus companheiros de 
trabalho, os mais sinceros agradecimentos pela confiança que V. Ex. 
nos dispí usou, confiando-nos a execução deste curso e que ao mesmo tem- 
po exprimamos o desejo de ver V. Ex.,em sua brilhante carreira de 
estadista, ter enseje de disseminar o ensino veterinário pelo paiz 
de modo a podermos ver o nome de V. Ex. coberto de bênçãos pelos 
que auferirem resultados positivos da benéfica acção de V. Ex. 

Usou, em seguiida, da palavra o Sr. Ministro que em largos tra- 
ços historiou a creação do curso, a sua necessidade e as vantagens 
que advirão dos seus serviços para a industria pastoril. Confia no 
êxito seguro desta iniciativa, allude á proficiência e abnegação da 
direcção e dos profissionaes e conclue declarando aberto o curso de 
Pratico-Veterinario. 

— Estão matriculados neste curso trinta e quatro alumnos, que 
são os seguintes: 

Waldemar Brandão Andrade, Renato de Lacerda Paiva, Heitor 
Lammounier, Paulo de Andrade, Saul Gomes, Arthur Cavalcanti, A\a- 
noel Nunes Pereira, Adherbal da Rocha Espindola, Sabino Maciel Mon- 
teiro de Mattos, Olympio dos Santos Pimentel, Sylvio Fortes Soares 
Pereira, Cyro Alves de Carvalho, Paulo Barreto Maranhão, António 
Bonna, Luiz Gonçalves Vieira, Eduardo Cláudio, Carlos Barreto de 
Albuquerque Maranhão, José Lanchard Rodrigues, Lauro de Mattos 
Mendes, Auto Gelio de Cerqueira, Arervulo Werneck Franco Genofre^ 
Celso Portas Ferraz, Oswaldo da Rocha Miranda, Jorge Félix Latour, 
Arakem de Azevedo Coutinho, Miguel Virissimo da Costa, Moacvr 
de Souza, Virissimo da Costa, Elias Cardozo Júnior, Paulo Américo 
de Argollo Silvado, Luiz de Lemos Caldas, Raphael Vacirea. 

VISITA PRESIDENCIAL. — O Presidente do Estado de Minas, 
acompanhado dos auxiliares do Governo, fez, em Maio findo, demorada 
visita ao Posto de Observação da Enfermaria Veterinária, de Bello 
Horizonte. 

S. Ex. percorreu todas as dependências do edifício principal, onde 
estão installados os gabinetes, laboratórios, enfermarias, almoxarifado 
e sala de operações. 

No laboratório teve occasião de ver nos microscópios as preparações 
com germens de moléstias de gallinhas e cavallos, em estudos. 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 147 



Na sala das operações foi vaccinado um suino com o soro contra 
«batedeira», descoberta do Dr. Henrique Lisboa, director do posto. 

O Presidente indagou detalhadamente de todos os serviços do 
posto e manifestou ao respectivo pessoal a sua boa impressão pela or- 
dem e regularidade em tudo observadas. 

EXPORTAÇÃO DE CARNE. — O Sr. Ministro da Agricultura, 
conferenciou comi o Director do Serviço de Industria Pastoril acerca 
do desejo que nutria o Sr. Coronel Horácio de Lemos de realizar, exce- 
pcionalmente, a experiência da matança de gado no Matadouro de 
«Jeronymo Mesquita» destinado á exportação para o extrangeiro. 

Diversas providencias indispensáveis foram tomadas para aquelle 
fim. 

Os Srs. Parreiras Horta e Herbster Pereira, funccionarios supe- 
riores da Industria Pastoril, estiveram em «Jeronymo de Mesquita» 
e verificaram que, feitas as mo-cfifcaições ligeiras, poiler-se-hia rea- 
lizar a alludida experiência. 

O Sr. Ministro incumbiu, então, o Dr. Parreiras Horta, de con- 
ferenciar com o Sr. Dr. Arroja/do Lisboa, Director da Estrada de 
Ferro Central, no sentido de facilitar o transporte dis carnes fri- 
gorificas procedentes do matadouro de «Jeronymo de Mesquita» com 
destino ao Cáes do Porto. 

O Sr Director da Central, attendendo ás solicitações do Sr. Mi- 
nistro, facilitou todos os meios para que o serviço da matança e 
transporte das rezes fosse feito como era mister. 

Foi designado o Dr. Camillo Boulte, veterinário, para fazer o 
exame dos animaesi e dar o respectivo certificado, afim de serem reco- 
lhidos ás camarás frigorificas do Cáes do Porto. 

Antes da partida para a Europa dessas carnes, serão ellas de 
novo examinadas por technicos do Serviço de Industria Pastoril, afim 
de ser verificado seu estado de conservação. 

CARBÚNCULO. — Attendendo á solicitação do Governador do 
Estado de Santa Catharina, o Sr. Ministro da Agricultura mandou 
que, pelo Serviço da Industria Pastoril, fossem remettidos á Inspectoria 
Veterinária naquelle Estado cinco mil doses de vaccina contra o car- 
búnculo symptomatico. 

Destina-se essa vaccina aos municípios de Urusanga e Araranguâ, 
onde a episootia do carbúnculo está grassando com grande intensidade. 

MATADOURO DE OSASCO. — Em conferencia com o Sr. Dr. 
Pandiá Calogeras, o Sr. Leopoldo Plaut, administrador da Continental 
Products Company, proprietária do Matadouro de Osasco, no Estado 
de São Paulo, eommunicou a S. Ex. estar aquella companhia 
com 150.000" kiios tíe carnes preparadas em latas de 2, ! 5 e 
10 kilos, para exportação, solicitando o auxilio de S. Ex. no sentido 
da companhia obter o frete de todos os frigoríficos de que dispõe 
o Lloyd Brasileiro. 






148 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMHBCIO 



O Sr. Dr. Pandiá Calogeras prometteu providenciar no sentido 
da {solicitação. 

POSTOS ZOOTECHNICOS. — Por decretos de 16 do corrente 
ficou resolvido que os Directores dos Postos Zootechnicos Federaes 
em Pinheiro, Ribeirão Preto e Lages, Manoel Paulino Cavalcanti, 
Theodureto Leite de Almeida Camargo e Charles Vincent, continuem 
a exercer os mesmos cargos, de accôrdo com o regulamento approvado 
pelo decreto n. 11.461, de 22 de Janeiro de 1915. 

CARNES CONGELADAS. — Tendo o Sr. Ministro da Agricultura 
transmittido ás Directorias dos matadouros-frigorificos de Barretos e 
Osasco, em São Paulo, o telegramma por S. Ex. recebido do Cônsul 
do Brasil em Génova, relativo á grande procura existente na Itália 
de carnes congeladas, as referidas Directorias responderam nos seguintes 
termos : 

Do Matadouro-frigorifico de Barretos : 

«Enviamos Cônsul Génova seguinte telegramma : «Podemos embarcar 
em Santos, em Julho e Agosto quatrocentas toneladas cada mez, de 
carne refrigerada, podendo congelar a bordo, desde que o vapor dis- 
ponha de apparelhos apropriados nas suas camarás frigorificas. Quanto 
ao preço, o nosso representante Zuccoli melhor explicará. — António 
Prado. Saudações cordeaes. — Prado.» 

Do de Osasco, da «Continental Products Company»: 

«Recebemos telepramma respeito carne congelada. Agradecidos pelo 
interesse. Demos instrucções nosso departamento exterior nos Estados 
Unidos, preços directamente Cônsul brasileiro em Génova, onde temos 
representante que pode facilitar negocio. — Continental. 

A PECUÁRIA NO RIO GRANDE DO SUL. — O Sr. Almirante 
José Carlos de Carvalho escreveu ao Jornal do Commercio a seguinte 
carta, cujo assumpto, por nos parecer de grande valor, pedimos per- 
missão para fazel-o conhecido dos nossos leitores : 

«Agradeço ao Sr. Presidente do Rio Grande do Sul a gentileza 
e promptidão da sua resposta ao questionário que tive a honra e 
tomei a liberdade de dirigir, ha dias, a S. Ex. relativo á Industria 
da Pecuária naquelle Estado, afim de transmittil-o aos meus ami- 
gos dos Estados Unidos, que desejam vir cuidar deste negocio no 
nosso paiz. 

São tão interessantes, quanto valiosas essas informações, que jul- 
guei acertado trazel-as também ao conhecimento dos leitores do Jor- 
nal do Commercio, antes de envial-as para a America do Norte. 

São estas as informações: 

A) Qual o valor médio dos campos de criar, no Estado? 

O quadro incluso do lançamento do imposto territorial responde 
cabalmente á pergunta, pois que as lotações são calcadas na média 
do valor das transmissões no ultimo biennio. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 149 



O interessado verá ahi não só a média do preço dos campos 
de criar, mas especificadamente o valor das diversas qualidades de 
campos — seperiores, médios, e inferiores — município por municí- 
pio, em todo o Estado, tomando-se sempre por base o Vaíor do \ectare. 
Multiplicando-se os valores do hectare constantes do quadro annexo- 
por 87, 12 e por 4.356 hect., ter-se-ha o vaíor exacto de uma quadra 
e de uma légua de campo, de qualquer espécie, em qualquer município- 
do Estado. i 

B) Qual a extensão disponível de terras do Estado e particulares? 
A área devolutas das terras do Estado é estimada em 30.000 ki- 

lometros quadrados, situada em sua maioria na parte Norte. São quasi 
tudo florestas. 

No município do Rosário, ha a faeznda do Saycan, próprio do 
Governo Federal, com 1 1 léguas de extensão, e de que ha um pro- 
jecto de venda. 

Terras particulares á venda encontram-se em toda parte. 

C) Qual a quantidade de bovinos, caprinos e suinos? 

Gado bovino 8 . 000 . 000 

Gado muar 130.000 

Gado ovino 3 . 200 . 000 

Gado suíno 1 . 1 00 . 000 

Gado capiino 50.000 

Gado cavallar 800.000 

D) Qual a qualidade e qual a raça desses animaes? 

No gado vaccum, ainda predomina o creoulo, havendo, porém, 
já grande quantidade de mestiço, Polled Angus, Durham, Devon e 
Hereford. 

E) Qual o seu preço médio, no interior e na capital e proximi- 
dades? 

Xovilhoa de 90$ a 130^000 

Vaccas de 70$ a , loo$ooo 

Gado de cria de 4o a 50^000 

F) Qual o seu peso médio? 

Creoulo, de 200 a 500 kilos. Média, 350 kilos. 
Mestiço, média 500 kilos. 

G) Qual o frete, por kilometro, por cabeça, na viação férrea? 
18 réis por cabeça por kilometro. 

H) Quaes os impostos sobre transacções de gado? 

Não ha imposto sobre transacções. Ha sobre transito, de um 
município pars outro, variando de 500 réis a 1$ por cabeça. 

A conselho do Governo Estadoal, porém, as Municipalidades es- 
tão abolindo, por inconstitucional, esse tributo. 

L) Quaes os favores que se poderão obter do Governo e dos 
municípios? 



150 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COHMBRCIU 



A contar de 1 de Janeiro de 1913, os "estabelecimentos frigorí- 
ficos" que se fundaram no Estado para conservação de carnes, fru- 
tas, lacticínios, cereaes e outras substancias alimentícias, gozam, por 
espaço de 30 annos, de "isenção" dos seguintes impostos : industrias 
e profissões, gado abatdio e exportação. 

Gozam igualmente de isenção do imposto de exportação os pro- 
ductos e- sub-productos elaborados nos frigoríficos, como complemento 
desta industria. 

Thesouro do Estado, em Porto Alegre, 23 de Junho de 1915.— 
Mansueto Bernardi, 2.° official. — De accordo. Marinho Chaves, Di- 
rector Geral.» 

DISTRIBUIÇÃO DE VACCINAS — Durante o primeiro semestre 
do corrente anno, foram distribuídas pela Directoria do Serviço de Indus- 
tria Pastoril e pelas suas dependências nos Estados 292.595 dozes de vac- 
cinas contra a peste da manqueira e contra o carbúnculo hematico. 

Ksta distribuição foi feita do seguinte modo : 



ESTADOS 



Pará 

Maranhão 

Piauhy 

Ceará 

Rio Grande do Norte 

Parahyba 

Pernambuco , 

Bahia 

S. Paulo 

Minas 

Goyaz 

Rio de Janeiro 

Espirito Santo 

Paraná 

Santa Catharina 

Rio Grande do Sul . . 
Districto Federal.... 
Diversos 



MANQUEIRA 
PESTE 


CARBÚNCULO 
HEMATICO 

6.400 


3 . 9Õ0 


200 


2.300 


12. COO 


10.000 


550 


1.950 


4.000 


3.950 


12.160 


5.000 


1.200 


15.350 


3.050 


13.530 




137.210 




200 




32.195 




1.650 




11.700 




7.000 




1.300 




4.600 




1.150 









253.035 39.560 

VENDA DE ANIMAES REPRODUCTORES — Durante o primei- 
ro semestre do corrente anno foram vendidos, pelo Posto Zootechnico de 
Pinheiro, pela quantia de i9:586$500, os seguintes animaes : 

6 touros Schwitz 
1 touro Hollandez 
1 touro Flamengo 
1 touro Simmenthal 
1 touro Red-Polled 



BEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 151 



3 touros Herefords 
2 touros Caracu's 

6 touros Mestiços Hollandezes 
9 Leitões Berskshires 
8 Leitôas Berskshires 
6 leitões Larg blacks 
10 leitôas Larg blacks 

1 leitão Tamworth 

— No mesmo período, foram vendidos pelas Fazendas Modelo 
de Ponta Grossa, Estado do Paraná e Santa À\onica, no Estado do Rio 
de Janeiro, respectivamente por 2:010$0000 e 8:320$, os reproductores 
seguintes : 

Ponta Grossa : 

5 touros Caracu's e 

2 touros Polled-Angus ; 
Santa Mónica : 

6 touros Caracu's 

8 touros Polled-Angus 

1 vacca Polled-Angus 

2 touros Normandos 

4 touros Herefords 

18 touros Mestiços (meio sangue de Hereford) 

ESTATÍSTICA PECUÁRIA MUNDIAL. — Segundo o Annuario 
do Império Aliem ão, a existência de bovideos no mundo, em 1912, 
era a seguinte : 

índias Inglezas 121 .611 .593 cabeças 

Estados Unidos 57.959.000 

Rússia 37.343.075 

Brasil 30.705.000 

Argentina 29.116.625 

Allemanha 20.630.544 

França 14.532.020 

Áustria 9.150.901 

Uruguay 8.192.602 

Hungria 7.318.201 

Inglaterra 7 1 14.264 

Canadá 6.536.439 

Itália 6 198.861 

México 5.142.457 

Queenslandia 5.131.699 » 

Irlanda 4.711.720 

NovaGallesdo Sul 3.149.307 

Rumania 2.588.526 

Bulgária 2. 172.405 

Bélgica 1 .856.833 

Suissa 1 .443.371 

Argélia 1.127.577 

Outros paizes 19.457.454 » 



152 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



PECUÁRIA NA ARGENTINA — Segundo o recenseamento agro- 

pecuario ; levantado pelo Governo Argentino, existiam, em 1908, 

29.1 16.625 bovinos,,a ssim distribuídos segundo as raças: 



Durbam 

Hereford 

Polled Augus 
Hollandezas. , 
Red-Polled .. 

Jersey 

Flamengas. . . 
Suissas 



7.385.880 cabeças 

553.555 

125.829 

21.164 

1.702 

2.076 

2.844 

3.401 



Nos frigoríficos argentinos sacrificaram-se, em 1914, 1.703.601 
cabeças de gado vaccum, cujo peso médio dos novilhos foi de 350 
kilos. 

A exportação de vaccuns congelados e resfriados progrediu nos 
últimos cinco annos, como se verifica do seguinte quadro : 



ANNOS 



1910. 
1911, 
1912, 
1913, 
1914 



CONGELADOS 

QUARTOS 

1.434.078 
1.693.494 
2.086.780 
1.527.666 
1.962.683 



RESFRIADOS 

QUARTOS 

1.608.608 
2.131.791 
2.269.474 
3 006.608 
3.397.635 



— Em 1914, a Argentina exportou 344.247 toneladas de carne 
congela/da e fria para os seguintes paizes : 



Reino Unido 284 .111 toneladas 

Estados Unidos 57.095 » 

Allemanha 904 

Bélgica 731 » 

Hollanda 894 

França 78 » 

Outros paizes 134 » 

O valor de uma tonelada de carne exportada, é de 100 pesos 
ouro, ou 318$000, ao cambio de 16 d. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 153 

A RAÇA ZEBU' — Na Revista Agrícola do Rio Grande do Sul, 
encontramos sobre esta raça as seguintes linhas, que, data vénia, pas- 
samos para estas paginas : 

«Convém saber que no Uruguay, tendo sido importados pela 
fronteira brasileira quinze reproductores da raça Zebu', a Inspecção 
de Policia Sanitária Animal chamou a attenção do respectivo Ministé- 
rio, para a conveniência de uma lei prohibitiva da importação da allu- 
dida raça nesse paiz, em vista de não preencher indispensáveis \ prin- 
cípios zootechnicos. 

A propósito, lembrou as seguintes notas emittidas pelo Con- 
gresso Nacional de Ganadeira, reunido na cidade de Minas (Uruguay), 
no mez de Agosto transacto : 

«O Congresso Nacional de Minas declara que se deve 
prohibir a importação de bovinos da raça Zebu', evitando-se 
por essa forma, a possibilidade de se introduzir tripanoso- 
miases não existentes no paiz e por crer que a >dita raça 
Zebu' é prejudicial, dado o melhoramento em que se en- 
contra hoje o gado nacional.» 

Pelo Congresso Rural, reunido em Montevideo, sob os auspícios 
da Associação do Uruguay, concebido nos seguintes termos : 

«O XI Congresso Rural entende conveniente que os po- 
deres públicos ditem uma lei prohibitiva da importação do 
gado Zet>u', qualquer que seja a sua procedência, porque 
a sua importação pôde vehicular a surra e também, por con- 
siderar prejudicial ao nosso gado, sob o ponto de vista zoo- 
technico.» 

Na Argentina, não é menor a repulsa pela referida raça. 

Lê-se em jornal portenho, que, tendo sido offertado a certo cria- 
dor um exemplar Zebu', dos melhores entre os congéneres, teve em 
poucas horas vários donos ; e sempre recusado, foi mandado para o 
Jardim Zoológico, que o está exhibindo entre seus bichos raros.» 



154 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



BIBLIOGRAPHIA 






Durante o semestre findo em 30 do corrente, recebemos os se- 
guintes jornaes, revistas e folhetos : 

ARGENTINA — Ana/es de la Sociedad Rural Argentina, Buenos 
Ayres. 

Boletin dei Ministério de Agricultura, Buenos Ayres. 

Boletin Mensual dei Museu Social Argentino, Buenos Ayres. 

Revista de la Faculdad de Agronomia y Veterinária, La Plata. 

Revista de la Liga Agraria, Buenos Ayres. 

ESTADOS UNIDOS — Boletim da União Pan- Americana, Was- 
hington. 

tiacienda (La), Buffalo, New-York. 

FRANÇA — Annales de V Institui Pasteur, Paris. 

'Bulletin de la Societé de Pathologie Exotique, Paris. 

Vie Agricole et Rurale (La), Paris. 

Guide Pratique de V Acheteur de Chevaux, par A. Gallier, vete- 
rinário sanitário, um volume, com 400 paginas e com 200 gravuras, J. 
B. Baillière & Fils, editores, 19 Rua Hautfeuille, Paris. 

A compra de um cavallo por um amador, quer se trate de cavallo 
de sella, quer de tiro, é, as mais das vezes, acto por elle conside- 
rado de summa importância e que não lhe deixa de causar bastantes 
tormentos e inquietações. 

"O açougueiro que compra gado em pé, para fins commerciaes, 
pode, graças ao habito que deve ter adquirido, avaliar, mais ou 
menos, em kilogrammas, não só rendimento em carne aproveitável, 
e respectiva qualidade, como também conhecendo o preço corrente, 
precisar mathematicamente o valor correspondente. 

A propósito de cavallos, o caso é outro. A belleza v conside-.' 
rada em sua verdadeira accepção, e que é sempre possível apreciar, 
não se concilia de modo constante com a qualidade. 

Uns proprietários dão preferencia aos cavallos bonitos, cuja 
posse lhes lisonjeia o amor-proprio ; outros, ao bom cavallo, o cavallo 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 155 

útil, que lhes proporcionará os serviços para os quaes elles o ad- 
quirem. 

Em qualquer hypothese, é indispensável que o proprietário pos- 
sua certa dose de conhecimentos de hippologia, quer os adquira por 
experiência, quer praticamente, pela observação, ou, ainda, convencido 
da utilidade provável de algumas lições theoricas, desde que queira 
dar-se ao incommodo de ler ou de pedir explicações sobre os tra- 
balhos referentes ao exterior, isto é. essa sciencia applicada que 
permitte ao turfman determinar pelo exame, mais ou menos, rápido 
da conformação e dos recursos do animal, o seu valor commercial 
e os serviços que poderá produzir. 

E' claro que aquelles que têm o gosto innato pelo cavallo ou 
delle se servem diariamente, podem vir a possuir o golpe de vista 
indispensável para agir com precisão e segurança. 

Mesmo a estes não se deve negar a necessidade de instruir-se 
e procurar estabelecer as relações entre causa e effeito de modo a 
se formarem peritos competentes e autorisados. 

Dar aos proprietários e a todos aquelles, emfim, que se inte- 
ressam pela mais bella conquista que o homem tem feito, noções 
theoricas, elementares, sobre a anatomia, a mechanica, a zootechnia e 
a pathologia, será vir em seu auxilio, facilitando-Ihes os exames a 
que serão por vezes obrigados, diminuindo-lhes, outrosim, sobrema- 
neira, o periodo de estagio a que serão forçados para chegarem a 
possuir conhecimentos hippicos sufficientes. 

Foi o que soube fazer o Sr. Gallier, neste novo livro, com 
a sua reconhecida competência e facilidade de exposição. 

HONDURAS — Bole ti 11 de la Secretaria de Fomento, Obras 
Publicas y Agricultura, Tecucigalpa. 

INTERIOR — Almanack Agrícola Brasileiro, S. Paulo. 

Boletim da Associação Commercial, Bahia. 

Boletim do Departamento Estadual do Trabalho, S. Paulo. 

Boletim da Directoria de Industria t Commercio da Secretaria 
da Agricultura, S. Paulo. 

Chácaras e Quintaes, S. Paulo. 

Charrua (A), Pinheiro, Estado do Rio de Janeiro. 

Commercio de Cabotagem pelo Porto de Santos, S. Paulo, 

Criador Paulista (O), S. Paulo. 



156 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Estatística do Commercio do Porto de Santos, S. Pauk). 

Fazendeiro (O), S. Paulo. 

Memorias do Instituto «Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. 

ftelatorio da Associação Commercial, Bahia. 

Solo (O), Piracicaba, S. Paulo. 

Vida Agrícola, S. Paulo. 

'Nozes de Petrópolis,. Estado do Rio de Janeiro. 

PORTUGAL — Boletim da Associação Central da Agricultura 
Portugueza, Lisboa. 

Revista de Medicina Veterinária, Lisboa. 

REPUBLICA DOMINICANA — Revista de Agricultura. 

VENEZUELA - Vargas, Caracas. 










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CHOCAPEIRAS E CRÍAPEIRAS 



12—11 
13 



SEP 22 1916 

Axxo V Agosto 1915 N.° 4 

REVISTA 



DE 



Veterinária e Zooteclmia 

PUBLICAÇÃO OFFICIAL 

A 

DO 

Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



SUMMARIO 



f~ ^\ 

U PARTE OFFICIAL : Yj 

Kki-rkssão de frai DBfl i; falsificações da manteiga : Re 
La tório apresentado pela coramissão nomeada para estudar 

reprimiras mesmas fraudes 157 

rTILISAÇÂn, POR PARTE DOS CRIADORES, DOS REPRODUCTORKS 

Do Gotbbno-: [tiBtrucções regulando o respectivo ser- 

171 

COLLABORAÇÃO: 

Dr. Charles Conreur — Cava lios para o serviço de sella, para 

a remou sercito e paia corridas 182 

Dr. Aleixo dk Vasconcellos — Microscopia da manteiga e de 

uniras gorduras 192 

Dr. OCTÁVIO DUPONT — Moléstia de Borna ? 198 

Dr. A. da COSTA Lima — O chalcidideo Huntercllus Hookeri 
Howard, parasita do carrapato Rhipicephalus sanguineus 
Latreille, observado no Rio de Janeiro 201 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES : 

Tétano — Piroplasuiose 204 

PELAS INSPECTORIAS: 

Informações prestadas sobre o serviço pelos ,respectivos inspe- 
ctores 205 

ECOS E NOTICIAS 210 

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REVISTA 



DE 



Veterinária e Zootechnia 



DO 

Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



AGOSTO — 1915 



Tomo V — Kasciculo IV 





RIO DE JANEOIO 

1915 







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immunisação temporária, isto é, com um certo numero de banhos (para o Bra- 
sil calculamos de 4 a 6 no anno) obtem-se o ideal de ter o gado sempre limpo 
de carrapato, e PROVAVELMENTE TAMBÉM DO BERNE. 

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12—12 
13- 



Revista de Veterinária e Zootechnia 

Publicação Official do Serviço de Industria Pastoril 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E CCMMERCIO 

Distribuição gratuita aos criadores do paiz que a solicitarem 

ACCEITAM-SE J^JSJJSTTJlSrCÍTOS 

Toda a correspondência relativa á REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA, pedidos, 
reclamações, etc-, devem ser dirigidos a Fernando Werneck, Caixa Postal n. 1678 — Rio — Brazil 

ANNO V Agosto de 1915 X» 4 

l o 



EXPEIDIEITTI] 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar a 
interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possível, o numero de ordem de sua inscripção. 



Serviço cie Izidixstriei Pastoril 



PARTE OFFICIAL 

BASES PARA UM PROJECTO DE LEI RELATIVO A' REPRESSÃO DE 
FRAUDES E FALSIFICAÇÕES DE MANTEIGA 

(Relatório apresentado pela comissão nomea- 
da para o fim de estudar os meios de reprimir as 
mesmas fraudes). 

Era meu ultimo relatório provisório, comuniquei 
ao Sr. Dr. Director do Serviço de Industria Pastoril que 
os trabalhos cientificos desta comissão haviam sido 
iniciados em meiados da segunda quinzena do mez de 
Maio lindo. Como então informei, tínhamos por fim, rea- 
lizando esses trabalhos (de que nos incumbimos o Dr. 
Luiz Faria e eu), abililar o Governo a estabelecer o typa 
oficial das manteigas nacionaes, permitindo assim aos 
químicos incumbidos de realizar analises, em vista de- re- 
repressão de fraudes disporem de um critério, que peço 
permissão para denominar legal, na apreciação das amos- 
tras que porventura tenham de julgar. 

No que diz respeito a fraudes, chegamos, o Dr. Faria 
e eu. a resultados que reputo satisfatórios. 



158 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, JNDUSTRIA E COMMSBCIO 



Antes de externar opinião sobre esse ponto, seja-me 
relevado lembrar a conveniência de ser mais uma vez es- 
clarecido o conceito que julgo oportuno dar ao termo 
fraude. 

Partindo da definição de manteiga adotada pela co- 
missão* e apresentada a S. Ex. o Sr. Ministro em meu pri- 
meiro relatório provisório, proponho que se entenda por 
fraude 

a alteração (de propósito deliberado ou 
por desleixo no fabrico) da composição abitual 
de qualquer matéria alimentar pela adição ou 
pela subtração, parcial ou total de qualquer 
substancia nela normalmente existente, trazen- 
do como consequência a diminuição do valor 
fisiolojico ou comercial da mesma substancia. 
Também se considerarão fraudes as operações 
industriais, cujos fins sejam dar apparencias 
de superioridade ficticia a um produto infe- 
rior, a menos que não haja declaração clara 
e expressa da real qualidade do produto. 

Partindo desse conceito, proponho que nas bases para 
a lejislação fique estipulado dever considerar-se fraudada 
toda manteiga que encerre menos de 80 o/o de matéria 
gorda. 

Esse limite de 80 o/o está lonje de ser excessivo. 
Qualquer fabricante conciencioso, mesmo sem dispor de 
aparelhamento frigorifico, pode aceital-o sem minima di- 
ficuldade. 

Dr. Faria e eu analisamos, até á presente data (tra- 
balhos em vista de estudos para esta comissão) 56 amos- 
tras provenientes dos Estados de Minas e Rio de Janeiro. 
Todas se achavam exatamente nas condições em que saí- 
ram das fabricas, quero dizer: sem terem sofrido ope- 
rações de beneficiamento ou renovação ; nenhuma havia 
sido preparada em vista de ser analisada. Dentre elas, 
49 encerravam mais de 80 % de matéria gorda, senda 
que grande numero atinjiu e ultrapassou 84 °/o. As 7 
restantes que não alcançaram esses 80 o/ 0j deram algaris- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 159 

mos muito vizinhos deles. Convém notar que essas ultimas 
amostras eram mais ou menos fortemente salgadas. 

O Dr. A. Schaeffer, director do Laboratório de Ana- 
lises do Estado de Minas, (v. o relatório apresentado por 
esse mesmo senhor, sobre a fiscalização de algumas fa- 
bricas de lacticinios, ao Diretor de hijiene do mesmo Es- 
tado) em 31 amostras de manteigas mineiras que ana- 
lisou, encontrou 23 com percentajem de matéria gorda 
superior a 80 °/o ; das 8 restantes, 4 apresentaram mais 
de 77.58 o/ . Como se vê, os resultados que obtivemos 
coincidem com os do Dr. Schaeffer. 

Resumindo: de 87 amostras de manteigas mineiras 
e do Rio, apenas 12 °o não encerraram 80 <>/o de matéria 
gorda. 

As manteigas que se vendem no Districto Federal, 

sem terem previamente sofrido a operação que as mais 
das vezes só por eufemismo se poderá denominar bene- 
ficiamento, acham-se, no tocante a ípercentajem de matéria 
gorda, em idênticas condições que as mineiras. Outro 
tanto não se dá com os produtos ditos beneficiados, 
quasi sempre destinados á exportação para os Estados 
não produtores, particularmente para o norte do Paiz. 

De modo geral, salvo raras exceções «honrosas 
as fabricas de beneficiamento desla Capital e as da ci- 
dade vizinha de Niterói são destinadas a multiplicar, por 
meio de adição, por vezes desabusada, de agua e sai 
de cozinha, o peso de manteiga que exportam, e isso 
com graves prejuízos para os industriais honestos e pu- 
blico consumidor. E, ao meu modo pessoal de ver, nãoj 
fraudam somente pela redução da matéria gorda, senão 
também pela apresentação de produtos beneficiados ou 
renovados sob o titulo enganador de manteiga fresca. 
Insistirei mais adeante sobre esse ponto. 

Não vejo necessidade de fixarem-se limites para ou- 
tros principios imediatos normais da manteiga. E' bem 
exato que a maioria dos Paizes civilizados exije que 
se "não excedam 18 o/ de agua, mas isso é, a meu entender, 
redundância. 

Não ha duvida que manteigas muito bem lavadas 



160 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMEBCTO 



chegam a encerrar, embora muito raramente, apenas 
0,8 o/ de substancias outras que não agua e manteiga 
gorda. Nessa hipótese, supondo uma amostra que con- 
tenha exatamente 80 o/o de matéria gorda, veríamos o li- 
mite da agua excedido apenas de uma unidade, o que 
não representa inconveniente de monta. 

Talvez fosse mais lojico fixar um limite máximo para 
a caseina e mais substancias orgânicas não gordas. Isso 
porque a conservação das manteigas depende grande- 
mente do teor delas. Quanto menor ele for, tanto maior 
será a conservação provável do produto. 

Mas o interesse do fabricante está justamente cm 
bem lavar a manteiga que produz. Si muitos não o fazem, 
é porque não dispõem de instalações aperfeiçoadas, do- 
tadas de aparelhos frigoríficos. Exijir que o produtor 
nacional não exponha á venda manteigas com mais de 
1,5 o/ c de matérias não gordas, equivalerá a obrigar 
talvez a maioria a fechar as, portas visto como, para evi- 
tar o excesso dessas substancias, virá ele a prolongar 
as lavajens, correndo os riscos de cair no inconveniente 
de ver sua producção condenada por fraude, em virtude 
de não ter atinjido o limite mínimo de matéria gorda. 

Dos princípios, imediatos geralmente dosados nas ana- 
lises, restam os sais, salientaiido-se dentre eles o clorureto 
de sódio. Essa ultima substancia,, pôde dizer-se, não se 
encontra normalmente nas manteigas. Ela é. porém, geral- 
mente adicionada com o fim muito licito de aumentar a 
durabilidade do produto. E' fato hodiernamente bem de- 
monstrado que a presença de 2,5 a 3 ^ de sal em uma 
manteiga bastam para assegurar-lhe boa conservação; pro- 
porções mais elevadas são inúteis e até prejudiciais. 

Acontece, entretanto, que os mercados do norte, de 
paladar habituado, por assim dizer, ao rebutalho das man- 
teigas extranjeiras e a produtos nacionais ordinariamente 
de qualidade inferior, exijem fortes proporções 'de sal 
nesse iacticinio, sem raciocinar que um produto fino fi- 
cará forçosamente de sabor menos puro si fôr demasia- 
damente salgado e que só os produtos de qualidade baixa 



REVISTA DE VETEEINARIA E ZOOTECHNIA 161 



precisam que se lhes mascare o máu paladas por meio ( 
de uma substancia mais acre. 

Para poder fornecer manteigas com elevado teor em 
sal de cozinha (5 a 10 o/ ) 3 será necessário que o exporta- 
do]* obtenha produtos com pequena percentagem de agua 
afim de se não expor a 1'iear abaixo do limite de 80 o/o 
de matéria gorda. 

O interesse dele estará em procurar diminuir gradual- 
mente, de modo quasi insensível para o consumidor, a 
proporção de clorureto de sódio que adicionar. Isso pela 
simples razão de que a agua sempre Lhe ficará mais 
barato que o sal. Os mercados do Norte só lerão a lucrar, 
e também a industria que se esforça por bem servir o 
consumidor. 

Da rápida exposição que acabo de fazer, resulta que 
o tipo das manteigas nacionais (e lambem das extran- 
jeiras que se venderem em território nacional) poderá 
ser indiretamente definido em um artigo concebido como 
se segue : 

Ari. Será considerada fraudada toda 

manteiga que fôr exposta á venda ao publico. 
encerrando menos de <S0 o/ de matéria gorda. 
§ Ao vendedor serão aplicadas as pe- 
nalidades previstas nesta lei. 
Come já tive occazião de dizer neste relatório, incli- 
no-me a considerar fraudada toda manteiga renovada ou 
beneficiada exposta á venda sob o titulo de manteiga 
fresca. 

Por manteiga fresca entendo um lacticínio que não 
tenha sofrido nenhuma manipulação (naturalmente afora 
a da pesagem e embalajem) depois de ter sido retirado da 
m ai ax adora, em que haja sido conservado, até o momento 
da venda, de modo a não perder as qualidades de fres- 
cura o gráo próprio^ a aparência apetitosa, o aroma 
peculiar. 

Já não compreendo que se denomine fresca uma 
manteiga que tenha estado exposta durante horas a tem- 
peraturas elevadas como a do nosso ambiente, sobretudo 
no verão. Em bom rigor, para que uma manteiga fresca 



162 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 






assim se conserve, é indispensável que seja mantida em 
temperatura que não exceda 16» c. até o momento de ser 
consumida; mas isso já representa exijeneia pouco exe- 
quivel em nosso clima, sobretudo em se tratando de 
produtos que devem realizar longas viajens antes de che- 
gar aos mercados consumidores, como, p. ex., os Estados 
do Norte. 

Já pelo sabor, peio aspéto e pelo aroma, já pelo co- 
nhecimento que tem o publico de praticas pouco asseia- 
das levadas a efeito por alguns beneficiadores pouco es- 
crupulosos, a verdade é que todos preferem os produtos 
frescos, ao menos para a mesa; só os menos afortunados 
compram as manteigas beneficiadas ou renovadas, por 
serem de preço mais módico. 

As manteigas beneficiadas, e com maioria de razãobs 
renovadas, não podem deixar de considerar-se inferiores. 

Por beneficiamento entende-se a operação da fusão 
ae manteigas comuns, ou mesmo noas. mas aue oor 
muito ricas de agua e substancias orgânicas não gordas. 
se acham expostas a fácil deterioração. Si a operação for 
conduzida com cuidado, em temperatura tão baixa quanto 
possível, podendo mesmo, combinar-se esse processo com 
uma batedura com um pouco de leite, não ha duvida 
que se beneficia o produto. Têm também os beneficiadores 
de levar em consideração certos gostos de determinados 
mercados, uns exijindo mais côr no produto, outros mais 
sal, o que fazem pelo beneficiamento. Mas a manteiga 
perde parte do aroma, não adquire mais a contextura fina- 
mente granulosa e torna-se, até certo ponto, acre para pa- 
ladares delicados. 

A renovação tem por escopo tornar vendáveis, acei- 
táveis, produtos de máu aspéto, alterados comumente por 
adeantada rancificação, quasi incapazes de servir como 
alimento tal a /repugnância que inspiram. Apezar disso, sou 
de parecer de que essa operação ainda se pôde considerar 
licita, por isso que renova o valor de uma matéria antes 
imprópria á alimentação humana. Mas. também penso 
que o consumidor deverá ser prevenido com clareza de 
que compra um produto renovado. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E Z00TECHN1A 163 

Não posso, todavia, propor que se lejisle mais ou 
menos do seguinte modo : todo enlatador é obrigado a 
declarar nos rótulos que afixar ás suas mercadorias si o 
produto é beneficiado ou renovado. Xa realidade, não 
conheço método analítico capaz de permitir distinguir 
entre o produto beneficiado por fusão e outro a que se 
aplique com rigor o termo renovado. 

Data vénia, tomo aqui a liberdade de lembrar ser 
preferivel não lejislar quando não se tem meios de fazer 
cumprir a lei. 

Não ha duvida de que nina fiscalização direta e ex- 
tremamente severa de todas as emprezas de beneficia- 
mento e renovação seria suficiente para efetivar o cum- 
primento de uma lei concebida nos termos acima exa- 
rados Mas isso exijiria tal aparelhamento de fiscais que 
os impostos que o Governo neste momento recolhe da 
industria de Lacticínios mal poderia manter. A isso acresce 
que a industria extranjeira ficaria com a superioridade de 
enviar-nos os produtos renovados que quizesse rotulando- 
os de beneficiados. 

Eis porque proponho que na lejislação só se faca 
distinção entre manteigas frescas e beneficiadas ou re- 
novadas. A disposição legal poderia ser concebida mais 
ou menos como se segue : 

Ari. — Também será considerado fraude 
o expor á venda sob o titulo de manteiga fresca 
produtos que tenham sido renovados ou be- 
neficiados. 

Essas são as considerações que julgo oportunas sobre 
o capitido das fraudes. Passo a estudar as falsificações. 

Proponho que s:> considere falsificada: 

qualquer manteiga que haja sido adicionada 
de qualquer substancia extranha á sua compo- 
sição normal, só se excetuando o sat de co- 
zinha e os corantes vejetais que tenham sido 
reconhecidos como inecuos á saúde humana. 

A adição de óleos vejetais ou de gorduras animais á 
manteiga, naturalmente eontitui falsificação tipica. E, 



164 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COHMBBOIO 



de acordo com a proposta, também constitui falsificação 
o emprego de antiseticos e conservadores de qualquer 
natureza (exoetuando-se o clorureto de sódio), visto como 
por meio deles se falsifica a manteiga do ponto de vista 
da durabilidade natura/, além de poder tornar-se o produto 
nocivo. 

Antes de se iniciarem os trabalhos científicos da 
comissão, supuz, é, como eu. supuzeram meus dignos co- 
legas, ser possível simplificar o serviço de repressão de 
falsificações peia determinação das máximas e mínimas 
dos halores sucetiveis de serem encontrados em analises 
de amotras de pureza indiscutível, bem ou mal fabricadas 
(entre nós é enorme a proporção de manteigas mal pre- 
paradas), provenientes de zonas produtoras nacionais. 

Baseiamos essa opinião no raciocínio de que em Mina-. 
principal Estado produtor, e, até certo ponto, em Santa Ca- 
tarina, se poderia considerar sensivelmente uniforme a 
alimentação do gado. As analises não deveriam, conse- 
quentemente, apresentar grandes variações, porquanto pou- 
co influi a raça sobre as constantes químicas e fizicas da 
matéria gorda do leite. Quanto ao clima, duas são as al- 
ternativas: a época das chinas e a seca. Em duas épocas 
do ano poderiam aparecer manteigas anormais: na passa- 
jem de uma estação para outra. 

Todo esse raciocínio parecia encontrar apoio solido 
em 31 analises do Dr. Schaeffer (v. relatório citado em 
amostras colhidas entre 25 de Fevereiro e 3 de Março 
de 1913. Nessas analises, as variações dos indícios de 
Polenske são, por assim dizer, insensíveis e perfeitamente 
comparáveis aos que se encontram nas boas manteigas eu- 
ropéas consideradas normais; do mesmo modo se 
comportam os outros indícios ; só o de Kottstorfer se apre- 
senta com valor médio baixo de algumas unidades. 

Nas analises que o Dr. Faria e eu fizemos, em 38 
amostras de manteigas mineiras que sei puras, encontra- 
mos variações muito mais sensíveis. Só cito um exemplo, 
pedindo permissão para comental-o : A amostra de n. 38 
apresentou-se com o indicio de Crismer escandalosamente 
baixo: 43.22. Só por ele, ninguém duvidaria achar-se em 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 165 



presença de deslavada falsificação por um oieo ou banha 
vejetal. As analises anteriores, de amostras que sabíamos 
puras e de outras acerca das quais não tínhamos infor- 
mações de pureza suficientemente seguras, haviam dado, 
em geral, indícios de Crismei*, relativamente baixos, mas 
geralmente superiores a 5GY 

No entanto o indicio de Reichert-Meissl, eguai a 27.50 
não se acha de acordo com uma falsificação feita em Larga 
escala. Ksse valor é, ai ias comum em manteigas mineiras. 
Como, todavia em nossas analises não foram raros os 
indicio*. H. M. vizinhos de 30, não seria impossível que 
pudesse haver uma falsificação em escala reduzida, o 
que parecia confirmai* o indicio de Kõttstorfer um pouco 
elevado, 228,8. O falsificador teria operado com uma 
habilidade que estaria lonje de ser vulgar, mesmo em 
meios adeantados; teria empregado uma manteiga esco- 
lhida, embora não houvesse levado em consideração con- 
veniente o indicio de Crismer e lambem <> indice de re- 
traçai; que se apresentava particularmente baixo (o indice 
de refração dessa amostra foi encontrado egual a i,4526, 
a 10" c, um dos mais baixos em uma serie de (>7 amostras 
analisadas por nós nessa ocasião . O indicio de llúbl foi 
normal e proporcional ao de H. M. (33,138 . 

O ensaio microscópico de Cesarô, totalmente negativo, 
punha fora de suspeita a presença de óleo de coco, mas 
deixaria na duvida sobre qualquer outra matéria gorda 
vejetal si não soubéssemos que a amostra era pura. Nessa 
hipótese teriamos feito a prova fitosterina. Si o resul- 
tado dela fosse positivo^ nenhuma duvida restaria: a pre- 
sença de matéria gorda vejetal achava-se demonstrada. 
Mas si ele fosse negativo não se teria mais meios dei 
fazer juizo seguro sobre pureza ou falsificação da amos- 
tra. 

E não se imajine que o fato de poder ser esse ensaioi 
negativo uma consequência das dificuldades (pie lhe são 
inerentes: qualquer químico, que disponha de experiência, 
poderá realizal-o com toda a segurança, mas a bôa ver- 
dade é que a industria atual sabe preparar «sem grandes 
dificuldades óleos vejetais praticamente isentos de f Hoste- 



166 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDU8TBIA B 0OMM1 



rinu. E eu estou informado de que no Brasil se importa- 
ram tais produtos, embora em eseaia reduzida. 

Os limites deste relatório naturalmente não compor- 
tam apreciações minuciosas sobre todas as analises que 
fizemos. Apenas direi, como consequência do que tenho 
meditado sobre os meios a se porem em pratica para evi- 
tar falsificações de manteigas entre nós, que certamente 
não será de bons resultados o indicar-se em um regula- 
mento, nem muito menos em uma lei do Congresso, nor- 
mas baseiadas em pouco mais de uma centena de analises 
de produtos, que foi o que pudemos fazer até o momento 
atual. 

E a ausência dessas normas não constitui desar 
de nenhuma espécie, visto paizes como a Holanda, 
que dispõem de um material superior a noventa mil 
analises oficiais realizadas nos laboratórios do seu Mi- 
nistério da Agricultura, também não têm normas oficiais 
de julgamento da pureza de uma manteiga á vista da 
respetiva analise. 

O que hoje se faz nesse paiz, e também na Dinamarca^ 
modelos em assuntos que dizem respeito a manteigas, é 
a fiscalização continua e constante das fabricas e dos 
mercados, fiscalização essa a cargo particularmente dos 
respetivos ministérios da agricultura, como aliás acon- 
tece em quasi todos os paizes civilizados. E' o que deve- 
mos também fazer. 

Pela fiscalização das fabricas, tanto quanto possivel 
semanal ou bisemanal, poderá o instituto incumbido desse 
serviço estar sempre ao par das variações que se pos- 
sam apresentar nos valores dos indicios de pureza das 
manteigas que forem sendo preparadas. Si em uma loca- 
lidade em que existam quatro fabricas (digamos assim 
por argumentar) uma delas enviar ou em alguma delas 
for colhida uma amostra cuja analise seja sensivelmente 
diversa da analise do produto anterior da mesma fabrica e 
também dos resultados obtidos nas amostras das três 
fabricas restantes, nada mais natural que se levantarem 
imediatamente sobre ela as mais justificadas suspeitas, 
ímmediatamente se farão pesquizas verificadoras que es- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 167 

clareçam de modo completo a situação. Si, estiverem fal- 
sificando realmente manteiga, fácil será a demonstração; 
ao caso contrario, ficar-se-á sabendo que as manteigas 
são anormais e não se tornará necessário atentar contra 
a honorabilidade de um industrial, muitas vezes mantida 
com sacrifício. 

Mas a vantajem dessa verificação não pára aí. Man- 
teigas anormais são produtos de animais que vivem de 
modo anormt l. Pode o fabricante estar trabalhando, sem 
que o saiba, com leite de um rebanho doente; e nesse 
caso, será de oportunidade uma visita do Serviço de Ve- 
terinária do Departamento de Industria Pastoril do Mi- 
ministerio ; poderão os animais estar sendo mal alimen- 
tados, hipótese em que alguns conselhos do serviço dei 
zootecnia do mesmo Departamento não serão inúteis. 

Aias a vantajem máxima dessa pratica rezide na pos- 
sibilidade, (jue se adquire, de exercer sobre os mercados 
consumidores a fiscalização mais severa, mais concien- 
ciosa, mais exata que se deseje. Para isso basta que o; 
analista fiscalizador dos mercados saiba a procedência 
exala da amostra e a época em que foi fabricada. Uma 
simples comparação da analise que ele fizer com os resul- 
tados obtidos pelo orgam de fiscalização das fabricas^ 
bastará para dirimir qualquer duvida sobre a pureza 
ou falsificação da amostra. 

Do exposto decorre que lodo fabricante, enlatador 
ou vendedor de manteiga deverá ser obrigado a declarar 
no envolucro do produto posto a venda, a focalidade e a 
data da fabricação. Ksse ultimo esclarecimento poderá 
ser escrito de modo a não sei* acessível ao grande publico. 
Em grande numero de casos haverá nisso vantajens ma- 
nifestas: uma manteiga bem preparada e colocada em 
em condições convenientes conservar-se-á por longo tem- 
po. Si o consumidor, no ato da compra, puder certi- 
ficar-se de que ela foi preparada mezes antes, è muito pos- 
sível que a rejeite sob o pretexto de que está velha. Isso 
só redundará em prejuizo para o vendedor, sem daí 
advir vantajem para quem quer que seja. 

Essa declaração obrigatória éa origem do produto 



168 MlKieTEBIO DA AGBICULTURA, INDUSTRIA K COMHEBCIO 



traz comsigo outros benefícios quais sejam a impossibili- 
dade de venderem-se certos laticínios inferiores como 
provenientes de determinadas localidades que se tenham 
recomendado pelo bom fabrico. Isso aumentará o esti- 
timulo entre, já não digo Estados, mas municípios produ- 
tores. 

Todavia, a entendei' meu, deixar a declaração de ori- 
jem e data até certo ponto, á descrição dos principais in- 
teressados, será perigoso. A possibilidade de uma declara- 
ção falsa será sempre um escolho a uma fiscal isacão se- 
gura. Por isso proponho que assuma o Governo a fun- 
ção de garantir os fabricai) tes honestos e o publico con- 
sumidor contra os fraudadores e falsificadores, instituindo 
um sinal conveniente, uma marca de garantia, que será 
distribuída a fabricantes e enlatadores em quantidade ri- 
gorosamente proporcional ás respétivas necessidades. 

A idéa da marca de garantia não é inovação: a Ho- 
landa; e a Dinamarca já a tornaram cousa efetiva de que 
estão tirando largos proventos. Nessa marca de garantia 
são indicadas a localidade da produção e sua data. 

Mas essa marca também deverá garantir a pureza 
do conteúdo do invólucro sobre o qual se achar afi- 
xada. Sua distribuição deverá ser escluzivamente feita 
pelos laboratórios oficiais, que fiscalizarem a produção e 
sua aplicação, devendo seus diretores ficar direíamente res- 
ponsáveis por qualjuer distribuição indevida. 

Quais os institutos que se deverão incumbir da distri- 
buição dessas marcas de garantia e da fiscalização de 
fabricas e mercados ? 

Em Minas, onde existe um laboratório com as insta- 
lações convenientes e que, segundo informações revestidas 
de caracter oficial, prestadas pelo respétivo diretor, será 
dotado pelo Governo Estadual do pessoal necessário ao 
serviço, deverão caber essas funções ao Laboratório de 
Analises ali existente. 

Por informações de pessoas fidedignas, sei que no 
Rio Grande do Sul também existe um laboratório em con- 
dições de exercer idênticas funções. 

Sobre as condições do laboratório da capital de São 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 169 



Paulo, não tenho informações seguras. No Estado do 

Rio e em Santa Catharina, que eu saiba, nào existem 
laboratórios em condições: cumprirá o Governo da União 
Inzer a fiscalização de suas fabricas e de seus mercados 
por intermédio do Ministério da Agricultura. E do mesmo 
modo em todos os demais Estados que venham a ter 
importância na industria da manteiga e que não dispo- 
nham de institutos (lotados dos meios de fiscalização. 

Todavia, sem que no que vou dizer exista menosprezo 
nem intuito de molestar a quem quer (pie seja, penso 
(pie a União deverá conferir o direito de distribuir suas 
marcas de garantia mos institutos estadoais ou municipais 
que demonstrem achar-se dotados dos meios materiais 
necessários ao serviço c terem á testa uma direção com- 
petente. 

Essa verificação deverá ser feita por químicos do 
Ministério da Agricultura de competência real e indis- 
cutível . 

Para que se torne possível a fiscalização nos pontos 
do território brasileiro que não disponham de institutos 
de química, será necessário fundar-se um laboratório ade- 
quado, sob a dependência do Ministério da Agricultura. 
Esse laboratório deverá ler sua sede no Rio de Janeiro 
e será lambem incumbido da distribuição de marcas de 
garantia e da superintendência de todo o serviço. Ele 
exercerá sua ação sobre os produtos importados por 
via marítima ou terrestre, podendo excetuarem-se as man- 
teigas extrangeiras, cujas analises serão feitas, de accôrdo 
com os processos que forem declarados oficiais na re- 
gulamentação da lei que o Congresso votar, no Labora- 
tório Nacional de Analises. 

Em qualquer hipótese, penso que, si não de modo 1 
continuo, pelo menos quando assim for julgado de con- 
veniência, deverá o Ministério poder fiscalizar em qual- 
quer ponto do território da Republica, mesmo que ai 
exista um laboratório oficial. 

A colheita de amostras nos Estados poderá ser reali- 
zada pelos diversos funcionários federais ou estadoais 
que para tal fim forem qualificados : inspetores agricolas, 



170 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCÍO 

diretores de estabelecimentos zootécnicos ou de laticí- 
nios, veterinários, professores ambulantes, delegados fis- 
cais, coletores das rendas publicas, ele. 

Ao Governo da União deverá caber o direito absoluto 
de retirar a qualificação acima ao funcionário estadual 
que a tiver recebido, mas que não cumpra de modo satis- 
fatório com suas atribuições. Aos funcionários federais 
a que couberem funções na fiscalização e que dê más 
contas de seu emprego, deverão aplicar-se penalidades, 
que deverão prever. 

Ao laboratório de fiscalização federal deverá caber 
mais ainda a função de órgão consultativo em assuntos 
de fabricação e renovação de manteigas. Os fabricantes 
deverão poder requerer analises parciais ou totais deste 
laticinio, pagando-as por preços extremamente módico, 
correspondente ás despezas de material que com ela se 
fizerem. 

As despezas que a União deverá fazer com esse ser- 
viço, que mais aproveitará aos Estados produtores, po- 
derão ser cobertas por meio da venda da marca de 
garantia, pelo preço das analises pagas e, pelo menos, 
por parte das multas que forem impostas aos contraven- 
tores da lei que o Congresso votar. Penso que a taxa 
de vinte réis por marca de garantia para cada quilo de 
manteiga será suficiente para indenísar todas as despezas 
feitas pela União com esse serviço. 

Para terminar, direi que nos casos de fiscalização se 
deverão pagar aos interessados os preços das quantidades 
de produtos tomadas para analise e isso sempre que se 
verificar ausência de fraude. 

De. Mário Saraiva. 



N. R. — Este relatório foi aceito por todos os membros 
da comissão, a qual foi acrescida com o Dr. Alfredo 
Schaeffer por parte do Governo de Minas. A definição da 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 171 



manteiga a que se refere o Dr. Mário Saraiva no seu 
relatório atual é a seguinte : 

" Manteiga é o produto resultante da batedura de 
leite ou de sua nata doce ou fermentada em condições con- 
venientes. Deverá ser tão isenta quanto possível de lei- 
telho e aguas de lavajem. Ela se constitui de matéria gorda 
do leite intimamente misturada a um liquido aquoso em 
pequenas proporções, bem como a princípios imediatos 
normais do leite ou da nata, podendo ser adicionada de 
quantidades variáveis de sal (clorureto de sódio) de pu- 
reza adequada. O emprego de pequenas doses de corantes 
vejetais inócuos será tolerado". 



UTILISAÇAO DE REPRODUCTORES 

INSTRUCÇÕES para ntilisação por parte dos criadores, dos animaes reproductores 
dos Postos Zootechnicos, Fazendas Modelo de Criação e Estações de Monta 
delles dependentes. 

Art. l.o — Os criadores do paiz poderão apresentar 
nos Postos Zootechnicos e Fazendas Modelo de Criação, 
ou em qualquer Estação de Monta pertencente á União, 
as fêmeas que quizerem fazer padrear pelos reproducto- 
res dos referidos estabelecimentos, observadas as dispo- 
sições das presentes instrucções. 

Art. 2.° — As fêmeas destinadas aos fins a que se 
refere o artigo precedente deverão estar em perfeito es- 
tado de saúde, podendo os directores dos Postos Zoote-* 
clínicos e Fazendas Modelo de Criação ou encarregados 
das Estações de Monta negar licença para padreação de 
qualquer fêmea que não preencher aquella condição ou 
que apresentar vicios ou defeitos graves, que possam ser 
transmittidos por herança. 

Art. 3.° — O serviço de monta nos Postos Zoote- 
chnicos, nas Fazendas Modelo de Criação e nas Esta- 
tações de Monta, poderá ser temporariamente suspenso, 
a juizo dos respectivos directores, por motivo de epi- 
zootias reinantes ou por qualquer outro de interesse geral. 

Art. 4.° — Aos criadores assiste direito da escolha da 
raças dos reproductores que quizerem dar á fêmea, de- 
pendendo, porém, dos directores ou dos encarregados das 



172 MINI8TJEBIÍJ DA AGRICULTURA, INDUSTRIA ■ OOXMBBOIO 



estações a designação do reproductor da raça preferida, 
dentre os que dispuzer no estabelecimento. 

Ari. 5.° — O serviço de monta será feito gratuita- 
mente. 

Ari. 6.° — Em caso de aifluencia^ será dada preferen- 
cia ás reproductoras que se apresentarem em melhores 
condições para o fim. 

Art. 7.» — No principio de cada mez, os encarregados 
das estações enviarão aos seus directores uma relação das 
padreações feitas durante o mez anterior. 

Art. 8.° — As fêmeas enviadas aos Postos Zootechnicos 
e Fazendas Modelo de Criação, para os fins destas instru- 
cções, não poderão permanecer, em qualquer destes es- 
tabelecimentos, mais de noventa dias. sendo que as des- 
pesas feitas durante esse per iodo correrão por conta dos 
respectivos proprietários. 

§ l.« — Estas despesas, que deverão ser pagas, adian- 
tadamente, são as de alimentação em campo, na propor- 
ção de 5$000 por mez ou fracção de mez, por cabeça ca- 
vallar, bovino ou suino. e 2$000 por cabeça de ovino ou 
caprino. 

§ 2.° — Sendo limitadas as accommodações nos Pos- 
tos, Fazendas Modelo e nas Estações de Monta, nenhum 
animal, será acceito nesses estabelecimentos sem autori- 
sação prévia dos respectivos directores ou encarregados, 
que deverão ser consultados antes da expedição dos ani- 
tnaes. 

§ 3.° — Sempre que houver conveniência para o 
serviço do estabelecimento, o director poderá exigir a 
retirada das fêmeas, fixando um prazo para isso. 

§ 4.° — Pelas fêmeas que não forem retiradas no prazo 
fixado pagará o proprietário a quantia de 1$000, por dia 
de atrazo e por cabeça. 

Art. 9.° — As fêmeas que não ficarem fecundadas 
com a primeira monta serão apresentadas novamente 
dentro do prazo de três mezes, a contar da ultima pa- 
(ireaiçã/O. 

Art. 10.° — Nenhuma retribuição poderá receber o 



BEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 173 



pessoal dos Postos, das Fazendas Modelo ou Estações de 
Monta pelo serviço dos reproductores. 

Art. 11.° — Será fornecido aos proprietários das fê- 
meas padreadas pelos reproductores pertencentes a qual- 
quer dos estabelecimentos um attestado de cobrição, se- 
gundo os modelos A, B, C e I) que acompanham estas 
ihs tracções. 

Ari 12.° — As indicações referentes ás fêmeas padrea- 
das serão registradas em livro especial. 

"Art. 13.° — A fêmea que fôr novamente levada ao 
Posto, Fazenda Modelo ou Estação de Monta deverá ser 
acompanhada dos certificados das montas anteriores. 

Àrt. 1 I." Os proprietários das fêmeas fecundadas 
pelos reproductores dos Postos, Fazendas Modelo ou Es- 
tações de Monta deverão apresentar o produeto nascido 
ao estabelecimento em que tiver sido padreada ou á pessoa 
pelo director indicada, fornecendo também todos os es- 
clarecimentos sobre a data do nascimento accidentes do 
parto, etc, sob pena de serem recusadas novas padrea- 
ções aos seus animaes. 

§ Único Aos proprietários dos produetos apresen- 
tados será passado um certificado de que constam a raça 
e a origem dos mesmos, de accôrdo com os dados dos 
registros genealógicos estabelecidos para esse fim. 

Art. 15.° — E' expressamente probibida a sabida do 
Posto, da Fazenda Modelo ou da Estação de Monta de 
qualquer animal reproduetor da União, sem autorisação 1 
expressa do respectivo director. 

Art. 1G.° — Nenhuma responsabilidade caberá á ad- 
ministração do Posto i Fazenda Modelo ou Estação de 
Monta pelos accidentes que porventura se derem durante 
a estadia dos animaes e no acto da padreaçâo, que será 
feita de accôrdo com os melhores methodos e com todas 
precauções requeridas, bem como também pelos extra- 
vios que não forem devidos á falta de cuidado por parte) 
do pessoal. 

Art. 17.° — Os animaes destinados aos Postos Zoo- 
technicos } Fazendas Modelo de Criação e Estações de 
Monta não deverão proceder de regiões àffectadas de 






174 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



moléstias contagiosas ou de regiões em que taes moléstias 
tenham grassado até trinta dias antes, devendo ser sub- 
mettidos á visita sanitária antes de entrarem no estabe- 
lecimento. 

§ Único — No caso de existirem moléstias contagio- 
sas nas visinhanças do estabelecimento ou mesmo neste, 
o serviço de monta será suspenso por período determinado 
pelo director. 

Art. 18/ — Os proprietários de animaes apresentados 
aos Postos Zootechnicos, Fazendas Modelo de Criação ou 
Estações de Monta, para os fins destas instrucções, de- 
verão se sujeitar ao regimen adoptado nestes estabele- 
cimentos j devendo qualquer reclamação ser dirigida dire- 
ctamente aos respectivos directores. 

DISPOSIÇÕES E5PEC1AE5 

EQUINOS 

Art. 19.° — O serviço de monta das éguas e das 
jumentas será feito á mão, devendo as fêmeas estarem 
em cio declarado. 

Art. 20.° — Verificada esta condição, com a apresen- 
tação da fêmea a um garanhão rufião, terá ella então 
contacto com um garanhão effectivo. 

Art. 21.° — Não serão acceitas nos Postos Zootechni- 
cos. Fazendas Modelo de Criação ou Estacões de Monta, 
para a padreação, éguas cuja altura média, na cernelha, 
seja inferior a l, m 36, nem potrancas de menos de 3 
annos ou éguas muito velhas. 

§ Único. — Tanto quanto possivel, a altura do ga- 
ranhão não deve exceder a altura da égua a fecundar 
de mais de 0, m 10. 

Art. 22.° — Não serão recebidos no Posto, Fazenda 
Modele ou Estação de Monta éguas que apresentarem cor- 
rimentos nas ventas, inflammação dos ganglios no espaço 
intermaxillar, feridas purulentas sobre a pelle, inflam* 
mação dos órgãos genitaes, fraqueza dos quartos poste- 
teriores e joutros defeitos nestas partes. 

Art. 23.° . — Não serão padreadas éguas com o trem 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 175 

posterior pouco desenvolvido, ubere estragado, assim como 
posterior pouco desenvolvido ubere estragado, assim como 
as éguas fracas e muito magras, quer seja por falta de' 
alimentação, quer por doença ou outra qualquer causa. 

Art. 24.° — As éguas com poldros de 8 a 12 dias 
serão padreadas directamente pelos garanhões, sem prévio 
ensaio de garanhão rufião, quando forem cilas julgadas 
bastante fortes para isso. 

Art. 25.° — O serviço de monta das éguas será feito* 
uma só vez, podendo-se,íenlrelanto, sujeilal-as a uma se- 
gunda ou terceira padreação, com íntervallo 'nunca inferior 
a nove dias, exceptuados os jumentos que poderão ser 
utilisados doze horas depois da ultima monta. 

Árt. 20.° Serão registrados em livro especial os 

signaes detalhados das fêmeas, de modo a garantir a 
sua identidade. 

Art. 27.° — Cada garanhão só poderá fazer diaria- 
mente uma padreação, salvo casos excepcionaes, a juizo do 
director, e levando em consideração a natureza physica do 
animal. 

§ Único — Qualquer reproduetor poderá ser retirado 
do serviço das montas quando assim o exigir o seu es- 
tado, a juizo do director. 

Ari. 28.° — O serviço de monta será feito de prefe- 
rencia pela manhã, antes da ração ou duas horas, pelo 
menos, depois desta. 

Art. 29.° — Quando necessário, a égua será immobili- 
sada por meios próprios. O garanhão deverá ser condu- 
zido pelo bridão e a monta fiscal isada para evitar acci- 
dentes. 

Art. 30.° — O período para o serviço de monta das 
éguas será de Agosto de cada anno a Fevereiro do anno 
seguinte; quando, porém, julgar conveniente, o director 
poderá determinar padreação fora dessa época. 

BOVIDEOS 

Art. 31.° — O serviço de monta das vaccas c das 

novilhas será feito á mão ou livremente, não podendo, 

neste caso, o reproduetor ser posto em contacto com 
nais de uma vacca no cio. 



176 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E 00 IO 



Art. 32.° — Não havendo por parte da fêmea mani- 
festação de cio, nenhum meio artificial será empregado 
para forçal-a a acceitar o reproductor. 

Art. 33.° — Serão registrados em livro especial os si- 
gnaes caracteristicos das vaccas cobertas, que serão ainda 
marcadas na orelha com um annel numerado, si já não 
o Trouxer. O numero de cada animal será inseri pto no 
certificado de padreaçãoi e reproduzido no livro de registro 
de jpadreação do estabelecimento. 

Art. 34.° — Cada touro não poderá servir a mais 
de duas vaccas por dia, exceptuando-se os novos, que não 
poderão servir a mais de uma. 

§ Único — Qualquer touro poderá ser retirado 
do serviço de monta quando assim o exigir o seu es- 
tado, a juizo do director. 

Art. 35.° — As novilhas de menos de dezoito mezes, 
assim como as vaccas muito velhas não serão admittidas 
ao jserviço de monta. 

Art. 36.° — Haverá nos Postos Zootechnicos e nas 
Fazendas Modelo de Criação um banheiro, em que de- 
verão passar todas as fêmeas que se destinarem aos re- 
produetores dos mesmos estabelecimentos, afim de serem 
submettidas á acção de um insecticida. 

OVINOS E CAPRINOS 

Art. 37.° — As ovelhas ou cabras serão marcadas 
na orelha com anneis numerados e collocados em grupo 

Art. 37.° — As ovelhas ou cabras serão marcadas 
na orelha com anneis numerados e collocadas em grupos 
de quatro no box do carneiro ou bode designado para 
fecundal-as. Effectuada a padreação, serão retiradas ; em 
caso contrario alli permanecerão por espaço de 48 ho- 
ras consecutivas. 

Art, 38.° — Os carneiros ou bodes não poderão fe- 
cundar diariamente mais de quatro fêmeas, exceptuan- 
do-se os reproduetores novos que não poderão fecundar 
mais de uma. 

Art. 39.° — No período da monta será dado a cada 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 177 



reproductor um descanço de 24 horas, de seis em seis 
dias. ( 

Art. 40.° — De todas as ovelhas ou cabras padreadas 
serão tomados os signaes característicos, que serão repro- 
duzidos no livro de reproductores dos Postos Ziootechnicos 
e das Fazendas Modelo de Criação. 

suínos 

Art. 41." — As porcas em cio serão eollocadas na> 
pocilga do varrão destinado a fecundai-as. Cada varrão 
não poderá fecundar mais de uma porca por dia. 

Art 42.° De seis em seis dias será dado um dia 

de descanço ao varrão; em casos excepcionaes, porém,', ea 
juizo do director, pôde ser suspenso o dito descanço. 

Art. 43.° — Não serão acceitas nos Postos Zoote- 
chnicosj, Fazendas Modelo de Criação ou Estações de 
Monta porcas sarnentas ou doentes. 

Directoria do Serviço de Industria Pastoril, 12 de 
Maio de 1915. 

Alcides Miranda. 
Director 



178 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



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182 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



COLLABORAÇÃO 



A redacção da "REVISTA" não se 
responsabilisa pelos conceitos emittidos 
em artigos assignados por seus collabo- 
radores. 



Cavallos para o serviço de sella, para a remonta do 
exercito e para corridas 

Com respeito á criação de cavallos próprios para 
o ^serviço de sella ou para a remonta dos regimentos 
de cavallaria, tem-se dito e escripto tanta coisa que 
os entendidos em hippologia nacional não Alegaram ain- 
da a uma solução que convenha á boa orientação dos 
criadores. 

São muitos os entendidos, os que discutem e que se 
dizem criadores, e, no entanto, o facto é que ninguém 
cria. 

A criação do bom cavallo, no Brasil, não passa dum 
verdadeiro sport, sem resultado pratico. 

Nos postos zootechnicos, nas íazendas modelo do Go- 
verno Federal e dos Estados, já se realisaram algumas 
tentativas tímidas de criação de cavallos mestiços ára- 
bes, anglo-arabes, ou inglezes, empregando como repro- 
ductoras éguas nacionaes. 

Sem receio de errar, podemos af firmar que cada um 
dos raros reproductores finos, que pertencem á União 
ou aos Estados, não têm deixado uma producção média 
animal de 10 poldros denominados "meio sangue". 

Ha seis annos que estou acompanhando a producção 
de diversos garanhões de raça em varias zonas do paiz e, 
francamente, devo confessar que, até agora, não vi mui- 
tos mestiços em condições apreciáveis. 

A maioria desses raros productos não apresenta as 
qualidades exigiveis dos animaes melhorados. 



REVISTA DE VETEEIXAEIA E ZOOTECHNIA 183 

A criação cavallar, para se tornar remuneradora, deve 
tomar muito maior desenvolvimento. Isso, porém, só acon- 
tecerá quando deixarmos de theorias e discussões e sou- 
bermos tratar da alimentação, aproveitando melhor os 
elementos de que podemos dispor e evitando criar em 
Logares que, por diversos motivos, não servem para tal 
fi m . 

Para criar eavallos de boa qualidade devemos conhe- 
cei' as zonas em que não ha moléstias parasitarias mor- 
laes, possuir numero sufficiente de bons reproductores e 
dispor de bons alimentos produzidos no próprio paiz. 

Qual dos reproductores convirá mais ao meifíiora- 
mento do typo de cavallo nacional o árabe puro, o 
anglo -ar abe ou o puro sangue inglez ? 

A priori, podemos responder que qualquer das Ires 
raças satisfaz perfeitamente aquelle fim, desde que não 
faltem os requisitos acima apontados. Os reproductores 
dos três tvpos devem dar, com as nossas éguas, excellen- 
les productos. 

cavallo nacional é b árabe puro, adaptado ou de- 
generado, ou é ainda um mestiço do árabe, nas mes- 
mas condições. Muito raros são^ no Brasil, os exemplares 
de eavallos nacionaes em cujas veias não circule grande 
proporção de sangue árabe. 

A nossa égua creoula, sendo árabe ou descendente 
dessa raça claro é que o produeto proveniente do seu 
cruzamento com um puro sangue árabe não é um meio 
sangue árabe, no sentido zoolechnico da palavra, e sim 
um animal de sangue árabe puro ou um mestiço de ára- 
be em ((ue predomina esse sangue, em proporção, que 
varia de 51 <y a 99' %. cie aceòrdo com o coefficiente do 
mesmo sangue na égua. 

Pois bem, este produeto, de mais de meio sangue e, 
mesmo, de puro sangue árabe, que aquelles que vêem 
neste typo o garanhão ideal para o Brasil, aconselham 
criar, de preferencia a qualquer outro, não é novidade 
aqui. 

Ha mais de 200 annos que existem em quasi todas 






184 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMERCIO 

as zonas do paiz, cavallos desse sangue, tão puros quanto 
aquelles que se pretende obter. 

Ò reproductor árabe de bom typo, de sangue puro. 
embora custe muito caro e venha directamente da Ara- 
bia, por si só, pouca ou nenhuma modificação intro- 
duzirá na raça dos nossos animaes. Conseguirá, apenas. 
restituir-lhes a belleza e a estampa do typo original, 
restituição essa sem effeito durável si as condições do 
meio não se melhorarem. Ao mais bello productor actual 
estará reservada sorte idêntica á dos seus antecessores. 
A genealogia da égua crioula é a seguinte: 



I creoula 


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'\n" representa o elemento estranho ao sangue árabe 
puro. 

O producto da égua crioula padreada por um ga- 
ranhão de puro sangue árabe, importado, tem a filiação 
seguinte : 



1/2 sangue árabe 
nacional 



árabe 



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| árabe 

í árabe 
creola [ , 

{ { árabe 



Este meio sangue é meio sangue só de nome. 

O producto do garanhão de puro sangue inglez, de 
corridas, com a égua nacional é também tido como ani- 
mal de meio sangue, isto é, meio sangue inglez, o que 
ás vezes, fica muito longe da realidade. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 185 

O cavallo de corridas ou de puro sangue inglez já é 
producto artificial, derivado do cavallo árabe puro,;cru- 
zado com os cavallos originários da Inglaterra ou do 
continente europeu, que serviam, antigamente, para a 
tracção a sella, etc. : 

O puro sangue de corridas é, portanto, um typo fixo, 
obtido por mestiçagem, typo esse, porém, tão bem fixado 
que a designação paradoxal de "puro sangue" não lhe 
fica mal. 

histórico da raça de puro sangue inglez demonstra 
não ser pequena a quantidade de sangue árabe que col- 
laborou na sua formação. 

Seja o coefficiente de sangue árabe de 50 ou mais 
por cento, o cavallo de puro sangue inglez não deixa de 
ser um arabe-inglez, o que podemos representar por uma 
formula em que o sangue commum figure com a de- 
signação X 

puro sangue inglez de árabe 

corrida N. 

O produco denominado meio sangue inglez, nacio- 
nal, 6 theoricamente considerado como meio sangue para 
satisfazer ás exigências dos Livros genealógicos. O Stud 
Book do Jockey-Oub Fluminense, por exemplo, registra 
com a designação de meio sangue, todo o poldro, filhoi 
de garanhão de puro sangue inglez, de corridas, e de 
égua nacional não registrada, seja ella o que fôr. 

Na realidade, os mcio-sangue inglezes nacionaes são, 
ás vezes, filhos de éguas com meio, Ires quartos ou sete 
oitavos de sangue árabe primitivo e são muito mais puros 
do que os verdadeiros meio sangue. 

A genealogia do cavallo de meio sangue inglez, na- 
cional, é portanto, a seguinte : 



1/2 sangue inglez 
nacional 



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creoula 



n. (variável) 



186 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMXBBCIO 

O cavallo de meio sangue inglez, que se obtém pelo 
cruzamento cio puro sangue de corridas com égua de 
tracção européa, (Clydesdale, brabanção, ardennez, etc.) 
é muito differente. 



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tracção 



árabe 
X. 



X. 

X. 



O animal europeu, de meio sajngue inglez, fica muito 
próximo do cavallo de tracção (N) do que do árabe, 
emquanto que o meio sangue inglez nacional se appro- 
xima muito mais do typo árabe do que do cavallo inglez 
de tracção ou de qualquer outro. 

A differença entre o producto nacional, de meio 
sangue, filho de garanhão de puro sangue árabe e o 
producto nacional, também de meio sangue, filho do 
garanhão de puro sangue inglez de corridas, é diminuta 
e reside exclusivamente na fracção já insignificante do 
sangue do cavallo de tracção, (inglez ou outro, X. que 
existe para mais no segundo : 



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A diminuta fracção de sangue X T . pôde influir um 
pouco sobre o tamanho e o peso do meio sangue. 

Verificámos, porém, que os productos nacionaes de 
meio sangue inglez são de typos muito diversos, de ac- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



187 



còrdo com as zonas onde nasceram, a quantidade de 
sangue árabe da égua e, sobretudo, a alimentação durante 
o periodo do desenvolvimento. 

Alguns são pouco differentes dos nossos cavallos 
crioulos, outros bem parecidos com o cavado árabe, ou- 
tros ha ainda que se assemelham ao anglo-arabe, encon- 
trando-se, todavia, animaes cujos caracteres são completa- 
mente afastados dos typos acima mencionados. 

O profissional experimentado se encontra, ás vezes, 
em sérios embaraços, para distinguir o gráo de pureza 
dum mestiço nacional-inglez. 

Os animaes nacionaes, tidos como de 3/4, 7/8, 15/16 
de sangue inglez, vão se afastando gradativamente do 
typo da égua crioula embora conservem sempre boa por- 
centagem de sangue árabe. 

A quantidade de sangue árabe será superior á pro- 
porção do mesmo sangue no cavallo de puro sangue 
inglez, toda vez que a égua crioula que servir de "sou- 
che" tiver muito sangue árabe (isto é, quando n fôr maior 

que N). 

Todos os mestiços nacionaes de sangue inglez são: 

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p[S inglez 



314 



it2 sangue 



árabe 

N. 



p[S inglez 



creoula 



árabe 

N. 



arab< 



188 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Si as éguas nacionaes forem puras ou quasi puro-san- 
gtte árabes^ os meio sangue inglezes-nacionaes serão verda- 
deiros anglo-arabes, muito pouco differentes dos anglo- 
arabes puros, de criação franoeza, 





PI 


s. inglez 


árabe 
N. 


i\2 sangue inglez 






nacional 








creoula 


árabe 

n. (insigniticante) 






Pis ingl 


ez 


árabe 

N. 


ij2 sangue angl 


0- 






árabe francez 


\ 








árabe 




árabe 

N. 



O cavallo anglo-arabe, de criação franceza, é também 
tido por alguns como o prototypo dos cavallos melho- 
radores da nossa cavallaria. Este cavallo, tido como ani- 
mal de puro sangue^ é animal mestiçado; e até bimestiçado. 
Filho do árabe e de puro sangue inglez de corridas, que, 
por sua vez, já deriva do árabe, o cavallo anglo-arabe 
tem a genealogia seguinte : 



pjs anglo-arabe 
francez 



p^s inglez 



pjs árabe 



árabe 

N. 



árabe 
árabe 



O anglo-arabe de puro sangue tem, theoricamente, 
mais sangue árabe do que o puro sangue de corridas e 
menos do que o puro sangue árabe. 

A zootechnia o considera como de puro sangue, fa- 
zendo acompanhar a designação "puro sangue" do cor- 
rectivo anglo-arabe. 

O producto do cruzamento do garanhão de puro san- 
gue anglo-arabe com a égua nacional é classificado como 
de meio. sangue anglo-arabe-nacional. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHM A 



189 



i[2 sangue anglo-arabe 
nacional 



anglo 
árabe 



Pis árabe 



pjs inglez 



árabe 
árabe 



árabe 

N. 



creoura 



j arab< 



Tal mestiço lerá mais sangue árabe do que o puro 
sangue anglo-arabe, easo a égua nacional tenha maior pro- 
porção; desse sangue ; lerá menos do que aquelle, no 1 
caso contrario. Convém accrescentar que o meio sangue 
anglo-arabe-nacional tem dose de sangue árabe maior do 
que o árabe de puro sangue, porém muito maior quei 
o puro sangue inglez. 

Assim, somos levados a concluir que a criação de 
cavallos de sangue pelo cruzamento das éguas nacionaes 
com garanhões de puro sangue inglezes, auglo-arabes c 
árabes, é problema muito mais simples do que parece. 

Qualquer que seja o garanhão das três raças apon- 
tadas^ o producto nasce sempre árabe misturado com um 
pouco de sangue estranho. 

Os productos das éguas crioulas tem sangue árabe 
em maior proporção e sangue estranho (n) em proporção 
variável, proporção essa diminuta, no caso de provirem 
de garanhão árabe ou anglo-arabe. 

Na realidade, os 1/2 sangue ou 3/4 de sangue árabes, 
inglezes ou anglo-arabes, podem representar todos os ty- 
pos intermediários entre o puro sangue inglez, o anglo- 
arabe e o árabe puro. 

E—nos, portanto, indifferente, entre as Ires raças Tinas, 
a escolha dos reproductores machos, como melhorado- 
res. 

Convém notar, aqui, que não consideramos crioulas 
as éguas provenientes de recentes introdueções de repro- 
ductores das raças de traccão( como a Clvdesdale, a 
Perclieronne, a Ardennaise, a Bretonne. a Brabançonne, 
etc. 






190 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Os criadores, que iniciaram taes cruzamentos, devem* 
de preferencia, cremos, insistir no mesmo critério até 
conseguir resultados compensadores pelos cruzamentos su- 
ccessivos unilateraes. Convençam-se de que nunca conse- 
guirão criar bons cavallos sem que, parallelamente, tra- 
tem da alimentação intensiva e, ainda mais. que bons 
typos de mestiços entre os animaes nacionaes e os de 
tracção difficilmente serão obtidos e fixados. 

Para a criação do cavallo de 'bom sangue, próprio 
para o serviço de sella e para a remonta do exercito, o 
criador brasileiro, como dissemos acima, pôde recorrer, 
indifferentemente, a qualquer das três raças árabe, in- 
gleza, ou anglo-arabe. 

Uma vez conseguidos bons typos, seja no primeiro, 
no segundo ou no terceiro cruzamento, os melhores ele- 
mentos poderão, com vantagem, utilisar-se na reproducção 
entre si, dispensando para o futuro a intervenção de re- 
productores estranhos. 

Os criadores interessados na criação de cavallos para 
corridas, quando já possuirem boas éguas de 3/4 ou de 
7/8 de sangue, deverão sempre insistir na escolha de 
garanhões de puro sangue inglez com boas performances 
e 'filiação excepcional, afim de dar maior valor aos pro- 
ductos que obtiverem. 

E' de crer que a especialisação na criação do cavallo 
de puro sangue inglez para as corridas ficará ao alcance, 
apenas, de limitado numero de criadores abastados. 

Aos que se dedicarem á criação de cavallos de sella, 
deve interessar mais a boa conformação e o typo do 
reproductor do que a boa fé de officio e a filiação. 

Para taes criadores, portanto, a boa producção não 
depende do emprego de sommas avultadas na compra de 
reproductores : o jpreço dum animal não lhe dá qualidades. 

Como base de criação, poderão adoptar, indifferente- 
mente, os garanhões árabes, anglo-arabes e puro sangue 
inglezes. 

Garantida a alimentação, devem os criadores ter em 
vista, actualmente, a producção do maior numero possivel 
de cavallos. Para tal fim convém lembrar que, no Brasil^ 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 191 



muitos reproductores ha improductivos, por falta de com- 
pradores, e, aqui mesmo, no Rio de Janeiro, podemos 
encontrar annualmente, mais de 50 garanhões de puro 
sangue inglez, que ficam inaproveitados. Taes garanhões 
de três, quatro, cinco ou mais annos, retirados do "en- 
trainement" por motivos diversos, ficam inutilmente nas 
cocheiras da capital ou morrem de miséria, nos subúrbios. 
Destes, cinco ou seis, de grande classe e que merecem 
servir como reproductores nos haras particulares, re- 
servados á criação de cavallos de corridas, já acham 
difficilmente eollocação e sào vendidos por preços ver- 
dadeiramente irrisórios. 

Os demais ficam esperando compradores, que rara- 
mente apparecem. 

Os reproductores de puro sangue inglez, disponiveis 
no Brasil, são de procedência ingleza, franceza, americana, 
platina ou nacional. 

Existem no paiz bons garanhões de sangue, em quan- 
tidade sufficiente para decuplar a producção de bons ca- 
vallos mestiços. 

O que nos falta é iniciativa particular a par de propa- 
ganda e orientação por parte dos competentes, exemplo 
official c olho attento de clinicos veterinários que evitem 
os graves contratempos e mesmo o desanimo. 

Preparar pastos bons, cultivar, onde for possivel, a 
aveia, a cevada, aproveitar todos os garanhões de puro 
sangue que estiverem ao seu alcance, criar o maior nu- 
mero possivel de poldros, eis as recommendações que, 
por emquanto, devemos fazer aos criadores brasileiros. 

Por este caminho não ha erro possivel. Ao Governo e 
ás Sociedades compete o resto. 



Rio, Setembro de 1915. 



Dr. Charles Conrbur 
Medico veterinário^ 



192 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIi B COMMERCIO 



MICROSCOPIA DA MANTEIGA E DE OUTBAjS GORDURAS 

PELO 
IDIR. ALEIXO IDE VASCONCELLOS 

I,ívre docente de microbiologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e 
Ajudante da Secção Technica do Serviço de Industria Pastoril 

Benedikt e Ulzer, no tratado sobre "Analyse das 
manteigas", declaram que a pesquiza microscópica da 
manteiga não foi ainda convenientemente introduzida, 
embora Taylor, Brown, Hehner, e Angell, Meylius, Skal- 
weit, Wile} r e outros affirmem a sua grande importância. 

Com estas prerogativas, portanto, eu reivindico para 
o exame das manteigas as vantagens deste methodo e 
passo a explicar a technica recommendavel e as figuras 
efue se observam nas preparações, ao microscópio. 

Em artigos suecessivos, tratarei da determinação das 
bactérias, dos fermentos do creme e dos ensaios micro- 
palarimetric o s . 

Póde-se examinar a manteiga ao microscópio, de mo- 
dos diversos. Sei) usou o óleo e o chloroformio. Agitou 
com o primeiro, gordura de porco, oebo de boi. manteiga 
e oleo-margarina e em seguida tratou pelo chloroformio. 
Examinando ao microscópio, observou nas prepar 
figuras com forma e aspecto de crystaes. 

Winkler condemnou este methodo e aconselhou a 
glycerina. Depois de repetidos exames, declarou que o 
emprego da glycerina permittia fosse obtida uma ca- 
mada mais delicada, que favorecia a observação da 
esíruetura da manteiga, com mais nitidez. De fa- 
cto, distinguem-se entre as gotticulas de gordura, gotas 
de soro e de plasma} que impedem a confluência da gor- 
dura. Elias representam um papel particular na estru- 
etura granulosa ,da manteiga. Este aspecto também se 
encontra no produeto cujo creme foi pasteurisado. 

Quando a batedura foi excessiva, desapparece a 
pseudo membrana das gottas de gordura, produzmdo-se 
uma massta gordurosa infiltrada das gottas de plasma 
e de soro. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



193 



Quando a temperatura ambiente é muito elevada, 
nota-se também depois de algum tempo, um certo apa- 
gamento do limite das gotticulas de gordura, daiido-se 
por isso a confluência; porém, não desapparecem total- 
mente: as gotticulas. com as respectivas membranas re- 
manescentes, são os signaes característicos da manteiga. 

Algumas vezes essas gottas não são completamente re- 
dondas, pelo lacto de soffrerem a compressão lateral, 
quando o endurecimento é muito grande. 

O aspecto microscópico de uma preparação de man- 
teiga é dífferente, quando se observa um creme doce 
e um creme acido. 

Neste, ha ainda a registrai' os corpúsculos de caseína 
entre as gotticulas de gordura e a disseminação de grumos 
de albumina. \ 

As gotticulas de gordura faltam nas preparações de 
margarina, isto é. não apparecem, constituindo o elemento 
principal. Percebem-se algumas gottas isoladas, entre nu- 
merosas figuras em forma de fuso umas e outras arre- 
dondadas, que Winkier considera como restos de mem- 
brana ceilular ou pequenos crystaes (fig. 1 e 2) 



L>O0 O 



O 





/ 




% 



Esses crystaes faltam na manteiga pura e se denun- 
ciam quando a margarina foi addicionada, mesmo em 

pequeníssima quantidade. 

Quando Winkier fazia as suas demonstrações ao 
microscópio com as diversas gorduras, ao mesmo tempo, 



194 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Morres assignalava na manteiga, na margarina, no cebo 
de boi e na gordura de porco, imagens especiaes em for- 
ma de agulhas, que se dispunham em feixe simples ou 
duplo e de modo irradiado, (figs. 3, 4, 5, 6 e 7 . 






J 









>x 



O comprimento dessas agulhas pôde variar de 30 
a 50 micra, com uma espessura média de 0,5 de micron. 

Outras vezes, as figuras encontradas são em forma 
de virgula, semelhantes ás descriptas por Winkler. e, 
se dispõem em pincel ou ficam espalhadas, conforme a es- 
pécie de margarina. 

Sobre a natureza crystallina, dessas producções não 
ha mais duvidas, pois ellas desapparecem pela fusão; e vol- 
tajm com o resfriamento e endurecimento da gordura. 
Póde-sc acompanhar a formação dos crystaes, olhando-se 
a preparação ao microscópio, com um systema de lentes 
que augmentem cerca de trezentas vezes. A' medida que 
a temperatura vae baixando, o numero de crystaes cresce 
de tal sorte, que no campo microscópico ficam numero- 
sas estrellijihas. Quando estas figuras são muito ramifica- 
das, tomam um aspecto irradiado, comparável até certo 
ponto ao myceiio de um cogumelo sobre gelatina (fig. 8, 
9, 10). 



# 





S. 9. *° 

A manteiga fundida, sob laminula também mostra 
estes crystaes, porém só depois de muito tempo. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



195 



A manteiga não fundida e não falsificada não dá 
semelhantes figuras. 

A differença morphologica entre os crystaes de mar- 
garina e os da manteiga fundida, não é demonstrável. Mas, 
consegue-se, tomando em consideração o tempo de ap- 
parecimento de um e de outro, verificar que, segundo 
a temperatura varia de 25° a 16°, os crystaes de mar- 
garina formam-se primeiro que os de manteiga fun- 
dida. O facto é tanto mais notável quanto mais alta é 
a temperatura, dentro dos limites citados. 

Fazendo-se este estudo de crystallisaçao em vidros 
co|m maior superfície, as figuras que se formam são 
differentes das que se obtém entre lamina e laminula. 
Os crystaes ficam constituídos em grupos irradiados, den- 
tro de pequenos espaços circulares cercados de uma mem- 
brana lisa. 




//. 



Na manteiga, essas figuras são consideravelmente 
maiores que as da margarina. 

'Os mesmos resultados obtem-se com o cebo de boi. 
Obtido o endurecimento em cálices de vidro e depois 
observado ao microscópio vêm-se as mesmas figuras ar- 
redondadas. Collocadas, porém, entre lamina e laminula 
e depois exercendo-se sobre esta uma pequena pressão, 



196 MLNISTEBIO J)A âGEICULTUEA, lXUisi R] A E COMMEECIO 



as figuras arredondadas modifícam-se dando formas em 
jeques c cm escarna, (fig. 12). 




cefro de boi, examinado entre lamina e laminula. 
depois de fundido, offereoe aos olhos do observador exer- 
citado, os mesmos desenhos crystallographicos referidos 
atraz, para a margarina: apenas, em virtude do seu 
oráo elevado de solidificação, a crystallisação do cebo 
desapparece mais rapidamente do que a da margarina. 

óleo de coco também pode. até certo ponto ser 
caracterisado ao microscópio. 

Usada a mesma technica que vem sendo repetida 
para as outras gorduras, notam-se por occasiào do resfria- 
mento e respectivo endurecimento, corpúsculos eentraes. 
de cuja superfície partem finos prolongamentos brilhan- 
tes, em forma de longos crystaes. Elles são maiores que 
os das outras gorduras. 

razenao-se uma preparação com óleo de coco puro, 
verifica-se duas ou quatro horas depois da fusão, quan- 
do a temperatura é, vizinha de 24°, a formação de crys- 
taes que podem ser vistos a olho nu. (figs. 13 e 11 . 

A gordura de porco, com um augmento de cem 
diâmetros, vista ao microscópio, apresenta no meio de 
uma massa, numerosas agulhas, que. reunidas, formam 
desenhos semelhantes ao feitio de vassouras. 

Fundindo-se a gordura de porco, observam-se depois 
de oito minutos a 22° corpúsculos irregularmente arre- 
dondados, semelhantes á esponja. Depois de quinze mi- 
nutos, entre estes corpúsculos surgem numerosas agulhas 



KEV1.STA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



197 



de crystal, curtas, como na manteiga, na margarina e 
Oto oebo de boi, depois de fundidos. 




n 



I* 



Depois de reiterados estudos microscópicos, com as 
diversas gorduras, Morres chegou ás seguintes conclu- 
sões: «Cotoi o auxilio do microscópio, é possível de- 
monstrar-se a falsificação da manteiga pelas outras gor- 
duras, pois, todas, as gorduras solidificadas, com exclu- 
são da manteiga que não soffreu prévia fusão, formam 
figuras crylstail inas.» 

Verificada a manteiga cm campo escuro (Dunkel- 
feld-beleuchtung . notam-se contrastando com uma super- 
fície escura, varias espherulas brilhantes. Ksles corpús- 
culos refringentes que são de natureza albuminóide, pô- 
den sei- coloridos peias soluções corantes derivadas da 
anilina. Pela fuchsina. por exemplo. 

Póde-sc, ao mesmo tempo, apreciar o contraste com 
a gordura, que não se ,olore. O contrario, lambem pôde 
ser obtido; isto é. a coloração da gordura pelo acido os- 
mico (assim chamado, impropriamente, pois elle é ura 
tetraoxydo de osmico) em negro, e as gottas incolores ou 
coloridas em vermelho, peto iuchina. 

Aleixo de Vasconcellos. 
(Continua). 



198 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCJO 



MOLÉSTIA OE BORNA? 

Em meiado de Agosto, tive occasião de observar, 
durante 15 dias ? um cavallo de carro, cuja photographia 
aqui reproduzo. Estava no terceiro dia da moléstia. 

O proprietario } um carroceiro, diz "que annualmente, 
efesde 1895, nesta época do anno, tem perdido, muitas ve- 
zes, mais da metade de seus cavallos, victimados por 
esta mesma moléstia^ tendo seus companheiros de viagem, 
a mesma má sorte". 

"Este caso principiou com abatimento e tremores fi- 
brilares dos lábios. No dia seguinte, foi o animal acom- 
mettido de um accesso durante o qual se lançou contra; 
as paredes, com a cabeça e as pernas dianteiras, acal-i 
man&o-se depois de algumas horas." 

Pude verificar feridas contusas na arcada orbitaria e 
nos joelhos. Como tratamento, tinham cauterisadp pro- 
fundamente a região da nuca. 

"Encontrei o animal em posição anormal, encostadfD 
com o lado direito á parede da cocheira, dando signaes 
de medo, as orelhas movendo-se vivamente, pálpebras 
muito abertas, musculatura do pescoço contrahida, guar- 
dando a mesma porção de feno, na bocca, ha varias 
horas, rangido leve de dentes e dysphagia. Puxado pelo 
cabresto, ficava immovel ou recuava. Tocado, solto, an- 
dava em circulo para o lado direito, levantava exces- 
siva e desordenadamente as pernas até encontrar um 
obstáculo contra o qual se chocava com violência, pro- 
curando encostar-se: tinha^ portanto. "Amaurose\(o que 
o povo chama cegueira) * 

A conjunctiva apresentava côr pallida, amarellada: 
a temperatura levemente augmentad>a, talvez devido ás 
feridas infectadas e ás cauterisações. O pulso attingia 
70, regular, mas duro. O frottis do sangue não apresentava 
micro-organismo algum. 

A autopsia feita no mesmo dia em um animal da 
mesma cocheira que esteve doente durante oito dias, 



(*) O caso descripto nesta Revista (pag.376 Dezembro de 1913) deve, 
portanto, ser intitulado/'Colicas-trombo-embolicas". 




■ngwndii 



Symptoma característico da moléstia: Immobilidade 



EEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 199 

com symptomatologia idêntica, pouco revelou: lesões mi- 
nimas, septicemieas, em todos os órgãos, estômago vasio, 
um pouco inflammadfo, cérebro levemente infiltrado, li- 
quido cephalo-rachidiano manifestamente mais escuro. Os 
frottis deste liquido e do cérebro revelaram alguns raros 
diplococus encapsulados, tomando o gram. Uma tenta- 
tiva de cultura em agar-glyoerina mallogrou. Um potrilho 
e um carneiro resistiram a uma injecção de 2,cm3 de 
emulsão da substancia cerebral, applicada, metade nas, 
meninges e metade no cérebro. Um coelho resistiu a 
1 2 cm, 3. 

Ba se ando -me no caracter enzootico da moléstia, no 
Paraná, desde 1895 e na symptomatologia acima referida, 
julgo provável que a chamada "cegueira" seja a mc- 
mngo-encephalo-my elite enzootica ou moléstia de Borna, 
frequente nos cavados da Europa e dos Estados Unidos 
e também assignalada nos bovideos, nos carneiros c nas 
cabras. 

Não ha moléstia cuja causa immediata tenha sido 
mais discutida até hoje. 

E 5 provável que, depois de esclarecidas as causas 
endógena e exógena características da terrível enzootia, 
esta venha a ser desdobrada em varias unidades ou for- 
mas, com etiologia differente. 

Um grande numero de autores allemães (Ostertag+ 
Lohr Jolmc, etc.) attribuem a ethiologia da moléstia a. 
um diploeoccusou nionoeoeus presente no liquido cephalo- 
rachidiano^ no cérebro, e, ás vezes, no sangue, micro-or- 
ganismos estes que cultivaram, conseguindo com a cul- 
tura reproduzir a moléstia nos cauallares e nos ruminan- 
tes, embora fossem negativas as experiências com os ani- 
maes do laboratório. 

Joest, depois de longas pesquizas, feitas principal- 
mente sob o ponto de vista anatomo-pathologico, sustentou 
que a pmolestia era causad^a por um "Clamidozoario", tendo 
achado nas cellulas ganglionares do "Corno de atnmon" 
corpúsculos intra-cellulares, concluindo, por analogia com 
a raiva e outras moléstias, tratar-se de virus ultramicro- 
scopico. 



200 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B OOMMBRCIO 



Certos autores francezes acharam um diplococus poly- 

morpho ) encapsuladlo, tomando o gram. 

Mohler põe em duvida, tanto os resultados de Joesl. 
como de Ostertag e áttribue o mal a certas forragens 
avariad;as ou cogumelos nellas existentes: não determi- 
nou, porém, a natureza da substancia toxica. 

Em 1900, Pearson reproduz a moléstia com agua 
proveniente da lavagem de forragens conservadas num 
'Silo". 

GsterUig aí firma que a via de introducçào da causa 
exógena é a via intestinal ; Joest^ a nazal (nervos olfacti- 
vok). 

A mortandade no Paraná attinge de 80 a 90 "... 

Não \ha immunidnde : o animal, que sarou de um 
primeiro ataque, pôde recahir e morrer. 

Não \ha coniagio: ás vezes os cavados, em viagem, 
caem doentes em logar onde não existe a moléstia e não 
a transmittem aos animaes sãos. 

A moléstia tem um caracter cyclico: principia com al- 
guns casos esporádicos, para chegar ao máximo de in- 
tensidade em Agosto e Setembro, declinando depois. 

A symptomatologia é variável de individuo para in- 
dividuo; a duração da moléstia oscilla de algumas ho- 
ras até 15 dias. 

No Paraná, a moléstia apparece sobretudo em ca- 
vados de serviço pesado, nas proximidades de algumas 
das grandes estradas de rodagem, com baixadas e aguas 
suspeitas. 

Qualquer que seja a causa exógena da enzootia no 
referido Estado, esta parece ter a sua origem em certas 
aguadas infeccionadas ou nos pastos banhados por ellas, 
onde o vírus acha meio favorável para a vida saprophita. 
tornando-se pathogenico em certas circuinstancias. 

A hypothese duma intoxicação peio milho, aveia ava- 
riados ou outras forragens seccas, ou. ainda, pelos co- 
gumelos (aspergill us, penicillium, etc.V vivendo nelles. é 
insustentável, no Brasil, pois a enzootia não appareceu 
até hoje nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e 
S. Paulo, que possuem boa agua encanada e onde a 



REVISTA DE VETEBINARIA E ZOOTECHNIA 201 



base cia alimentação é justamente o milho e as forragens 
seccas, procedentes de todos os pontos do paiz. 

Deante da incerteza i quer quanto as cansas predis- 
ponentes, quer quanto ás exógenas, chimicas ou bioló- 
gicas, os clássicos definiram a moléstia de Borna como 
sendo uma "AlTecção especifica aguda do systema ner- 
voso central e das meninges, com infiltrações lympho- 
cytariaSj perivasculares, typicamente localisadas, sem le- 
sões macroscópicas características, apparecendo enzooti- 
camente em certos togares' . 

E' ck esperar que a moléstia não tardará a elucidar-se) 
quanto á sua etiologia! e methodo de propagação, afim de 
podei* ser combatida efficazmente e evitada a sua írra- 
dicação. Está provado, porem, que a mudança radical 
de regimen conteve sempre a enzootia. 

Octávio Dupont 
Medico veterinário 



Ochalcjdideo Hunterellus Hookeri Howard, parasita do carrapato 
Rhiptcephalus sanguineus Latreiiie, observado no Rio 
de Janeiro 

Observei em Manguinhos, a 29 de Abril de 1914, num 
cão atacado por R. sanguineus Latr., muitos pequenos hy- 
menopteros que corriam rapidamente por entre os peitos; 
o seu aspecto de pequenas moscas, negras e brilhantes, 
lembrou-me os parasitas de carrapato, descriptos por Ho- 
ward e I)u Buysson. Por isso colhi carrapatos, machos e 
fenreas, cheios de sangue e colloquei-os num tubo. fe- 
chado a tela muito fina (X. 1) ; num outro guardei, nas. 
mesmas condições, 10 nymphas (N. 2). No tubo n. 1 
não appareceu nenhum parasita, porém no n. 2 sahiram 
parasitas, os primeiros a 26 de Maio. De uma nympha 



202 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



que, em consequência do parasitismo, se achava muito in- 
chada sahiram 11 parasitas (8 f. e 3 m.j nos dias 26, 27 
e 28 de Maio, através de um pequeno luro arredondado, 
feito na parte posterior do corpo. A' 29 dissequei 2 
outras nymphas e encontrei nellas hymenopteros, numa 
duas larvas e 2 nymphas e noutra 2 larvas e uma nym- 
pha. Ainda havia uma outra nympha de Rhipicephalus 
que foi conservada na collecção do Instituto; as res- 
tantes morreram sem delias ter sahido hymenopteros. 

O parasita foi por mim identificado como Hunterellus 
Hookeri Howard. Foi elle obtido, pela primeira vez, por 
Hooker de espécimens de Rhipicephalus sanguineus Latr., 
colhidos pork Wood sobre um cão do México. Pertence 
á familia Chalcididae, sub-fam. Encyrtinae. 

Até hoje são conhecidas 3 espécies de microhymeno- 
pteros que vivem em nymphas de carrapatos : 2 descriptas 
por L. O Howard nos Estados Unidos (Ixodiphagus te- 
xanuis e Hunterellus Hookeri e uma descoberta porBrumpt 
na França e descripta por Du Bu} 7 sson (Ixodiphagus cau- 
curtei), Destas 3 espécies só é regularmente conhecida 
a biologia das 2 ultimas. 

O H. Hookeri ataca a nympha do R. sanguineus e do 
Dermacentor parumpertus marginatus. Exemplares desta 
espécie têm sido obtidos em varias localidades dos Es- 
tados Unidos, no México e em Lourenço Marques (Africa 
Oriental Portugueza). 

O /. caucurtei, experimentalmente, segundo Brumpt. 
ataca varias espécies de Ixodideos, tem, comtudo, uma es- 
pecial predilecção para o Dermacentor venustus. 

Os hábitos e o cvclo evolutivo do H. Hookeri foram 
muito bem estudados por Wood. Nas linhas que seguem 
procurarei resumir as observações feitas por esse entomo- 
logista. 

Uma vez livres, os machos immediatamente copulam 
as fêmeas. Estas então procuram uma nympha de R. 
sanguineus parcial ou totalmente engorgitada. Parece que 
o parasita^ em condições naturaes, tanto ataca as fêmeas 
que ainda estão sobre o animal como as que já se acham 
sobre o solo (creio, entretanto, que seja mais frequente o 




00 CO 



X 




~x 



<c^ ■ 







X 



EEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 203 



ataque ás nymphas que ainda se acham sobre o animal). 
Por meio do ovipositor a fêmea deposita alguns ovos no 
interior do corpo da nympha do carrapato e, terminada a 
postura, procura geralmente uma outra, realisando-se as- 
sim posturas parcelladas em varias victimas. No fim de 
alguns dias, a nympha começa a inchar e, pouco antes 
da emergência dos parasitas, encontra-se a parte anterior 
do coq)o muito escura, em contraste com a posterior, que 
fica amarellada e translúcida. 

O cyclo evolutivo, segundo Wood, realisa-se nos mezes 
de Outubro, e Novembro (nos Estados Unidos) em 44 dias. 
Pelo que observei, creio que no Rio elle se effectua em 
pouco menos tempo. 

Dr. A. da Costa Lima. 



Kntomologista do Serviço de Agricultura 
Pratica do Ministério da Agricultura 



BIBLIOGRAPHIA 



1908. Howard. L. O. Description of the Huntereltus hoo- 

keri. Canadian Entomologist. July, pp. 239-241. 
1911. Wood, H. P; Notes on the life history of the tick 

parasite H unte reli us hookeri Howard. Journ. of Econ. 

Entom. Vol. 4, n. 5. Octob. pp. 425*431. 
1911. Du Buysson. Un hymenoptère parasite des ixodes. 

Archives de Parasitologie XV. p, 246. 
1913. Brumpt. Utilisation des ínsectes auxiliaires entomo- 

phages dans la lutte contre les ínsectes pathogènes T 

Presse Médicale, 3 Mai, p. 359. 

EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS 

Fig. i. Nympha de Rhipicephalus parasitada (X 6) 
" 2. Hunterclltís Hookeri (macho) (X3 2 >7) 

" 3. " " (fêmea) (X3*J) 



204 MINISTÉRIO DA AGEICULTUEA, LNDUSTBIA i. 






CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



(A Revista dk Vetebinabia h Zootbchnia 

responderá, nesta secção, a todas as consultai e 
pedidos de informações que lhe forem feitos sobre 
assumptos de sua especialidade.) 



Sr. Arthur Alves de Oodoy — Amparo, S. Paulo. 

Consulta — Peço indicações para tratamento de uma mo- 
léstia q\ue t de certo tempo a esta parte, tem atacado [os anin 
de minha invernada. 

Os animaes attingidos pela moléstia correm desesperadamente 
pelo campo' á principio \ ficam depois cegos, cadeiras bambas, re- 
UmchamS entezando o pescoço e, levantando a cabeça, contrahem os 
Mbios, deixando ver todos os dentes. 

Os músculos do corpo, especialmente os do pescoço, ficam como 
que em alta tensão, de modo a não poderem fazer os movimentos 
natumes. Neste estado prostram-se por terra alguns dias, não se 
alimentando .absolutamente nem bebendo agua, restabeleci ndo-se alguns 
e morrendo outros. 

— Animaes novos, recemnascidos, vigorosos e sadios na appa- 
rencia, repentinamente começam a urinar sangue e, dando sigaes de 
fortes {dores, morrem em curto lapso de tempo. 

Ficarei muito grato, si puder me fornecer dados precisos para 
o tratamento da moléstia, cujos symptomús acabo de descrever. 

Resposta — Pela descripção feita, parece-me tratar-se do té- 
tano, íiião obstante esta moléstia ser mais de caracter enzootico. 

Acho conveniente pedir á Inspectoria Veterinária de S. Paulo, 
Largo* da Sé, 3, sobrados a ida de um veterinário á sua fazenda, quando 
apparecer novo caso, com o fim de positivar o diagnostico. 

Si o diagnostico confirmar tratar-se realmente do tétano, a 
única medida preventiva applicavel será a immunisação periódica dos 
animaes cavallares, pelo emprego do soro anti-tetanico. 

Este soro pôde ser encontrado na mesma Inspectoria ou no 
Instituto Pasteur de S. Paulo. 

Quanto á segunda parte da consulta, pelas manifestações des- 
criptas, parece-me tratar-se de piroplasmose. 

'Só o exame bacteriológico do sangue dos animaes em inicio 
da moléstia poderá fixar o diagnostico ; para isso, a Inspectoria Vete- 
rinária de S. Paulo está á disposição dos criadores. 

A' Inspectoria, cujos serviços são gratuitos, compete tomar as 
providencias e jesítabelecer' o respectivo tratamento. 

De. Ch. Conreuk. 



RBVIBTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 205 



PELAS INSPECTORIAS 



Inspectoria do 5. districto (S. Paulo e Mattò Grosso) 

No mez de Janeiro foram vaccinados 175 bovinos 
contra a manqueira, tendo sido distribuídas a diversos 
criadores mais 565 doses dessa vaccina. Em Sylvania, 
E. F. Áraraquara, foram constatados 25 casos de pneumo- 
entcritc infecciosa dos bezerros; algumas vaccas hollan- 
dezas apresentaram mamites e abcessos consequentes ao 
cow-pox. 

Na i olyclinicc da Inspectoria, apresentaram -se ca- 
vallos com garrotilho, abcessos e angina, numerosos cães 
com sarna carcoptica. Em Guapira foram observados 3 
casos de inambiuvú. 

Um funecionario dessa Repartição constatou a exis- 
tência de espiroclietose nas gal linhas do Sr. Capitão (Car- 
los R. de Souza, residente em Villa Rotaifim. Do galli- 
nheiro foram retirados argas araclmideo transmissor da 
referida moléstia. 

Inspectoria do 6.° districto (Minas Geraes e Goyaz) 

Durante o mez de Janeiro foram assignalados di- 
versos focos de carbúnculo symptomatico nos municípios 
de Uberaba, Uberabinha, Conquista e Yilla Platina; o pes- 
soal da Inspectoria vaccinou Í75 bezerros contra essa 
molestií' e pela Directoria do Serviço foram attendidos 
requerimentos de vaccina em numero avultado. Diversos 
focos de febre aphtosa explodiram nos municípios de 
Uberaba Uberabinha, Prata e Fructual, e como tem 
acontecido em annos anteriores foi conduzida pelas gran- 
des le\ as de bovinos procedentes de Goyaz e Matto Gros- 
so de passagem pelo Triangulo Mineiro; felizmente essa 
epizootia tem-se apresentado com caracter muito benigno. 

- No mez de Fevereiro houve focos de peste das 
manqueira nos municipios de Fructal, Prata, Villa Platina, 
Uberabinha. Monte Alegre, Áraraquara, Sacramento, Con- 
quista, Araxá e Uberaba, a cujos criadores foram re- 
mettidas pela Directoria de Industria Pastoril as vacci- 



206 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

nas requeridas. Na fazenda do Sr. Augusto Brunswick, 
em Uberaba, um funccionario da Inspectoria effectuou 

a castração de 274 novilhos. 

O Inspeetor examinou uma leva de 2.117 rezes na 
fazenda Gassú e, que, procedente de Matto Grosso, se 

dirigia a Santa Rita de Cássia: grande parle fora ata- 
cada de febre aphtosa logo após a passagem do porto 
de SanfAnna do Parnahyba. 

— Em Março foram vaecinados 550 bezerros contra 
a manqueira pelo pessoal da Inspectoria. ao passo que 
a Secção de Veterinária da Directoria de industria Pas- 
toril tem attendido aos requerimentos de vaccina feitos 
pelos criadores do Triangulo Mineiro em numero avul- 
tado. Em alguns gallinheiros de Uberabinha foi obser- 
vada a variola-bouba em gallinhas Plymouth e Or- 
pington. 

No dia 5 deste niez, na Estação de Conquista, fo- 
ram examinados 186 reproduclores zebús. a requerimento 
do Sr. Crestes de Macedo Tibery. que os remettia para 
os Estados do Sul. Toda a leva apparentava achar-se em 
bom estado de saúde. 

— Em Abril, o pessoal da inspectoria vacctnou 75 
bezerros contra a manqueira: foram constatados casos 
isolados de pasteurellose bovina, polmòes. poly-arthrite 
e um de osteoporose e diversos casos de bouba dos gal- 
linaceos. 

8.° Districto (Paraná) 

No mez de Março e Abril foi constatado um foco 
de carbúnculo symptom atiço em Castro, onde morreram 
15 cabeças de gado: o pessoal da Inspectoria vaccinou 
114 bezerros e distribuiu 5.150 doses de vaccina contra 
essa moléstia. Em Ponta Grossa apparecerarn 2 cães 
atacados de raiva, pelos quaes foram mordidas 15 pes- 
soas. A Inspectoria aconselhou ás victimas a se submet- 
terem á vaccina de Pasteur no Instituto de Curityba. 
cotaimunicando ás autoridades policiaes as medidas a 
tomar em relação ao caso; estas por sua vez determi- 
naram a matança de todos os cães encontrados em logares 



REVISTA DE VETER1XA1UA E ZOOTECHNIA 207 



públicos. Occorreu um caso de pietirn entope animaes pro- 
cedentes da Inspeçtoria; foram tomadas as medidas pro- 
phylacticas apropriadas. Entre as moléstias microbianas 
occorreram 1 caso de go urine. 2 de diarrhéa em be- 
zerros e 1 burro com anasarca. Das moléstias parasita- 
rias constalaram-se 1 bezerro, 3 cavallos. 2 cães com 
helminlhiase e 5 carneiros com distomalose. Entre as 
moléstias diversas citam 1 cavallos com osteoporose, 2 
cachorros com rachitismo. 1 carneiro com gavarro car- 
tilaginoso. 2 caavllos com arthrite. 1 com eczema, 1 com 
fractura da bacia e um de actiuomycose em boi. 

Houve ainda 3 casos de envenenamento. 

Em Janeiro^ foram distribuídas a diversos criado- 
res sr> doses de vaccina contra a manqueira. 



9.° districto (Santa Catharina) 

Em Setembro continuava a grassar a lebre aphtosa 
em certos municípios deste Estado, embora já se achas- 
sem exlinetos muitos focos anteriormente assignalados. 

A raiva pro seguia em Blumenau e, segundo infor- 
mações de pessoas de Paraty, reappareceu ahi depois 
de julgada extincta. 

Xo serviço de polyclinica occorreu um caso de hel- 
minthiase, uma vacca com abcesso da coxa. um gato 
com kysto na mandíbula e um gallo com diphleria. 

Entre Florianópolis, S. Francisco e Paraty foram 
constatados atacados de raiva 'M) bovinos, 5 cabras, 2'.\ 
cães e 1 cavallo. O chefe de policia do Estado de Santa 
Catharina, mediante circular, pediu aos Superintendentes 
dos.logares flageílados a matança dos cães vagabunòos 
e offerecendo a seus subalternos pílulas de slryclmina 
para esse fim. 

Além do mencionado, houve ainda alguns casos de 
sarna em cavallos e coei lios, um cavado com eczema, 
duas gallinhas e um peru com diphteria e diversos be- 
zerros com pasteurellose. 

Xo município de Blumenau continuaram a appa- 
recer casos de raiva em bovinos e mais raramente em 
equinos. As medidas aconselhadas pela Inspeçtoria con- 



208 MINI&rfiBIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEK'JIO 

sistiram em matança de cães e desinfecções. As autori- 
dades locaes nenhuma providencia tomaram. 

Com as prescripções aconselhadas pela Inspectoria 
cessou em Urussanga a epizootia de pneumo-enterite in- 
fecciosa dos porcos. 

Em Florianópolis occorreu em foco de pasteureliose 
bovina, diagnostico baseado nas lesões de septicenia he- 
morrhagica verificadas na autopsia. As providencias de- 
terminadas foram: desinfecções, isolamento: tratamento 
interno com tintura de iodo e naphtalina. 

O foco ficou extincto. . 

A babesiose existe enzooticamente, tendo sido con- 
statado um caso grave pelo exame microscópico do san- 
gue. O animal atacado procedia da Republica Argentina, 
tendo sido tratado pelo trypanblau. 

Foram attendidos ainda 3 cavallos com cólicas. 1 
coím ascaris, 2 com aguamento. 1 com emphysema, 1 
com verruga, e 1 com angina ; 2 vaccas com indigestão 
gazosa da pança, 7 bezerros com verrugas ; 1 gallo com 
mycose da crista. 

A malleinisação revelou o mormo em um equino ; o 
animal ficou sob as vistas da autoridade. 

Os antigos focos de febre aphtosa extinguiram-se 
todos e não surgiram outros novos. 

A raiva grassa em Blumenau nos bovideos. equí- 
deos e cães. A Inspectoria tem reiterado o conselho de 
serem mortos os cães vadios ; as autoridades locaes ne- 
nhuma providencia tomaram. 

Foi notado que a sarna está muito generalisada. 
encontrando-se com frequência nos animaes de serviço 
nas estradas. 

Casos avulsos observados: 1 cavallo com ascaris. 1 
com cheloide do machinho, 1 com esponja na coroa do 
casco, 1 com parotidite, 1 com enterite, 1 com prego no 
casqo, I com arthrite do joelho, 1 com torsão do ma- 
chinho : 2 bezerros com oyuris, 1 vacca com arthrite 
2 vaccas leiteiras e 25 gallinhas com diphteria. 

O Inspector veterinário informa que em Janeiro do 
corrente anno, o quadro nosologico foi o seguinte : cavai- 



EEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 209 



los, 2 com esponja, 1 com torsão do joelho, 1 distensão, 
eventração, 3 innapetencia, 3 feridas múltiplas, 2 enterite ; 
total, 13; vaccas, 6 atacadas de raiva; 15 gallinhas com 
diphteria. 

As notificações sem intervenção directa da Inspe- 
ctoria foram : 5 cavallos e 91 vaccas atacadas de raiva 
e 27 suínos com pneumo-interite infecciosa. 

— Os casos clínicos do mez de Fevereiro foram: 
equídeos, 1 de verrugas. 1 de helminlbinse, 1 de osteo- 
porose, 1 de arthrite, 1 de ruptura muscular, 1 de ele- 
phantiases, 1 de esforço do machinho. 1 de aguamento, 1 
de feridas do casco, 1 de deformação da bacia, 1 de 
eczema; bovinos. 1 de actinomycose, 1 de gavarro car- 
tilaginoso. 1 de corpo estranho no ubere; caninos, 1 
pasleurellose, 1 de tinha. 

Em Março houve os seguintes casos: cavallos, 
eczema escamoso 2, exostoses 2, anemia 3, inappetencia 
1; muares, gonrme, 1, arthrite 1. 

Por noticias particulares de Blumenau, reinava a 
raiva nesse município. 

— Em Abril chegou ao conhecimento da Inspectoria 
a exislencia, em alguns municípios do Sul do Estado, 
de uma grave epizootia que dizimava o gado. O !ve- 
terinario enviado para effectuar o diagnostico concluiu 
tratar-se de peste da manqueira, já espalhada por Cris- 
siuma, Trussanga e Araranguá. 

Pioram vaccinados 11G bezerros contra essa moléstia, 
distribuiram-se 400 doses de vaccina e deram-se instru- 
rções a diversos interessados sobre o manejo da seringa 
de injectar. Os casos clinicos foram: cavallo, paralysia 
traumática 1, exlenuação 1, anemia 1, esponja 1, feri- 
mento 1. anemia 1 ; muar, rheumatismo 1, bovideo, en- 
terite 1. 

INSPECTORIAS DE PORTOS 

Pela Inspectoria Veterinária do Porto do Rio de 
Janeiro, de 23 de Fevereiro a 31 do corrente anno, fo- 
ram examinados os seguintes animaes de importação ; 
1 cavallo puro sangue, 9 cães e 5 coelhos. 



210 MINISTÉRIO DA AGIU< 'i; 1/J'C kA . INDUSTRIA E OOMMBBCIO 



O Inspector do Porto, coadjuvado por um ajudante 
da Secção de Veterinária, praticou a autopsia de uma 
vacca que se achava em tratamento, da qual foi reti- 
rado material para ulteriores estudos. 

— Durante o mez de Abril foram examinados 3 
garanhões argentinos puro sangue, 7 laisões. 7 perdi- 
zes, 2 gallos Plymouth e seis gallinhas desta raça 

Pertencentes ao Museu Nacional foram submettidos 
á malleinisaçâo 8 equinos suspeitos de se acharem mor- 
mosos. 



ECOS E NOTICIAS 



ANIMAES PARA A REMONTA DO EXERCITO. — Sobre este 
momentoso assumpto, o Sr. Ministro da Agricultura expediu, em 13 
do corrente, o seguinte Aviso ao seu collega do Interior: 

«Sr. Ministro do Interior : 

Por intermédio do Serviço de Industria Pastoril pretende este 
Ministério promover a execução de medidas systematicas tendentes 
a favorecerem o melhoramento do nosso gado cavallar e muar, inte- 
ressando-^ei particularmente pela formação e producção, no paiz, de 
animaes aptos para a remonta do Exercito Nacional e da Força Po- 
licial desta Capital e dos Estados. 

Para poder orientar convenientemente os criadores, ensinado-lhes 
o que convém produzir e quaes as exigências dos mercados com que 
podem contar, precisa este Ministério conhecer, com exactidão, as ne- 
cessidades reaes ;do Exercito e os pontos do território nacional onde 
são ordinariamente feitas as acquisições de cavallos para os serviços 
dos corpos montados. 

Tenho, pois, a honra de solicitar a V. Ex. as necessárias provi- 
dencias, nof .sentido de serem fornecidos a este Ministério, dados e 
informações que elucidem todas as questões constantes dos seguintes 
itens : 

I . Qual o numero de cavallos para os diversos fins, utilizados 
nos diversos corpos de cavallaria, artilharia e infantaria? (Si fôr 
possivel discriminar para cada região militar : especialidade de serviço, 
montaria de praças, de officiaes, tracção e carga) . 

II. Qual o numero de muares empregados no serviço de tracção 
e «carga dos differentes corpos? 

III. Qual o preço médio nas acquizições feitas pelas commissões 
de remonta com indicação das máximas e mínimas? 






BBTIST4 DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 211 



IV. Qual o tem>po que permanecem em serviço os animaes 
nos corpos armados? 

V. Qual o numero de animaes adquiridos annualmente pelas 
«ommissões de remonta e quaes os pontos do paiz ou do estrangeiro 
em que têm sido feitas as respectivas acquisições? 

VI. Existe a.Iguma preferencia para os cavallos provenientes 
de certa^ e determinadas zonas? Em caso affirmativo, quaes os 
motivos desta preferencia e quaes as zonas? 

VII. Existe época determinada para as commissões de remonta 
effectuarem as suas cdmpnia? Como e quando se effectuam taes 
compras, si directamente aos criadores ou si por meio de interme- 1 
diários? 

VIII. Quaes as zonas do paiz onde se compram os melhores 
cavallos para o sen iço de artilharia e si correspondem as exigências 
daquelle serviço? 

Prevaleço-me da opportunidade para reiterar a V. Ex. os pro- 
testos de minha elevada estinyi e distincta consideração.» 

— E\pediram-se actos idênticos ao Sr. Ministro da Guerra e 
aos Governadores e Presidentes dos Estados. 

CARBÚNCULO HEMATICO . — Segundo communicação trans- 
mittida pelo Inspector Veterinário do Pará ao Director do Serviço 
de Industria Pastoril, irrompeu em fins de Julho próximo passado, 
no Curral e Lago Grande de Alemquer e Lago Grande de Villa 
Franco, daquelle Estado, uma epizootia de carbúnculo hematico de 
certa gravidade, felizmente jugulada a tempo por aquella Inspectoria. 

Na primeira das localidades acima, chegaram mesmlo a contrahir 
a moléstia diversos vaqueiros, quatro dos quaes foram victi'mados. 

De um delles foi colhido material cujo estudo bacteriológico 
evidenciou a presença de bacteridia carbunculosa. 

Coimo medida preventiva, foram vaccinados, no Curral Grande, 
pelo Inspector, a despeito da prevenção manifestada a principio por 
alguns dos criadores, 1.400 rezes e 400 bezerros. 

Nas outras localidades foi feita pelo mesmo profissional larga 
applicação da vaccina contra a peste da manqueira nos bezerros, 
sendo o gado adulto todo immunizado contra o carbúnculo bacteri- 
diano. O numero de vaccinação attingiu a 3.500 rezes. 

Foi praticada igualmente, com todo o rigor, a incineração dos 
animaes mortos e ensinada a technica operatória da vaccina aos cria- 
dores do lugar, que muito auxiliaram aquelle funecionario na erra- 
dicação do mal. 

A Directoria de Industria Pastoril já se acha de posse do material 
enviado pela Inspectoria daquelle Estado, para estudos ulteriores em 
laboratório. 

INDUSTRIA DE LACTICÍNIOS. — O Sr. Ministro da Agri- 
cultura encaminhou ao seu collega da Viação, por cópia, a reclamação 
dirigida pelos Srs. Alberto Bceck Jong & C, industriaes de lacti- 



212 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDISTKIA J. [EBCIO 



cinios, estabelecidos em Palmyra, no Estado de Minas Geraes, contra 
o actual serviço de retorno de vasilhame do leite feito pela E. F. 
Central do Brasil. 

— Ao Governo do Estado de Minas, o Sr. Ministro da Agri- 
cultura encaminhou a reclamação dos mesmos industnaes sobre a 
deficiência da taxa do desconto para o peso do vasilhame do leite 
exportado, na parte relativa ao pagamento do imposto de exportação 
cobrado pelo referido Estado. 

CARNES FRIGORIFICADAS. — Formou-se em Uberaba, Estado 
de Minas Geraes, uma sociedade composta de capitalistas importantes 
dalli para a compra e exportação de carnes frigorificadas para a Europa, 
tendo já feito a remessa de seiscentas toneladas com magnifico re- 
sultado. 

A firma que vai agir no novo negocio é composta dos Coronéis 
Manoel Alves Caldeira, Thomé Machado de Azevedo e Manoel Alves 
Caldeira Júnior, e dispõe de consideráveis capitães. Pretende exportar 
mensalmente a carne de doze mil rezes, estando o ultimo sócio via- 
jando para o sul do Estado adquirindo grande quantidade de gado 
gordo. 















f 



«p*** 



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TOURO DE CHIFRES CURTOS 
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DES1R RICHARO COOPER 
SE6UND0. EXPOSIÇÃO REAL 1905-67, 
E PRIMEIR0.I908 



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6-4 
15 



IMPORTAÇÃO DIRECTA DE AVES ESCOLHIDAS 




FES 1: f6 

Anno V Outubro 1915 



N.°5 



REVISTA 



C- 



DE 



Veterinária e Zootechnia 



FXJBr.IO-A.ÇJ-Ã.0 omoiA-L, 



DO 



Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



SUM MÁRIO 



r 



K 



PARTE OFFICIAL : 

Registro Genealógico de Animaes Reproductorrs : Decre- 
to n. 11.425, de 15 de Janeiro de 1915, approvando o res- 
pectivo regulamento 213 

Drs. Gustavo Dutra filho e Octávio Dupont: Alimentação 

dos equídeos 223 

COLLABORAÇÃO: 

Drs. Aleixo de Vasconcellos e Serapião de Figueiredo : 
Relações biológicas entre os hematozoarios da malária 

humana e os da malária bovina 23,0 

Dr. Gastão Ubbain : Peste de cegar 338 

PAULO Pestana : A riqueza, pecuária do Prata 242 

PELAS REVISTAS: 

Hipoderma bovis (o berne) 247 

ECOS E NOTICIAS 247 

A pecuária em Minas— Carnes congeladas — Epizootia da raiva — 
Importação de animaes — Desinfecção de wagons destina- 
dos ao transporte de animaes — Exportação de couros. 

BIBIJOGRAPHIA 253 



:== \ 



Typ. e Pap. Villas Boas & C. — Rua 7 de Setembro ns. 219 a 225 



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recommendadas pela Directoria do Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agri- 
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gaz, álcool, petróleo e electricidade. 

Estufas, autoclaves, fornos, banho-maria, etc, etc. 

Apparelhos especiaes de Gerber, para exame de leite, manteiga e queijo. 

Caixas com comprimidos para exame de agua e urinas. 

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vapores de formol, pulverisadores, seringas para desinfecção, estufas, etc, etc. 

Instrumentos de cirurgia, arte dentaria, accessorios de pharmacia e laboratórios, 
fundas etc, etc 

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Correio 
CAIXA 735 



FEB 19 1916 



REVISTA 



DE 



Veterinária e Zootechnia 



dpttzbzlic.^ga.o ofifioi-ajl, 

A 

DO 

Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



OUTUBRO —1915 



Tomo V — Fascículo V 






IR.IO IDE JANEIRO 
1915 



: 



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H- 



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§*— 




^^WY^winwwwvn ^ "fT itt rn r 'wi "T 1 irnfnw] twi ih wi ig 

| ^ TODO O CRIADOR BRASILEIRO deve J 

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Revista de Veterinária e Zootechnia 

Publicação Official do Serviço de Industria Pastoril 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Distribuição gratuita aos criadores do paiz que a solicitarem 

ACCEITAM-SB ^^IsTnNTXJISrCIOS 

Toda a correspondência relativa á REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA, pedidos, 
reclamações, etc-, devem ser dirigidos a Fernando Werneck, Caixa Postal n. 1678 — Rio — Brazil 

y ' 

ANNO V Outubro de 1915 N<> 5 



EXPEDIENTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar a 
interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possivel, o numero de ordem de sua inscripção. 



Serviço d.e Ixid.-u.str ia, Pastoril 



PARTE OFFICIAL 

REGISTO GENEALÓGICO DE ANIMAES REPRODUCTORES 

DECRETO N. 11.425 — 13 de janeiro de 1915 

Approva o rtj.uulaniento para re^er os registos genealógicos de animaes reproducto- 
res, a cargo da Directoria Geral de Agricultura, da Secretaria de Estado dos 
Negócios da Agricultura, Industria e Commercio. 

O Presidente da Republica dos Instados Unidos do 
Brazil, tendo em vista o disposto no art. 2.° n. 1, iettra D, 
da lei n. 1.606, de 29 de Dezembro de 1906, e attendendo á 
conveniência de se facilitar e estimular a organização de 
registos genealógicos de animaes reproduetores nas di j 
versas regiões pecuárias do paiz, e usando da autori- 
zação constante do art. 79, alínea VIII, da lei n. 2.924, 
de 5 de janeiro do corrente anno, decreta: 

Artigo único. Fica approvado, para reger os registos 
genealógicos de animaes reproduetores a cargo da Di- 
rectoria Geral de Agricultura, da Secretaria de Estado 
dos Negócios da Agricultura, Industria e Commercio, o 



214 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COJfMEBCIO 

regulamento que com esle baixa, assígnado pelos mini- 
tros de Estado dos Negocias da Agricultura, industria 

e Comimercio e da Fazenda. 

Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 1915, 94° da Inde- 
pendência e 27.° da Republica. 

Wenceslau Braz P. Gomes. 
João Pandiá Calogeras. 
Sabino Barroso. 



Regulamento a que se refere o decreto n. 11.425, desta data 

CAPITULO I 

DO REGISTO GERAL DE AN I MÃES REPRODUCToRES E DAS GABAH- 

TIAS QUE OFFERECE 

Art. l.° Na Directoria Geral de Agricultura da Se- 
cretaria de Estado dos Xegocios da Agricultura. Indus- 
dustria e Commercio será organizado o registo geral dos 
animaes reproductores das espécies bovina, equina, ovina 
e suína, importados do estrangeiro ou nascidos e criados 
no paiz. 

Paragrapho único. Desse registo devem constar o 
nome do animal, sua nacionalidade, filiação, idade, pello, 
marcas e quaesquer signaes caracteriticos e, bem assim, 
o nome do respectivo proprietário. 

Art. 2.° O registo de que trata o artigo anterior 
será feito em livros especiaes, conforme o modelo annexo 
e comprehende: 

I — O Stud-Book brasileiro das raças estrangei- 
ras. 

II — O Stud-Book brasileiro das raças nacionaes. 

III — O Herd-Book brasileiro das raças estrangei- 
ras. 

IV — O Herd-Book brasileiro das raças nacionaes. 

V — O Flock-Book brasileiro das raças estrari- 
geiras. 



ras. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 215 

VI O Flock-Book brasileiro das raças nacionaes. 

VII — O Pig-Book brasileiro das raças estrangei- 

VIII — ,0 Pig-Book brasileiro das raças nacionaes. 

Ari. 3.° ,Para os effeitos da inscripção nos livros 
genealógicos são considerados nacionaes os animaes nas- 
cidos e criados no território brasileiro. 

Ail. -1.° Nos livros genealógicos das raças estran- 
geiras só poderão ser inscriptos reproduetores de puro 
sangue. 

Aii. 5.° Nos livros destinados á inscripção dos pro- 
ductos nacionaes não poderão ser inscriptos animaes de 
ehisse inferior a meio sangue. 

Par&grapho único. Considera-se meio sangue o pro- 
ducto de um neproductor puro com animal sem sangue 
de raça ou o producto de pães de meio sangue. 

Ari. 6.° O Governo Federal, no intuito de fomentar 
a selecção progressiva do gado nacional e de facilitar aos 
criadores a obtenção de documentos destinados á prova 
e garantia da origem dos próductos nacionaes. assim 
como da sua ascendência, procurará entrar em accôrdo 
com as associações ruraes ou suas uniões e com as Cama- 
rás Municipaes para o fim de se instituírem regionaes ou 
locaes. em conformidade com as prescripções do presente 
regulamento. 

Paragrapho único. Para o eITeilo do disposto no 
artigo anterior, o Governo Federal poderá, de accôrdo 
com os recursos orçamentários, conceder annualmente 
ás associações ruraes ou ás suas Uniões e as Camarás 
Municipaes o auxilio pecuniário (pie for lixado pelo 
ministro. 

Ari. 7.° Os certificados e certidões expedidos pelas 
associações cpie mantiverem seus registos legalmente or- 
ganizados terão fé publica. 

Ari. 8.° Realizada a hypothese prevista no aii. ó.°, 
a esphera de competência da União, dos Estados e das 
Associações Ruraes e Gamaras Municipaes, em matéria 



216 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. INDUSTRIA J. COM ME 



de registos genealógicos de animaes reproductores, fica 

delimitada pela forma seguinte: 

A 1 União compete, privativamente o registo de todos 
os animaes reproductores de sangue puro importados 
do estrangeiro e a expedição do respectivo certificado. 

A's Associações Ruraes ou suas Uniões c Camarás 
Municipaes compete privativamente o registo dos pro- 
ductos nacionaes definidos no art. 3.° deste regulamento 
e a expedição do respectivo certificado. 

§ 1.° Depois de inscripto no registo geral a cargo 
d»a Directoria Geral de Agricultura, o reproductor estran- 
geiro importado poderá sel-o igualmente nos registos das 
Associações Ruraes ou Camarás Municipaes. 

§ 2.° fímquanto não houver nos Estados registos 
organisados, a inseripção dos productos nacionaes poderá 
ser feita directamente no registo geral da Directoria Gerai 
de Agricultura, desde que esses productos sejam oriun- 
dos de reproductores anteriormente inscriptos nos livros 
genealógicos. Nesta hypothese. a verificação de identi- 
dade será feita pela ínspectoria Veterinária do Districto 
da residência do criador. 

Art. 9.° Será considerado legitimo proprietário do 
animal estrangeiro importado todo aquelle que o inscrever 
no registo geral da Directoria Geral de Agricultura, de- 
pois de satisfeitas as condições exigidas pelo presente 
regulamento. 

Paragrapho único. Serão nullas de pleno direito as 
inscripções feitas com documentos falsos. 

CAPITULO II 

DA INSCEIPÇÃO DOS REPRODUCTORES ESTRANGEIROS 

Art. 10. A inseripção dos reproductores introduzidos 
do estrangeiro deverá sempre ser feita dentro do prazo 
de 30 dias após a chegada do animal nos v portos do 
Rio de Janeira e Santos, de 60 dias nos portos de Bahia, 
Victoria e Paranaguá, e de 90 dias nos demais portos e 
pontos de fronteiras habilitados para importação de gado. 

§ 1.° O proprietário do animal ou seu bastante oro- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 217 

curador solicitará a inscripção do animal por meio de 
petição devidamente assignada e sellada com estampi- 
lhas federaes no valor de 600 réis por folha de papei 
e com a firma reconhecida por notário publico, com a 
declaração ,do nome. edade, sexo. filiação oôrdo pello, mar- 
cas e signaes característicos e naturalidade do animal, e» 
liem assim, nome e indicação do ultimo proprietário. 

§ 2.° A petição será instruída com os seguintes do- 
cumentos devidamente legalizados, cumprindo que os de 
procedência estrangeira sejam escriptos ou traduzidos em 
portuguez : 

Titulo de propriedade, photographia e prova de 
identidade do animal, allcslado cie saúde e de identidade 
passado pelo funecionario, de que cogita o § 3.° deste 
artigo, e pedgree, expedido em forma legal e aulhentica 
pela instituição que mantém, no paiz de origem, o registo 
genealógico da raça a que pertence o animal importado. 

§ i>.° Cabe á Directoria de Veterinária no porto do 
Rio de Janeiro, e ao inspector veterinário do districto nos 
outros portos designar o funecionario para proceder á 
verificação de identidade e estado de saúde dos reprodu- 
ctores importados. 

§ !.° Do pedgree devem constar: o nome, a idade, 
a filiação, gráo de sangue, a localidade onde nasceu o 
anima!, a origem, marcas ou quaesquer signaes caracte- 
rísticos e. bem assim, o nome do ultimo proprietário. 

§ ,").' Não serào acceitos os pedgrees ou certificados 
de origem expedidos por associações cuja idoneidade não 
seja reconhecida pelos governos dos respectivos paizes 
e que não venham devidamente authenticados com a 
visto do cônsul brazileino, da cidade da sede da associa- 
ção que mantém o registo genealógico da raça ou da 
cidade mais próxima. 

Ari. 11. Além dos livros referidos no art. 2 o , haverá 
na Directoria Geral de Agricultura um livro com folhas 
em branco, onde serão colladas as photographias dos 
reproduetores importados, devendo haver um livro para 
cada espécie. 



218 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMXEBCIO 



Art. 12. O proprietário do animal ínscripto receberá 

o certificado de inscripçfio de accôrdo com o modelo an- 
nexo. 

Art. 13. Nos dias 1 de julho e .'>1 de- dezembro de 
cada anno, a Directoria Geral de Agricultura lará publi- 
car no Diário Official a relação dos animaes ínscriptos 
no semestre anterior. 

Art. 14. E' licito a quem quer que seja requerer 
certidão da inscripçfio de qualquer animal uo registo 
geral. 

Art. 15. Os inspectores das alfandegas continuam 
obrigados a enviar á Directoria Geral de Agricultura a 
cópia authentica de que cogitam os arts. õ.°. H:>, e 9.°, 
do regulamento annexo ao decreto n. 390, de 13 de Junho 
de 1891. 

Art. 16. A Directoria de Veterinária enviará men- 
salmente á Directoria Geral de Agricultura a relação dos 
reproduetores que houverem sido inspeccionados no porto 
do Rio de Janeiro e nos demais portos habilitados paru 
importação do gado estrangeiro. 

Art. 17. A Directoria Geral de Agricultura cobrará 
as seguintes taxas de inscripção: 



Por animal de espécie equina 10S000 

Por animal de espécie bovina 5s000 

Por animal de espécie ovina 2s000 

Por animal de espécie suina 2s000 

Paragraplio único. As taxas serão cobradas em es- 
tampilhas federaes colladas e inutilizadas no certificado 
de registo que for expedido. 

Art. 18. O certificado terá os dizeres constantes do 
modelo annexo; será extrahido pelo official encarregado 
dos registos e authenticado pelo director da secção. 

Art. 19. O proprietário que, sem motivo justificado, 
deixar de inscrever o animal importado, dentro dos prazos 
marcados no art. 10, incorrerá na multa de 1008, que lhe 
será imposta pelo director geral. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 219 

Paragrapho único. Fica revogada a disposição do ar- 
tigo 7." do regulamento annexò ao decreto n. 390, de 13 
junho de 1891. 

Ari. 20. Não será permittida a mudança de nome 
do animal importado e exclusivamente destinado á re- 
producção. 

Paragrapho único. Si o nome do animal apresentado 
á inscripção for iguaJ ao de outro anteriormente inscripto, 
deverá ser notificado o respectivo proprietário, afim de 
fazer a necessária substituição. 

Ari. 21. O proprietário do reproduetor inscripto no 
registo geral é obrigado a participar, por escripto e nos 

mesmos prazos estabelecidos pelo art. 10, a transferencia. 
morto ou inútil isação do animal com a indicação das 
dala em que algum desses factos occorreu. 

Paragrapho único. O adquirente fará idêntica com- 

municação. 

CAPITULO III 

I><» REGISTOH REGIONAES E DA INSCRIPÇÃO Dos PKODUCTOS 

NASCIDOS Mi PAI/ 

Art. 22. A inscripção dos reproduelores nacionaes 
no registo geral da Directoria Gerai de Agricultura se 
fará mediante simples communicação official do encarre- 
gado dos registos regionaes ou Locaes mantidos pelas cor- 
porações de que cogita o art. 6.° deste regulamento. 

§ 1.° Essa communicação poderá constar simples- 
mente da transcripção do certificado expedido ao criador. 

§ 2.° As rectificações feitas nos registos regionaes ou 
locaes posteriormente á data da inscripção deverão ser 
commun içadas a Directoria Geral de Agricultura. 

Art. 23. Os registos regionaes ou locaes serão insti- 
tuídos e mantidos pelas corporações a que se refere o 
art. 0.° do presente regulamento. Todavia só serão reco- 
nhecidos como officiaes para o effeito de provarem a ori- 
gem e descendência dos animaes inscriptos os certificados 
que forem legalmente expedidos pela instituição cujas nor- 



220 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



mas, nessa parle, tenham sido organizados de accôrdo 
com as prescripções do presente regulamento. 

Ari. 24. E' licito a essas corporações organizarem, 
pelo modo que julgarem mais conveniente aos seus Interes- 
ses e fins de sua creação, os registos genealógicos das 
raças exploradas na região da sua sede. 

§ 1.° O encarregado dos registos genealógicos re- 
gionaes ou locaes será responsável, como official de fé 
publica, nessa parte, pela exactidão dos assentamentos, dos 
certificados e certidões expedidos. 

§ 2.° Os livros de registos mantidos por associações 
que não tiverem a precisa idoneidade serão ca nce liados. 

Art. 25. As corporações que receberem auxilio do 
Governo Federal para a manutenção dos registos genea- 
lógicos ficarão sujeitas, quanto a esse serviço, á fiscali- 
zação do Ministério da Agricultura. 

Art. 26. A subvenção a que se refere o paragrapho 
único do art. 6.° deste regulamento será suspensa logo 
que os registos regionaes ou locaes tenham adquirido 
desenvolvimento suíficiente ou quando as corporações 
beneficiadas não derem fiel execução aos compromissos 
assumidos. 

Art. 27. O animal legalmente inscriptõ nos registos 
regionaes ou locaes é considerado, até prova em contra- 
rio, propriedade do criador, que o inscrever. 

Art. 28. O encarregado dos registos genealógicos re- 
gionaes ou locaes fará publicar semestralmente no jornal 
de maior circulação na região a relação cios annnaes ín- 
scriptos e íransmlttírá ã Directoria Geral cie Agricultura, 
no começo de cada mez, a relação dos animaes inscriptos 
no mez anterior. 

Art. 29. Nas exposições e concursos de reproductores 
só os animaes devidamente inscriptos nos registos genea- 
lógicos poderão concorrer aos prémios pecuniários insti- 
tuidos. 

Art. 30. Os estatutos dos registos genealógicos re- 
gionaes, bem como o modelo dos livros, emolumentos e 
taxas deverão ser previamente submetticlos á approvação 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 221 

do Ministério da Agricultura e uma vez approvados serão 
publicados na integra no Diário Official. 

Art. 31. As certidões extrahidas dos livros «enea- 
lógicos regionaes legalmente escripturados, passadas e as- 
signadas pelo encarregado dos registos, devidamente sel- 
ladas e rubricadas pelo presidente ou intendente das 
corporações referidas terão te publica. 

Ari. \\2. Xos dias 1 de julho e 31 de dezembro de 
cana anuo a Directoria Geral de Agricultura fará publicai* 
no Diário Official um extracto do referido registo dos 
animaes nacionaes inscriptos em conformidade com o 
presente regulamento. 

Ari. 33. Revogam-se as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 1915. — João Pan- 
diâ Calogeras. 

Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, In- 
dustria e Commercio — Directoria Geral de Agricultura — 

Certificado de registro no Book Brazileiro — Animaes 

importados — Raça — Nome 

Certifico que, de accôrdo com o regulamento annexo ao 
decreto n. 11.425, de 13 de janeiro de 19 15, foi inseri pto, 

sob 11 á folhas do volume um repro- 

duetor de raça de nome 

Sexo Pello Signaes 

particulares ou marca 

Nascido em .... de de 19 ... . 

Paiz de origem Pae 

inscripto no Book sob. n 

M ãe inscripta no Book 

sob 11 Proprietário 110 momento da inscri- 

pçâo Residente em 

Estado de Importado em .... de 

de 19.... pelo porto de 

Rio de Janeiro, .... de de 1 9 ... . 

O . . . . official 

Visto. 



Director de secção. 



222 MIKISTEBIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, In- 
dustria e Commercio — Directoria Geral de Agricultura — 

Book Brazileiro de raças estrangeiras — Volume i 

— Animaes importados — Numero Raça 

Nome Sexo 

Inscripto no Book sob n 

Pello Marca 

Signaes particulares 

Nascido em de de 19 ... . 

Paiz de origem .. 

Pae inscripto no Book sob 11 . . . . 

Mãe inscripta no Book sob 11 . . . . 

Nome do criadar ou vendedor 

Residente 

Nome do proprietário 

Residente em Estado de 

Inscripto neste Book no dia .... de 

de 19 ... . 

. , Observações 



Rio de Janeiro, .... de de 19 ... . 

O . . . . official, 



Visto 
Director de secção 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 223 



Posto Zootechnico Federal de Pinheiro 



ALIMENTAÇÃO DOS EQUÍDEOS 

Resposta dada pelos D:s. Gustavo d'Utra, Ajudante de Zootechnia, e Octávio Dupont, Ajudanti de Veterinária, interino, 

aos quesitos formulados pelo Sr. Américo Brasil 

1." Quaes as condições de alimentação mais re- 
oommendaveis puni o perfeito desempenho e conservação 
de um garanhão ? 

Km resposta a esta primeira pergunta lemos a con- 
siderar, preliminarmente, dois casos: 

a garanhões no periodo de monta; 
1) garanhões no periodo de descanço. 

Entre nós, no que se refere á exploração dos equí- 
deos, podemos dividir o anuo em dois períodos, perfeita- 
mente caracterisados: o primeiro, que se inicia em Agos- 
to e tinalisa em Dezembro, é o periodo da monta, época 
em que ha mais éguas a fecundar e, portanto, se exige 
maior actividade da funeção genésica dos garanhões: 

K" nesse periodo. em que o trabalho das eellulas es- 
permaticas se accelera e o animal despende maior somma 
(!<• energia, que se lhe deve proporcionar uma alimenta- 
ção solida \. anunciante, particularmente em princípios 
albuminóides e phosphatados, de- modo a serem conve- 
-niente e perfeitamente reparadas as perdas experimenta- 
das pelo organismo, sem o menor prejuízo para sua 
saúde 1 e seu vigor. 

O volume das ra.ções deverá, naturalmente!, variar 
sempre com o peso do animal e o serviço por elle exe- 
cutado. Quanto mais forte fôr o trabalho exigido do re- 
pròductor, tanto maiores serão suas necessidades alimen- 
tares. 

Entretanto, impõe-se sempre a diminuição da pro- 
porção de forragens fibrosas e de qualquer alimento que 
excite a sede dos garanhões, forçando-os a beber muito, 
á medida que se vae exigindo delles maior trabalho, por- 
quanto a fraca capacidade de seus órgãos digestivos não 
permitte um excesso em taes alimentos, além de determi- 
nado limite. Muito raramente se poderá administrar aos 



224 MINISTÉRIO DA AGBICULTUEA, JNUrsTJUA E COMMEBCIO 

cavallos, por 1.000 kiios de peso vivo, dose superior a 
10 ou 15 kílos diários de forragens fibrosas. 

Na Europa, a aveia e o feno formam os alimentos 
typicas do cavallo. A primeira constituiu sempre o 
grão nobre para a composição da ração dos equídeos, 
havendo alli, ainda hoje, quem a julgue insubstituível. 
Entretanto, mesmo na Europa, elia vae sendo suppian- 
tada pelo milho, cuja composição muito se approxima da 
sua c cujo valor na alimentaição dos cavallos em nada 
lhe c inferior, como o demonstraram as memomveis ex- 
periências realisadas na Companhia de Omnibus de Paris. 

Sobre este ponto parece não haver mais contesta- 
ção, restando apenas aos enthusiastas da aveia a de- 
fesa de uma certa superioridade, que lhe attribuem pela 
supposta existência de um principio excitante, a avenina, 
até agora, entretanto, ainda não isolado. 

Para nós, por conseguinte, que o produzimos em 
aounciancia, é o milho o grão destinado a constituir a 
base da alimentação dos equídeos em geral, podendo-se-lhe 
addicionar, diariamente e por cabeça, de um a dois kilos 
cie aveia, no periodo activo da monta, mormente quando 
se trata de garanhões de raça. importados, que se acha- 
vam habituados anteriormente a esse alimento. 

A ração, assim composta, só terá a ganhar em ri- 
queza, tornando-se. porém, mais cara, pois a aveia tem 
aqui um preço bastante elevado. 

Tendo-se, portanto, em vista a consideração de que 
os garanhões exigem, no periodo de monta, uma alimen- 
tação substancial, capaz de resarcir com vantagem as 
perdas soffridas por seu organismo e que. ao mesmo 
tempo, uma ração composta de substancias grosseiras 
é prejudicial á saúde e ao vigor do animal, sem se es- 
quecer o prejuízo trazido á sua esthetica pelo desenvolvi- 
mento exaggerado, que pode tomar o ventre, forçoso se 
torna a escolha de alimentos, que, sob volume, satisfaçam 
a essa tríplice condição. 

Teremos, então, como alimentos mais apreciados para 
os cavallos, entre os grãos, a aveia, o milho, e a cevada ; 
entre os residuos da moagem, o farelo de trigo e. entre 



REVISTA DE VETEKIXAR1A E ZOOTECHNIA 225 



os fenos, ci alfafa, o jaraguá, a graminha, o chloris vir- 
gala. o favorito, etc, aos quaes se vem juntar o capim 
verde, (j aguará, graminha e chloris, de preferencia), em 
dose não superior a dez ou doze kilos, por dia e cabeça, 
muita:, vezes mais a titulo hygienico do que propriamente 
alimentar, conhecendo-se a benéfica influencia que so- 
bre o organismo dos equideos exercem as forragens, sol- 
tando e limpando-lhes o ventre. 

Para se lhes auxiliar a mastigação e por conseguinte 
poupar-se-lhes a energia que leriam de despender inutil- 
mente nessa operação, é sempre aconselhado dar-se-lhes o 
milho quebrado, (cangiquin ha), sendo não raro até ne- 
cessário ([liando se trata de animaes que têm o máo 
habito de ingerir os alimentos com muita soffreguidão. 
mistural-o com um pouco de feno picado, obrigando- 
se-os assim a melhor triturar e ensalivar o bolo ali- 
menlar. resultando dahi grande facilidade para o trabalho 
ulterior do apparelho digestivo* 

Para um garanhão de raça, em activo serviço de 
monta, satisfaz plenamente uma ração assim composta: 

Aveia, 2 kilos $600 

Milho quebrado, 2 kilos #200 

Peno de jaguará, 3 kilos #150 

Capim verde, S kilos $032 

Aqui no Posto tem-se dado aos garanhões, no pe- 
ríodo da monta, as seguintes rações: 

Aveia, 2 kilos $600 

Cevada, 1 \2 kilo $ i5o 

Milho quebrado, 1 kilo #100 

Farelo de trigo, 1 kilo $100 

Feno de graminha, 3 kilos $150 

Capim verde, 8 kilos $032 

15232 

À& rações devem sempre ser distribuídas duas vezes 
por dia, em horas determinadas, para que não haja ir- 
ritação do estômago dos animaes, quando forem muito 
retardadas, nem cansaço, quando entre ellas não medeiar 
um intervallo conveniente, dando-se de preferencia, na 



22G MIKlfeTERIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B OOMMEB4 



ração da tarde, os alimentos que exijam disgestâo mais 
demorada. 

A administração da agua d^vvrú sempre preceder 
a das rações. 

Si se notar que os garanhões se apresentam muito 
esquentados, durante a estação de monta, reduzir-se-ão 
inrmediatamente as quantidades de aveia e milho, au- 
mentando-se, para compensar, a de farelo de trigo, por 
exemplo. 

Convém observar que a aveia, como já dissemos, 
pode ser completamente, e sem nenhum inconveniente, sub- 
stituida pelo milho, forragem muito mais barata. Si a 
ella fazemos referencia é porque se traia de um alimento 
a que estão habituados todos os garanhões importados 
do estrangeiros e que muito a appetecem. 

O sal será dado na dose diária de 15 a 25 grammas. 
por cabeça, sendo sempre de boa pratica dissolvel-o na 
agua destinada a humedecer a mistura de farelo e milho 
quebrado, condimentando-se assim, mais uniformemente, 
a ração. 

Á titulo hygienico, usa-se também administrar a cada 
reproduetor 250 grammas de linhaça, uma ou duas vezes 
por semana. 

Os garanhões no periodo de descanço (Janeiro a 
Julho) podem receber os mesmos alimentos, á excepção da 
aveia, que será banida por completo, em rações natural- 
mente menos fortes. 

Nesse periodo toda a preoceupação deve residir em 
procurar-se manter o garanhão em boas carnes, evitando- 
se sua engorda, por meio de frequentes exercicios. que 
apresentam ainda a alta vantagem de contribuir para 
tornar o animal mais dócil e sociável, qualidades que 
por certo se irão reflectir sobre sua prole. 

A gordura traz como consequência immediata a di- 
minuição da energia e do vigor, qualidades indispensá- 
veis a um bom garanhão. 



REVISTA DE VETEEINAEIA E ZOOTECHNIA 227 



Aqui no Poslo tem-se dado aos garanhões em repouso 
não absoluto a seguinte ração: 

O j 

Aveia, i kilo £300 

Milho quebrado, 1 kilo $100 

Farello de trigo 1 kilo 5 100 

Feno de jaraguá, 3 kilos #150 

Capim verde 10 kilos $040 

$690 

Deve evitar-se a introducção na ração de lodo e 
qualquer alimento alterado, que possa introduzir eólicas 
ou desarranjos inleslinaes. sempre graves nessa espécie, 
assim como de grande quantidade de farelo de trigo, 
que, devido ao seu elevado teor em saes mineraes. em 
excesso é sempre prejudicial á saúde dos equinos, oc- 
casionando-lhes a formação de cálculos na bexiga. 

2.° Deve dif ferir a alimentação das éguas? 

Temos aqui Ires casos a considerar: 

a éguas que vivem permanentemente no campo; 
I) éguas em meia eslabulacão ; 
c éguas em est anulação completa. 

As éguas da primeira categoria não nos interessam, 

porque essas se alimentam exclusivamente com o que 
lhes fornece o paslo. 

Pelas da segunda categoria entendem-se éguas que 
vão ao campo, mas recebem na cocheira, uma ou duas 
vezes por dia, uma ração supplementar, podendo ser 
utilisadas nos differentes serviços da fazenda ou não 
prestai' serviço algum. 

Km taes condições, essas éguas, consumindo no pasto 
diariamente de 40 a 45 kilos de forragem verde, 'se- 
gundo as estimativas feitas, necessitam apenas de unii 
pequeno supplementq alimentar, que poderá consistirem 
pouco de fubá on de farelo de espigas inteiras de milho 
de mistura com canna ou capim, picados, despesa que 
será vantajosamente paga pelo maior trabalho que se 
poderá exigir do animal, assim como pejla melhor quali- 
dade de seu produeto. 

As éguas não apresentam as mesmas exigências ali- 
mentares que os garanhões. Além do pasto, que lhes 
é extremamente útil sob vários pontos de vista, basta-lhes 



228 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 



um ligeiro accrescimo de alimentos concentrados, com 

a condição, porém, de que estejam em bom estudo de 
conservação e perfeitamente isentos de impurezas, para 
se evitarem as perturbações intestinaes. causas frequentes 
de abortos. 

O Dr. N. Athanassof dá. no seu trabalho sobre a 
alimentação dos equídeos, os dois seguintes modelos de 
rações para éguas, sendo o primeiro para animaes que 
vivem 1 no pasto, em tempo de penúria de forragem verde, 
e o segundo para éguas em aleitamento : 

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Farello de trigo, ij2 kilo $050 

Milho (esp. int trit. 1 kilo $050 

Canna picada, 5 kilos S020 

Sal Soio 

$130 
II 

Farello de algodão, 0,250 grams. S025 
Farello de trigo, 0,250 grammas . $025 
Milho quebrado, 0.500 grammas. . $050 

Milho (esp. int. trit.). 1 kilo $050 

Canna picada, 5 kilos S020 

Sal joio_ 

Si 80 

Quanto á terceira categoria, raramente se encon- 
tram éguas submettidas ao regimen de completa es- 
tabulação. a não ser um ou outro animal doente, ou 
de grande estima. Tal regimen, além de ser pouco eco- 
nómico, nunca é tão saudável e hygienico para as 
éguas como o de pleno campo, quer ellas se achem em 
gestação, quer em aleitamento. 

3 >0 — Qual o regimen medicamentoso que se deve 
applicar ás éguas quando "maninhas", afim de produ- 
zir a cessação do seu continuo "cio" ? 

4.° — Haverá algum recurso extremo com applica- 
ção para a padreação de faes éguas? 

Respondendo ás perguntas do Sr. Américo Brasil, 
referentes á minha especialidade, cumpre-me informar 
o seguinte: «as causas do estado de "maninha" nas éguas. 
em casos isolados, são numerosos, tendo as principaes, 
origem nos órgãos genitaes : irritações dos ovários, por 
causas as mais variadas, e também a methrite chronica. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 229 

O prognostico sobre a cura de taes animaes, e a 
esterilidade concomitante } são sempre muito problemá- 
ticos, porque as causas são de difficil combate. 

Si tiver methrite (catharro uterino), será bom ex- 
perimentar lavagens diárias no útero, com permanganato 
de potássio dissolvido na agua fervida, quando estiver 
morna, na proporção de 1 para 2.000 (,"> litros ipara 
cada lavagem 

yuan a o Houver obtido algum resultado, na época 
do cio, meia hora antes da cobertura, mjecta-se na va- 
gina um litro de solução de bicarbonato de sódio i a 
5 por mil. 

As (.uísiís. residindo no ovário, não podem ser tra- 
tadas num estabelecimento de criação; tratamento que, 
em todo o caso, raramente dá bom êxito. 

A administração de calmantes pelo tubo digestivo 
também dá resultados muito fugazes: 10 a 20 grammas 
de bromureto de camphora, por dia, em poção, pôde 
experimentar-se durante alguns dias. 

Numa égua nova, que não pega cria, é sempre bom 
fazer a dilatação do collo uterino com o dedo. Meia hora 
antes da cobertura faz-se na vagina ;i injecção de bi- 
bicarbonato de sódio, acima mencionada. Um outro meio 
empregado* na esterilidade das éguas e também para 
fecundar vai ias éguas com uma só cobertura, é a fe- 
cundação artificial^ descripta num dos números da Re- 
vista de Zootechnia e Veterinária, órgão official do Mi- 
nistério da Agricultura. 






230 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E 0OMME8CIO 



COLLABORAÇÃO 



A redacção da "REVISTA" não se 
responsabilisa pelos conceitos emittidos 
em artigos assignados por seus collabo- 
radores. 



Relações biológicas entre os hematozoaríos da malária 
humana e os da malária bovina 

PELOS DKS. 

^J.ei2£o d.e Vasconcellcs 

Livre Docente da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro 

E 

Serapião de STigru-eired-c 

Interno dos Hospitaes do Rio de Janeiro 

Saber só o que os antigos souberam e 
disseram, não é saber, é lembrar-se. 

Padre Vieira — Historia do Futuro. 

As nossas pesquizas systematieas em preparações 
&&/ de sangue e de órgãos/doentes de impaludismo, prove- 
nientes de Merity, uma das localidades do Districto Fe- 
deral no Rio de Janeiro, em que existe endemicamente a 
Malária, e em preparações de sangue de bovinos immuni- 
sados contra a piroplasmose, que reagiram energicamente, 
após a inoculação de sangue virulento, em determinado 
prazo, permittiram que tirássemos illações perfeitamente 
lógicas sobre as relações morphologicas e biológicas, entre 
as duas espécies de hematozoaríos. 

As verificações ao microscópio, as noções já adqui- 
ridas mas não assignaladas, dos effeitos das substancias 
medicamentosas (trypanblau, para a piroplasmose e qui- 
nina, para o impalludismo), differentes nas diversas pha- 
ses de ambas as moléstias, certos aspectos clinicos, as 
lesões* anatomopathologicas e as propriedades biológicas 




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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 231 



das duas entidades parasitarias, são os elementos para a 
base das nsosas aífirmações. 

As alterações hematológicas constantes nas anemias 
de origem malarica, do homem e dos bovinos, são d^ 
tal ordem semelhantes, que não podem passar desperce- 
das a quem se dedica a esses estudos. 

Assim, tanto nas preparações de sangue humano, 
como nas de sangue bovino,, a pecylacytose, a metachro- 
masia, a anisocytose, os normoblastos. a crise hemato- 
blastica e leucopoetica, e a reducçâo jdo numero de he^ 
imitias, são alterações frequentes. 

Acompanhando-se a evolução da malária bovina em 
preparados de sangue coloridos pela solução de Giemsa, 
veriliea-se que existem formas .correspondentes aos schi- 
zontos da inalaria humana e putras de significação ainda 
discutida, que nós pensamos em approximal-as dos ga- 
melos do impalludismo. 

Entre essas duas formas de resistência, não ha pro- 
priamente semelhança, mas biologicamente cilas repre- 
sentam o mesmo papel. 

As formas de evolução schizogonica do hematoozario 

de Laveran, são sensíveis aos saes de quinina, os gametos 
são altamente resistentes. O mesmo se nota com a ma- 
taria bovina. O Irvpanblau. introduzido na therapeu- 
tica veterinária por Xultal. é o agente mais efficaz por 
ora conhecido para o tratamento da piroplasmose : entre- 
tanto, elle não tem acção curativa quando no sangue dos 
animaes doentes se encontram as formas chamadas ana- 
plasmas, que a escola de Theiler considera uma nova 
espécie de protozoário, em opposição forma] á muitos 
outros pesquizadores. Smith. Kilborn e Knuth admittem 
que os anaplasmas sejam formas particulares da evolução 
do piroplasma. Kolle, Turner e Brauer os consideram 
como fornias jovens dababesia higemina. Dschumkowsky 
e Luhs crêem (jue sejam elementos esporulados. Bruçe 
acha que são inclusões cellulares e restos de substancia 
uuciear. Schilling e Torgau affirmam tel-as encontrado 
em diversas anemias, artificialmente provocadas por sub- 
stancias chim iças. 



282 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTBIA E COMMEBCIO 



Esposai]] esta opinião Beaúrepaire Aragão e Ezequiel 
Dias, do Instituto de Manguinhos, que nas suas conclusões 

negam a qualidade de protozoário desses elementos, de- 
clarando que são productos dá degeneração dos glóbulos 
vermelhos. 

Koidzumi observou formas de passagem entre o piro- 
plasma bigeminun e o anaplasma de Theiler. Parreiras 
Horta, Carini e Lignières adoptam por emquanto a opi- 
nião de Theiler. 

Carpano, em "seus pormenorisados trabalhos, con- 
sidera os anapl asmas estados especiaes de vários piro- 
plasmas e admitte que sejam elles capazes de produzir 
infecções piroplasmicas, em animaes receptiveis, de re- 
produzir formas anapl asmáticas em animaes de certo mo- 
do inimunisados, de conservar a virulência do sangue 
desses animaes, mesmo depois de curados, e de determinar 
recidivas. ( 

De todas estas opiniões que propositalmente referi- 
mos, acceitamos as que accôrdam em ser o anaplasma 
um typo especial de evolução dos piroplasmas. 

Adquirida esta noção, nós, por analogia, que é tam- 
bém um methodo scientifico de rácio cinio e pelas ac- 
quisições obtidas com as verificações microscópicas, feitas 
comparativamente em laminas de sangue de impaludados. 
ricas de plasmodium falciparum, consideramos as formas 
anaplasmaticas, elementos de resitencia dos piroplasmas, 
capazes de multiplicação no interior tio organismo animal, 
quando condições eventuaes de diminuição de resistência, 
crearem no meio orgânico um estado favorável a uma 
nova pliase activa do elemento parazitario. 

Sempre se nos afigurou existir em torno dos ana- 
plasmas uma sombra ténue de protoplasma. como se veri- 
fica muitas vezes em lymphocytos de certas espécies ani- 
maes, que possuem uma orla tão delgada de protoplasma, 
que, á primeira vista, seria negada por um experimentador 
pouco exercitado. 

Na malária do homem, para explicar as recidivas, 
temos três theorias fundamentaes : a de Schaudinn, que 
admitte a schizogonia regressiva ou parthenogenese de 




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Fig. B — Terçã Mai i .\ 



Formas schizogonicas atypicas semelhantes a schi- 
zontos de piroplasm 





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TBRÇá MALIGNA — Formas schyzogonicas em pêra, semelhantes a piro- 

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Fig- E — Formas anapl asmáticas no sangue peripherico do boi vaceinado com 

sangue com piroplasmas. 



KEV1STA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 233 



um [macrogameto ; a de Craig, que acredita na copulação 
de duas formas sexuadas e a de Ross, Bignami e outros, 
que adoptam a possibilidade de uma evolução nova, oriun- 
da de uma forma asexuada, que resistiu longamente 
á acção defensiva dos humores do corpo humano e á 
acção de substancias medicamentosas, administradas du- 
rante o tratamento. 

Admittida qualquer destas hypotheses, sobresahe um 
lact<» incontestável: o da recidiva do impaludismo, sem 
que se possa pensar nas eventualidades de uma nova 
infecção. Tudo se passa, como nos accessos de piroplas- 
tnose e anaplasmose. 

Conhecemos casos occorridos cm animaes acclimata- 
dos cm fazendas modelos no Brasil, de três recidivas suc- 
cessivas puras de anaplasmose, após uma inoculação de 
sangue infectado com pi ropl asmas. 

A primeira vista, parece difficil interpretar estes 
resultados, entretanto, basta considerar a fragilidade do 
piroplasma. para se conceber essas modificações nas re- 
cidivas. 

c sabido que o piroplasma na sua primeira infe- 
cção, confere um certo gráo de immunidade, imprimindo 
propriedades parasiticidas ao soro dos animaes. Certas 
formas ricamente nucleadas, condensam a sua chroma- 
hna e se loealisam na medulla óssea, nas vísceras e nos 
músculos, á maneira dos hemalozoarios de Laveran ; ({lian- 
do condições desfavoráveis do clima, da alimentação ou t 
moléstias intercurrentes quebram a resistência do animal, 
esses elementos parasitários que jaziam inertes, ficam de 
novo activos, e disseminados na circulação, mantém o. 
seu typo anapl asmático, em virtude de condições espe- 
ciaes do soro do animal, que se acha ainda com proprieda- 
des plasmolvticas. Podemos ainda encontrar as duas for- 
mas: piroplasma e anaplasma, da mesma maneira que 
encontramos schizontos e gametos nas recidivas do impa- 
ludismo. 

Depois de um certo numero de evoluções schizogo- 
nicas, o hematozoario de Laveran perde a sua activi- 
dade cynetica. Os merozoitos, resultantes da ultima di- 



234 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



visão, peneirando lia hematia mantém o seu typo especial, 
cuja modificação principal consiste na condensação do 
protoplasma. Esta paralysação do processo evolutivo s<; 
dá, segundo affirmam os pesquizadores, em virtude da la- 
diga do protozoário e do esgotamento das suas reservas 
alimentares. 

"Entretanto, considerando-se as propriedades cyto- 
toxicas deste parasito, não é demais affirmar-se que pre- 
sidem a esse typo especial de enkystamento. as mesmas 
condições acima referidas para o piroplasma. Isto é. sub- 
stancias do grupo dos anticorpos, gozando de um papel 
impediente da multiplicação schizogonica. paralysam-na, 
só resistindo o gérmen á sua acção deletéria, quando sob 
uma nova forma mais adequada. 

Observando-se afigura A, verificam-se germens dosty- 
pos: piroplasma e anaplasma. A lamina é de frottis de 
baço de um touro importado, que recebera uma injecção 
de cinco cents. cúbicos de sangue de outro animal que já 
estava acclimatado em uma região, onde a pireplasmose 
é endémica, á custa dos Rbipicephalus que lá existem' 
habitualmente infectados. O sangue que tora inoculado 
não apresentava, ao microscópio, formas typicas de piro- 
plasma. Depois de um prazo, relativamente curto, surgiu 
uma intensa reacção no animal inoculado, que em seis 
dias morreu. 

As preparações do sangue, bem como as do baço, 
demonstraram a presença simultânea de piropiasmas e 
aiiapiasmas. As eventualidades de uma reinfecção natural 
não podem nem ser suspeitadas. O animal em questão es- 
tava aos cuidados de um profissional e em um estabulo 
conveniente. Portanto, qual é a significação da simulta- 
neidade dos dois typos de parasites Xão é preciso 
muito esforço para concluir que um detles é complemento 
do outro. 

Teria havido no sangue inoculado a probabilidade 
da coexistência de anaplasmas e piropiasmas? Xão. 
• Esse animai inoculado não foi o único. Com o sangue 

da mesma procedência foram injectados mais cincoenta e 




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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 235 






quatro. Destes morreram sete, apresentando as duas for- 
mas de hematozoarios. 

Muitos outros tiveram primeiro uma reacção piro- 
plasmica e um mez depois, outra de anaplasma. 

As razões para a explicação das recidivas com typos 
anapi asmáticos predominantes são do domínio da immu- 
nidade. 

estado parasiticida do soro animal, exerce Ama 
acção inhibidora sobre o desenvolvimento completo do 
hemalozoario. sem, entretanto, impedir (pie formas de 
chromatina condensada bastante resistentes, appareçam 
na circulação. Occorre lambem verificar-se muitas vezes 
um facto muito expressivo: inoculado um louro, surgej 
depois de seis. oito ou dez dias, uma elevação theraiica 
considerável. Examinado o sangue, não são encontrados 
hematozoarios: (1 vinte e cinco ou trinta dias depois, re- 
apparecc outro accesso, caracterisado por uma grande 
quantidade de anaplasmas (V. photomicrograpnia E). 

Os animaes que não reagem após a inoculação de 
sangue infectado, não apresentam lambem no sangue ana- 
plasmas. 

Deante de lodos esles factos, não se pôde tirar a 
conclusão extravagante de que o anaplasma é artificio 
de lechnica. é um produeto de origem bemalica, á custa 
de alterações da crase sanguínea por substancias hemoly- 
licas. ou é outro protozoário autónomo. As suas relações 
com o piroplasma são incontestáveis e as nossas prepa- 
rações são perfeitamente demonstrativas. 

\a evolução clinica, a inalaria humana e a ma- 
taria bovina são muito semelhantes. Notam-se nas duas 
moléstias symplomas communs: anemia, heinoglobinu- 
ria, febre e icterícia. A febre não tem o mesmo cyclo da 
malária humana, porque o parasito da piroplasmose tem 
evolução rápida. A hemoglobinuria dá-se segundo! o mesmo 
mecanismo do impaludismo. 

Blasi encontrou espalhado no sangue dos impaluda- 
dos e nos doentes de biliosa hemoglobinuriea, uma sub- 

(1) Ura cie nós (Aleixo) julga que nesses casos, que são graves, se dê uma multiplicação 
activa do parasito, nas visceras do animal, passando para a circulação as formas de chromatina 
(anaplasmas). 



28o MIBI8TEBI0 DA AGEICULTUBA^ INDUSTRIA E COMMER< 10 



stancia bemojytica. Esta substancia, á medida que se 
formava tio sangue (ios doentes, ia sendo neutral isada por 
outras de natureza inhibidora. Quando faltavam estas ulti- 
mas ou eram destruídas pela quinina, produzia-se a hemo- 
lyse, apparecendo então a hemoglobinuria. Com o mesmo 
caracter inconstante, observa-se também nos bovinos a 
hemogtobinuria. Como no impaludismo, ella sobrevem, 
cessados os estados agudos e subagudos da infecção. 

A diarrbéa, tão frequentemente oBservada no im- 
paludismo, é um symptoma commum na piroplasmo 

Os abortos são frequentes em ambas as ínfecçòe 

As lesões anatomo-patbologicas do impaludismo são 
accentuadas no baço, no ligado e na meduila óssea: 
nesses órgãos, segundo Manson, é que se passa o 
drama malarico. Estas considerações se extendem á ma- 
lária bovina. As congestões do baço. o seu aspecto friável 
na piroplasmose, com grande quantidade de formas em 
annel e em divisão, como mostra a figura A, documentam 
as nossas affirmações. 

A photomicrograpbia 1) é de um corte de baço de 
animai morto de piroplasmose. 

\ r é-se nessa figura, uma grande quantidade de anneis, 
muito parecidos com os do impaludismo tropical, que são 
encontrados nos órgãos e nos capillares cerebrais de 
cadáveres de accesso pernicioso. As photpmicrographias F 
são de coágulos de sangue colhidos no coração, onde. 
o m e sm o t y po mor p lio 1 o g i ç o t i vem o s e n s e j o de ve r i f içar. 
Este processo de pesquisa ainda não foi assignaladol 
Podemos affirmar que elle dá magníficos resultados, e, 
serve para mostrar, em casos duvidosos, a identidade^ 
dos parasitos existentes nos órgãos e na circulação, quan- 
do se tratar cie autopsias feitas em animaes. que morre** 
ram em estado agonico, não apresentando, por isso. san- 
gue fluido no coração. As gravuras B e C mostram a 
analogia morpliologica entre os schizontos do piroplasma 
e os da terçã maligna. 

A figura G é de frollis de rim. 

Em uma das hematias estão quatro corpúsculos que 
ao microscópio são tal qual os anaplasmas. 




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Esta circumstancia não justifica a classificação de 
Theiler em: marginal e central. 

CONCLUSÕES: 

A inalaria humana e a malária bovina são duas 
moléstias com symptomas clinicos semelhantes, embora 
produzidos por agentes parasitários de natureza diversa. 

a ausência de pigmentos no piroplasma e de 
granulações nas hematias parasitadas, não servem de 
argumento para st- negar as relações biológicas entre 
os dois hematozoarios. 

A rápida evolução do parasito da piroplasmose não 
permitte que seja observado o mesmo typo febril do 
impaludismo. 

A resistência dos hematozoarios da malária humana 
e da malária bovina nos agentes medicamentosos, corres- 
ponde a formas parasitarias homologas, em ambas as 
moléstias. 

Anaplasma e gamelo apparecem na piroplasmose 
e no impaludismo como formas de adaptações especiaes 
ao meio em que vivem, modificado pelas toxinas elabo- 
radas durante os cyclos schizogonicos. (1). 

Os parasitos das duas infecções invadem os órgãos 
como ;i circulação peripherica, e, vistos ao microscópio, 
têm o mesmo pleomorphismo. 

Os symptomas clinicos e as lesões anatomopa- 
thologicas, sfio da mesma natureza. 

E possiveJ. pela pesquisa do parasito no sangue 
jaagulado, provnr :\ identidade com os remascentes nos 
órgãos centraes. 

Kio de JaneirOj 6 — 5 15. 



(1> Quanto á resistência nos agentes medicamentosos, representam o mesmo papel ; quan- 
to á biologia, o papel sporogonico do ultimo já é conhecido. 

XOTA — Neste trabalho aventanirs uma serie de idéas novas, guiados pela observação e 
experimentação. Um i e nós (Aleixo) publicará breve outros estudos, quanto á anatomia e histolo- 
gia pathologicas da piroplasmose, visando também os centros nervosos, onde já encontrou o 
parasito. 

Não pretendemos ter resolvido a questão. Concorremos com o nosso pensamento e as nos- 
sas verificações, para o esclarecimento co problema sobre a dualidade ou unidade do parasito da 
malária bovina, ainda muito discutido. Talvez no próximo trabalho, modifiquemos as nossas idéa?, 
si a isso nos obrigar a clarividência de novas acquisiçòes. Com o mesmo interesse com que regis- 
tramos concepções e provas, pata a construcção da nossa theoria, adoptamos e referimos todas as 
verdades scientificas, que nos conduzam a nova interpretação. 



238 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



Peste de cegar 

( Encephalomyelite epizootica do cavallo) 

A' minha chegada á Inspectoria do 8.° distrícto, com 
sede em Ponta Grossa, fui chamado para estudar unia 
moléstia muito nociva aos cavallares, denominada pelos 
criadores Peste de Cegar, lembrando por essa denomi- 
nação um dos symptomas mais característicos da mo* 
lestia. 

Num artigo publicado na Revista Veterinária, de 
Dezembro de 1913, o meu collega Octávio Dupont, vete- 
rinário da Fazenda Modelo de Ponta Grossa, pensou 
tratar-se de uma embolia do tronco da artéria grande 
mesenterica ou dos vasos que ahi têm a sua origem. 
Sabe-se, com effeito, que o strongijtns equinus ou vulgaris 
(forma agama) píóde provocar violentas cólicas e a morte 
do animai por embolia, facto este bem conhecido por 
todos os veterinários que têm a necessária pratica. To- 
davia, taes accidentes são relativamente raros, visto ser 
a presença do strongylus na grande mesenterica. em re- 
gra geral inoffensiva, a tal ponto, que. muitas vezes, a 
constatação desse parasita é uma surpresa de autopsia: 
êm 13 autopsias de cavados atacados de cylicostomose 
encontrei-o sete vezes. 

A forma epizootica da Peste de Cegar faz suppòr 
não ser o alludido parasita a causa efficiente da moléstia. 
Além disso, a marcha da zoonose, os seus symptomas. 
os resultados das autopsias e as pesquizas microscópi- 
cas differenciam-n'a perfeitamente da strongylose. 

Symptomatolociia e diagnostico — Longe de ter uma 
symptomatoiogia variável e um diagnostico difficil. esta 
moléstia se apresenta sempre com os mesmos caracte- 
rísticos, o que permitte reconhecel-a facilmente : os cria- 
dores, mesmo, raramente, se enganam. 

a) — A moléstia apresenta-se sob duas formas: uma 
lenta, outra, rápida, sendo esta a mais frequente ; 

b) — A moléstia principia sempre pela cegueira 
parcial e depois total ; 

c) - movimento em circulo; 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 239 



Fazendo andar o animal, observa-se que tem ten- 
tendencia a movimentar-se em circulo, levantando dema- 
siadamente os membros anteriores, symptomas estes a 
«que succede uma paresia unilateral. 

Tal paresia principia sempre pelo lado da vista 
primeiro atacada de cegueira, lacto -este que se explica 
pelas disposições anatómicas do systema nervoso; 

(/ animal de pé lez-me lembrar a immobili- 

dade (Encephalite chronica . o que me fez pensar, 
ao ver o primeiro caso. numa repleição dos ventrículos 1 
lateraes e, mais tarde, estudando as lesões, mostrarei que 
mio me enganei de todo. O animal fica horas e horas 
sem se mover; collocando-se-lhe um pouco de palha na 
borra, nenhum movimento faz (fica fumando cachimbo, 
como se diz vulgarmente ; conserva posições interessan- 
tes, como. por exemplo, os membros cruzados. 

i ; de notai' mais o seguinte: os rins sensíveis, a 
mucosa o c cu lar normal (o (fTie uão existiria em caso de 
embolia mesenlcrica ), pulso lambem normal por muito 
tempo, outro tanto se dando com a temperatura, respira- 
ção um pouco curta e accelerada, prisão de ventre e 
retenção de urinas. Assim se conserva o animal por 
espaço de 7 a 8 horas, manifestando subitamente sym- 
ptomas de loucura furiosa, correndo de um lado para 
outro e se projectando de encontro a todos os obstáculos. 

Observando de perto alguns dos animaes das regiões 
atacadas, pude verificar que, uma ou duas semanas antes 
de apparecer os symptomas acima citados, ficam elles 
tristes, trabalham com menos vigor, comem pouco, e, as 
vezes, apresentam cólicas, o que me faz suppôr um prin- 
cipio de intoxicação. 

Autopsia — a) — Estômago exaggeradamente dila- 
tado e cheio de milho em perfeito estado de fermenta- 
ção: da parte pylorica, bastante inflammada, destaca-se 
a mucosa, com muita facilidade; 

o Vufoo digestivo vasio ; duodeno um pouco in- 

flammado; rins, fígado, baço e pulmões pretos, intoxi- 
cados: coração intacto; bexiga cheia de urina. 



240 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBSCIO 

O sangue coagula-se com mais dilficuldade. Verifi- 
quei que abrande mesenterica nada apresenta de anormal. 

c) Considerando de maior importância os sympto- 
mas nervosos, fiz a autopsia dos centros. O syslema ner- 
voso èomais rico em lesões: infiltrações hemorrhagicas 
das circonvoluções írontaes, hemorrhagias das camarás 
ópticas, dos corpos estriados, da protuberância annular, 
e do bulbo rachidiano. 

Repleição dos ventrículos lateraes. com degeneração 
das cellulas nervossa em contacto com o liquido cerebral, 
fazendo crer, á primeira vista, tratar-se de um abcesso. 
A medulla apresenta as mesmas lesões. 

Analise microscópica A analyse microscópica re- 

vela, no conteúdo estomacal, um cogumelo (Aspergillus 
no sangue, uma grande quantidade de glóbulos verme- 
lhos degenerados, e bem assim alguns glóbulos brancos, 
com degeneração granulo-gordurosa : nas cellulas nervo- 
sas, degeneração granulosa das mais typicas. 

Experiências biológicas As injecções subcutânea 

e intraperiToneal do sangue e do liquido cerebral* 
em coelhos e ratos, não deram resultado algum. 

Etiologia — Creio poder affirmar, pelos motivos 
seguintes, que a Peste de Cegar é devida a um cogumelo, 
que vive no milho: 

a) — Encontrei no milho e no estômago dos ani- 
niaes mortos grande quantidade de cogumelos, provo- 
cando fermentações (sobretudo um aspergillus . 

h) — A moléstia só appare.ee na entrada do verão, 
época em que mais se faz sentir o calor húmido, próprio 
ao desenvolvimento dos cogumelos. 

c) — Só os animaes que comem milho contrahem 
esta moléstia. 

d) — Os criadores que seguiram as minhas indica- 
ções, torrando o milho, não perderam mais cavallos desta 
moléstia. 

Compulsando differentes autores, li que Friedberger 
e Frónber, Hutyra e Marek verificaram também envene- 
namentos idênticos, com predominância de phenomenos 



BEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 241 

nervosos. Emfim, o Dr. 'José Maria Quevedo cíescreveu 
unia Encephalomyelite epizootica do cavallo, na Argentina, 
com os mesmos symptomas e lesões da Peste de Cegar, 
reconhecendo como causa o Aspergillus maydisi. 

Tratamento O tratamento curativo é (juasi in- 
efficaz, devido ás lesões graves do systema nervoso': a san- 
gria, as lavagens do sangue, a pilocarpina, os purgantes, 
e diurcilcos. os anlisepticos intestinaes são indicados. 
Todavia, devo dizer que, nas minhas nãos, lai tratamento 
ncn! ■".:• resultado deu. 

.uor será o tratamento preventivo, sabido, como 
é. si r o milho um meio próprio ao desenvolvimento de cer- 
tos cogumelos, alguns dos quaes bastante funestos, com 
especialidade para os cavallos. E 5 assim que, no Estado 
de Santa Catharina, encontrei uma verdadeira epizootia 
nesses anunaes, bem parecida com a forma paralytica da 
raiva, e devida, como provei, ás fermentações pro- 
vocadas por um cogumelo do milho, que ataca, de prefe- 
rencia, o centro vesico-reclal. 

K. portanto, conveniente ventilar o milho, ou tor- 
ral-o, antes de d ai -o aos animaes, afim de matar lodos 
os parasitas. 

\a época em que costuma apparecer a Teste de 
Cegar é indicado, todas as vezes que <> animai apre- 
sentar symptomas de tristeza e Inappetencia, ou, mesmo, 
cólicas um purgante salino, assim formulado: 

Sul ph ato de sódio, 400 grs. 

Bicarbonato de sódio, 100 grs. 

Salol, 10 grs. 

Termino dizendo (pie melhor seria substituir o mi- 
lho por alfafa, aveia, etc. 

De. Gastou Ubbain. 

"Veterinário do 8.° districto 

Poma Grossa, 21 efe Setembro cíe 1915. 



242 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COHMEBCIO 



A riqueza pecuária do Prata 



(Do " Estado de S. Paulo") 

A industria pastoril no Rio da Prata.— O commercio de carnes na Argen- 
tina.— Os recursos do Uruguay 

Qual a origem da enorme riqueza pecuária da Ar- 
gentina? O Brasil, o Estado de S. Paulo, donde partiram 
as primeiras cabeças de bovinos que viveram no Rio 
da Prata. E' o que af firma o glorioso historiador general 
Mitre na sua «Historia de Belgrano.» 

Nos tempos coloniaes esses bovinos foram levados 
por dois portuguezes da capitania de S. Vicente, em 
longa viagem pelo interior do paiz. Mais tarde vieram 
outros animaes cie S. Francisco e do Rio Grande, bem 
como do Peru. 

Multiplicando-se em liberdade nos pampas, esse gado 
constituiu a primitiva raça «creoula», egual á que possuí- 
mos em S. Paulo, Matto Grosso e Minas. Selvagem, rús- 
tica, bravia, formou ella grandes rebanhos, de pouco 
valor monetário; mas foi a base da riqueza argentina, 
que até 1875 teve aspecto pastoril, estando atrazada a 
agricultura. 

Ameia ae 1865 a 1870, a pecuária argentina teve 
Um vigoroso impulso dado pelo Brasil. A guerra do 
Paraguay. com os fornecimentos ás tropas, desfalcou bas- 
tante o stock bovino da Republica vizinha e fez circular 
avultadas sommas pelo paiz, em pagamento das com- 
pras effectuadas. Assim, os criadores argentinos, com di- 
nheiro brasileiro, puderam renovar e melhorar o seu 
gado com o sangue de reproduetores europeus. 

Percebendo que tal gado rústico não podia luetar 
com o inglez nos mercados da Inglaterra, pois as primei- 
ras remessas de carnes frigorificas (1876) não foram 
bem suecedidas, os argentinos começaram a fazer em 
larga escala a mestiçagem com a raça Durham. Os pri- 
meiros reproduetores deste sangue foram importados entre 
1856 e 1860; hoje elle predomina nos bovinos da Re- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 243 



publica, que de tal modo ficou habilitada a attender ás 
exigências dos consumidores inglezes. 

Pelo recenseamento agro-pecuario levantado em 1908 
pelo governo federal da Argentina existiam 29.116.625 
bovinos. Total que se repartia do seguinte modo, pelas 
raças : 

Duiham 7 335.880 cabeças 

Hereford 553-555 

Polled Angus 125.829 " 

Hollandezas 21.164 " 

Red Polled 1 .I02 " 

Jersey 2.076 

Flamengas 2.844 

vSuissas 3401 

As cabeças restantes são de gado creoulo e sem 
raça conhecida. 

Os mestiços com animaes estrangeiros eram . . . . 
B.975.613. 

Nas quatro províncias que formam a principal região 
produetora de bovinos — Buenos Aires, Santa Fé, Entre 
Rios e Corrientes — com 19.154.000 cabeças, 31,4 °/o 
do total eram de creoulos, 64,3 o/o de mestiços e 4,3 o/o' 
de puros. As porcentagens são agora mais favoráveis 
para os mestiços e puros, porque os creoulos estão des- 
appareccndo e só se mostram abundantes nas provin- 
das alrazadas e pobres. 

Em 191 1 a existência de bovinos na Argentina era 
avaliada em 29.220.000 cabeças. Galcula-se que augmenta 
annualmente de 20 por cento, ou 5.840.000 animaes. O 
consumo annual sobe a cerca de d-500.000 não compre- 
hendendo o gado necessário para a exportação. Por- 
tanto, o paiz está em condições de desenvolver o seu 
commercio de carnes, sem que venha a perder sua po- 
sição como produetor. 

Xos mercados de Liniers e Matanzas, principaes 
centros de venda de gado, negociam-se 909.393 bovinos 
em 1914. O preço médio alcançado foi de 109 pesos e 
80 centavos, papel, contra 115 pesos e 80 centavos, em' 
1913. Estas quantias correspondem a 140S740 e . . . ,. 
150$549 em nossa moeda, ao cambio de 16 d., calculan- 
do-se o peso a 1$300. 



244 MINISTÉRIO DA AGKICULTUJíA , INDUSTRIA E COMMBBCIO 



Os 442.976 novilhos, preferidos pc*lc;s frigoríficos e 

coinprchendidos naquclle total, obtiveram o preço má- 
ximo le 269 pesos, papel, e o min imo de 20 pesos, con- 
forme a qualidade e o peso. U médio foi de 133 pesos 
e 10 centavos, ou 172S900, em moeria brasileira. 

'NoiS ífr/ígorificos ' argentinos sacrificaram-se . . . . 
1.703:601 vaccuns durante o anno de 1914. Em média, 
apurou-se o peso de 350 kilos para os novilhos, depois 
tle mortos. A respeito nota-se melhoria, pois, em 1880 
o peso médio dos creoulos não passava de 230 kilos. 

A exportação de quartos de vaccuns congelados e 
resfriados, da Argentina, progrediu deste modo, nos ul 
timos cinco annos ! 

Annos Congelados Resfriados 

1910 t. 434.078 i.6c8.6o8 

i9 TI 1.693.494 2 131. 791 

\gi2 2086.780 2.269.474 

191 3 1.527.666 3006.608 

iÇ> T 4 1.962.683 3-397-635 

Como se vê, accentua-se a preferencia pelos quartos 
de vaccuns resfriados. Xo anno corrente, porém, estão 
sahindo mais quartos congelados, cuja procura cresce 
para o abastecimento dos exércitos europeus em cam- 
panha. 

Em ,1914, a Argentina exportou 344.247 toneladas 
de carne congelada e resfriada para os paizes seguintes: 

Toneladas 

Reino Unido 284.1 1 1 

Estados Unidos 57-°95 

Allemanka* 904 

Hollanda 894 

Bélgica 731 

França 78 

Outros paizes 154 

Os dois mercados de importância para a Argentina 
são a Inglaterra e os Estados Unidos. Os demais offe- 
recem difficuldades á importação de carnes com direitos 
proteccionistas da producção nacional. 

O valor médio de uma tonelada de carne exportada 
é de 100* pesos, ouro, ou 3181000. ao cambio de 16 cl. 
Nesta quantia ha a accrescentar o frete maritimqj e outras 
despesas até a bordo. 









m:\ ista dj: veterinária e zootechnia 245 



Os primeiros vaceuns chegaram ao Uruguay entre 
1592 e 1018, procedendo do Peru, Paraguajy e Argentina. 
Como nos pampas argentinos, lormaram-se em liberdade 
avultados rebanhos de animaes rústicos denominados 
"creoulos". Este primitivo «stock» foi melhorando nos 
últimos vinte annos pelo cruzamento com raças européas, 
principalmente Durham, Hereford, Polled Angus e De- 
von. Hoje. os creoulos eslão em minoria, preponderando 
os mestiços. 

lo recenseamento agro-pecuafio, levantado em 1908, 
a Republica possuía 8.196.602 bovinos. Destes, eram puros 
com pedgree ou pór cruzamento 157. 859 (1,993 °/o); 
mestiços 5.204.489 (65,53 o/ ; creoulos 2.690.788, (32,84 
por cento ; e sem especificação 139.466 (1.70 o/o . 

Cerca da metade da criação bovina do Uruguay 
pertence a estancie ir os de nacionalidade brasileira, que 
vivem na zona da fronteira. Nos últimos dez annos. es- 
ses proprietários tem passado para o Rio Grande mi- 
lhares (\v cabeças, concorrendo para o melhoramento do 
gado riograndense. 

Em 191.') venderam-se na «Tablada dei Norte», em 
Montevideo, 108.711 cabeças de bovinos. Os novilhos mes- 
tiços obtiveram o preço médio de 12 pesos e 20 centavos, 
ouro (134$400). Os creoulos não valeram mais de 15 
pesos. ouro. ou t8$000. 

No mesmo anuo. o frigorifico Montevideo abateu 
91.777 novilhos, pesando 24.556.514 kilos. ou 267 kilos 
cada um. em media. 

Em 1912 íundou-se um segundo frigorifico na ca- 
pital. Este, porém, só principiou a trabalhar em 191 !. 

Em 1912 o Uruguay exportou 20.342 toneladas de 
carnes congeladas, distribuídas assim: 

Toneladas 

Reino Unido 1^-037 

Argentina i.iòr 

Itália 596 

Bélgica 292 

Portugal 252 

De anuo mais recente não temos estatistica commer- 
cial, porque nesse paiz ella é publicada com muito atrazo. 



246 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBBCIO 



Sabemos, entretanto, í[ue os algarismos cresceram bas- 
tante em 1913 e 1914. 

Mais do que a Argentina, o Uruguay é um farto 
reservatório de carne bovina, pois o consumo interno 
é pequeno, por motivo de ser pequena também a popu- 
lação. Claro é que elle influirá consideravelmente no 
commercio de carnes, estando seus frigoríficos á bei ru- 
mar, em posição de explorar economicamente a indus- 
tria. 

Taes notas patenteam bem quão difficil será 1 lidar- 
mos com os povos platinos nos mercados mundiaes. E 
desfazem muitas illusões que aqui se puzeram em curso 
com relação a semelhante negocio, para o qual ainda 
possuimos elementos deficientes. 

Paulo PestajíA. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 247 



PELAS REVISTAS 



Ipoderzxia, Too^is 

(O BERNE) 
(Da revista «An ales de la Sociedad Rural Argentina ) 

Km 11 ih relatório dos trabalhos realisados pelo Prol'. 
ali ema o Ilans Giaeser sobre os nipoaermas cio ooi, in- 
forma que, em 1ÍM2, obteve 375 larvas (jue haviam ad- 
quirido desenvolvimento completo e emigrado exponta- 
mente, 314 em estado de insecto perfeito, dos quaes 
208 pertenciam á espécie grande «Hipoderma bovis» e 
10o á pequena «Hipoderma Lineata . 

Observou-se, então, que a emigração das larvas se 
verificava durante as primeiras horas da manhã, na maio- 
ria dos casos, quando os bois se achavam de pé ou em 
marcha e. só excepcionalmente, quando deitados. 

A emigração é feita de .'>() a 15 minutos, depois que 
os animaes se levantam, sendo interrompido logo (pie se 
deitam de novo. autor explica este phenomeno pela 
variação (pie se produz na tensão do pello dos animaes. 

Podemrse encontrar ao mesmo tempo e no mesmo 
anima'. larvas do «Hipoderma bovis» e do "Hipoderma 
lineata". 

Quando saem da pelle, é fácil distinguir-se as duas 
espécies. A larva do «Hipoderma lineata» é menor* e mais 
delgada do que a do «Hipoderma bovis». Quando attinge 
ao desenvolvimento completo é cinzento escura, emquanto 
que a do «Hipoderma bovis» é /verde-escura. 

O caracter da cor não engana, mesmo nas larvas 
pequenas e delgadas da grande espécie. 

À larva do «Hipoderma lineata» aquire o completo 
desenvolvimento em geral pouco antes que a do «Hipo- 
derma bovis». 

Xas estações quentes e seccas, a transformação em 
nympha (pupa) se faz ordinariamente em 24 horas, em- 



248 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMER< 10 

quanto que são precisos 2, .'> e mesmo i dias, quando a 
estação c chuvosa e fria. 

Sem duvida, as larvas do «Hipoderma lineata em- 
pregam em transformar-se em nympha menos tempo que 
as do «Hipoderma bovis». 

Na «Hipoderma lineta» o estado de nympha dura. 
em termo médio, 30 dias, ou sejam 1 1 menos do que 
na «Hipoderma bovis». 

Em geral, esse estado dura um pouco menos nos 
machos do que nas fêmeas. 

Estas ultimas encontram sempre, ao deixar o ca- 
sulo,, numero sufíiciente de machos para a reproducção. 

Estas moscas, uma vez sahidas do casulo e conse- 
guido o completo desenvolvimento, effectuam a emigra- 
ção, durante as primeiras horas da manhã, e com pre- 
ferencia nos dias claros e desanuviados, o que explica 
porque, quando faz bom tempo, se as vê voar em grande 
numero. 

O «Hipoderma lineata» põe, geralmente, em Junho 
e o «Hipoderma bovis». em Julho (clima europeu , fa- 
zenldo, ordinariamente, logo após. á fecundação. 

Tanto as de uma espécie como as de outra deposi- 
tam geralmente os ovos nas paias dos bovinos, com 
preferencia nas trazeiras, um pouco abaixo da articulação 
do curvilhão. 

Teve o autor também occasião de ver. com muita 
írequeneia, ovos depositados no ventre dos bezerros su- 
jeitos ás suas experiências. 

A's vezes, adaptam-se ao peito e flancos do animal. 

Não se observa, em caso algum, pousar a fêmea 
fecundada nas espáduas do animal para ahi deixar seus 
ovos. 

Toda vez que uma fêmea voa ao redor do animal, 
este mostra grande agitação, do que deduz o autor que, 
pelo menos, nos mezes de Junho, Juiho e Agosto (na 
Europa), a fúria dos bovinos é provocada por esses 
insectos. 

A fêmea deposita os ovos nos pellos dos bovinos 
e o autor observou que a «Hipoderma bovis» põe um só 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 249 



em cada pello, emquanto que a «Hipoclerma lineata» dis- 
põe os seus em fila (até 15); esta differença permitte re- 
conhecer a espécie. O ovo da «Hipoderma bòvis» é mais 
volumoso e mais alongado e a extremidade livre é um 
pouco mais ponteaguda do que nos da «Hipoclerma li- 
neata . \ 

Ainda mais. o appendice bilobuladb peio qual os 
ovos se adaptam ao pello é mais delgado nos «Hipoderma 
bovis . 

Como a espécie pequena deposita sempre vários 
ovos no mesmo pello se fixa mais fortemente nos mes- 
mos que a grande. Ainda mais. a Hipoderma lineata» 
tem o oviscapto em posição mais parallela á pelle do 
animai, emquanto que a outra introduz o seu no pello, 
em direcção vpiasi perpendicular. 

O numero de ovos que a «Hipoderma lineata» pode 
pôr. em condições favoráveis, conseguiu o autor deter- 
minar exactamente: 550 em números redondos. Ao cabo 
de alguns dias desenvoivem-se nos ovos as larvas abun- 
dantemente providas de espinhos, que, atravessando o 
respectivo envolucro, se extendem sobre a pelle do ani- 
mal. Não se sabe ao certo, porém o autor affirma que o 
bovino come as larvas, e os ovos não. 

O autor tem feito lambem estudos para averiguar 
se as larvas das duas espécies se podem introduzir por 
baixo da pelle do animal e da do homem. 

Nos bovinos, o resultando das suas investigações tem 
sido negativo, emquanto (pie no homem (no próprio au- 
tor chegou a penetrar sob a pelle do braço esquerdo. 

Pela primeira vez. em 1913, conseguiu-se fazer ex- 
periencias de infecção em 6 bovinos, tanto com os ovos 
fecundados, como com as larvas, sabida do ovo. 



250 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. INDUSTRIA E COHMEBCIO 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



(A Revista de Veterinária e Zootechnía 
responderá, nesta secção, a todas as consultas e 
pedidos de informações que lhe forem feitos sobre 
assumptos de sua especialidade.) 



ECOS E NOTICIAS 

A PECUÁRIA EM MINAS— Segundo as estatísticas publicadas no 
relatório do Secretario da Agricultura do Estado, o valor official da ex- 
portação dos productos da industria pastoril e derivados, em 1913, foi o 
seguiute : 

— Gado, 45.653:000$ ; queijos, 12.949:000$ ; manteiga, 9.236:000$ ; 
leite, 4.410:000$ ; toucinho, 3.232:000$ ; carnes, i.r98:oooS ; sola, 932S000 ; 
banha e couros, 438:000$ ; diversos, 479:000$— Total, 77.685:932$. 

Como se verifica dos algarismos seguintes, a '^exportação tem 
augmentado de anno para anno, em proporção bastante animadora ; 





1907 


1908 


1910 


1911 


1912 


1913 


Gado vaccum (cabeças) . 


127.316 


— 


297.293 




387.464 


— 


» suino ( » ) 


40.201 


— 


87.205 


— 


102.871 


— 




— 


408.574 


— 


850.561 


1.111.654 


1.209.254 


leite (litros) 


— 


5.638.881 


— 


— 


— 


14.701.357 


Manteiga (kilos) 


— 


850.920 


— 


— 


— 


3.80S.459 


Çueiios (kilos) 


— 


— 


— 


— 


5.445.943 


6.474.736 



CARNES CONGELADAS.— O Sr. Sully de Souza, Cônsul Geral do 
Brasil em Liverpool, communicou ao Director do Serviço de Industria 
Pastoril, do Ministério da Agricultura, que as carnes congeladas proce- 
dentes do Brasil tiveram, na Inglaterra, classificação bastante lisonjeira. 

No mesmo officio, aquelle Cônsul congratulava-se com o Governo 
brasileiro pela persistência que tem mantido no interesse do desenvolvi- 
mento de uma industria, cujos resultados serão de grande importância 
para o nosso futuro económico. 

Acompanha o officio do Cônsul um artigo do «The Meat Journal , 
tratando do assumpto, do qual destacamos o seguinte trecho ; 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHXIA 251 



«Outra remessa de carne congelada do Brasil, offerecida hoje á 
venda no London Central Market tinha bom aspecto, mostrando uma 
melhora sensivel no preparo e em condições superiores ás primeiras que 
para a Inglaterra foram anteriormente enviadas. 

O numero do referido joinal a que se refere o trecho acima, é o de 
2 de Setembro ultimo. 

^ EPIZOOTIA DA RAIVA.— Pelo Sr. Ministro da Agricultura foi 

remettido ao Presidente do Kstado do Kspirito Santo cópia do relatório a 
vS. Ex. apresentado pela Directoria do Serviço de Industria Pastoril sobre 
a episootia da raiva, que reina actualmente em determinada zona do re- 
ferido Estado. 

Não sendo possível ao Ministério da Agricultura, actualmente, or- 
ganizar uma commissão para debellar o mal, lembia o Dr. José Bezerra a 
conveniência de ser o serviço feito pelo Governo do Estado, dada a natu- 
reza das medidas a serem adoptadas, todas de caracter pratico e tenden- 
tes a circumscrever e exterminar os agentes prováveis da sua propa- 
gação. 

Taes medidas são indicadas no relatório alludido, que aponta tam- 
bém oS agentes propagadores da moléstia. 

IMPORTAÇÃO DE AXIMAES.— O Governo inglez, por acto de 
21 de Secembro ultimo, declarou aberto os portos de Avonmouth e Cardiff 
á importação de animaes procedentes dos seguintes paizes : 

Abyssinia Madagáscar 

Republica Argentina Nova Zelândia 

Austrália Nigricia 

Brazil Senegal 

Colômbia U. Sul Americana 

Cuba Est. Unidos da America 

Guatemala Uruguay 

Honduras Britânicas Venezuela 
Republica de Honduras 

A lei, decretada na data acima, vigorará durante todo o periodo da 
guerra a e mesmo durante os três mezes seguintes. 

DESINFECÇÃO DE BOXES E WAGONS DESTINADOS AO 
TRANSPORTE DE ANIMAES.— Em data de 29 de Abril de 1915, o Sr. 
Ministro da Agricultura enviou ás companhias de estradas de ferro e 
de navegação um officio- circular solicitando providencias no sentido de 
ser posta em pratica a lavagem e desinfecção dos carros ou boxes desti- 
nados ao transporte de animaes, afim de prevenir a hypothese de uma 
provável disseminação de moléstias contagiosas por intermédio desses 
vehiculos. A este appello responderam affírmati vãmente as seguintes 
companhias : 

-The Leopoldina Railway Company Limited», informando, em data 
de 21 de Maio, que fez expedir a todas as estações de suas linhas a cir- 
cular abaixo : 






252 MIKISTEKIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEBCIO 



T. 511 — 17 de Maio de 19 15. 
«Os wagons que tiverem servido para transporte de animaes 
devem, ao chegarão destino, ser immediatamente limpos, ras • 
pando-se e lavando-se o soalho, applicando-se em seguida, no 
soalho e paredes do wagão, com brochas, uma camada d* solução 
de leite de cal, (um volume de cal extincta para quatro de agua) 
recentemente preparada. 

A estação, que tiver de carregar animaes, deverá se certificar, 
antes do embarque, si o wagon está convenientemente limpo e 
que tenha sido tratado com a solução de agua e cal, devendo, 
caso negativo, providenciar para que taes determinações sejam 
cumpridas, pedindo ao Inspector do Trafego, por telegramma. 
providenciaes sobre o fornecimento de cal e brocha, communican- 
do por memorandum o n. do carro e procedência. 
«Estrada de Ferro Itatibense. 
«Estrada de Ferro S. Paulo— Goyaz . 
» » » S. Paulo Railwav . 

» » » Victoria a Minas . 

» » » Funilense». 

» » » D. Thereza Christina . 

«Compagnie des Chemins de Fer Fédréaux de L'est Brésilien . 
«Brazil Great Southern Railwav Company <S; Extesions Limited . 
«The Great Western Of Brazil Railway Company Limited . 
«Companhia Nacional de Navegação Costeira . 

A «Sorocabana Railway Company», em data de 26 de Maio, informa 
que a solicitação do Sr. Ministro foi attendida, mas essa providencia 
acarretando á Companhia despesas de caracter especial, a que pelos seus 
contractos e regulamento não está sujeita, na data supra, submetteu á 
approvação dos poderes competentes uma taxa pelo serviço referido, a 
ser cobrada do destinatário ou expedictor do gado em transito pelas suas 
linhas. 

A Directoria da Estrada de Ferro Central do Brazil, em officio de 
25 de Maio, informa que esta empenhada em melhorar as condições de 
hygiene do serviço de transporte de gado na Central. A' 5/ 1 Divisão está 
affecto um projecto de installação completa para lavagem e desinfecção 
dos wagons que se destinam ao transporte de animaes. 

EXPORTAÇÃO DE COUROS.— O Sr. Gottshalck, Cônsul geral 
norte-americano no Rio de Janeiro, recebeu do Ministério da Agri- 
cultura dos Estados Unidos communicação de que, de agora em 
diante, poderão entrar nos Estados Unidos todos os couros do norte do 
Brasil e das jurisdicções consulares da Bahia, Piauhy, Sergipe, Amazonas 
Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Pa- 
rahyba, desde que os referidos couros tenham sido seccos ao sol e salga- 
dos, sem outra qualquer desinfecção, bastando, para tanto, que sejam 
acompanhados de certificados, firmados por um veterinário officialmente 
nomeado, affirmando que o carbúnculo não existia na região de onde 
provêm taes couros, no momento em que foi abatido o gado. 



EEVISTA DE VETERIXAEIA E ZOOTECHNIA 253 



O Sr. Gottshalck levou essa resolução do «Department of Agri- 
culture de Washington ao conhecimento de todos os agentes consulares 
e cônsules norte-americanos de carreira do Norte do Brasil, onde, por 
certo, essa noticia será recebida com vivo interesse, pois os couros seccos 
e salgados são um artigo de producção muito mais fácil que os couros 
verdes. 

Para consecução dessa medida do Governo norte-americano, que 
tanto aproveita ao nosso commercio exportador de couros, concorreu 
efficientemente a acção do Sr. Cônsul geral norte-americano entre nós, o 
qual muito se tem esforçado pela approximação económica dos dous 
paizes e desenvolvimento ^crescente do inter-cambio commercial norte- 
americano. 



BIBLIOGRAPHIA 



Livros e Revistas 

Temos recebido regularmente os seguintes: 

Aide memoire du Vétérinaire^ medicina, cirurgia, obstétrica, formulas, 
policia sanitária e jurisprudência commercial, por II. J. Gobert, veteri- 
nário de l. a classe (las remontas do exercito, 1 volume de 73ò paginas, 
com 252 figuras, cartonado, J. 15. Bailiière èv. Fila, editores, rua Hau- 
tefeuille, 19, Paris. 

— Concisão, exactidão, indicações de documentos novos, taes são 
o objectivo do autor redigindo este vademecum do veterinário. 

Esta é a quarta edição e na sua ^confecção, o Snr. Gobert se es- 
forçou para que os assumptos nella estudados o fosso com clareza, pre- 
cisão e concisão o que muito contribue para a recommendação de seu 
trabalho. 

lUle conservou também nesta nova edição a mesma ordem des- 
criptiva, o mesmo agrupamento das moléstias por livros ou capitulos 
observaelos nas edições anteriores. 

As modificações nella'introduzidas versaram sobretudo sobre a etio- 
logia e o tratamento das affecções, noções estas que progridem sempre e 
do modo porque são tratados tornam este livro um verdadeiro conse- 
lheiro dos homens práticos. 

Os seus diversos capítulos^ tratam especialmente das moléstias 
contagiosas, da ícirurgia, da therapeutica, da policia sanitária e da 
inspecção dos géneros alimentícios,^ além de copiosas informações sobre 
todas as leis e decretos que se referem á^ legislação das moléstias con- 
tagiosas. 



254 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCJO 



E' emfim a obra do Snr. Gobert um trabalho útil e que muito 
deve interessar aos Snrs. criadores. 

Annales de l' Instante Pasteur ■, Paris. 

Annalcs de la Sociedad Rural Argentina, Buenos Ayres. 

Archivos Brasileiros de Medicina, Rio de Janeiro. 

Boletim da Associação Central da Agricultura Portugueza, Lisboa. 

Boletim da Associação Commercial, Bahia 

Boletim do Depariamento Estadual do Trabalho. S. Paulo. 

Boletim dei Miuisterio de Agricnlturà % Buenos Ayres. 

Boletim de la Secretaria de Fomento, Obras Publicas y Agricultura, Hon- 
duras. 

Boletim da União Pa n- Americana, Washington. 

Bnlletin Mensuel de Renseignements Agricoles, Paris. 

Bulletin de la' i Sociéié de Pathologie Exo tique. Paris. 

Campana (La), Montividéo. 

Ch acaras e Quintaes, S. Paul O. 

Cidade e os Campos, S. Paulo. 

Criador Paulista (O), S. Paulo. 

Estancia (A), Porto Alegre. 

Fazendeiro (O), S. Paulo. 

Hacienda (La), New-York. 

Revista de Agricultura, Republica Dominicana. 

Revista de la Liga Agraria, Buenos Ayres. 

Revista de Jl/edicina Veterinária, Lisboa. 

Vargas, Caracas. 

Vida Agrícola (A), S. Paulo. 

Vie Agricole (La), Paris. 

Vozes de Petrapolis, Estado do Rio de Janeiro. 







NAOME 



Remédio infallivel contra os carrapatos 

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e SÃO JOÃO D'EL-REY 



af(yo*ío-f.O** 



MAY 26 1916 



Anno V 



Dezembro 1915 



N.°6 



REVISTA 



DE 



Veterinária e Zooteclinia 



JPTJSXJJKDA.ÇÃ.O OIFIFIOI-AXi 



DO 



Serviço de Industria Pastoril do Ministério da Agricultura, 

Industria e Commercio 



SUMMARIO 



r 



^\ 




PARTE OFFICIAL : 

Registro de Lavradores e Criadores 255 

Fabricação da Manteiga (Decreto n. 3.070, de 31 de Dezembro 

de 1915) 262 

COLLABORAÇÃO: 

Db. NlCOLAS ATHANA8SOF: A Industria Pastoril no Brazil.... 265 
DBS, Carlos Sá e Almeida Cunha: Estudos sobre a Tristeza 28S 

PELAS REVISTAS: 

Exportação Argentina 304 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES: 

A Bouba ou Frambcesia 306 

ECOS E NOTICIAS 306 

Registro genealógico de animaes reproductores — Registro de 
lavradores e criadores. — Inspectorias Veterinárias. — Ani- 
maes reproductores. 



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j^_ Plantas venenosas para o gado, com 90 gravuras, pelo Dr. José 3 

pL Sampaio, do Museu Nacional. ^4 

jE As melhores raças deanimaes para criar, com a descripção re- j 

"g- sumida e caracteres essenciaes de todas as melhores raças do 3^ 

£3 mundo, de cavallos, gado vaccum, ovinos, caprinos, suinos e ^5 

fc aves domesticas. -s 

fc O ALMANAK AGRÍCOLA BRASILEIRO de 1916 é propriamen- 3 

ÈL. te um Vade-Mecum indispensável a todo o lavrador, criador bra- ^_| 

^ zileiro. Único no seu género, é o mais espalhado de todos os Al- ~I 

^ manaks de differentes estylos publicados no Brazil. 3| 

^AL..I.M.i>.iUIJ i .,t.ii.l...,l.l.iL.l.iLli.í..iUI.Íi..|jái.l. i.l.iul.i.l.ikJi.li.iUl.l-.J.iáiii. >.i.iLi.' I..kli.> .iU.I .IjIúI. ..i.idi. I.JéiIi.'mUi.I .IjLjI. -íjLi. !.J|Ji. : :1aí.! -i J3 



Revista de Veterinária e Zootechnia 

Publicação Official do Serviço de Industria Pastoril 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Distribuição gratuita aos criadores do paiz que a solicitarem 



ACCEITAM-SE J^JSnSTTJJSTCDXOS 

Toda a correspondência relativa á REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA, pedidos, 
reclamações, etc, devem ser dirigidos a Fernando Werneck, Caixa Postal n. 1678 — Rio — Brazil 



AN NO V Dezembro de 1915 N° 6 



Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar a 
interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possível, o numero de ordem de sua inscripção. 



Serviço d.e Ixid/uLStria Pastoril 



PARTE OFFICIAL 

REGISTRO DE LAVRADORES E CRIADORES 

O Sr. Ministro da Agricultura, tendo em conta a im- 
portância desse serviço e as vantagens que elle pôde offe- 
recer aos lavradores e criadores, que inscreverem suas pro- 
propriedades no respectivo registro instituído neste Mr- 
uisterio, mandou que a respeito fosse expedida a se- 
guinte circular: 

«O Ministério da Agricultura, estando particular- 
mente empenhado em favorecer o desenvolvimento das 
industrias agro-pecuarias no paiz, tem, para esse effeito, 
decretado e posto em execução uma série de medidas, 
visando proteger, instruir, informar e auxiliar efficaz- 
mente os lavradores, criadores e profissionaes de indus- 
trias connexas, domiciliados nas diversas circumscripções 
do território nacional. 



256 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMXEBCIO 

Dentre essas medidas, convém, por sua importância, 
assignalar as seguintes : 

a) Distribuição de plantas e sementes seleccionadas ; 
de soros e vaccinas usados na therapeutica e prophyla- 
xia das moléstias que affectam o gado ; de monographias 
agricolas e de instrucções praticas sobre hygiene, íili- 
mentação e reproducção dos animaes domésticos e so- 
bre parasitas e insectos nocivos ás plantas e ao gado. 

b) Concessão de auxilios pecuniários : para a im- 
portação de reproductores de raças consideradas capazes 
de melhorarem o gado indigena e susceptiveis de explo- 
ração! esconomica no paiz ; para a construcção de ba- 
nheiros insecticidas e fomentar culturas novas, sempre 
que, para esse fim, haja a necessária dotação orçamen* 
faria. 

c) Concessão de transporte gratuito nas estradas 
de ferro federaes e nos navios do Lloyd Brasileiro para 
os animaes de raça destinados á reproducção e para o 
material agricola, plantas e sementes destinados aos gw 
cultores. 

d) Encaminhar ao Ministério da Fazenda os pedidos 
de isenção de direitos aduaneiros : para os instrumentos 
de lavoura e para os reproductores finos das espécies 
cavallar, vaccum, muar, suina e lanigera. E, finalmente 

e) Ensino de agricultura pratica e do manejo de 
instrumentos aratoriosí e assistência veterinária em caso de 
eclosão, nas fazendas, de epizootias com caracter alar- 
mante. 

Até aqui, esses auxilios e favores sempre foram 
concedidos, de preferencia, aos lavradores, criadores e 
profissionaes de industrias connexas, inscriptos no Regis- 
tro respectivo a cargo da Segunda Secção da Directoria 
Geral de Agricultura desta Secretaria de Estado. 

Não era, entretanto, defeso aos não inscriptos so- 
licital-os e obtel-os da administração. 

Agora, porém, S. Ex., o Sr. Ministro, tendo em vista 
as conveniências do serviço publico e a necessidade 
da organização do nosso censo agro-pecuario, resolveu 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 257 

determinar que taes favores e auxílios — só sejam conce- 
didos aos profissionaes que se acharem devidamente in- 
seri ptos no alludido Registro. 

Consequentemente, cTora em diante, de conformi- 
dade com essa decisão, a obtenção de taes favores fica 
subordinada a uma condição essencial : — estar o inte- 
ressado devidamente inscripto no Registro especial de la- 
vradores, criadores e profissionaes de industrias connexas 
deste Ministério. 

E' egualmente indispensável que, nos pedidos que 
fizerem, declarem os requerentes o numero de sua in- 
scripção e que, semestralmente, os inscriptos notifiquem 
á Directoria Geral de Agricultura as alterações occorridas 
em relação ás suas declarações anteriores. 

Esse registro, como sabeis, tem por fim permittir 
á administração a organização da estatística dos agri- 
cultores domiciliados no território nacional, e, ao mesmo 
tempo, colher os elementos necessários ao levantamento 
do censo agro-pecuario do paiz. 

Cabe-me aeereseenlar, a titulo de esclarecimento, 
que a inscripção é absolutamente gratuita, podendo ser 
feita directamente nesle Ministério, por meio de petição' 
dirigida ao Director Geral de Agricultura, encaminhada 
pelo Correio ou por intermédio das Inspectorias Agrico- 
las e Veterinárias, que são obrigadas a prestar aos inte- 
ressados todas e quaesquer informações que, sobre o as- 
sumpto, lhes forem solicitadas. 



As formalidades do Registro reduzem-se ao se 



guinte : 



Petição, de aecôrdo com o modelo 
junto, datada e assignada do próprio pu- 
nho do requerente sobre uma estampilha 
federal no valor de 600 réis, e instruída 
com o talão ou certificado do imposto que 
o interessado paga ao Estado ou Municí- 
pio na qualidade de lavrador, criador ou 
profissional de industria connexa. 



258 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

\ - — : 

Este documento pôde ser substituído : 

a) Por um attestado do Presidente 
da Camará Municipal, Prefeito ou Agente 
Executivo Municipal, declarando que o 
requerente é, de tacto, lavrador, ou cria- 
dor ou industrial, no respectivo Município. 

b) Por um attestado, com idêntica de- 
claração, firmado por dois lavradores já 
inscriptos neste Ministério. 

Esses documentos estão sujeitos á estampilhas fe- 
deraes no valor de 600 réis por folha de papel escripta, 
devendo as firmas das autoridades signatárias ser reco- 
nhecidas por notário publico. 

O requerente deve, egualmente, responder com pre- 
cisão o quesloinario que se encontra impresso no verso 
da folha da petição que vae annexa como modelo. 

Dando-vos conhecimento da decisão de S. Ex. o 
Sr. Ministro, rogo -vos digneis communical-a a todos os 
lavradores e criadores dessa região, fazendo-lhes ver as 
vantagens de sua inscripção aio Registro respectivoi, a cargo 
desta Directoria Geral. 

Saúde e Fraternidade. 

Francisco Bernardino R. Silva. 

DIRECTOR GERAL 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 259 

MODELO 

PARA AS 

INFORMAÇÕES 

Apresentadas por 

ao Ministério da Agricultura, Industria e Commercio, para 
inscrever-se no Registro de Jlauradores, Criadores e Frofis- 
sionaes de Jndustrias Connexas. 

Se fôr lavrador 



Nome 

Profisi ão 

Denominação da propriedade 

Estado 

Município 

('idade ou povoação para onde deve ser dirigida a correspondência, 



E' própria f (nome do proprietário) . . 

/:' arrendada f (nome do proprietário) . 

Servida pela estrada 

Estação mais próxima 

Meios de communicação 

Área total e qualidade das terras 

Área cultivada 

. Irea inculta 

. irea em pastagem 

Área em mattas 

Género de producção 

Media annual de producçào 



Se fôr criador 

Xumero de cabeças de gado ', com designação do sexo 



Suas espécies 

Pòssue prados artifitiaes ? 

Natureza das culturas forrageiras... 
Rendimento por hectare ou alqueire 



Se fôr industrial 



Data da fundação da fabrica 

Natureza da sua producção 

Procedência da matéria pri?na 

Producção media annual 

Numero de operários empregados.. 
Centro de exportação de produetos. 



260 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA | COMMERCIO 

MODELO 

— DE — 

REQUERIMENTO PARA INSCRIPÇÂO 

Snr. Director da Directoria Geral de Agricultura, do Ministério 
da Agricultura, Industria e Commercio. 



desejando insciever-se no Registro de Lavradores, Criadores 
E Profissionaes de Industrias Connexas desse Ministério, 
vem, para esse fim, apresentar-vos os documentos e informações 
exigidos pela portaria de 21 de Setembro de 1909 e pedir-vos 
■digneis autorizar a sua inscripção no mesmo Registro. 

Nestes termos, 

Pede deferimento 



Data , 
Assig. 



600 réis em 
Estampilhas federaes 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



261 



MODELO 



DE 



Requerimento para requisição de vaccinas 



Stir Director do Serviço de Industria Pastoril : 



F. 



criador em Estado de , 

inscripto no REGISTRO de Lavradores, Criadores E Profis- 
sionais DE Industrias Connexas sob n letra 

a fl do respectivo livro, possuindo cabeças 

de gado, pede-vos a remessa de doses de vaccina contra o 

carbúnculo (*) 

Pede deferimento 



Data 


600 réis em 
Estampilhas federaes 




Assio- 













(*) Hematico, (Anthrax ou carbúnculo verdadeiro)- 
Symptomatico, (Peste da manqueira). 



262 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBRCIO 



FABRICAÇÃO DA MANTEIGA 

DECRETO N. 3.070 — de 31 de dezembro de 19 15. 

Regula a fabricação da manteiga e dá outras provideru 

O Presidente da Republica dos listados Unidos 
do Brazil : 

Faço saber que o Congresso Nacional decretou 
e eu sancciono á resolução seguinte : 

Ari 1,°. Para os effeitos desta lei, considera-se man- 
teiga o producto obtido pela batedura de leite ou de nata, 
doces ou fermentados, por processos convenientes, tão 
isento quanto possivel de aguas de lavagem e de letelho, 
addicior adc ou não de chlorureto de sódio de pureza 
adequada. 

? l c A addição de matérias corantes vegetaes Lnnoj 
cuas será permittida pelo prazo de dous annos, a contar 
da data da promulgação desta lei. 

§ ;2°. Para os effeitos desta lei, considera-se man- 
teiga, propriamente, o producto obtido pela batedura do 
leite de vacca. 

E' permittido o fabrico e a venda de manteiga 
confeccionada com leite de outros animaes domésticos, 
desde que sejam feitas nos envolucros respectivos as pre- 
cisas declarações e sejam observadas as exigências prés- 
criptas no regulamento da presente lei. 

Ari 2 o . Será considerada fraudada toda e qual- 
quer manteiga exposta ao consumo publico contendo : 

1°. menos de oitenta por cento de matéria gorda ; 

2°. qualquer substancia extranha á sua composi- 
ção normal, só se exceptuando o chlorureto de sódio, 
e as 'matérias corantes vegetaes innocuas, nos termos do 
art. I o e seu paragrapho ; 

3 o , será também considerada falsificada a man- 
teiga conservada ou renovada quando exposta á venda 
ou ao consumo publico como manteiga fresca. 

Art. 3 o . E' prohibida a venda ao publico de man- 
teiga que não satisfizer os requisitos desta lei ou apresentar 






REVISTA DE VETBEINAEIA E ZOOTECHNIA 268 

acidez de 15 gráos, sendo a mesma apprehendida e ltíiÍ- 
tilizada. 

§ 1°. Entendej-se por gráo de acidez cada centí- 
metro cubico de soluto alcalino normal necessário para 
a neutralização dos ácidos graxos livres, encerrados em 
100 gr animas de matéria gorda. 

§ 2°. As manteigas que não ai Ungirem 80 % de 
matéria gorda poderão ser vendidas a renovadores, os 
qnaes somente poderão expol-as á venda ao publico depois 
de tel-as poslo de accôrdo com as disposições desta lei. 

§ 3°. O Governo poderá diminuir o limite máximo 
de acidez quando assim o permittir o aperfeiçoamento 
da industria da manteiga em nosso paiz. 

Ari J". O fabricante, enlatador, vendedor é obri- 
gado a declarar no envolncro o nome, a marca da Fa- 
brica, a localidade e o peso da mercadoria . 

Ari. .")". E 5 permittida a venda de manteiga con- 
servada ou renovada desde (pie no envolncro se laçam 
Iodas as declarações necessárias. 

Paragrapho único. Considera-se renovada a man- 
teiga (pie, depois do sen fabrico, tiver soffrido lnsão. 

Ari. 6 o . As substancias alimentares butirosas de 
qualquer origem, proveniência e composição, que apresen- 
tem o aspecto de manteiga e sejam preparadas para o 
mesmo uso (pie esta, não poderão ser expostas á venda 
sob u designação de manteiga. 

§ I o . Essas substancias ficam sujeitas ao estatuído 
no arl. 4° desta lei. 

§ 2°. As margarinas e oleomargarinas deverão ser 
addcionadas de um revelador conveniente, de accôrdo 
com o que ficar estatuído no regulamento. 

Arl. 7 o . O Governo poderá estatuir marcas offi- 
ciaes de garantia que protejam de modo efficaz a indus- 
tria nacional de /manteiga. 

§ I o . Essas marcas serão gratuitas para as mantei- 
gas frescas. 

§ 2°. As marcas de grantia destinadas a mantei- 
gas conservadas ou renovadas serão cobradas no ma- 



264 MINISTEBIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

ximo á razão de cinco réis por duzentas e cincoenta gram- 
mas. 

Art. 8.° O Governo, na execução desta lei. pode- 
rá entrar em accôrdo com os (governos dos Estados e 
com o prefeito do Districto Federal para o fim de asse- 
gurar a completa fiscalização e defesa commercial do 
produeto, aproveitando nesse serviço os funccionarios dis- 
poníveis do Ministério da Agricultura, ficando autorizado 
a abrir os créditos necessários até a quantia de.... 
70 :G00$000. 

§ I o . Fica o Governo autorizado a aproveitar os 
funccionarios technicos especialistas em analyses de man- 
teigas que estejam em exercicio ou que se achem addidos 
em qualquer dos laboratórios de chimica da União. 

§ 2 o . As vagas que se abrirem em virtude desse 
aproveitamento só serão preenchidas si existirem func- 
cionarios addidos da União em condições. 

Art. 9 o No regulamento que fôr expedido para a 
execução desta lei, poderá o Governo comminar. sem 
prejuízo das penas ao Código Penal, multas até um conto 
de riés e o dobro na reincidência. 

Art. 10. A presente lei entrará em vigor no pra- 
zo improrogavel de quatro mezes depois de sua pro- 



mulgação. 



Art. 11. Revogam-se as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1915. 94° da 
Independência e 27° da Republica. 

Wenxeslau Braz P. Gomes 
José Rufino Bezerra Cavalcanti. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 265 



COLLABORAÇÃO 



A redacção da REVISTA não se 
responsabilisa pelos conceitos emit- 
tidos em artigos assignados por seus 

colla boradores. 



A INDUSTRIA PASTORIL DO BRAZIL 

I 

Transcendente problema económico, que tão estri- 
ctamente se prende ao desenvolvimento geral do paiz, 
o nosso problema pecuário preoceupa, no momento, a at- 
tenção de todos os que se interessam no propuisionamento 
das forças vivas da nação. 

Vencendo a grancíe indifferença, com que, emtoda 
a parle, era tratada e que prejudicava extremamente o 
suecesso das melhores iniciativas, emerge, agora, a in- 
dustria pastoril para a plana da evidenciai abrindo li- 
song eiras perspectivas ás explorações intclligentes e as- 
segurando um futuro promissor para esse importante ra- 
mo das nossas fontes naturaes de producção. Estudado, 
debatido e ventilado, de um lado pelos que se esforçam 
pelo nosso desenvolvimento económico, e. de outro, pelos 
que têm os seus próprios interesses presos ao assumpto, 
póde-se confessar que, embora não tenham sido sempre 
os mais certos os diversos modos por que se tem en- 
carado a questão, sol) as suas variadas modalidades, a 
larga discussão tem conseguido estimular e fomentar 
energias latentes, cuja acção benéfica já se vae fazendo 
sentir. i 

A importação, em larga escala, de reproduetores 
puros, seja para o cruzamento com o gado nacional, seja 
para formar novos reproduetores, nascidos no paiz, para 
o fornecimento aos criadores esclarecidos, será ainda 
«uma medida de grande alcance, já em vias de execução. 

Paiz que, da industria agricola e pastoril, tira os 



266 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



seus principais elementos de producção, tem forçosamente 
a sua propriedade e a sua grandeza, sob o ponto de 
vista económico e social, dependentes desses factores fun- 
damentais. E' natural, pois. que, a par de outras me- 
didas financeiras tendentes a conjurar a crise que nos 
assoberba, procure o Governo, agora, desenvolver a pro- 
ducção, incrementando as forças de que ella 6 uma re- 
sultante e aperfeiçoando os meíhodos menos racionaes 
de exploração. 

Contando, entre nós. com uma fonte quasi inesgot- 
tavel de recursos, que os pastos e os prados fornecem 
ininterruptamente, a nossa industria pastoril precisa de 
uma orientação segura, que a guie no melhoramento dos 
rebanhos e, ainda mais, nos methodos de exploração. 

Hoje, que circumstancias especiaes vieram crear 
condições extremamente favoráveis para esse género de 
producção, açulando interesses e despertando energias, 
até então desconhecidas, é preciso que se procure tirar 
o maior proveito possível das nossas riquezas naturaes, 
explorando o commercio dos produclos das industrias, 
que aqui encontram excepcionaes elementos de successo. 
A carne, por exemplo, é especialmente um género de 
consumo mundial, mais generalizado do que qualquer 
outro, e cuja superproducção não ha motivos para te- 
mer; pois bem, ella é o producto de uma única industria 
talvez, que não é peculiar a este ou áquelle Estado do 
Brazil, mas interessa a todos em geral. 

Não seria, por certo, um optimismo exaggerado af- 
firmar que a pecuária somente, bem desenvolvida e ex- 
plorada, poderia annualmente canalizar par o Brazil im- 
portância superior a 500.000:0001000. 

Examinando os dados estatísticos, tem-se uma idéa 
mais exacta da importância de nossa pecuária e do valor 
dos rebanhos ; estabelecendo, porém, um confronto des- 
ses dados com os de outros paizes, de condições mais 
favoráveis, mais facilmente poderemos perceber quaes as 
nossas necessidades e o que se precisa ainda fazer para 
attingir á meta já alcançada por paizes, que. melhor 
orientados, têm sido nesse terreno. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



267 



O Censo Pecuário da Republica para 1912-1913 
apresenta os seguintes algarismos, que evidentemente fi- 
cam ainda áquem da verdade : 



ESPÉCIES 

1 ■" — — ■ 


Numero de cabeças 


Valor approximado 


Bovina 


30.705.000 
7 .'289.000 
3.208,000 

10.049.000 

10.653.000 

18. 3'"). (,()() 

B0. 303. 000 


1 .535.250:000^000 

218.670:000$000 

100.400:000^000 

50.245:000^000 

53.253:000$000 

3í)7.O80:00O$000 

J..vs\7 l >S:()O()$000 


Equina 


Asinina e muar. . . . 
Caprina 


Ovina 


buina 





De accôrdocom esses dados, possue pois o Brazil 
80.303.000 cabeças de gado, das principaes espécies do- 
mesticas, que poderão ser avaliadas, mais ou menos, 
em 2.385.798:000*000. 

Damos, a seguir, uma relação comparada do nu- 
mero (k cabeças de gado de varias espécies, confron- 
tando com a superficie total, em kilometros quadrados, do 
Brazil, da Argentina e do Uruguay: 



ESPÉCIES 


Brazil 


Argentina 


Uruguay 


Caprina 


3.60 
0.85 
1 .18 
1 .25 
2.16 


11 .000 

2. MO 

1 .50 

22.00 

. 50 


7.00 

i 

i 

3.50 

. 04 

1 8 . 00 

0.30 




Suina 





268 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Examinando esses algarismos e levando em consi- 
deração somente as principaes espécies utilizadas na ali- 
mentação humana (bovina suina e ovina;, é fácil vef-se 
que a Argentina e o Uruguay possuem, por unidade de 
superfície, 3 a 4 vezes maior numero de bovinos e qua- 
si 20 vezes maior numero de ovinos. Em qualidade, e 
peso, o seu gado é superior ao nosso, como veremos 
nos dados estatísticos apresentados mais abaixo. 

Apenas a espécie suina é criada em maior escala 
no Brazil comparando com as Republicas do Prata: at- 
tendendo, porém, ás nossas condições mais favoráveis 
para essa criação, merece ella particularmente ser mais 
desenvolvida. 

Na França, cada kilometro quadrado de superfície, 
com uma população de 75 habitantes, alimenta 12.083 kgs. 
de peso vivo de gado, emquanto no Brazil, egual super- 
fície, com uma população de 2,5 habitantes, alimenta 
apenas a ninharia de 1.604 kgs. de peso vivo de gado; 
em outros termos e despresando fracções, na França 
caicula-se um bovino de 500 kgs. de peso vivo para cada 
4 hectares, ao passo que no Brazil cada bovino é para 
33 hectares. * 

Considerada apenas a espécie bovina para as Re- 
publicas do Prata (Argentina e Uruguay), possuimos os 
seguintes dados : 

Novilhos mestiços Durham, de 3 1/2 annos. pesam 
700 a 750 kgs., com 64 °/o de rendimento ; 

Novilhos mestiços Hereford, de 3 1/2 annos. pe- 
sam 650 a 700 kgs., com 60 °/o de rendimento. 

Ds nossos novilhos, de mais edade (4 1/2 a 5 annos . 
não pesam mais de 400 a 500 kgs., com um rendimento 
de 42 a 52 <y . 

Esses algarismos, por si sós, esclarecem perfeita- 
mente o assumpto e dispensam quaesquer commentarios, 
mostrando-nos claramento o caminho a seguir, para au- 
gmentar o valor do nosso rebanho, melhorando o peso 
e a qualidade do producto. Essa situação, aliás, não 
nos deve desanimar, conhecidos que são o abandono e 
o descaso, a que sempre relegamos á nossa industria 



REVISTA DE VETEKINARIA E ZOOTECHNIA 269 

pastoril, causa única do nosso atraso, em matéria tão 
importante. 

Possuindo um solo fertilissimo e admiravelmente 
favorecido pela natureza para a criação de gado de toda 
a espécie (sobretudo bovina e suina), o Brazil está fa- 
dado a dominar, em futuro não remoto, o mercado mun- 
dial, com os seus productos ; basta, para tanto, vencer 
os obstáculos que até hoje se têm opposto ao desenvol- 
vimento de sua industria pastoril, com trabalho tenaz 
e persistente e orientação segura. Em redor dessa obra 
inteiligente e harmónica, devem se congregar a acção 
enérgica e prompta do Governo, os esforços dos inte- 
ressados esclarecidos, fundindo-se assim os elementos que 
podem e devem trabalhar vigorosamente na cruzada pa- 
triótica da nossa reorganização económica. 

Levando em conta a vastidão cie nosso território 
e a urgência que o assumpto requer, devemos, para não 
dispersar esforços, iniciar a obra, concentrando a acção 
nos Estados do Sul e nos do dentro do Paiz, onde as condi- 
ções mais favoráveis se offerecem, para em seguida es- 
lendel-a, aos poucos, aos Estados do Norte. 

Duas das espécies fornecedoras de carne devem 
oceupar, de momento, especialmente a nossa attenção 
a espécie bovina e a suina, constituindo ambas objecto 
de exploração importante, quer para o consumo inter- 
no, ouei como artigo de primeira qual idade para a expor- 
tação. São os productos dessas duas espécies que maior 
procura tem, na actualidade, para os frigoríficos e para o 
fabrico de conservas, que se destinam á exportação ou 
para attender ás necessidades sempre crescentes do con- 
sumo interno. 

Pelas estatisticas levantadas em 1912-1913, verifi- 
ca-se que a maior parte da população bovina e suina 
está localisada, principalmente, nos nove Estados do Cen- 
tro e de Sul do paiz, pois que em bovinos possuem elles 
24.118.000 cabeças, sendo a espécie suina representada 
por 15.946.000 de individuos, ou sejam 8/10 da criação to- 
tal dessas espécies, no paiz. 



270 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



ESPÉCIE BOVINA 



ESTADOS 



Numero de cabeças 



Animaes por 
Km. 2 



Rio Grande do Sul 
Santa Catharina. . . 

Minas Geraes 

Rio de Janeiro 

Bahia 

São Paulo 

Goyaz 

Paraná 

Matto-Grosso 



7.240.000 

521 .000 

0.861 .000 

519.000 

2.083.000 

1 .322.000 

1 .873.000 

540.000 

2.550.000 

24.118.000 



30.64 
11 .97 
1 1 . 94 
7.52 
6.20 
4.55 
2.53 
2.14 
1 .85 



espécie sxjinsr^. 


ESTADOS 


Numero de cabeças 


Animaes por 
Km. 2 


Minas-Geraes 


ò. 716. 000 
738.000 

2.204.000 
360.000 

1 .934.000 

2.410.000 
699.000 
710.000 
175.000 

15.946.000 


11 .68 
10.70 

9.32 

i 

8.27 
6.65 
5.65 
2.77 
0.05 
0.13 


1 Rio de Janeiro 


Rio Grande do Sul 


Santa Catharina : . . 


São Paulo 


Bahia 


Paraná 




Matto-Grosso 





EEVISTA DE VETEEINAEIA E ZOOTECHNIA 271 



Por esses dois quadros, vê-se logo que são justa- 
mente os Estados do Sul e os do Centro os que maior cria- 
ção possuem e, dadas as condições favoráveis ao desen- 
volvimento dessas explorações, é lógico que nelles se 
concentrem, a principio, todos os esforços, deixando para 
providenciar ulteriormente e á medida dos recursos dis- 
poníveis, nos Estados do Norte. 

As necessidades sempre crescentes oriundas do au- 
gmento do consumo de carnes e outros productos de ori- 
gem animal, quer em relação ao abastecimento interno, 
quer visando os mercados europeus, obrigam-nos a agir 
com a possivel urgência, sendo o momento actual o mais 
favorável que nunca. 

Ha alguns dias apenas, o Governo Francez autori- 
sava, por lei o Ministério da Guerra a procurar merca- 
dos, no estrangeiro, que possam fornecer aos exércitos 
120.000 toneladas de carnes congeladas, annualmente, pelo 
praso de 5 annos. 

Bem recentemente o Governo Inglez baixou um de- 
creto concedendo permissão para a importação do gado 
em pé. procedente do Brazil. 

A acção, pois. do Governo, procurando fomentar a 
industria pastoril, justifica-se plenamente pela importância 
que o assumpto assume, no momento, visando desen- 
volver uma das principaes fontes de riqueza do paiz, de 
modo a poder satisfazer as necessidades sempre crescen- 
tes do Estado e dos particulares, bem como para au- 
gmentar a exportação. Assumpto de actualidade palpi- 
tante e de extraordinária importância, porque precisando 
o Brazil augmentar a sua exportação e havendo, no 
momento, grande procura, nos mercados mundiaes, dos 
productos fornecidos pela industria pastoril, elle não ad- 
mitte delongas e requer uma acção immediata. 

II 

Não menos importante para a criação nacional se 
nos apresentam as espécies equina, asinina e muar, grande 
como é a sua utilidade em diversos Estados. As estatis- 



272 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



ticas de 1912-1913 accusam a existência, para a espei 
cavallar, de 7.289.000 cabeças e 3.208.000 indivíduos para 
a espécie asinina e muar, occupando o logar de mais 
destaque na criação dessas espécies, os Estados do Rio 
Grande do Sul e de Minas Geraes. 

Effectivamente, os Estados do Sul (Rio Grande, San- 
ta Catharina, Paraná, Minas e S. Paulo), offerecem par- 
ticularmente óptimas condições para a criação dessas 
espécies e julgamos que a acção do Governo nesses Es- 
tados deve ser mais intensa, tornando real o serviço das 
estações de monta 

Os nossos cavaílos, na sua maioria de tamanho 
pequeno, difficilmente satisfazem ás exigências actuaes 
do Exercito, razão porque até hoje se recorre ás Hd i 
publicas do Prata, para a remonta. 

Neste particular, podemos francamente aconselhar 
o cruzamento, dando preferencia ás raças árabe, anglo- 
arabe e p. s. Inglez para o serviço de sella e o Ardenuez 
para o serviço de tracção. Poucos ou muito raros serão 
os casos em que se poderá applicar a selecção como único 
methodo para melhoramento do nosso cavallo. 

O Governo, a exemplo do que está sendo feito nos 
principaes Estados Europeus, poderia, importando maior 
números de reproductores finos, agir francamente por 
meio das estações de monta, contando certo, desde o ini- 
cio, com resultados os mais satisfactorios. Xa França, 
como se verifica do Relatório da Administração dos Ha- 
ras para 1912, o Governo, em 22 depósitos de gara- 
nhões e 2 haras, dispunha de 3.438 reproductores. que 
foram distribuídos por 758 estações de monta, tendo 
sido padreadas naquelle anno 161.078 éguas, ou sejam' 
uma média de 47 éguas por garanhão. 

Os Postos Zootechnicos e Fazendas-modelo de Cria- 
ção, mantidos pela União nos Estados do Sul e Centro, 
devem possuir um effectivo sufficiente de reproductores 
equinos e asininos, para attender a taes necessidades. Só; 
quando for possivel distribuir pelas estações de monta, 
nesses Estados, mais de 2.000 reproductores de raça. é 
que poderemos esperar alguns resultados, actualmente im- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 273 

possíveis de se obter com uma e meia ou duas dúzias 
de reproductores equinos e asininos, que hoje possuem os 
estabelecimentos officiaes mantidos pela União. 

As instrucções, ultimamente approvadas, referentes; 
á creação de estações de monta, vem justamente em tempo 
de resolver um ponto capital no tocante ao melhoramento; 
da espécie cavallar. A adopção deste systema não occa- 
sionará despesas sinão com a acquisição de maior nú- 
mero de reproductores e com o pessoal que fôr incumbido 
das respectivas estações, pois que as que se relacionam 
com a manutenção dos animaes ficarão a cargo das 
camarás municipaes ou dos criadores em cujas proprie- 
dades forem estabelecidas as estações de monta. 

Na espécie asinina, seja para producçao de muares 
ou para a reproducção da própria espécie, daremos pre- 
ferencia ás raças Catalã e Italiana. Os muares, com repro- 
íiuctores das mencionadas raças, são excedentes e os 
criadores não hesitam em pagar 3 a 4:000$000 por um 
reproductor asinino dessas raças. 

Para a espécie ovina, a acção deve-se Inzer sentir 
principalmente no Rio Grande do Sul, que, a par ,do 
numero avultado de indivíduos, já existentes (3.775.000 . 
representa as condições mais vantajosas para uma cria- 
ção importante, tanto das raças especial isadas para a 
producçao de lã, como para o açougue. 

Como raças, a nossa escolha deve limitar-se. por 
emquanto, ás seguintes: Merino. Romney-Marsh e as 
chamadas «Cara Negra». 

Quanto á espécie caprina, local isada como se acha 
a sua criação, na sua quasi totalidade, nos Estados do 
Norte, (Bahia. Pernambuco, Ceará, Parahyba, Rio Gran- 
de do Norte, etc), onde é importante o commereio de 
pelles, e dada a importância que toma esse género de 
criação nesses Estados, é indispensável, primeiramente, 
o seu estudo meticuloso, afim de se obter dados e bases 
mais seguros, para, em seguida, se adoptar um piano de 
acção, de accôrdo com as necessidades e recursos da 
região. 



274 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INursTRIA B COMMBRCIO 



Incontestavelmente, para a espécie caprina póde-se 
talvez colher melhores resultados, applicando-se a sele- 
cção acompanhada de uma boa alimentação, do que re- 
correndo-se ao cruzamento, a não ser com a raça Mu rei a 
ou Malteza, que me parece ahi dar melhores resulta- 
dos, para as condições de criação dos Estados do Norte. 
Poder-se-ia também lá tentar a introducção da raça Angora 
que tão bons resultados tem dado nos Estados-Unid 

III 

E' ainda uma questão assaz debatida hoje pela im- 
prensa e pelos profissionaes, a que se prende aos me- 
lhores methodos a se adoptar, para o melhoramento do 
gado nacional — si a selecção ou o cruzamento. E : tal- 
vez ainda cedo para se formar um juizo seguro, sobre 
esse assumpto, não só porque os ensaios, que, nesse seu- 
tido, estão sendo feitos são insufficientes e se limitam a 
zonas restrictas, como também porque, como teremos oc- 
casfão de ver mais adeante, ambos esses methodos con- 
duzem a bons resultados e até se completam. 

Erradamente, ainda se pretende até hoje attribuir ex- 
clusivamente o melhoramento do gado aos methodos de 
reproducção, que tem tornado completamente improficuas 
todas as discussões nesse terreno. 

O melhoramento do gado deve comprehender uma 
mefhor adaptação de seus produetos e de suas aptidões 
ás necessidades que devem satisfazer; o aperefiçoamento 
deve tender ao melhoramento dos produetos, em quanti- 
dade e qualidade, melhoramento esse que deve abran- 
ger principalmente o seguinte : 

a) Desenvolvimento da precocidade ; 

b) Augmento do peso individual ; 

c) Augmento da quantidade e da qualidade de carne 
ou leite. 

Como corollario do melhoramento desses três ele- 
mentos, resultará um ou outro, de ordem económica, que 
é o augmento do valor monetário do animal. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 275 

As condições actuaes da producção obrigam os 
zootechnistas contemporâneos a concentrar toda a sua 
at leu cão para o meio económico, em que os animaes 
são criados e explorados- por conseguinte, o melhor ani- 
mai para uma determinada zona é aquelle que melhor 
se adapta ás condições do meio ou, dito por outras pala- 
vras, é aquelle que satisfaz mais perfeitamente ás exi- 
gências locaes, sob o ponto de vista agrícola e económico. 
Devemos responder á pergunta — «Qual a raça que me- 
lhor nos convém V Levando em consideração unicamente 
o meio agrícola, seria acertado dar-se preferencia a uma 
boa raça nacional, porque sendo criada em nosso meio 
e desde que possua boas qualidades, ella está justamente 
em hamronia mais perfeita com o ambiente que a cerca. 
As condições económicas muitas vezes evoluem rapida- 
mente (novos mercados, alta nos preços dos productos> 
valorisação rápida dos campos etc.J ; desde que o nosso 
gado de exploração seja inferior, essas circumstancias 
podem nos forçar a dar preferencia ao cruzamento com 
uma raça mais aperfeiçoada, no intuito de conseguir 
gado de qualidade mais conveniente á exploração que 
temos em vista, isto é, que produza mais e de accôrdo 
com as exigências do mercado; devemos, então, escolher 
uma raça com aptidões especial isadas, para attender a 
determinadas exigências do consumo, e que, ao mesmo 
tempo, possa se adaptar com vantagem ao meio agricola. 
E : o caso que se nos apresenta, no momento, do cru- 
zamento de nosso gado com reproduetores de raças lei- 
teiras, visando uma maior producção de leite, e com 
reproduetores de raças de corte, tendo-se em vista uma 
mais intensa producção de novilhos para os frigorificos. 

Deduz-se, pois. dahi que, sempre que fôr possivel, 
se deve preferir a selecção, sem se esquecer que essa 
solução nem sempre é a melhor, dependendo a escolha 
de variações dos factores económicos diversos. A selecção 
presentemente seria insufficiente para resolver o pro- 
blema, diminuto como é o numero de animaes nacionaes, 
que merecem ser seleccionados. Torna-se, pois, necessá- 
rio, para satisfazer ás exigências do mercado, recorrer- 



276 MINJSTEKIO DA AGKTCULTURA, INDUSTRIA E OOMMBKCIO 

mos a outros meios, independentemente da selecção, dos 
quaes o principal é o cruzamento. 

A qualidade de um animal depende de seus at tri- 
butos individuaes, das aptidões e caracteres herdados, da 
maneira por que são alimentados e tratados e, finalmente, 
do modo por que são exercitados os seus órgãos, com 
o fim de se obter os productos procurados. 

Consideram-se, pois, como factores essenciaes para 
o melhoramento do gado, os seguintes, classificados por 
ordem de importância : 

1 — Alimentação e hygiene; 

2 — Gymnastica funcciona! ; 

3 — Methodos de reproducção. 

Como (factores complementares, cuja acção será exer- 
cida conjunctamente com os primeiros, devemos mencio- 
nar os derivados da intervenção directa ou indirecta dos 
Poderes Públicos. 

Como se vê, é impossivel fazer o melhoramento do 
nosso rebanho simplesmente empregando este ou aquelle 
rnethodo de reproducção, vendo-se, então, que não têm 
sido dos mais acertados os trabalhos até hoje executados 
nesse terreno, tratando-se, por assim dizer, exclusivamente 
de raças, antes do principal que é justamente a alimenta- 
ção e a hygiene (melhoramento das pastagens e defesa 

sanitária). 

Os meios, pois, mais seguros, de aperfeiçoar o uosso 
gado, abrangem, em primeiro logar, entre os factores 
biológicos, a alimentação e a hygiene. Devemos insistir 
sobre este ponto; a obra modificadora deveria ter sido 
iniciada por esses factores, parallelamente com outros, 
para que a evolução do meio acompanhasse a dos ani- 

maes. 

Um golpe de vista sobre o estado de nossa criação, 
leva á conclusão de que, até hoje, os methodos postos 
em pratica na reproducção das espécies domesticas, dado 
o regimen extensivo, têm sido a selecção, o cruzamento e 
a mestiçagem, não contando com a producção de muares. 

Nos rebanhos primitivos, conhecia-se, a principio, 
apenas a selecção natural, que consiste simplesmente nu- 



EEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 277 



ma preferencia espontânea do reproductor, sem interven- 
ção do homem, seja em virtude de tendências sympa- 
thicas ou, ainda, em consequência da lucta pela vida. 
Este processo foi naturalmente vencido pela selecção ar- 
tificial ou zoolechiiica, em que a intervenção do homem 
se manifesta na escolha dos reproduetores. Assim é que, 
ainda hoje, encontramos grupos de animaes nacionaes 
constituindo, mais ou menos, raças puras, provindas de 
espécies diversas importadas pelos primeiros colonos da 
península Ibérica. K dahi que justamente, sob a influen- 
cia do meio e de alimentação, se originaram o gado Ca- 
raça, o Curraleiro, o Pedreiro, o cavallo Manga larga, o 
porco Canastrão, Canastra, etc, etc. Esses grupos não 
se conservaram, na sua totalidade, puros, devido á intro- 
ducçâo do gado estrangeiro. Primeiramente, o gado kHoI- 
landez», Importado, deu origem ao gado hoje denominado 
Tarino, que é o principal produetor de leite, que se des- 
tina ao abastecimento das cidades. Segui a-se a esses a im- 
portação de outras raças Européas e até o Zebú, que 
deram origem não só aos cruzamentos mais disparatados, 
corno lambem á mestiçagem, que hoje se considera como 
predominante na reproducção. 

Olvidando lamentavelmente o factor principal do 
melhoramento, reconhece-se que muitos criadores, pos- 
suindo gado bom, levados pela curiosidade ou pela in- 
experiência ou influenciados mesmo pelos vizinhos ou 
negociantes de gado exótico, resolveram ensaiar o cruza- 
mento e, em seguida, a mestiçagem, sem razão e sem 
methodo, acreditando estar tudo feito. Tal processo, ad- 
optado, infelizmente, até hoje, sem programma, parti- 
cularmente no que diz respeito á espécie bovina, deixou 
grande parte de nossos rebanhos em estado tal, que 
dillieil seria emprehender a reconstituição das raças an- 
tigas, por selecção, salvo raras excepções, de que trata- 
remos mais abaixo. Deante de tal desorientação e con- 
siderando os prejuizos enormes que eíla acarreta, deve-se 
agir sem perda de tempo e com o máximo critério, con- 
servando os núcleos das raças nacionaes menos alte- 
radas e que apresentam algumas boas qualidades, ap- 



278 REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIÁ 

plicando o cruzamento, com methodo. nos meios onde 
predomina o gado inferior, visando a producção — quer 
de mestiços, susceptíveis de franca acceitação. no mer- 
cado, e segundo as exigências da industria dos frigorí- 
ficos, quer de gado destinado ao fornecimento de leite. 
E' preciso, todavia, observar as condições de alimen- 
tação, pois não é sufficiente comprar os reproduetores, 
sendo absolutamente necessário, ao mesmo tempo, cuidar 
do melhoramento dos pastos, sem o que toda a tentativa 
será de resultados negativos. 

A acção official não deve abandonar, em absoluto, 
o cruzamento, que se impõe, para assim dizer, neste 
momento, para algumas espécies ; o criador, continuando 
a seleccionar sempre os melhores typos indigenas, é in- 
contestavelmente com o fim de obter melhores elementos 
com que, sem duvida, o cruzamento apresentará melho- 
res resultados, do que operando uma mistura mais va- 
riada. O resultado do cruzamento será forçosamente mais 
rápido, quando for reduzido o numero de raças. O Re- 
gulamento sobre a importação de animaes, annexo ao 
Decreto n. 11.579, teve já bastante reduzida a lista das 
raças, cuja importação será auxiliada pelo Governo Fe- 
deral ; talvez conviesse reduzil-a ainda mais, supprimindo 
possivelmente uma dúzia mais. 

"Na espécie bovina, a orientação seguida tem sido 
a adopção dos dois methodos — selecção e cruzamento. 

A selecção é um grande methodo, de resultados 
muito seguros e aconselhável, quando se tem de operar 
com animaes já adaptados ás condições de meio; exige 
um capital minimo, visto dispensar os reproduetores de 
raça estrangeira. Os resultados dependem muito da com- 
petência e do espirito de observação do criador, capaz 
não somente de promover os melhoramentos na sua es- 
tancia de criação, mas também de fazer a escolha dos 
indivíduos, de accôrdo com o fim visado. 

Pois é justamente, diz o professor Cornevin, quanto 
mais adeantada se acha, que a selecção exige conhe- 
cimentos especiaes e seguro golpe de vista, porque si 
o criador, pouco perspicaz, se apercebe de defeitos sa- 



MI&TSTEBIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEECIO 279 

lientes no principio, o mesmo não acontecerá mais tarde, 
quando se tratar apenas de ligeiras imperfeições. 

Duas raças bovinas nacionaes, por emquanto, se 
nos apresentam em condições que nos autorisam a re- 
commendar o seu melhoramento, por via da selecção : 
a Caracú e a Mocha; talvez, mais tarde, se possam conhe- 
cer elementos que tornem aconselhável também a se- 
lecção do gado Cnrraleiro, Pedreiro, etc. Os resultados 
obtidos, na Fazenda-modelo de criação de Nova Odessa 
(Estado de S. Paulo), com os trabalhos da selecção das 
raças Camcú e Mocha, são os mais animadores pos- 
síveis, bem como os resultados obtidos com a raça Caracú, 
no Posto Zootechnico de Pinheiro e na Fazenda Modelo 
de criação de Ponta Grossa. 

Convém, pois dar maior impulso á obra começada, 
completando os lotes de Caracú existentes em Ponta 
Grossa e Uberaba, bem como adquirir Um lote de, pelo 
menos, 200 vaccas mochas, para iniciar a selecção na 
Fazenda-modelo de Uberaba e outros tantos Caracas, para 
a Fazenda-modelo de Caxias. 

Estas providencias, por si sós, não dariam uma so- 
lução completa ao problema, visto que isto é insufficiente 
para attender ás necessidades, no fornecimento de repro- 
ductores seleccionados Caracús e Mochos; o Governo po- 
deria ainda, como medida complementar, auxiliar os cria- 
dores das melhores zonas, que se dedicam á selecção 
ias mencionadas raças, num periodo de mais ou me- 
nos, dez annos : 

1 — Promovendo a fundação de sociedades dos cria- 
dores das raças Caracú e Mocha; 

2 — Instituindo e mantendo de verdade o registro 

genealógico das duas mencionadas raças. 

3 — Auxiliando, com prémios, os criadores dos ani- 
maes melhor classificados nas exposições e promovendo 
leilões de reproductores puros seleccionados ; 

4 — Concedendo transporte gratuito, para os re- 
productores das mencionadas raças, quando acompanha- 
dos dos respectivos pedigrees. 



280 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Dando inicio á semelhante obra, poderemos espe- 
rar, dentro de não muito Longo tempo, que seja então 
viável a possibilidade de se ter, para offerecer aos cria- 
dores, reproductores seleccionados, que, para as condi- 
ções desfavoráveis do meio, são muito superiores ao 
Zebu'. O Governo assim contribuirá para serem poupadas 
fortunas enormes, que se dispendem ánnualmente com 
a importação do Zebu, concorrendo para a diminuição da 
febre de importação deste gado. 

E' bem verdade que não menos animadores são 
os resultados obtidos pelo cruzamento, quer entre nós. 
quer nas Republicas do Prata, onde este methodo até 
hoje tem sido applicado de preferencia. Effectivamente, 
a principio, grande foi o desanimo com a importação de 
reproductores finos, devido a grande mortandade causada 
principalmente pelo mal triste. Hoje o adeantamento da 
technica fornece elementos para o combate a esse mal 
e, embora não evite por completo os casos de morte, 
reauz a sua percentagem a um limite mais tolerável^ 

O novo regulamento, relativo á importação de re- 
productores de raça, approvado pelo "Decreto n. 11.579. 
de 12 de Maio do corrente anno, limitando a idade e 
as raças, e tornando obrigatória a immunisação para os 
bovinos, antes deites serem enviados paira as fazendas, 
não tardará a produzir os seus bons effeitos, contribuindo 
dessa forma o Governo para o melhor aproveitamento 
da fortuna particular e melhor appiicação do auxilio 
por elle rJrestado. 

Para accelerar o trabalho reformador, devemos re- 
correr ao cruzamento, nos casos em que as condições per- 
mitiam a introducção de reproductores finos, dando pre- 
ferencia, para talho, ás raças Hereford, Sussex e Limou- 
sina ; para leite, ás raças Hollandeza, Flamenga e Schwyz. 

Os resultados obtidos nas Republicas visinhas do 
Sul, bem como entre nós, ainda que aqui em pequena 
escala, com as referidas raças, autorisam á aconselhal-as 
francamente aos criadores. 

A espécie suma, na actualidade, deve nos interessar 
tanto como a bovina, tendo-se em vista o incremento que 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 281 



vae tomando a industria das carnes. A criação de porcos, 
entre nós, já está bastante desenvolvida, occupando, pela 
sua importância, uma posição immediatamente abaixo da 
bovina. O Brasil tem uma criação de porcos 4 a 5 
vezes superior á das Republicas do Sul. 

Entre as raças suinas nacionaes, criadas mais in- 
tensamente aqui no Centro do Brasil, podemos mencionar 
a Canastrão e Canastra, ambas boas e talvez as únicas 
que vale a pena melhorar por selecção. Convém, pois. 
cuidar-se, desde já. da selecção dessas duas raças ou, 
pelo menos, Se uma. em nossas Fazendas-modelo de 
criação. 

incontestavelmente, o cruzamento, na espécie suma, 
tem dado óptimos resultados, facilitando a obtenção de 
exemplares de maior peso e mais precoces. 

Na maioria dos casos, deveremos dar preferencia ás 
raças Large Black, Pdland China, Berkshire e Tant- 
ivorth, que têm já provado muito bem. entre nós. 

Besla agora unicamente a fazei', para atlender ás 
necessidades do momento, promover a importação, em 
grande escala, da Inglaterra e dos Estados Unidos, dos 
reproductorés dessas raças, visando principalmente: 

1° Fornecer o necessário para completar os lo- 
tes nos Postos Zootechnicos e Fazendas-modelo de cria- 
ção, futuros viveiros de reproductorés de raças tinas; 

2.° - Vender aos criadores por baixo preço, com 
o fim de dar inicio á criação de reproductorés puros, sendo 
necessário, então, que a importação seja de três mil suí- 
nos das raças acima mencionadas, num prazo de cinco 
annos e com a média de (>()() por anuo, independente- 
mente dos adquiridos para os Postos Zootechnicos e Fa- 
zendas-modelo de criação. 

IV 

'Como no momento actual está se cogitando da ex- 
portação para os mercados estrangeiros, das carnes fri- 
gorificadas, é do máximo interesse que se procure saber 
si, ef fedi vãmente, o stock de gado que possuímos é ou 



282 



MINISTÉRIO T>A AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBRCIO 



não sufficiente para fazer face ás necessidades dos mata- 
douros já funccionando e outros de organisação pro- 
jectada. 

Para responder a essa interrogação, vamos nos 
valer dos dados estatísticos novamente, estabelecendo uma 
comparação entre elles e o numero de habitantes e cal- 
culando o numero de rezes de que podemos dispor annual- 
mente, para o corte : 






ESTADOS 


Habitantes 


Cabeças de 
gado 


12% ! 


Ki lcgs. de carne 
por habitante 


Rio G. do Sul... 
Santa Catharina. . 
; Dishricto Federal . 
Minas-Geraes .... 
Rio de Janeiro , . 

Goyaz 


1 .400.000 
353.000 
858.000 

3.900.000 
068.000 

3.307.000 
280.000 
406.000 
142.000 


7.249.000 

521 .000 

16.000 

6.861 .000 
519.000 

1 .322.000 

1 .873.000 
540.000 

2.550.000 


O < 2 
- (fl S 

cr° ° 
t i 5 S 

o ~ +-> 

£ g C « 
° qd S 

2 c Z w 




Paraná 

Matto-Grosso. . . . 


11 .764.000 


21 .451 .000 


2.573.120 


43,7 Ks. 


' II 


Alagoas 


785.000 
370.000 

2.287.000 
880.000 
207.000 
562.000 
568.000 
520.009 

1 .310.000 

400.000 

279.000 

413.000 

65.000 


260.000 

242.000 

2.683.000 

1 .162.000 

161 .000 

640.000 

541 .000 

781 .000 

871 .000 

1 .163.000 

537.000 

269.000 

7.000 






Amazonas 

| Bahia 


Espirito Santo. . . 

Maranhão 

Pará 


Parahyba 

Pernambuco 

Piauhy 


Rio G. do Norte. 
Sergipe 


i 


8.751 .000 


9.254.000 


1 .110.480 


19 Ks. 









BEV1STA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 283 



Pelo quadro acima, vê-se que. avaliando em 12 °/o 
a quantidade disponível do rebanho, que vae annual- 
mente para o córle e adoptando-se a média de 200 kgs. 
para cada boi, para os Estados do Centro e Sul, e 150 
kgs. para os do Norte, teremos para os primeiros 43.700 
grs. e, para os últimos. 19.000 grs. de carne, por ha- 
bitante e por anuo. 

Não possuindo estatísticas exactas sobre o consumo 
interno, somos obrigados a avalial-o por illação. 

Para o Districto Federal, com uma população de 
858.000 habitantes, póde-se avaliar o consumo animal, em 
numero redondo, em 150.000 bois. de peso médio de 
200 kgs., ou seja 30.000.000 kgs. de carne, locando o5 
kilos para cada habitante, por anuo. Para o clculo do 
consumo geral, apoptamos como base 35 kgs. de carne, 
por habitante, para os Estados do Centro e do Sul, en- 
quanto para os outros Estados do Norte adoptamos só^- 
mente a base de 25 kgs. 

Com os dados que possuimos acima teremos para 
os Estados do Sul e do Centro o seguinte : 

Producção disponível. . . 514.824.000 kgs. de carne 

Avaliação do consumo in- 
terno 411.740.000 » 



» » 



Excesso de producção ... 1 03 . 084 . 000 
ou seja peso equivalente a 515.420 bois. 

Para os Estados do Norte: 

Producção disponível ... 1 66 . 572 . 000 kgs. de carne 
Avaliação do consumo in- 
terno 218.775.000 » » » 



Deficit 52 . 203 . 000 » » 

ou seja equivalente o peso a 348.020 bois. 

Naturalmente, o deficit observado para o consumo, 
nos Estados do Norte, será coberto pelo excesso de pro- 
ducção dos Estados do Sul, e do Centro e, neste caso, 



284 MINISTÉRIO DA AGBI CULTUE A, INDUSTRIA E OOMMEBCIO 



teremos apenas para a exportação 254.405 bois, annual- 
mente. 

Como sabemos, existem funccionando, actualmente, 
em S. Paulo, 2 matadouros frigoríficos, com capacidade 
para 1.500 bois, por dia. Um terceiro matadouro e um 
quarto, em vias de organisaçâo, aquelle no Rio Grande 
do Sul e este, no Estado do Rio, com capacidade pro- 
vável de 1.000 bois diários, no mínimo, existem actual- 
mente. Os quatro matadouros, em pleno funccion amento, 
necessitarão de mais ou menos 2.500 bois, por dia. ou 
sejam 750.000 provavelmente por anno. Dahi resulta, en- 
tão, um deficit de cerca de 495.595 bois. por anno. 
Como consequência desse facto, teremos in lai livel mente o 
augmento do preço da carne para o consumo interno 
ou, então, os frigoríficos serão forçados a retringir a ma- 
tança. Evidentemente, os capitães immobilisados pelas 
grandes companhias, precisam ter juros compensadores, 
que não poderão ser alcançados com uma matança diária, 
avaliada em 50 ou 100 bois. 

E', pois, de toda a opportunidade que se procure 
fazer um estudo sério sobre esse problema, procurando, 
limitar a exportação das carnes á capacidade da produ- 
cção, sem o que duas consequências, egualmente funes- 
tas, poderão vir surprehender a imprevidência, com que 
se tem agido nesse assumpto, uma será o encarecimento 
em proporção tão elevada que acarretaria uma verdadeira 
crise económica, que se ia reflectir principalmente sobre as 
camadas populares; a outra será a fallencia dás com- 
panhias, que, afoitamente, vão immobilisando capitães 
enormes. Não af firmamos que isso se dará fatalmente, 
nem queremos deter um movimento com tão bons in- 
tuitos ; entretanto, lembramos a urgente necessidade de se 
estudar rigorosamente o assumpto, para que se não tenha 
de lamentar, em futuro não muito remoto, de se ter 
mandado, no momento, para os outros um género de 
primeira necessidade, que mais tarde teremos de ir pro- 
curar, por preços mais altos. 

Sem contrariar opiniões emittidas, acerca da fun- 
dação de outros matadouros, alguns até no Norte, onde 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 285 

o deficit é evidente, penso que os esforços do Governo, 
devem ser convergidos, por emquanto, para o Snl e para 
o Centro, onde tia mais probabilidade de snecesso, no 
momento actual, para essa industria, visando o melhora- 
mento e o augmento do rebanho, naquelles Estados, are- 
ies de dirigir a sua acção para o Norte. , 

Os dados estatísticos aqui reproduzidos e as illa- 
ções lógicas que, approximadamente. elles suggeriram, 
permittem avaliar quão difficil seria, na actualidade, lu- 
ctarmos com as Republicas do Prata, nos mercados mun- 
diaes, e, ao mesmo tempo, desfazem muitas illusões, com 
relação á Industria das carnes, para a qual os nossos 
elementos aão podem, nem ninguém poderá garantir que 
actualmente sejam sufficientes. 

Desde que já existem Funccionando dois matadouros 
frigoríficos, em S. Paulo, e outros se acham em vias 
de organisação, em outros pontos, e considerando a de- 
ficiência da matéria prima, cumpre atacar, de prompto e 
vigorosamente, a questão, que agora se nos afigura prin- 
cipal, de augmentar e melhorar os rebanhos, amparan^- 
Ihes, para o bom exilo, os elementos que agora podem se 
considerar in sufficientes. 



V 



Entre as medidas, que se me afiguram mais urgen- 
tes, no momento, actual, para o fomento de nossa industria 
pastoril, mencionarei as seguintes : 

1 — Disseminar o ensino prateio de zootechnia e 
veterinária entFe a classe dos criadores. Com esse fim; 
deve-se constituir um Corpo de Zootechnistas e Veteri- 
rinarios, que, percorrendo as zonas de criação, prestarão 
os seus serviços profissionaes, ministrando, por meio de 
conselhos e demonstrações praticas, os indispensáveis co- 
nhecimentos elementares de Agrostologia, Zootechnia, Hy- 
giene e Veterinária. Os estudos sobre o assumpto, nas 
respectivas zonas, ficarão a cargo desses mesmos pro L 



286 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMEBCIO 

fissionaes. Inútil será dizer que o successo dessa missão 
dependerá exclusivamente da competência do pessoal, ra- 
zão por que tal serviço deve ser confiado a pessoas de 
competência a toda a prova. 

2 — Iniciar, desde já, nos Postos Zootechnicos e 
Fazendas modelo de Criação, o ensino do pessoal a quem 
se poderá confiar o trato dos animaes, que se destinarem 
ás estações de monta. 

3 — N Promover exposições e concursos de animaes, 
nos centros pastoris. 

4 — Promover a fundação das sociedades pastoris. 

5 — Conceder favores aos criadores, que se desti- 
narem exclusivamente á criação de reproductores finos 
(particularmente das espécies bovina e suina). 

6 — Estabelecer, desde já, mais duas fazendas de 
criação, uma em Matto Grosso e outra em Goyaz, bem 
como crear o maior numero possivel de estações de 
monta, nos principaes centros pastoris. 

7 — Promover a importação de animaes de raças, 
em maior escala, as quaes só deveriam ser remettidos para 
as fazendas, depois de verificada a acclimação. 

8 — Completar os rebanhos dos Postos Zootechni- 
cos e Fazendasi-modelo de criação, no intuito de satis- 
fazer ás necessidades próprias desses estabelecimentos, 
bem como de criar maior numero de reproductores fi- 
nos, para collocal-os á disposição dos criadores. 

9 — Isentar de direitos todo o material de cercas, 
que se destinar ás fazendas de criação e reducção das 
respectivas despezas de transportes, nas companhias das 
estradas de ferro. 

10 — Diminuição das despezas de transporte para 
o sal que se destina ás fazendas de criar. 

11 — Melhorar e baratear o transporte dos ani- 
maes e seus productos. 

12 — Procurar novos mercados para os nossos 
productos de industria pastoril, nomeando um delegado 
especialista na matéria com sede em Paris ou Londres. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 287 



13 — Apparelhar os portos de Santos e Rio Grande 
do Sul com depósitos frigorificos. 

14 — Isenção de direito e transporte gratuito para 
os carrapaticidas. 

1 5— Restabelecer o premio de 500S000, dado aos 
criadores guel contruirem nas suas propriedades banhei- 
ros carrapaticidas. 

Essas medidas, entre outras muitas, si bem que não 
constituam novidade alguma, se me afiguram as mais 
urgentes e necessárias ao desenvolvimento da industria 
pastoril entre nós. Anplical-as, com critério, nos centros 
pastoris, onde tudo parece congregado para a conquista 
de u$ma victoria, é dever patriótico do Governo. 

Rio, 26 de Novembro de 1915. 

X. Atiiaxassof. 



288 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMER' 



Estudos sobre a ((Tristeza». 



Ha muito grassava entre nós, sob a forma de enzootia,, 
que era estorvo enorme ao desenvolvimento da pecuária na- 
cional, pela eliminação do elemento purificador estrangeiro, 
uma entidade mórbida, cujo quadro clinico, em linhas geraes, 
era o de uma grande prostração inicial, inappetencia, febre 
alta, signaes sub-ictericos e, frequentemente, hemoglobinuria. 
Conheciam-n'a assim, do norte ao sul do Brasil, os nossos fa- 
zendeiros, que a denominação lhe davam de "mal triste," ou, 
mais simples, e generalizadamente, de tristeza. 

De sua causa e de seu tratamento nada se sabia: dispa- 
ratavam-se as hypotheses, emquanto se mantinha, justo e se- 
guro, o prognostico severo. As pesquizas scientificas, porém, 
não tardaram muito em prescrutar-lhe fundo a etiologia, al- 
cançando mais tarde, desvendar-lhe a therapeutica preventiva. 

Historia. — Em 1901 inseria a « Revista Medica 
de S. Paulo um artigo de Francisco Farjado, dando conta 
de verificações microscópicas em casos da moléstia, occorridos 
em animaes recentemente importados. Clinicamente era a 
tristeza que se revelava; o exame de sangue, completando o 
diagnostico, identificou-a á «Febre do Texas,» descobrindo- 
lhe o protozoário causador, que BabÉS, em 1888, fora o pri- 
meiro a assignalar. 

Cinco annos depois, em 1906, publicava Carini, em 
relatório do Instituto Pasteur de S. Paulo, valiosa contribuição 
para o estudo do «mal triste,» que elle, como já o fizera 
Fajardo, catalogava, nosographicamente, como pyroplas?nose 
bovina. Do mesmo arguto pesquisador, desde 1908, novos tra- 
balhos teem vindo a lume, alargando sempre o campo expe- 
rimental da «tristeza». 

Em i907,realisa Misson, em companhia de Raouet, 
suas primeiras verificações nesse terreno, a cujo amanho, 
para fértil sementeira, continuou consagrando o melhor do 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 289 

seu esforço, do que é prova, de alto merecimento, o artigo es- 
tampado na Revista de Veterinária e Zootechnia» do Mi- 
nistério da Agricultura, anno III, n.° 3, de junho de 19 13, 
sob o titulo Immunisação artificial contra a piroplas7?iose do gado 
europeu importado no Brás i /.Hm 1908, além das contribuições 
de Cari ni, merecem ser citadas as <- Informações,» de Lutz, 
sobre as moléstias observadas no Brasil, em animaes domés- 
ticos e a conferencia em que Eduardo Cotrim expõe sua 
observação precisa e minuciosa. 

Soares Pereira Júnior, em 19 10, em artigo inserto 
no -Jornal do Commercio, » de 25 de dezembro, foi o primeiro, 
no Brasil, a ensinar o emprego do trypanblau no tratamento 
tristeza. 

Ao problema de sua etiologia trouxeram, em 1913, 
esclarecimento profundo e largo as pesqnisas de Miranda e 
Horta, que enriqueceram com uma espécie nova, -r a Babesia 
australe, Miranda e Horta 19 13 — o capitulo da protozoolo- 
gia tropical. Discutindo nesse mesmo anno, a vaccina 
LigniérEvS, os mesmos minuciosos investigadores trouxeram, 
ao problema therapeutico da moléstia, esclarecimento que 
vale por brilhante solução. 

E' de 19 14, ao Decimo Congresso Internacional de 
Veterinária de Londres, a notável communicação de Horta 
sobre as babesioses americanas. 

Ao Congresso de Califórnia, de 19 15, também con- 
tribuíram, valiosamente, A. Vasconcellos e S. Figueiredo, 
estudando as relações entre o germe da malária humana e 
ao da bovina. Nesse mesmo anno, finalmente, Serapião de 
Figueiredo disserta, em these de doutoramento, sobre Ba- 
besias e Anaplasmas, fazendo do assumpto um acurado es- 
tudo. 

Vê-se, por essa rápida historia, quanto esforço útil 
tem lavrado, entre nós, o campo experimental da Babesiose 
bovina, aclarando-lhe amplamente o horizonte etiológico e in- 
troduzindo-lhe, nos processos de prophylaxia, modificações 
que hoje attingem notável aperfeiçoamento. 

Estudos collateraes referidos ao quadro clinico que 
segue, de habito, os casos graves da moléstia, discutiram ar- 
dorosamente as idéas de TheilER sobre a existência de um 



290 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E QDMMERCIO 



outro parasito, o anaplasma, a cuja conta seriam levados os 
accidentes para-e post-pyroplasmicos, muitas vezes morte 
Ainda aqui, a etiologia mereceu a melhor attenção dos estu- 
diosos, formando- se desde logo diversas correntes que, a seu 
modo, procuram elucidar o phenomeno. 

Para Miranda e Horta, vencedoras as idéas de 
TheíLER, o anaplasma se distinguiria nosologicamente do 
pyroplasma, com este existindo apenas em concomittancia oc- 
casional. 

A. Vasconcelxos e Figueiredo, adoptando o crité- 
rio de Smith, Kilborn, Knuth, etc, entendem comparal-o 
aos gametos do hematozoario de Laveran : seria assim o ana- 
plasma uma phase evolutiva do pyroplasma. 

Aragão e Dias filiam-se ás opiniões de Schellixg 
e Torgau, deixando á conta de phenomenos de natureza he- 
molytica, resultantes da acção de toxinas dos pyroplasmas, ou 
de substancias chimicas independentes de infecção. 

Difficil, na hora presente, inscrevermo-nos, de vez, em 
qualquer dessas escolas, falho o assumpto de observações bas- 
tante convincentes. De momento, nós nos occupamos primor- 
dialmente da prophylaxia da tristeza, dilatando para outra 
época estudos de que o precedente apenas inicia a serie. 

Nomenclatura. — Uma questão inicial, porém, 
deve referir-se á denominação genérica do protozoário causa- 
dor da tristeza. BabÉS, em 1888, descreve, pela primeira vez, 
o HematococcMs bovis firmando, definitivamente, a denominação 
especifica, mas utilisando para o género o nome Hematococais, 
já incluido por Agardh, em 1827, na synonimia da Sphac- 
rella, SoMMERFELD, 1824, e entretanto tido ainda como bom 
por alguns auctores (Vide refer. : Lankester — A Treatise 
011 Zoology. London 1909, pags. 166 e 180; e outros). 

Smith, em 1889, propõe Pyrosoma, também preoc- 
cupado (Perou — 1804.) 

Em 1893, Starcovici, propõe a denominação Babesia, 
em justa homenagem ao classificador da espécie bovis . 

Com o descaso pelas cousas da nomenclatura, que ca- 
racterisa a. maior parte dos investigadores, não parou ahi a 
synonimia. WandollECK, em 1895, ^ a de Apiosoma bige- 
minum, e a denominação de Pyroplasma bigemmum Pat- 



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TOX — 1S95, encontra-se ainda hoje, com predominância ma- 
nifesta, intitulando estudos sobre a Babes ia bovis (BabÉS 1888). 
Para Bonome (1895) o género deve chamar-se Amebospori- 
dnim ; MameloT descreve a espécie sob o nome de Babesia 
kollei, 1904 e Pyroplasma bigeminum bovis, será, segundo Al- 
LESSANDRINI (in Lustig), a denominação conferida por Mar- 
TOGLio, Stklla e Carpano — 1911, descuidados assim da 
nomenclatura binominal hoje universalmente acceita. 

Quanto á denominação especifica é outro ponto de 
franca disputa. Não nos é possível, a esta hora, compulsar, a 
propósito, diagnoses originaes, contentando-nos por isso em 
registar os vários aspectos de tão interessante polemica. 

O mais moderno dos autores que manuseamos, Sera- 
p ião Figueiredo (junho de 19 15) conta 15 espécies diversas 
só" no género Babesia, enumerando B. bovis (BabÉS 1888) e 
B. bigemina (Smith-Kilborne 1901). 

Importante artigo de Miranda e Horta, sobre «A 
etiologia da tristeza no Brasil,» na «Revista de Veterinária e 
Zootechnia anno III, n.° 6, de dezembro de 1913, regista a 
existência de Pyrosoma bigeminum, Smith 1889. AllESSAN- 
drixi cita B. ?nutans, B bovis, B. parva como as únicas que se 
encontram nos bovinos. Neveu-Lemaire inclue Pyrosoma 
oigeminum Smith e Kilborne 1893, na synonimia de B. bo- 
vis (Babes 1888.) 

Desencontradas as datas e mesmo as denominações es- 
pecificas, intangiveis segundo as resoluções do «Congrès In- 
ternational de Zoologie,» de França, 1889, sentimo-nos im- 
possibilitados de dar o nome preciso do parasito de que se oc- 
cupa nosso presente estudo. O que podemos affirmar é que 
se não trata de Babesia australe Miranda e Horta 19 13, 
cuja descripção temos á vista, ficando assim nossa opinião a 
hesitar apenas no tocante ao nome especifico entre Bigemina, 
bigemnnun e bovis. 

Para findar o exame desse problema de nomenclatura, 
diremos em summa que o germe encontrado em laminas ob- 
tidas com o sangue de animaes por nós observados pertence, 
ao género Babesia Starcovici 1893, espécie bovis BabÉS 1888 
sensu latu . 



292 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Methodos de Immunisação. — Não valendo 
a pena repetir a symptomatologia da tristeza, claramente ex- 
posta nos clássicos (vide bibliographia) e fartamente conhe- 
cida dos nossos criadores, entraremos logo a tratar do as- 
sumpto que mais importa e é o de sua immunisação, cujo es- 
tudo vimos desde algum tempo, realisando . 

Em suas linhas geraes, dois são os methodos existen- 
tes para a immunisação contra a tristeza. Consiste o primeiro 
no inocular virus attenuado; o segando preconisa a inoculação 
de sangue virulento . 

A inoculação de virus attenuado, que constitue pro- 
priamente a vaccinotherapia da babesiose bovina, tem sido 
feita, em larga escala, na Allemanha, por Míessner e KossEL, 
e na Argentina por LigniÈres, cujos trabalhos, muito discu- 
tidos, mereceram calorosos applausos e criticas irretorqui- 
veis . 

O processo usado na Allemanha, consiste em injectar 
sub-cutaneamente 5 cc. de sangue desfibrinado, provindo de 
animal infectado artificialmente e que tenha já resistido cerca 
de 50 dias. O resultado que se obtém, assevera-o Moussu, 
é problemático. 

LiGNíÈRES baseou seu processo na attenuação do 
virus pelo frio, e, após varias modificações, chegou afinal a in- 
dicar como excellente a vaccina que hoje ainda se emprega 
na Argentina. O modus faciendi da actual vaccina tríplice Li- 
GNiÈRES é complicado. Obtém-se uma primeira vaccina com 
sangue desfibrinado, rico em Babesia begemimim que se deixa 
em mistura refrigerante pelo espaço de 7 a 8 horas ; em se- 
guida á solidificação o sangue é abandonado á temperatura 
do laboratório, usando-se depois de novamente liquefeito. A 
segunda vaccina faz-se com o sangue da mesma proveniência 
da do precedente, attenuado apenas em geleira durante duas 
semanas. A terceira vaccina soffre a mesma attenuação da se- 
gunda, contendo, porém, Babesia argentinum. 

Para fazer uso desse producto, injectam-se, via endo- 
venosa, 5 cc. da vaccina n. 1 ; dez dias depois é a injecção de 
1 cc. da vaccina n. 2, via sub-cutanea; e, passados mais 15 dias, 
é injectado afinal 1 cc. de vaccina n. 3 . 



KEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 293 

LigniÈres fabrica ainda o que elle denomina avac- 
cina poly valente, empregando, para obtel-a, B. bigerninum e 
B. argentinum, colhidas em varias fontes . 

Todas essas vaccinas teem falhado em sua applicação. 
Do fracasso da que se conseguio obter na Allemanha, é cara- 
cterística a phrase de Morssu, linhas acima citada. Ampla- 
mente discutida tem sido a vaccina argentina, muito contri- 
buindo para a sua total rejeição entre nós, os trabalhos reali- 
sados aqui mesmo, no Posto de Observação por Lisboa e 
Octávio Magalhães, onde se conseguio, em cuidadosa ex- 
periência, altíssima percentagem de casos negativos : de feito, 
todos os animaes, recentemente vaccinados, suecumbiram á 
tristeza^ apenas expostos aos carrapatos infectados nos campos 
da Gamelleira . 

Ao relatório por esse tempo apresentado ao Ministério 
da Agricultura pelos Drs. Alcidfs Miranda e Parreiras 
Horta, oppoz LigniÈres o argumento da pluralidade de 
parasitos existentes na Argentina e no Brasil] Miranda e 
Horta, porem, em replica de cerrada lógica, mui judiciosa- 
mente assignalam que, si a vaccina fora feita, no dizer do 
próprio LigniÈres, contra B. bigerninum e Jl argentinum^ fa- 
talmente deveria agir entre nós contra a mesma B. hige?iimum, 
a que foi identificado por Lisboa o parasito fatal aos animaes 
em experiência na Gamelleira. 

Dados esses factos, não pode deixar de ser condem- 
nada in limine a vaccina de LigniÈRES, ao menos até que o 
illustre bacteriologista tenha conseguido fazel-a pan-va- 
lente . . . 

A inoculação de sangue virulento faz-se, quer apro- 
veitando os hospedeiros intermediários do parasito, que rea- 
lisam o modo de infecção natural, quer injectando directa- 
mente o sangue. Como hospedeiros intermediários de B. bovis 
são conhecidos os ixodideos de que varias espécies entre nós 
se teem mostrado capazes de vehicular aqueíle germe, sendo 
que, nos pastos da Gamelleira, o carrapato mais frequente- 
mente identificado foi o Margaropus annulatus var. microplus 
Canestrini. 

Para utilizai -o na prophylaxia da tristeza, teem os ex- 
perimentadores preconisado dois modos bem distinctos. 



294 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

DAivRYMPHE, Morgan e Dobson (cit Allessandrixi) em- 
pregam uma .solução aquosa de carrapatos infectados, em in- 
jecção sub-cutanea. Inútil salientar os inconvenientes nume- 
rosos de tão empirica pratica. 

O outro methodo, que pode chamar-se da carrapati- 
zação, foi usado a primeira vez por Coxnaway e Francis, 
nos Estados Unidos . Consiste em fazer picar, por carrapatos, 
animaes jovens receptivos. Realisam aquelles experimenta- 
dores uma primeira applicação de 25 a 50 ixodidas parasi- 
tados sobre o animal que se pretende immunisar; e, quando 
os incidentes da infecção assim produzida desapparecem, 
fazem uma reinfestação com 200 a 400 carrapatos. 

O estado refractário, affimam-n'o Nocard e Leclain- 
CHE, estabelece-se lentamente, só se completando muitos 
mezes depois. Durante todo esse periodo os animaes devem 
ser submettidos a vigilante observação obrigada a cuidadoso 
regime alimentar e conforto especial, que lhes previnam com- 
plicações intercurrentes . Nas próprias cautelas exigidas para 
a effectivação de tal processo, encerram-se os principaes mo- 
tivos da sua condemnação. O emprego de hospedeiros inter- 
mediários cujo grão infectante não pode ser previamente de- 
terminado, vale por mais uma grande causa do mallogro. 

Experiência, com as precauções dos methodos prece- 
dentes, a fazer-se com animaes deixados á solta em pastos carra- 
patisados, constituiria novo processo immunisante incerto no 
seu empirismo. 

A inoculação de material virulento em que se utilisa 
o sangue de animaes convalescentes, ou que provenham de 
zona enzootica onde á tristeza já se tornaram refractários por 
accessos repetidos delia, é feita por Connaway e Francis, 
após desfibrinado e em mistura a io°/ com solução saturada 
de tricresol. 

Fácil é de ver quanto a attenuação exagerada ou total 
do virus torna precário esse meio prophylactico. 

Processo preferido e corrente entre nós faz uso de san- 
gue puro. 

Schneider inocula immediatamente o sangue que 
obteve por puncção na jugular, abandonando em seguida o 
animal que inoculou e considera, assim, immunisado. Não 




Touro M 3 - Hereford 

Propriedade da 'Companhia Morro Velho 




Touro M 4 - Hereford 

Propriedade da «Companhia Morro Velho 



REVISTA DE VETEEIXAEIA E ZOOTECHNIA 295 



raro porém resultam dahi casos fataes em consequência de 
infecções excessivamente severas. 

Methodo de Theller. — Para obviar esses 
inconvenientes, com que, em repetidas experiências, se 
impressionara, foi que Thkiler aproveitou a descoberta de 
Xuttaix e Hawdex sobre a acção therapeutiea do trypan- 
blait nas babesioses ; e modificou o primitivo processo preve- 
nindo os perigos da infecção grave por meio de uma injecção 
curativa. Injectava Thkiler sub-cutaneamente 5 cc. de san- 
sangue virulento, no animal a immunisar, e esperava a mani- 
festação plena da moléstia, assignalada pelo máximo da 
curva thermica, para só então intervir com o injectar, sob 
a pelle, 100 cc. a 200 cc. de solução acquosa de trypanblau 
a 1 o/ o- Tem tido esse methodo emprego constante entre nós, 
principalmente depois dos trabalhos de Misson em S. Paulo, 
(1907-1913) e de Miranda e Horta no Rio de Janeiro, 

Do methodo de Theiler diz Misson no artigo 
estampado na «Revista Veterinária e Zootechnia», a que já nos 
referimos, consistirem as suas principaes vantagens em ser 
rápido, pratico e económico; de sua efficacia, especificada- 
mente, não cogita, mas todo o seu trabalho é um louvor a 
esse notável processo de immrnisação. 

Merece acurado exame tal artigo de Misson. E á 
analyse de seus pontos principaes não nos podemos eximir, 
cônscios de que pequeno aperfeiçoamento lhe corrigirá, ao 
methodo, os últimos senões. Este o fim visado pelo pre- 
sente estudo,^ que. contribuirá, com toda a certeza, para a defi- 
nitiva solução do enorme problema que é, na pecuária indi- 
gena, a prophvlaxia da tristeza. 

Baseia o autor suas conclusões na observação de 75 
casos, dos quaes publica o resultado de exames microscó- 
picos de sangue peripherico e a temperatura, durante 1 1 
dias, tomada três vezes por dia, a partir da data da infecção 
artificial. Em 46,66 °/ desses casos a injecção de trypanblau 
é feita depois de passada a primeira ascenção thermica, 
quando o thermometro assignala, pela segunda vez, a exis- 
tência de intensa pyrexia. Em taes casos as observações se 
mostram falhas, cessadas as referencias quando ainda a febre 



.296 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



se mantinha. Numa vitella flamenga, por exemplo, assigna- 
lada com o n.° 360 e qne occnpa o primeiro logar do quadro 
com que MivSSON illustra valiosamente o seu artigo, a tem- 
peratura inicial oscillou entre 38,7 o e 38,8 o ; ao sexto dia 
attingira 40,3 o sendo que o exame de sangue já confir- 
mava a existência do parasito. Só ao nono dia, porém, 
quando o thermometro, depois de descer a 39,2 o , accusou 
42,2 o , foi que se fez a injecção curativa; e no decimo pri- 
meiro dia, quando cessa a observação, a temperatura oscilla 
ainda entre 40,1 o e 40,7 o , nada constando, nas notas á 
margem, do estado posterior do animal, o que levanta, 
sobre a efficacia do methodo, uma sombra de grande vulto. 
No touro hollandez n.° 307, a temperatura inicial varia 
entre 38,4 o e 38,7 o ; no sexto dia sobe a 39,9 o ; no sétimo, 
40,3 o . Somente no oitavo, com 39,5 o , é que se fez a appli- 
cação de trypanblau. E, ao fim das verificações, 110 decimo 
primeiro dia, ainda ha 40,5 o , permanecendo, sobre a excel- 
lencia do methodo, a mesma duvida, que se repete, aliás, em 
mais trinta e um dos casos de Missox. 

Em 17,33 % das experiências, apesar da injecção 
curativa ter sido feita após um segundo accesso febril, a 
observação cessa com temperatura normal; ignoramos, 
porém, inteiramente, a sorte ulterior dos animaes assim 
tratados. 

Algumas vezes, i6°/ , o experimentador injecta o 
trypanblau logo após o primeiro accesso de febre, tendo em 
9,33 °/ suspenso os trabalhos ainda em hyperthermia, pas- 
sados da injecção curativa cinco dias apenas. 

Cerca de 15% dos casos trazem, á margem, a nota: 
não ha reacção, ou phrase equivalente, com quanto o quadro 
revela elevações até 40 o ou pouco mais. Extranho duplamente 
é que não valha essa febre por indicio de reacção ; e se in- 
cluam, por outro lado, entre os submettidos ao processo 
immunisante, animaes que não reagem. 

Casos interessantes ha ainda no que se refere á tem- 
peratura inicial. E' assim que o touro hollandez, de n.° 350, 
commeça a ser immunisado com 40,5 o , baixando a curva 
thermica a 39,3 o quando terminado o processo immunisante 



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EEVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 297 

.Abandonada a possibilidade de erro de registo, o facto valeria 
pela sna originalidade. 

A tomada de temperatura, que se inicia com a 
injecção virulenta, cessa, systematicamente, após i r dias de 
observação. Ora o trypanblau é injectado sempre entre o 4. e 
o 7. dia, de tal modo que, em grande numero de observações, 
só se verifica a temperatura por mais quatro dias após a 
injecção curativa. Ha mesmo nm animal, novilha hollandeza 
n." 313, em que finda essa verificação justamente no dia em 
que é ministrado o trypanblau, do qne resulta nova duvida 
sobre a efficacia do methodo. 

Tanto mais para lastimar são esses factos, quanto o 
•experimentador se revela minuciosíssimo nos dados clínicos 
de qne se serve, não descurando allusão ás differenças de 
peso e de regime alimentar, dos animaes observados. 

Interesse vital levon-nos a manusear, demoradamente, 
taes trabalhos, quando da immnnisação de reprodnctores 
extrangeiros, entregues para esse fim pelo Governo de Minas 
ao Posto de Observação de Bello-Horizonte. Sollicitado a 
esse tempo, por outros affazeres, ineumbiu-nos o Dr. Director 
do Posto de executar esse serviço, para o qual nos orientou 
com ideas colhidas em observações aqui mesmo anterior- 
mente, feitas. 

A' falta de instai lação conveniente no Posto de Obser- 
vação, foi na fazenda da Gameleira que effectuamos esse 
trabalho. Recentemente importados por particulares, 4 repro- 
dnctores Hereford e um Guernesev submetteram-se 
todos ao tratamento preventivo contra a babesiose; e, de 
methodos diversos utilisados, ora vimos apresentar os resul- 
tados que obtivemos. Incontestável é que o numero de 
observações pecca por sua escassez ; ainda assim, entretanto, 
dadas as conjuncturas actuaes, de enorme difficuldade em 
nossa importação de elementos bovinos de puro sangue, 
devemos felicitar-nos por ter tido á mão esse material para 
estudo. O contingente com que, por isso, contribuímos para 
a prophylaxia da tristeza no Brasil, ficou, em quantidade, 
bastante reduzido. Do que representam porém as nossas 
conclusões, pelo horizonte que nos dilatam nesse campo 
vexperi mental, estamos certos, tirarão proveito quantos pelo 



298 MINISTÉRIO DA AGi;i<( LTURA, INDCSTKIA E COMMJ.CMo 






aSvSumpto se interessem, como nós mesmos nos promettenios 
fazel-o em época melhor, de mais fácil e abundante trabalho. 
Em fim de agosto de 19 15, iniciámos o tratamento 
dos quatro «Hereford, acima citados. Partindo de tempera- 
tura que oscillava entre 38,1 o e 38,6 o , inoculámos em cada 
um cerca de 5 cc. de sangue colhido na jugular de um Ca- 
racú» que exame microscópico revelara portador de pequena 
quantidade de germes. 

O primeiro, portador da marca M i»j começara com 
38,3 o de temperatura; e somente no n.° dia, a 3 de setembro, 
apresentou variação de mais de um grau, marcando então o 
thermometro 39,5 o . No dia seguinte a temperatura voltou ao 
normal. A 5 de outubro subiu de novo ao mesmo ponto, 
cahindo 110 outro dia. A 9, de tarde, a curva thermica ascen- 
dia a 39,2 o . Percebendo que a pyrexiz não dava signal de passar 
além de 39,5 o , aproveitámos essa nova alta para fazer, já no 
dia seguinte, uma injecção de 2 grs. de trypanblau em 150 
de agua estéril, titulo de solução usado desde muito por 
Lisboa. 

As condições de trabalho foram impedimento a que 
acudissemos immediatamente ao phenomeno febril, retardan- 
do de algumas horas a applicação curativa. 

Momento é de lembrarmos que a Fazenda da Gamei- 
leira dista da cidade mais de uma légua com communicações 
que só mais tarde nos foram facilitadas, pela attenciosa inter- 
venção do Director do Serviço de Industria Animal, da Secre- 
taria de Agricultura do Estado, Dr. Honório Hermeto, a 
cuja boa vontade esclarecida muito ficamos devendo. 

Mau grado o tratamento curativo, a temperatura, ao 
cabo de doze dias em que se mantivera normal, subiu a 
40,5 o , tendo tido oscillações durante mais de 11 dias, para 
só então, em definitivo, normalisar-se, conforme cuidado- 
samente observámos ainda por duas semanas, perfazendo as 
verificações um total de de 59 dias. Este animal, como aliás 
todos os outros, após tão longa observação quotidiana, con- 
tinua até hoje sob nossas vistas, sem ter apresentado mais 
nenhum accidente. 

O segundo touro, «M 2», tinha como temperatura 
inicial 38,1 o , quando, a 23 de agosto, lhe inoculámos 5 cc. de 



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KEVISTA DE VETEEIXAEIA E ZOOTECHNIA 299 

sangue retirado simultaneamente com o que sérvio para 
os outros três bovinos «Hereforcb. A três de setembro a 
temperatura subiu a 40,6 o , descendo ao normal para altear-se 
de novo a 40°, no dia 6. No dia 7, quando o thermometro 
marcava 38,7 o , foi-lhe injectada dose de tryfianblau idêntica 
á de Mi >. A curva, que, depois de leve sobresalto no dia 
seguinte (39,1 o ), descera ao normal, recomeçou a subir no dia 
doze (39,5 o ), alteando-se, a treze e quatorze, até 40,6 o , no dia 
15 desceu um pouco a 39,8 o , tendo subido, novamente, no 
dia seguinte, a 40,6 o , quando, dada a gravidade da infecção, 
lhe injectámos nova dose de substancia curativa, prescre- 
vendo-lhe, ao mesmo tempo, como tónico de 300 cc. de álcool. 
A temperatura baixou, mantendo-se quatro dias entre 38 o e 
38,6 o ; mas a 22 de setembro ainda alcançou 40,7 o . Mante- 
ve-se assim a pvrcxia, com oscillações lentamente decres- 
cendo ; a 1 2 de outubro ainda houve 40 o , sendo que, afinal, 
do dia 15 em deante, não passou de 39 o . 

Convém, desde logo, assignalar quanto prejuizo assim 
trouxe, para a saúde desse animal, a injecção tardia de 
substancia curativa. De todos foi o que mais soffreu. 

O :M 3 , cuja immunisação iniciámos com a tempe- 
ratura de 38,6 o inoculando a mesma dose de sangue viru- 
lento, teve, a 5 de setembro, trese dias após essa inoculação, 
40,3 o , cahindo, no dia seguinte, a columna thermometrica 
a 38,3 o . Novo accesso, a dez de setembro, revelava 40,6 o de 
febre, o que nos levou a injectar, nesse mesmo dia, a solução 
curativa. Aos poucos a temperatura cahiu a 38 o , mantendo-se, 
com pequenas oscillações desde 14 a 20 de setembro. A 21 
recomeçou a subir, attingindo 41,2 o 110 dia 24; a 25 está 
ainda a 40,2 o ; e a 26, quando a febre baixava (38,2 o ), mas 
apresentava o animal symptomas de infecção severa, nova- 
mente lhe demos o trxpanblau, sempre por via sub-cutanea. 
Com ligeiros sobresaltos a curva pyretica tendeu para o 
normal, sendo que, de dez de outubro em deante, nunca mais 
ultrapassou 38,7 o . 

O <M 4» tivera a 23 de agosto, dia da injecção viru- 
lenta, 38,4 o . A três de setembro o thermometro aceusou 40,7 o , 
baixando no dia seguinte a 38,3 o . A 7 galgou, de novo, 
39,4 o ; a 8, com 38,5 o , fizemos a injecção de trypanblan que 



300 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E GOMMERCIO 



produziu 39 o no outro dia. Até 19 a temperatura, que já a 
10 eahira a 38,3 o , se manteve normal. A 20, porém, nova 
pyrexia começou a processar-se, elevando-se a columna de 
mercúrio a 41 o no dia 25, quando o quadro clinico, sympto- 
matico de infecção grave, nos levou a repetir a applicação de 
substancia curativa, seguida de prescripçâo de álcool em uso 
interno. A 30 de setembro a curva, que viera descendo aos 
poucos, estava ainda 39,2 o , mantendo-se, d'ahi por deante. 
nos limites do normal, isto é, entre 38 o e 38,8 o . Em todos 
esses casos empregámos o methodoTHEiLER de que MlSSON 
tem sido, no Brasil, propagador enthusiasta. Em todos elles, 
entretanto, o que chamamos injecção tardia de trypanbla-u 
teve como resultado pyrexia secundaria, de cuja gravidade 
tanto se resentiram os animaes em experiência, que, em 
três delles, não hesitámos em recorrer a nova dose de sub- 
stancia curativa. Mesmo assim, porém, o touro M 2 cuja 
temperatura, depois da segunda injecção, se norm alisara, 
apresentou terceiro accesso febril representado por 40,7 o . 

Convencidos dos perigos resultantes da applicação 
rigorosa do methodo, até agora, entre nós geralmente usado, 
recorremos á experiência de Lisboa que nos aconselhou o 
emprego precoce do trypaublau. Baseava-se esse aviso do 
Director do Posto em observações anteriores aqui executadas, 
nas quaes o uso da solução curativa, apenas iniciada a pyre- 
xia, fora coroado de completo êxito. 

Modificação do Methodo Theller. — Não 

tardou muito que se nos deparasse ensejo para effecti- 
var esse conselho : em fim de outubro, confiava-nos o Gover- 
no de Minas a immunisação de um reproductor a Guernesey ,, 
internado por particulares na fazenda da Gamelleira. Inocu- 
lado a 27 de Setembro, do mesmo modo que os precedentes 
e com temperatura inicial de 38,7 o , apresentava 39,5 o no dia 
4 de outubro, tendo a 5, com o mesmo gráo de febre, recebido 
a injecção sub-cutanea de trypanblau. No dia 6, reacção á 
substancia curativa, observada também nos outros casos, a 
curva thermica subio a 41,1 o , para cahir, bruscamente, no dia 
7, a 38,5 o ; nessa tarde ainda teve 38,3 o . De 8 em deante. 
nunca mais a temperatura se elevou acima de 38,5 o . Para 
verificação da immunidade adquirida, fizemos nova inocula- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 301 

ção de 15 cc de sangue virulento. A reacção deveria fazer- 
se a partir de 5 a 7 dias, permanecendo 24 horas no mínimo, 
a tratar-se de animal receptivo, mesmo francatnete. Este 
não foi, porém, o resultado que obtivemos. O animal, de três 
e meio annos de edade, por tanto em condições muito favore- 
cedoras de infecção babesiana grave, soffreu, dentro de 24 
horas, elevação thermica de cerca de um gráo, constatada em 
uma única applicação do thermometro, o que vale dizer du- 
rando menos de 12 horas, pois esse é o prazo com que, sys- 
tematicamente, costumamos tomar a temperatura anal dos 
bovinos em experiência . Descida ao normal a curva thermi- 
ca, nessas condições se manteve durante os últimos dias de 
outubro, todo o mez de novembro e primeira quinzena de de- 
zembro corrente. 

Clinicamente nada poderíamos exigir de mais de- 
monstrativo do estado refractário desse touro "Guernesey" á 
seguinte inoculação de sangue parasitado . Não será ocioso 
lembrar, a mais, que entre a primeira e a segunda injecção 
de material virulento medeiaram trinta dias, dos quaes os 
vinte últimos de completa apyrexia. 

Incidente de ultima hora impede-nos publicar a se- 
gunda parte do quadro thermico, acima detalhadamente des- 
crípto . 

Conclusões. — Baseados assim em nossa expe- 
riência clinica, concluiremos, pois : 

A) a injecção tardia de trxpanbla.11, na immuni- 
sação da tristeza, acarreta perigos sérios á vida 
do animal; 

B) a injecção curativa precoce {trypanblau) obvia 
tal inconveniente, sem prejuízo para a immu- 
nisação ; 

C) a injecção precoce de trypanblau, deve assim 
ser, sys tematicamente, preferida a sua injecção 
tardia ; 

D) a applicação precoce do trypanblau deve fazer- 
se no inicio do primeiro accesso febril da 
reacção, isto é logo que tenha passado de um 
gráo a temperatura inicial ; 



302 MINISTElilO DA AGRICULTUBA, JENDUSTBIA E COMMEIiClO 

E) com esse cuidado, podem ser immuiiisados, 
sem perigo, mesmo os animaes de mais de 2 
annos de edade . 

Propositalmente foi que nos cingimos aos signaes 
clinicos, durante a marcha de nossos trabalhos . Aliás são 
esses os únicos com que pode coutar o fazendeiro criador, 
reservaudo-se os exames microscópicos aos laboratórios bem 
apparelhados . 

Como não nos interesse, entretanto, nada menos, o 
lado scientifico do problema, apenas terminámos esta primei- 
ra serie, de cunho essencialmente pratico, iniciámos, para 
logo, estudos de etiologia . 

Em uma vacca "Hereford", actualmente a nosso cuida- 
do, para immunisação contra a tristeza, pesquisas de laborató- 
rio vêem confirmando, com a precisão do microscópio, o 
acerto ds nosso methodo clinico . Esse animal que, antes de 
inoculação, não continha babesias no sangue peripherico, 
apresentava a media de três por campo desde o primeiro ac- 
cesso febril, tendo decrescido extraordinariamente esse nu- 
mero após o emprego do trypanblau . 

De estricta justiça é testemunhar, findas estas consi- 
derações, o nosso agradecimento cordialíssimo ao illustre Dr. 
Henrique Lisboa, que, para este trabalho, contribuio com 
o mais avisado conselho e a mais firme orientação . 

BIBLIOGRAPHIA 



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DopTER e SacquepÉE — Bacteriologie. — 1914 — pag. 800. 

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Rohr — 1908 — Estudos sobre os ixodidas do Brasil. — pag. 196. 

Bello Horizonte — Dezembro — 13 de 191$. 

Dr. Carlos Sá 

^edico-Veterinario^d^Posto^de Observação de ^ A , mejda Q^ 

Medico-Veterinario do Posto de Observação de 
Bello-Horizonte. 



304 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E 0OMMBBCI0 



PELAS REVISTAS 



Exportação Argentina 

(Da revista /Anales de la Sociedad Rural Argentina) 

O balanço do movimento commercial da Republica Argen- 
tina com o estrangeiro accusa os seguintes dados relativos a ex- 
portação dos principaes productos das industrias Pastoril e 
Agrícola, durante os 9 mezes do corrente anno. 



PRODUCTOS DA INDUSTRIA PASTORIL 



PRODUCTOS 



Quantidades expor- 
tadas nos 
9 primeiros mezes 
de 1915 



Differenca em 1915 



Animaes vivos : 

Bovinos 

Equinos 

Productos animaes: 

Carnes de bovinos congeladas (ton ) 
» » » resfriadas » 

» » carneiros congeladas » 

Couros de cabras e cabritos 

» » lanigeros 

» » vaccnni sal 

» » » seccos 

» » caprinos salg. e seccos. . 

Lã suja 

Carne secca 

Outros productos animaes: 

Carne de conserva 

Manteiga de leite de vacca 

Sebo e graxa derretida 

Resíduos animaes: 

Guano 

Ossos 

Tripas salgadas 



26.410 
2.870 

37õ68 



12.208 
6.493 

3.478 



73.301 


— 


23.OII 


4 1 . 760 


i 


-11 1 — -> 
oj -4/3 


256.039 


+ 


17.593 


8. 141 


— 


28.368 


26.375 


— 


I4.78I 


1.654 


T~ 


251 


15.665 




6.245 


49.042 


— 


I.638 


18.055 


1 


7-55* 


1-549 


~T~ 


665 


86.058 


— 


4.729 


212 


— 


1.332 



+ : 7.297 
+ 1.019 

— 1.767 



5- 2 7° 
19-157 

420 



REVISTA DE VETERINÁRIA E Z00TECHNIA 



305 



PRODUCTOS DA AGRICULTURA 



PRODUCTOS 



Quantidades expor- 
tadas nos 
9 primeiros mezes 
de 1915 



Differença em 1915 



Aveia 

Cevada 

Centeio 

Linho 

Milho ; 

Batatas 

Feno 

Trigo. . : 

Assuear 

Farinha de trigo 

Farello e farellinho 

Tortas de sementes eleoginosas 




+ 



172. 119 

4o.979 
6.580 

+ 45.358 

-fi. 036. 423 

8.162 
— 6.467 
4-1.498.5r7 
-f- 36.817 

-r- 4L477 
— 20.409 

+ 2 - 6l 5 



O valor da exportação dos productos da Industria Pastoril 
durante o dito periodo foi de 166.766.416 pesos ouro e o dos 
da Agricultura de 269.354.774, representando um augniento para 
o primeiro de 9.944.818 e para o segundo 126.858. 101 pesos 
ouro respectivamente sobre a mesma exportação em igual 
periodo de 19 14. 



306 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



(A Revista de Veterinária e Zootechnia 
responderá, nesta secção, a todas as consultas e 
pedidos de informações que lhe forem feitos sobre 
assumptos de sua especialidade.) 



Snr. António Severiano de Macedo— Estação de Souza Aguiar — 
Estado de Minas. 

CONSULTA — Tendo irrompido entre a minha criação de aves 
uma moléstia vulgarmente chamada bouba ou frambocsia, peço indicar-me 
uma receita adequada ao caso, podendo a mesma ser-me enviada pelo 
correio. 

RESPOSTA— A moléstia das aves denominada bouba otoframèaeséa é 
um epithelioma contagioso, moléstia muito mortifera, que ataca de prefe- 
rencia as aves novas. 

A limpeza, a desinfecção rigorosa dos locaes e o isolamento dos do- 
entes ou suspeitos são as medidas básicas da prophylaxia. 

O tratamento curativo, que dá bôa porcentagem de bons resulta- 
dos, consiste em cauterisar todos os tumores com iodo, kerozene, essência 
de terebentina, nitrato de prata, acido acético ou outras substancias cáus- 
ticas. 

Não ha vantagem em curar as aves muito depauperadas ; é melhor 
sacrifical-as. 

Dr. Ch. Conreur. 



ECOS E NOTICIAS 

REGISTRO GENEALÓGICO DE AXIMAES REPRODUCTO- 
RES — O decreto n. 11.425, de 13 de janeiro do corrente anno, instituiu, 
na segunda secção da Directoria Geral da Agricultura do Ministério da 
Agricultura, um registro geral para a inscripção dos animaes reproducto- 
res, puro sangue e meio sangue, das espécies cavallar, bovina, ovelhum 
e suina, nascidos no paiz ou importados do extrangeiro e exclusiva- 
mente destinados a reproducção. 

Esse registro visa os seguintes objectivos: 

i.° Facilitar aos criadores nacionaes os meios de garantirem a 
maior ou menor pureza dos productos de suas estancias e de constatarem 
o valor dos genitores que empregam para o melhoramento de seus reba- 
nhos ; 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 307 



2V Permittir ao ministério a organização da estatística dos ani- 
maes de sangue nobre existentes em toda a superfície do território na- 
cional. 

Julgando de toda a conveniência dar o maior desenvolvimento a 
esse serviço, o sr. ministro resolveu determinar ao director do Serviço de 
Industria Pastoril que providenciasse no sentido de serem inscriptos no 
alludido registro todos os productos de classe não inferior a meio sangue 
nascidos e criados nos Postos Zootechnicos e Fazendas Modelo de Cria- 
ção e que, de futuro, venham a nascer uos mesmos estabelecimentos. 

REGISTRO DK LAVRADORES E CRIADORES — Publicamos 
em outro local a circular mandada expedir pelo sr. Ministro sobre esse 
assumpto e para a qual chamamos a attenção dos srs. lavradores e cria- 
dores. 

Nessa circular, salientando as conveniências de se inscreverem no 
Registro de Lavradores e Criadores e indicando os favores e auxílios que 
podem obter do governo os criadores, lavradores e profissionaes de in- 
dustrias connexas, domiciliados nas diversas circumscripcões do territó- 
rio nacional, que registrarem suas propriedades agrícolas, pastoris e in- 
dustriaes, determina o sr. Ministro que taes faxores e auxílios só sejam 
concedidos aos profissionaes que se acharem devidamente inscriptos no 
alludido Registro. 

Chamando a attenção dos interessados para essa circular, não ces- 
saremos de encarecer as vantagens que ha em registrarem suas fazendas no 
respectivo Registro a cargo da Directoria Geral de Agricultura do Minis- 
tério. 

INSPECTORIAS VETERINÁRIAS — O Sr. Ministros da Agricul- 
tura determinou á Directoria do Serviço de Industra Pastoril que provi- 
denciasse, com urgência, no sentido de serem transferidas ás sedes das Ins- 
pectorias para o interior dos Estados, procurando pontos mais convenien- 
tes e de zonas pastoris, devendo estas funccionar na casa do respectivo 
inspector. 

Ainda, de accordo com a resolução de S. Ex., os veterinários deve- 
rão residir em pontos differentes do do Inspector, em cada districto, pontos 
esses escolhidos entre os que mais carecerem dos serviços de taes funccio- 
narios. 

Os veterinários, com o inspector, agirão de commum accôrdo, nas 
zonas que lhe forem indicadas. 

Cumprindo as determinações do Snr. Ministro, a Directoria do Ser- 
viço de Industria Pastoril organisou, com a approvação de S. Ex., as novas 
sedes das diversas inspectorias e dos respectivos veterinários. 

ANIMAES REPRODUCTORES — O Sr. Ministro da Agricultura 
determinou que se fizesse o expediente no sentido de serem trans- 
portados, por conta do Ministério da Agricultura, 312 reproductores das 
espécies bovina, cavallar, ovelhum e suina, em diversas estradas de fer- 
ro da Rede Sul Rio Grandense e nas estradas de ferro S. Paulo ao Rio 
Grande e Sorocabana até S. Paulo, conforme requereram os Srs. Abilio 
Augusto Corrêa, Alfredo da Costa Cardoso, Pedro Alexandrino de Car- 



308 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEIi',10 



valho, Júlio César Ferreira de Mesquita, Luiz da Silva, Conde de Prates 
e a vSecretaria da Agricultura, Industria e Commercio de S. Paulo, por 
seu procurador, Dr. Ezequiel Ubatuba. 

O Sr. Ministro do Agricultura expedio ao Superintendente da 
JBrazil Railway C, S. Paulo, o seguinte aviso : 

Solicito-vos as necessárias providencias no sentido de ser conce- 
dido, por conta deste Ministério, transporte das estações de Porto Ale- 
gre, S. Leopolpo, Cachoeira, S. Jorge de Monte Negro, Uruguayana, 
Pedras <\ltas, SanfAnna do Livramento e de Passo Fundo, na Rede da 
Viação Férrea do Rio Grande do Sul e desta ultima estação Passo Fun- 
do á de S. Paulo, nas estradas de ferro S. Paulo-Rio Grande e Soroca- 
bana, para trezentos a doze animaes reproductores das diversas espécies 
e raças constantes da relação annexa, que forem apresentados pelo Dr. 
Ezequiel Ubatuba. 

Prevaleço-me do ensejo para apresentar- vos os protestos de minha 
alta estima e distincta consideração. 

Relação a que se refere o aviso supra — Da estação de SanfAnna do 
Livramento á de Passo Fundo — 20 reproductores ovinos de raça Romne}' 
Marsh, 30 reproductores cavallares das raças Percheron e Árabe, 
seleccionados, e 60 bovinos das raças Hereford, Hollandeza, Polled Angus, 
Devon e Red Polled. 

Da estação de Porto Alegre á de Passo Fundo — 10 reproductores 
boviuos das raças Devon e Gersey. 

Da estação de Cachoeira á de Passo Fundo — 12 reproductores bo- 
vinos da raça Devon. 

Da estação de Pedras Altas á de Passo Fundo — 40 bovinos das 
raças Devon e Gersey, e 20 suinos das raças Berskhire, Large Black e 
Polland China. 

Da estação de Uruguayana á de Passo Fundo— 40 bovinos das raças 
Devon e Gersey, e 20 suinos das raças Berkshire, Large Black e Polland 
China. 

Da estação de Porto Alegre á de S. João do Monte Negro— 10 suinos 
das raças Berkshire, Large Black e Polland China. 

Da estação de Uruguayana á de Passo Fundo — 20 reproductores 
bovinos das raças Hereford e Red Polled. 

Da estação de Porto Alegre á de S.João do Monte Negro— 60 sui- 
nos das raças Berkshire, Large Black e Polland China. 

Da estação de S. Leopoldo á deS. João do Monte Negro— 60 sui- 
nos das raças Berkshire, Large Black e Polland China. 

Da estação de S. João de Monte Negro á de Passo Fundo— 100 sui- 
nos das raças Berkshire, Large Black e Polland China. 

Da estação de Passo Fundo á de S. Paulo— 312 animaes de diversas 
raças e espécies, acima mencionados. 



ÍNDICE 



DAS 



IMIa/terias d. o q_-u.in.to volui^ie 



Alimentação dos equídeos 223 

Animaes ( Importação de ) 113 e 231 

Anunacs reproductores 307 

Animaes reproductores ( Registro Genealógico de ) 213 

An i mães ( Venda de ) 150 

Berne ( ) 247 

Blbliograplna 154 e 233 

Bouba ou frambcesia 306 

Caracú ( A selecção do ) 314 

Carbúnculo 147 

Caarbunculo bacteridiano 143 

Carbúnculo hematico 211 

Carne ( Exportação de \ 147 

Carnes congeladas 63, 148, e 250 

Carnes frigorificadas 212 

Cavallos para o serviço de sella, para a remonta do exercito e 

para corridas 182 

Consultas e informações 62, 1 13, 143, 204 e 306 

Couros ( Kxportação de) 252 

Ecos e noticias 62, 113, 144, 210, 247 e 306 

Estações de monta 124 

Estatística pecuária mundial 151 

Exportação Argentina • . . . 304 

Inspectorias veterinárias districtae?. 114 e 306 

Fabricas de productos animaes ( Inspecção das ) 78 

Feiras de gado 64 

Gado ( Fei ras de ) 64 

Gado guernesey ( ) • 128 

Gado para corte e o leiteiro ( Differença e conformação entre o ) 138 

Hipoderma bovis 247 

Ilunterellus Hookeri Hovvard (O- chalcidideo, parasita do carrapato 
Rhipicephalus sanguineus Latreille, observado no Rio de Ja- 
neiro ) 201 

Importação de animaes 113 e 251 

Importação de animaes com o auxilio do governo 115 

Industria pastoiil ( Reorganisação do Serviço de ) 1 

Industria pastoril ( Serviço de ) 114 



BIO MTNISTERIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Industria pastoril no Brasil ( A ) 265 

Inspectorias veterinárias districtaes 1 14 e 306 

Lacticínios ( Industria de ) 211 

Macapá e Amapá ( Excursão aos municipios de ) 53 

Malária humana e malária bovina ( Relaçães biológicas entre 

os hematozoarios da) 230 

Manteiga (Fabricação da) 262 

Manteiga ( Repressão de fraudes e falsificação da) 157 

Manteiga e outras gorduras ( microscopia da ) 192 

Marcas ( Registro de) 62 

Matadouro de Osasco 1 47 

Milho (Primeira exposição nacional de ) 62 e 113 

Moléstia de borna ? ■ 1 98 

Pecuária do Prata ( A riqueza ) 242 

Pecuária em Matto Grosso ( Industria ) 64 

Pecuária em Minas 250 

Pecuária na Argentina 1 52 

Pecuária no Rio Grande do Sul ( A ) 148 

Pelas inspectorias 53 e 205 

Pelas revistas 247 

Peste das cadeiras 63 

Peste de cegar 238 

Piroplasmose : | 204 

Postos Zootechnicos Federaes 65 e 148 

Posto Zootechnico de Lages ( Relatório sobre forragens ) 88 

Productos animaes ( Inspecção das fabricas de ) 

Queijos Chedar ( A fabricação do ) 46 

Raiva ( Epizootia da 251 

Registro genealógico de animaes reproductores 231 e 306 

Registro de lavradores e criadores 255 e 307 

Registro de marcas 62 

Remonta do Exercito ( Animaes para a ) 210 

Reproductores bovinos . 62 

Reproductores do governo ( Utilisação por parte dos criadores 

dos) •... : 171 

Serviço de industria 'pastoril 1 e 114 

Tétano 204 

Transporte de animaes ( Desinfecção de boxes e wagons destina- 
dos ao ) 251 

Tristeza ( Estudos sobre a ) 288 

Vaccinas ( Distribuição de ) . . • 64 e 150 

Venda de animaes 160 

Verrugas dos animaes 143 

Visita presidencial 146 

Zebú (A raça) 153 



ÍNDICE 



DOS 

autores cLo q.ixinto Trol-uizne 



A. da Costa Lima pr.) 201 

Aleixo de Vasconcellos (Dr.) 192 

Aleixo de Vasconcellos e Serapião de Figueiredo (Drs.) 230 

Carlos vSá e Almeida Cunha (Drs.) 288 

Charles Conreur (Dr.) 88 

Charles Vineenf J)r.) 182 

Esperidião de Queiroz Lima (Dr.) 63 

R W: Cheston (Dr.) 46 

( iastão Urbain (Dr) 238 

Gustavo DUtra Filho e Octávio Dupont (Drs) 223 

Nicoláo Athanasso (Dr.) 128 e 265 

Octávio Dupont (Dr.) 198 

Paulo Pestana 242 

Otto A. Fischer 138 

Theophilo de Azevedo (Dr.) • 134 




Remédio infallivel contra os carrapatos 

Officialmente àpprovado pelo Governo dos E. U. da America 

Machinas e instrumentos agrícolas, Separadores de leite e 
outros apparelhos para lacticínios 

BROMBERG, HACKER & Cia. 

Rio de Janeiro, S. Paulo e Bahia 



BROMBERG & Cia. 

Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande do Sul e agencias. 



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